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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O homem bicentenário (1999) : se puder, não assista!



O HOMEM BICENTENÁRIO (1999). Pense num filme ruim em diversas camadas! É, sem dúvida, o pior filme de robôs que já vi. Uma pena ser uma adaptação de Asimov, mas certamente muito mal feita. Quando Asimov colocaria uma questão interessante sobre humanos e tecnologia e nunca a desenvolveria? Não imagino! Nesse filme, é só o que acontece. 😔

Eu até poderia elencar vários problemas desse longa, mas, sinceramente, depois de passar mais de duas horas acompanhando a maravilhosa trajetória de Andrew, um robô hiperdesenvolvido, único, capaz de ser criativo e sensível mesmo sem ter sido programado para isso, mas que nunca é estudado pela corporação que o criou, que prefere simplesmente deixá-lo na casa do cliente que o comprou! Que tempo é esse?

E o que ele quer, com toda essa superioridade? Dominar a humanidade? Não! Virar humano e se casar! Ai, que preguiça!

Esse eu não recomendo. Se puderem, pulem!

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Revi "Inteligência artificial " (2001)

 


AI Artificial Inteligence : Eu tinha assistido a "AI" quando foi lançado e lembrava pouco, só do Pinóquio (amo) e de que chorei muito no final (como sempre quando envolve Spielberg e crianças). Desta vez, quase trinta anos depois, chorei novamente.

São muitas questões levantadas sobre robôs, amor e humanidade, pertencimento, direito à existência, temas caros à ficção científica, que nos relembram tantos outros filmes, como Blade Runner. Desde o início, o filme nos liga ao robô David (Harley Joel Osment, esse ator mirim excepcional que nem pisca nesse filme, o mesmo de O Sexto Sentido!), que foi projetado com amor incondicional e para todo o sempre e, depois, configurado para amar especialmente sua mãe, Mônica. Não consegue fazer outra coisa: mesmo depois de séculos, da morte e até do fim da humanidade, segue buscando ouvir dela "eu amo você, David", quase como se fosse um humano movido pelo desejo.

Cabe lembrar que o filme começa com uma cena em que os cientistas discutem as questões éticas envolvidas na criação de um autômato feito para amar. Qual seria a real responsabilidade do objeto desse amor incondivional? A trama nos coloca justamente no olho desse furacão. 

Gostei muito de reencontrar esse filme complexo e salientar que foi, sobretudo, uma grande homenagem póstuma de Spielberg ao seu amigo Stanley Kubrick, idealizador do projeto!

segunda-feira, 29 de junho de 2026

EU LI "EU, robô", de Isaac Assimov

 


​Confesso que a iniciativa partiu do filme de 2004, de mesmo título, dirigido por Alex Proyas e estrelado por Will Smith, e gostei mais do que imaginava. Meu interesse era observar como os anos 2000 imaginavam a interação do ser humano com a tecnologia, e me surpreendi ao notar que muita coisa já é realidade para nós.

​Então, peguei emprestado na biblioteca do SESC Pompeia um belo exemplar de 2014, da editora Aleph, desta obra de 1950, que reúne contos publicados por Asimov em revistas científicas na década de 1940! Para amarrá-los em formato de livro, o autor traz a personagem Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc., que comanda os trabalhos na virada do século XX para o XXI.

​Esses interessantes textos apresentam robôs muito desenvolvidos, dotados de "cérebros positrônicos", que devem seguir as Três Leis da Robótica:

​"1ª. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido. 2ª. Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei. 3ª. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei." (p. 65)

​Tudo parece muito bom e seguro, mas o autor escreve essas histórias mostrando o quanto a aplicação dessas regras pode causar conflitos.

​Como exemplo, destaco duas narrativas:

​Em "Razão", o robô Cutie não sabe quem ou o que o criou, mas sabe que existe, já que é capaz de pensar e concluir que é muito melhor que um humano e, portanto, deve substituí-lo na liderança.

​Em "Mentiroso", Herbie é capaz de ler mentes. A partir disso, conclui que elas são muito mais complexas do que qualquer levantamento de dados e, por isso, prefere ler romances a relatórios científicos. O impasse começa quando, sabendo o que as pessoas pensam, para obedecer à Primeira Lei ele decide nunca dizer coisas que possam ferir seus sentimentos, mesmo que precise mentir. Muito parecido com o modo como interagimos com as IAs sempre agradáveis da atualidade!

​Claramente, a intenção da literatura de Asimov não é simplesmente louvar o avanço tecnológico. Pelo contrário, é justamente apontar o quanto essa tecnologia pode questionar a existência das máquinas e do próprio ser humano, tornando a obra um material profundamente filosófico.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Matrix: Enfim posso dizer que assis

 
      

MATRIX (1999) - Mesmo sabendo que continua sendo uma referência, só fui assistir ao filme dirigido pelas irmãs Lana e Lilly  Wachowski porque soube que em poucos dias sairá do catálogo da Netflix e talvez fosse a melhor oportunidade para vê-lo. Não foi fácil, foi enfadonho. Apesar de a discussão filosófica proposta por ele ser inquestionável, tê-lo assistido não esclareceu mais do que já saber anres dessas ideias por terceiros . É que, apesar do conteúdo filosófico permanecer vivo, para meu gosto o filme envelheceu muito mal.

Primeiro, o senti  muito longo. Podiam encurtá-lo diminuindo as cenas de luta, jiu-jitsu, tiro, porrada e bomba. Que saco essa estética de ação, que também aparece em filmes como "Eu, robô ", que gostei muito mais,  e que não tem sequencias de ação  tão longas. Os efeitos especiais ficaram muito mais datados do que os de filmes ainda mais antigos que vi esse ano como Blade Runner.Na metade de Matrix,  aproveitando que assisti em casa, já senti vontade de pausar, lavar roupa, comer um lanche... Em geral, eu não gosto de filmes longos, mas prefiro aqueles em que nem percebo o tempo passar, o que não foi o caso.

Outra coisa que estranhei, mas depois entendi melhor por causa do contexto da época, foi a narrativa do escolhido. No século XXI, preferimos os anti-heróis das séries, não é mesmo? Em todo caso, agora já posso dizer que assisti  Matrix, mas preferi assistir a serie Dark, que nele se inspirou.

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