segunda-feira, 22 de junho de 2026

A janela indiscreta, Alfred



Acreditam que eu nunca tinha assistido ao famoso filme de Hitchcock? Fui ver esses dias. Já tinha começado a ler o conto "It Had to Be Murder"(traduzido como "A janela indiscreta"), de Cornell Woolrich, mas não quis terminar para não tomar spoiler, porque queria assistir ao filme primeiro. Foi uma decisão acertada, afinal agora posso terminar de ler o texto.

Uma questão que me chamou atenção no conto, mesmo eu só tendo lido as primeiras páginas, é a atenção dada ao ponto de vista do narrador. A história do homem imóvel, preso à janela do seu apartamento e que só pode observar a vida de seus vizinhos se desenvolvendo através daquela janela, é um ótimo recorte visual; quase pediu para ser filme.

Lembro que, no texto, ele começa observando que não conhecia nenhum dos vizinhos, não sabia seus nomes, nunca tinha ouvido suas vozes. No entanto, podia acompanhar, meio que de perto, o desenvolvimento de suas vidas. É como um experimento laboratorial, e os vizinhos, suas cobaias. Tudo isso é, de algum modo, explorado com imagens no filme.

Valeu muito a pena assistir, enfim, a esse clássico dos anos 1950, onde todo mundo bonito tinha os olhos extremamente azuis. Destaque para a exuberância inquestionável de Grace Kelly no papel de Lisa Fremont, noiva do fotógrafo L

. B. "Jeff" Jefferies, personagem interpretado por James Stewart. Jeff é um fotógrafo indeciso sobre se deve ou não se casar com uma mulher tão performática, e que vai, aos poucos, se mostrando mais sensível e inteligente do que ele poderia suportar. E livre! Decide, por si mesma, dormir em sua casa. Para uma mulher solteira da época, isso deve ter sido um choque.

Agora vou procurar novamente o conto e terminar a leitura para ver se vale uma comparação mais aprofundada. Por hora, foi muito bom assistir a esse clássico de Hitchcock.