TELA BRASIL
Baixei a plataforma Tela Brasil no celular e o primeiro filme que assisti foi o curta-metragem MY NAME IS NOW, ELZA SOARES (2014), direção de Elizabete Martins Campos, um documentário autobiográfico e sensorial sobre a vida e a trajetória de Elza Soares, uma das maiores cantoras da música brasileira.
Trazendo uma Elza já madura, mas ainda na passagem dos séculos XX para o XXI, o filme tem um clima mais sofisticado, como no álbum Do Cóccix Até o Pescoço (2002), período anterior àquela fase de seus álbuns consagrados A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus É Mulher (2018), que a trouxe como referência feminina com mais de 80 anos!
Como uma espécie de complemento audiovisual à biografia Elza (2018), escrita por Zeca Camargo, no filme sua história é contada e cantada por ela mesma, apontando momentos que ela selecionou como importantes sobre a música, a negritude, o feminino, as humilhações e superações, os amores pelos filhos, pelo samba, pelo futebol e por Garrincha.
É um filme muito visceral. Ouvir bem alto e por tanto tempo aquela voz rouca, seu canto de lavadeira que carrega lata d'água na cabeça e que, magicamente, vira puro jazz no seu cantar, não é e nem deve ser confortável. Não o tempo todo. Chega a virar lamento e depois grito de dor.
Que experiência assistir a esse filme! Especialmente para mim, uma mulher negra brasileira, que já me sentia tão bombardeada com imagens, sons e narrativas de mulheres brancas no audiovisual nos streamings, foi o "gostinho" de realidade que eu queria e precisava.
Recomendo aos interessados! Obrigada por mais essa, Elza!

