quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Instrumental SESC Brasil : jazz funk do Bufo Borealis ,

 


Foi um dia de verão chuvoso e mal encarado em São Paulo. Fui treinar rapidamente e depois tinha terapia, me arrumei pouco, mas estava bonitinha (cabelo sempre molhado de chuva não ajudava), o caminho percorri todinho debaixo de chuva! Viva o guarda chuva. Não estava lá muito bem emocionalmente, fui pensando no ônibus 

Até quando essa solidão chuvosa? Tinha terapia, alguns assuntos tenebrosos para discutir, chorei e no caminho para o Sesc, peguei o metrô mais lotado  da vida. Chuva, linha amarela paralisada no sentido Vila Sônia (pessoas tendo que seguir caminho pelo temido sistema de ônibus PAESE. Eu ia apenas da estação Paulista para a Higienólopis, no sentido Luz, mas estava tão cheio, que vi de perto aquelas cenas terríveis, os trens parando a cara dois minutos, abriam lotados e uma ou duas pessoas conseguiam se encaixar dentro da lata de sardinha. Algumas, mais de uma, ficavam presas na porta, ou eram jogadas para fora do trem. Uma funcionária do metrô anunciou uma plataforma "vazia" adiante que, óbvio, logo não ficou tão vazia assim, mas lá achei que talvez conseguisse embarcar. Mesmo assim, tive que esperar no terceiro tremai comentei com uma mulher sobre a desilusão, estava quase voltando para a Paulista e pegando o ônibus terminar lapa para casa, pois não queria ficar presa na porta do metrô. Ai não sei, ela deve ter ficado com pena de mim e quando o trem chegou, como um anjo guiado pelos meus mentores espirituais, me disse: segura na minha mão, vamos entrar juntas, ela entrou primeiro e eu a segui e  enfim, o que até há pouco eu achava impossível aconteceu: eu entrei no trem e ia poder ver o instrumental! 
                   
Quando cheguei no Sesc Consolação postei este Story no Instagram:

Estava achando que estava com sorte, tomei o creme de milho com queijo na comedoria  e quando me sentei no Teatro Anchieta,  vi o palco lindo e iluminado, cheio de instrumentos
                           
 E ao pegar o celular para silenciá-lo, vi uma resposta ao meu story  no Insta:
                       

Nossa, ai foi que o barraco desabou, comecei a chorar de emoção! Como a gente pode não amar o Sesc? Foi o carinho que eu tanto precisava! Amei demais!

Antes do show começar, como sempre, me sento perto de uma criança, pois nossas energias se atraem. No caso era o encantador menino Pedro. Ele devia ter seus 4 ou 5 anos e estava com os pais assistindo. Muito ansioso para ver seu primeiro "show sentado", como gente grande. A mãe explicou a questão dos três sinais antes do espetáculo começar e ele na maior expectativa pra o terceiro. Quando chegou sua tia e comentou que quem ia tocar aquele atabaque ali era o seu tio, ele  muito espontaneamente gritou UHUUUUUU (rs). O mesmo grito que deu quando viu seu tipo entrar no palco, estava extasiado. Mas não aguentou muito tempo, o som era alto demais para seus jovens ouvidos, logo  saiu levado pelo pai e quando voltou, já estava dormindo. Mas sua alegria e espontaneidade de criança,  como sempre, foi um brilho em minha noite.

Mas e o show, enfim? Era de Bufo Borealis,  uma banda muito boa, sensacional mesmo. Vejam só :


 Um som instrumental muito denso, tantas vezes me remeteu, ainda que levemente, a  alguma sonoridade "psicodélica" do Som Imaginário, especialmente no álbum Cabeça do porco (1973). só que com uma roupagem mais atualizada. Eu não sabia de nada, juro, foi uma referência muito aleatória de uma boa ouvinte de música instrumental que me levou a essa associação. Pensava que,  provavelmente, ao som Imaginário nem pudesse ser  uma referência direta para a Bufo, talvez nem seja, mas percebi certo diálogo com a  sonoridade dos anos 1970 e com o  Som é uma referência para mim como ouvinte desse período, podia valer a pena. Realmente, no site do Instrumental, não há referências ao Clube da Esquina, mas ao som dos anos 70, sim:
                                         



Como sempre no  Instrumental os músicos comentam sobre a emoção de estarem se apresentando naquele palco tão importante para a música instrumental brasileira. Nesse caso não foi diferente. O excelente baterista Rodrigo Saldanha falou sobre um papo com a banda sobre a primeira coisa que vinha à cabeça do grupo quando se falava em Instrumental Sesc Brasil. Ai ele disse, para mim, vem Arismar do Espírito Santo (que se apresentou mais de uma vez no programa e que eu assisti nesse inesquecível show em 2018) e também o Pepeu Gomes, que também subiu àquele palco mais de uma vez, mas que  infelizmente não vi ai vivo! Para mim foi emocionante, pois sei que era o dia do aniversário do Pepeu, um dos instrumentista brasileiros que eu acho mais foda! Estava o dia todo cantando "a flor do desejo e do maracujá eu também quero beijar", e quando estava voltando para casa, comprei uma trufa de maracujá, para adoçar um dia difícil:




Só posso agradecer a mais esse dia , no qual fiz tantas transmutações de energia de ruim para boa! A vida é mesmo assim! 












segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Quintal dos Prettos fevereiro 2023: o primeiro do ano



Primeiro do ano! Estávamos morrendo de saudades! Expectativas explodindo para curtir o melhor parrudo alto de São Paulo 😍 Depois de um mês sabático (férias de janeiro), foi maravilhoso voltar ai templo do Samba! Amo o Maria Zélia! 
O tema do samba foi esse, que todo mundo cantou junto:
Vamos de fotinhas?

Eu amei essa foto: Camila meLANina

na varanda 

Gatinha, vai!

Delicada (adoro esse cabelo) 


Os cabelos do Quintal, sempre me encantam!

Prettos 


Quintal dos Prettos

Crespas 


VELHA GUARDA: Graça Braga!
Máximo respeito!

No fervo!



Foto no banheiro 



A roda

Foto linda dos meus queridos 

Bolsa nova: uma compra urgente!

Adoro os figurinos do samba


Um dos fundadores do Samba da Vela


Graça Braga e Magno

No abraço da "Amizade", a gente se abraçou e
fugiu da chuva e da briga 


Bateria da Mocidade Alegre 



Em casa 21:30!!!


Aconteceu no mesmo dia, vale o registro

E foi mesmo !

Logística

Sempre vou querer mais. 

Amo aprender sobre Samba


Tudo deu muito certo!



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

A poesia concreta de Josinei de Souza Arevalo

 

Revista de literatura & arte Germina 

link

https://www.germinaliteratura.com.br/josinei_de_souza_arevalo.htm


Os sortidos poemas do nortista Josinei de Souza Arevalo, publicados na revista de literatura & arte Germina, disponíveis  Nesse link,  são um passeio por átimos poéticos instigantes.

Como não sou poeta, nem crítica e  tenho pouco repertório de poesia concreta, confesso que lendo-os foram muito inusitados para mim, realmente surpreendentes. Ao explorar diversos aspetos da palavra, Josinei flerta com o humor em mensagens surpreendentes que, em último caso, despertam em nós um sorriso, como por exemplo:

"o W é um M dizendo vem."

Como uma leitora comum, para me sentir mais confortável com os estímulos que emanavam,  revisitei as memórias de leitura dos livros/cadernos modernistas como os de Oswald de Andrade, no  inicio do século XX, que conheço melhor e, para mim,  sublinham "espetacularmente" o poético sempre presente no prosaico, como nessa batalha entre o P e o T:

"duas putas disputam

brutament

um poste" (grifos meus)


Como se atendendo à sugestão de Drummond em sua "Procura da poesia", 

os poemas de  Josinei nos convidam a "penetrar surdamente no reino das palavras", e lá podemos  brincar livremente (como fazem as crianças na fase de aquisição da linguagem)  com a  composição dos vocábulos , dividindo-os e rearticulando-os, em um jogo de linguagem  onde um vocábulo se mistura ou se separa do outro e a vida é a própria linguagem poética, como nesse exemplo: 

"Casa

Toca onde o homem se entoca

para ninguém à noite o tocar" (grifo meu)


Mais ao modo do que se imagina popularmente como "poesia concreta", Josinei também investe na articulação entre o escrito e formas não escritas,  para criação de uma mensagem de valor poético mais elevado, como aqui :




Enfim, aos interessados em mergulhos poéticos, recomendo a leitura dos poemas destes e de outros poemas de Josinei de Souza Arevalo, uma grata surpresa no cenário da poesia brasileira.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

No dia de Iemanjá, morre Glória Maria

 

Vestida para festa de Iemanjá: Gratidão 💙

Hoje é um diamuito importante,pois nele se louva uma das orixás mais conhecidas e culturas no. Brasil, Iemanjá, que aqui é sereia do mar, rainha das águas salgadas. A mãe dos Orixás, mãe de todos os oris (cabeças).  

Iemanjá é Orixás do Brasil 💙🤍💙

ACENDI VELA AZUL NO DIA DE IEMANJÁ: Me arrumei para homenageá-la no seu dia, como podem ver nas fotos

No difícil  ano de 2022 eu me comuniquei muito com os orixás, vários deles, através de sonhos. A mais constante, com mensagens mais claras e acolhedoras, foi Iemanjá, a mãe de todas as cabeças. Daquele colo não saio mais:  Gratidão 🙏🏾💙

Descanse em paz e obrigada Glória Maria

Infelizmente seu dia não foi só de festa no Brasil. Perdemos Glória Maria, uma das jornalistas mais importantes do país, pelo seu talento, por ser mulher, por ser negra e por sua trajetória. 

Que Glória seja recebida por Iemanjá no outro plano, junto de nossos ancestrais,pois certamente mamãe a irá acolher, como fez e faz com tantos de nós desde sempre.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Aline Gonçalves quinteto : doçura e poesia

 

Uma musicista doce

Eu tinha terapia, primeira sessão do ano, fui muito leve, de azul e branco,naquele calor

Eu pensei em Iemanjá, mas não imaginava 
O quanto o mar seria importante nesse show

O show do dia 24 de janeiro no Instrumental SESC Brasil foi da flautista carioca Aline Gonçalves e seu quinteto.  Eu não sabia de nada, mas quando entrei no Teatro Anchieta vi muitos instrumentos, como eu gosto e fiquei feliz. Como boa carioca, Aline é simpática e agradável. A doçura, somada ao som angelical da flauta , só foi  confirmação de tudo isso de bom.


Muitos instruentos, mais do que identifiquei


Antes de começar eu reparei a presença de muita gente do Rio e pensei: acho que vai ser uma carioca. E foi mesmo. Foi linda forma como ela se apresentou: agradeceu a todos que vieram, porque era bom demais "aquele quentinho". 💕 

No site do Instrumental a apresentam assim: 


O show foi quase todo a partir de seu álbum Pacífico, que Aline explica ser inspirado na contradição do Oceano Pacífico, que como sabemos, não é tão pacífico assim, e isso nos explica que devemos saber a não ser pacíficos quando não devemos ser. 

Deu para reparar que estávamos num ambiente muito poético de música, som instrumental dos melhores, uma viagem à outras praias, físicas ou imaginadas. Um refresco nessa vida maluca.


Todos juntos 😍


Sobre o quinteto, também gostei muito, musicistas excepcionais. Destaco o violino de Renata Neves, que explora sonoridades brasileiras no violino. Chegou a tocar um baião, afrouxando as fronteiras entre erudito e popular, como a gente gosta. Só lamentei que a menininha que gosta de violino e frequenta o Instrumentalmental com o pai, não estava.

Outro músico do quinteto, o Pedro Pereira, no violão e guitarra, também tem junto com Aline o projeto Brevidades, todo composto em terceiras (três elementos), como um Hai Kai .❤️ Fiquei curiosa para ouvir mais.

Louise, a pianista convidada, tocou aquela beleza de composição que é Pisando na areia branca, do Hermeto Pascoal. Que sorte temos de poder desfrutar essas lindezas.

Aline também está envolvida no projeto que deu origem ao Songbook EMMBRA, que reúne partituras de compositoras brasileiras. Coisa mais linda!

O show foi maravilhoso, como podemos conferir AQUI

Ondjaki, poeta angolano

Mas uma surpresa linda mesmo foi que ela leu um  poema do poeta angolano Ondjaki , que eu não conhecia, mas tem tudo a ver com a temática dos oceanos. 

Vejam  que beleza: 

"Quando for a minha vez de ir ao mar devolvam-me da infância as andorinhas as conchas e as marés os búzios, as canas de pesca, as tardes e a nudez. Tragam a leveza que inaugurava a praia e a manhã a mão que escondia o sol e acenava ao pássaro branco,  a secreta ânsia de espreitar a tarde a expressão de repouso no olhar." Ondjaki "Dentro de mim faz sul"

Como sempre, o instrumental faz a vida melhor e mais bonita !



terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Corte de cabelo: uma nova era!

 
Rejuvenesci na hora

Enfim resolvi encerrar o ciclo do cabelão na na minha vida e comecei nova era. Mesmo ficando com cara de mais jovem, me sinto muito mais madura, dei  adeus a minha fase Rapunzel, que ficou com as dores de 2022.

Interessante que tinha a ideia de cortar o cabelo já em 2019, antes da Pandemia, procurei um cabeleiro novo, que não soube cortar meu cabelo, ficou horrível e me deixou traumatizada, por isso mantive o cabelão na quarentena e depois. 

Mas não era hora ainda de cortar, eu ainda precisava amadurecer. Na hora certa, com a minha cabeleireira de sempre, sem eu pedir,deu certo:


Que venha 2023, estou madura pra te enfrentar ! 


Ficou lindo o cabelinho de chapéu azul do Seu Madruga


Avatares também entraram na brincadeira