sábado, 7 de março de 2026

BE ATRIZ


 

BE ATRIZ

Tinha feito exame de sangue ali na Lapa e passei na biblioteca do Sesc Pompeia. Ainda estava comendo as torradinhas pós-jejum que ganhei no laboratório, em frente ao teatro, quando um homem me viu e comentou:

“Só faltou uma máquina de café para você agora.”

Eu sorri e apontei para o café do teatro ao lado.

Ele disse: “Ah, mas ali tem que pagar, daí não vale. Se bem que você é atriz e não paga.”

Respondeu em seguida: “Sim, já te vi em muitas peças aqui.”

Sem ter muito o que dizer, me calei.

O que será que ele quis dizer com “se bem que você é atriz”? Na história das mulheres isso nem sempre foi algo positivo, aliás, muito pelo contrário (rs).

Eu estava tão cansada, mas fiquei com a dúvida: que papel representava a “atriz” naquele momento? Sozinha, cansada, com fome?

Atriz ou não, fui vista, flagrada em um momento de vulnerabilidade, e ganhei mais uma historinha para o meu anedotário no Sesc Pompeia.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Sussurros do coração: filme Ghibli feito "pra mim"

        

Lançado em 1995, Sussurros do Coração é uma animação do Studio Ghibli dirigida por Yoshifumi Kondō. Conta a história de Shizuku Tsukishima, uma estudante apaixonada por livros que descobre que todos os títulos que pega na biblioteca já haviam sido lidos antes por Seiji Amasawa, um jovem dedicado ao sonho de se tornar violinista e artesão de instrumentos. 

O filme é pontuado pela canção Take Me Home, Country Roads, em versões japonesas e também para violino.

"Suspiros do coração " é o nome da história que a nossa heroína escreve sobre a história de amor da estátua de gato Lord e sua amada gata perdida, quando ele ainda estava vivo...

É o filme que os estúdios Ghibli parecem ter feito para mim. Eu fui essa adolescente leitora e rata de biblioteca que, em 1994, estava pronta para sonhar novas narrativas e subir tão alto que quase alcançava o céu. 


Foi muito emocionante assistir a esse filme, que se tornou meu Ghibli favorito.







sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

"Túmulo dos Vagalumes", Isao Takahata

         

Lançado em 1988 pelo Studio Ghibli, Túmulo dos Vagalumes é dirigido por Isao Takahata e baseado no livro homônimo de Akiyuki Nosaka. A animação acompanha os irmãos Seita e Setsuko tentando sobreviver no Japão durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, em uma narrativa delicada e devastadora sobre amor, perda e a fragilidade da infância em tempos de guerra.

Depois de muito adiar, finalmente terminei de assistir à animação e confesso que a primeira sensação foi de vazio e profunda tristeza, porque é uma história real. Akiyuki Nosaka realmente perdeu a irmã mais nova por desnutrição durante a Segunda Guerra, e é quase intolerável acompanhar a atrocidade destruindo a delicadeza do olhar infantil sobre a vida.

Mas o filme não é só isso. Ao recontar essa história, a animação a preenche com a magia do amor entre os irmãos. Quando Seita percebe que a guerra levou a família inteira, a mãe e o pai, e que restaram apenas ele e Setsuko, sofrendo de fome e desnutrição, o jovem cria pequenos milagres cotidianos para a irmãzinha: brinca na praia, faz malabarismos, mistura balas de fruta como se fossem um tesouro, brinca com os vaga-lumes, arranca risos dela. Tudo porque sabe que podem não sobreviver e que é urgente transformar cada momento em algo único. E consegue encher de encantamento seus últimos momentos de vida.

Essa história, que foi cruel e implacável, nos deixou, ainda assim, essa triste joia do Studio Ghibli. Sei que, por muito tempo, ainda vou ouvir o alegre riso de Setsuko chamando o maninho para brincar com os vaga-lumes, e isso é muita coisa.

 


O DRAMA MENSTRUAL DE JANE AUSTEN (2025): Indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem no Oscar 2026, O Drama Menstrual de Jane Austen (2025), dirigido por Mariana Whitaker, está disponível no YouTube.

Nele acompanhamos a história da srta. Estrogênia Talbot, interpretada por Julia Romano, que menstrua justamente durante um pedido de casamento feito por Edmund Ashford, vivido por Thomas Ellery. Ao perceber o sangue, Edmund acredita que a jovem está gravemente ferida. Estrogênia, então, decide explicar o que realmente está acontecendo, o que dá origem a uma sucessão de situações cômicas impagáveis.

Muito bem produzido, com grande elenco para um curta, figurino impecável e imagens belíssimas da natureza, o filme é uma divertidíssima aula sobre questões femininas, tema sobre o qual ainda se fala pouco, até hoje.

A narrativa é sucinta e não necessariamente precisaria se estender mais. No entanto, caso houvesse alguns minutos adicionais, talvez até mesmo as piadas já incríveis alcançassem um efeito ainda mais potente. Recomendo vivamente que assistam.

Um apontamento interessante: este é um filme sobre questões de mulheres, no qual os homens entram sobretudo para observar e aprender. Já em Cantores (2025), outro curta que assisti recentemente e que concorre ao mesmo prêmio, o tema é exclusivamente o universo masculino.

Eis mais uma disputa entre homens e mulheres na qual ambos saem ganhando, com filmes excelentes.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

RAINHA Charlotte: uma história de Bridgerton


RAINHA CHARLOTTE Uma História de Bridgerton

Depois de terminar a encantadora primeira temporada de Bridgerton lançada em 2020, com seu Duque inesquecível interpretado por Regé-Jean Page, em vez de continuar acompanhando a segunda temporada, decidi pular direto para o spin-off sobre a história de uma mulher forte na História, a Rainha da Coroa inglesa da era georgiana.

Foi uma decisão acertada. A minissérie lançada em 2023 não apenas mantém tudo aquilo de lindo que amamos nos primeiros episódios de Bridgerton, como cenários, figurino, atuações excelentes, como também se destaca especialmente por apresentar uma narrativa mais fechada, centrada no aprofundamento de temas apenas sugeridos na série original, como a possibilidade da entrada de nobres africanos no convívio social da corte inglesa da época.

A partir do foco em Charlotte, acompanhamos excelentes interpretações da personagem em diferentes fases da vida. A jovem Rainha Charlotte é vivida por India Amarteifio, enquanto a versão madura da rainha é interpretada por Golda Rosheuvel, personagem já conhecida de Bridgerton. Essa construção em duas temporalidades fortalece o drama e dá densidade emocional à história.

Destaco também a atuação das atrizes que viveram Lady Danbury. A personagem aparece jovem, interpretada pela LINDÍSSIMA Arsema Thomas, e mais madura, vivida por Adjoa Andoh. Com suas roupas coloridas e elegantes, Lady Danbury não apenas imprime um forte toque africano à série, como se torna um de seus eixos centrais, tanto político quanto emocional.

A aposta na ideia de que a Rainha Charlotte teria, de fato, traços africanos, hipótese levantada por historiadores contemporâneos, funciona muito bem como sustentação para a ficção. Ainda que seja impossível afirmar com certeza o que realmente ocorreu, para os propósitos da minissérie essa escolha foi acertada .

Gostei tanto que cheguei a me sentir  a própria Rainha Charlotte de COROA e roupas coloridas  kkkk.

Essa comparação ficou melhor kkk


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

BRIDGERTON : Primeira temporada

 


ANTES TARDE DO QUE NUNCA Terminando a primeira temporada de Bridgerton (Netflix). Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor) e Simon Basset (Regé-Jean Page): um casal fofo numa Inglaterra georgiana possível. A temporada foi baseada no livro "O duque e eu", de Julia Quinn. A mocinha  é adolescente, tipo “Moça com Brinco de Pérola”, e ele… ah, como é lindo esse Duque! Nem ia  comentar detalhes, mas a carinha dela, (muito boa atriz) de olhos bem abertos na noite de núpcias é impagável 😂 😍




 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

GHIBLI FEST 2026

 


GHIBLI FEST 2026: Estamos em época desse festival de cinema dedicado ao lendário estúdio japonês responsável por animações mundialmente conhecidas como A Viagem de Chihiro. A mostra faz parte da celebração dos 40 anos do estúdio e exibe longas-metragens produzidos pelo Studio Ghibli nas telas grandes do cinema, muitas vezes em versões remasterizadas. Neste ano, entre 19 de fevereiro e 4 de março, em diversas salas de cinema do Brasil, acompanhamos a segunda edição do evento, com mais de 20 filmes preciosos.
Tive a oportunidade de conhecer a mostra e assistir ao filme Nausicaä do Vale do Vento (1984), de Hayao Miyazaki, que acompanha a história da princesa Nausicaä que é  uma pequena heroína e mesmo sem nenhum apelo erótico, vive  voando no vale dos ventos de sainha curta e sem calcinha, mostrando o bumbum eventualmente, em um mundo pós-nuclear, tenta proteger soeu povo de uma floresta tóxica habitada por insetos gigantes. Se pudesse, veria mais filmes.




O CINE UFF perguntou minha opinião e eu respondi :
"Gostei de "Nausicaã do vale do vento"( 1984), primeiro filme de Hayao Miyazaki que assisti. Não é tão sublime quanto outros clássicos do Studio Ghinli como "a viagem de Chiriro", mas interessantíssimo , afinal mostra um futuro possível pós apocalíptico (no caso do Japão, pós ataque nuclear) onde a possibilidade de permanência só se consolida com o combate a elementos tóxicos/ contaminados, o que infelizmente é mais verdade para os anos de 2020 do que gostaríamos."