sábado, 2 de janeiro de 2010

Representações de crianças...


Escrevendo o projeto de pesquisa de doutorado, coloquei claramente uma grande questão proposta na apresentação do livro "Os intelectuais na História da infância" : Sendo um trabalho de história, ao estudar o tema infância na obra de Guimarães Rosa eu deveria especificar claramente no projeto se se trata de uma proposta de trabalho sobre "História da Infância"- então me debruçaria sobre a concepção ou a representação que os adultos fazem sobre o que foi vivido pela criança ou sobre "História da criança"- que seria a história da relação das crianças entre si e com os adultos, com a cultura e a sociedade... entretanto, esclareci que não estou propondo a investigação de ‘crianças’ ou ‘infâncias’ reais, mas de representações delas feitas pela obra rosiana, que parece se encaixar em ambas as formas ...
Mas porque é tão importante a representação?
Vamos considerar duas formas de representação de crianças em evidência: O filme da Xuxa "Mistério da feiurinha"; e o novo CD da Adriana Calcanhotto Partimpim 2 ... quero escrever agora sobre eles, porque ainda não ouvi completamente o CD, e o filme ainda não assisti... depois de entrar em contato com ambos, volto a falar sobre eles- caso me sejam interessantes...
Em princípio, um parece ser o oposto do outro: Xuxa, ao pensar em um filme sobe o livo do Pedro Bandeira, está decodificando e entregando nas mãos da criança todo o universo de antigas tradições infantis - o dos contos de fadas - e elas vão gostar (etimologicamente, infância diz respeito a seres que ainda não tem poder de decisão sobre seu destino ou gosto) - e podemos lembrar das palavras de Alice, de Lewis Carrol:"de que serve um livo sem figuras nem diálogos?", então o filme de Xuxa estaria "reforçando" essas questões?Não sei... penso que não, que as crianças gostarão de tudo, porque tudo é mágico para elas, mas não saberão, por enquanto, que tendo acesso a essas coisas, estarão perdendo a oportunidade de fazer aquilo deveriam ser incetivadas a fazer tempo todo : Criar!
Já no disco da Adriana, tomando pelo excelente site do disco - no qual somos incentivados a criar o tempo todo - e um pouco pelo primeiro Partimpim e pelas quatro músicas do novo que eu já ouvi, a representação caminha por caminho oposto:Mergulha-se fundo no universo de significados e sonoridades das crianças, trazendo à tona os animais como a gatinha manhosa,o cotidiano como musicando o Alface, componente de todo almoço, da afetividade quando o amor é destaque da canção "Menino menina" e fazendo a relação desses temas tão "História da criança", a representação introduz o tema da História da Infância, com a música "O Homem deu nome a todo os animais"... dando nome, inseriu-os na narrativa.
O texto que eu mais gostei desde que e enveredei pelos caminhos da decifração da infância foi a apresentação de Sebastião Salgado para seus Retratos de Crianças do Êxodo, que eu postei na íntegra aqui...
O texto- assim como as fotos - não representa crianças ou infâncias, as apresenta não como seres tolos e fofinhos, mas sim como seres que estão vivendo e sobrevivendo a dores insuportáveis até a homens adultos...para nos aproximarmos delas é preciso mais sensibilidade. Como diz meu orientador - que não é um partidário de nenhuma concepção política nem da esquerda, nem da direita- não vamos resolver todos os problemas da Epistemologia ou da História Social, antão porque não apostar em novos olhares, menos duros, se for o caso?
Guimarães Rosa, para quem, segundo Luiz Costa Lima,"o mundo é mais do que crueldade" escreveu em "Pilimpsiquice", que "Representar é aprender a viver além dos levianos sentimentos, na verdadeira dignidade."
Esse é o meu autor e eu sei que tudo isso que eu penso ainda está confuso, mas estou apenas no começo do raciocínio ainda...
O que você acham?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

VIRADA 2009-2010


Enfim 2009 - esse ano complicado -acabou!

Mais uma vez eu estive no Réveillon da Paulista, desta vez com mais 2 milhões e quinhentas mil pessoas - eu não acreditava que seria possível, mas estava ainda mais cheia que no ano passado!

Mas nesse ano me diverti muito mais: Muito "amor"- talvez até demais para uma balzaquiana- e alegria!

Na hora da queima de fogos achei que estava ainda mais bela que no ano passado e foram naqueles quinze minutos de virada que a garoinha virou chuva, mas achei ótimo, pois estava sentindo que estava sendo limpa das ziqueziras de 2009!

Nessa hora eu estava ao lado de duas crianças e achei inesquecível olhar para os olhinhos encantados delas ao ver os fogos, os papéis brilhantes caindo por 15 minutos seguidos e cada vez que os fogos davam um tempo de alguns segundos, elas diziam decepcionadas "já acabou?"...

A festa deste ano foi ao som de samba e é disso que o povo gosta (não do KLB chatíssimo), confiram e pensem numa pessoa que se acabou de dançar:




Eu "sai do corpo" (como diz um amigo meu) ... espero que 2010 seja como foi a Virada: Tudibom!
Feliz 2010 a todos nós!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A RETROSPECTIVA 2009

Não ia fazer uma, porque tinha a impressão de que em 2009 nada tinha acontecido, mas relendo o blog,acho que aconteceram coisas, si, só não aconteceram as coisas que eu quero ... ainda não... Vamos ver que coisas aconteceram no ano, do fim para o começo:

DEZEMBRO - Redescobri, enfim, o prazer de estar estudando e de decodificar linguagens, fui aos shows do Karnak e do Funk como le gusta e como diz um amigo meu "sai do corpo", descobri o significado da frase do Caetano "Tarado ni você" e isso me ajudou a destrinchar o "Discurso Caetano", estive muito ligada nas crianças e seu mundo...

NOVEMBRO - Mês muito tenso: Fiquei muito brava com o caso da moça da UNIBAN (que absurdo!), muito preocupada com dois garotos que desapareceram, contra a arbitrária eleição do novo reitor... mas também tivemos coisas boas: Dia da consciência negra, sai com um bombadinho sensível rsrsrs, assisti ao sarau com Claudio Willer (suspiros) e fiquei feliz pelo ano, enfim, estar acabando

OUTUBRO - Muita emoção nesse mês... Chorei muito ao conhecer a história do menino abandonado pelos pais Julio César Santos,fiquei triste com a morte de Mercedes Sosa, fiquei sem palavras com as ações do MST e os laranjais, fiquei apreensiva mas feliz com o Nobel do Obama e, enfim, completei trita anos comendo doces e ganhei um presente lindo,a lembrança doce de uma aluna que tive na oficina de Guimarães Rosa que me deu a noção de que tenho que fazer doutorado mesmo! ,

SETEMBRO - Teve Show do Roberto Carlos -que momento!- descobri e publiquei aqui um dos textos mais lindos que eu encontrei no doutorado até agora, é a introdução de Sebastião Salgado sobre os retratos das crianças do Êxodo, soube da partitura que os pássaros compõem na cidade, Me envolvi demais com o curso do Tatit e com a invasão evangélica no imaginário das crianças de hoje em dia...

AGOSTO -Não blogueei muito, mas caetaneei pacas, experimentei o Twitter e não gostei, fiquei sem palavras com o sumiço do Belchior e quis também dar uma sumidinha do mapa (rs)

JULHO - Entrei no doutorado: Que susto! Li a reportagem sobre o Lado B da adoção, comecei o blog Vamo comê

JUNHO - Assisti ao show de Naná Vasconcelos e Virginia Rodrigues (emoção), senti uma fiquei tristeza de morte quando assisti a invasão da PM no campus da USP

MAIO - Descobri a voz (e a loucura) de Amy Winnerhouse, Fui ao show de Tom Zé na Virada Cultural e me comuniquei pacas com ele, só isso, acho que estava cansando

ABRIL - Assisti ao concerto de Paulo Marteli, vivi a dor do fim do meu mestrado, li o "Curioso caso de Bejamin Button", fiquei péssima na Páscoa, assisti ao show Estudando a Bossa, comemorei o aniversário da Revolução dos Cravos, estava sobrevivendo.

MARÇO - Defendi meu mestrado e comemorei na esteira porque o vazio me dominava, assisti a defesa de uma amiga sobre sexualidade árabe, e minha angustia estava em completo desenvolvimento, vi "Quem quer ser um milionário", e dei fim para minhas ilusões amorosas... fiquei no vazio.

FEVEREIRO - Eu estava ainda muito sonhadora achando que ia conseguir um emprego como professora, comemorei o centenário de Carmen Miranda e o começo da Era de Aquário, fiz uma lista de tudo o que eu não queria... e eram muitas coisas, vi e me emocionei muito com a titulação do meu orientador e vi que eu o seguia muito mesmo sem saber que o fazia, relembrei a morte de Dorot Stang, redescobri os caminhos da minha formação,

JANEIRO - Comecei o ano destruindo o blog Tutaméia e passando definitivamente para esse aqui, devorava o livro do Saramago A Viagem do Elefante" e estudei muito porque achava que ia dar aula, o Serra começou o ano fazendo asneiras na OSESP, sofria muito com a separação e relia direto "O amor nos Temos do cólera".. o ano não is ser moleza!

Vamos ver se ano que vem teremos mais...

Feliz ano Novo e : tchau 2009!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Caleidoscópio





"A gente bota essas experiências fortes de lado, mas elas ficam acontecidas dentro da gente; e os fragmentos delas formam um novo desenho lá no fundo do nosso caleidoscópio. Um caleidoscópio que o Tempo vai virando. Só que no nosso caleidoscópio as imagens viradas -mesmo parecendo que nunca mais vão voltar,acabam aparecendo de novo - porque a gente não deixa de se cada desenho que criou. "

Lygia Bojunga Nunes :Apud CORTEZ, Mariana. Palavra e imagem: Diálogo intersemiótico

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Meditações sobre um cavalinho de pau E.H. Gombrich

Foi Carlo Ginzburg, em seus livros Mitos Emblemas sinais e Olhos de Madeira (Ginzburg, 2005; 2007) que indicou um caminho remeteu às idéias de E.H. Gombrich, em seu texto Meditações sobre um cavalinho de pau, como um caminho possível de decifração de imagens pelo historiador. Em meu doutorado, pretendo interpretar símbolos referentes à infância não sónos textos escritos de Guimarães Rosa, mas também coleção de desenhos produzida em sua correspondência com as netas.
Gombrich trabalha sempre com a idéia de representação como produtora de "substitutos" da realidade- com a ajuda da imaginação criadora, que tem função de comunicar- pois “toda imagem será de algum modo sintomática de seu criador, mas pensá-la como uma fotografia de uma realidade preexistente é compreender mal todo o processo de feitura de imagens(...) na linguagem do quadro de criança, continua a ser reconhecida a função psicológica da ‘representação’. A criança recusará uma boneca perfeitamente naturalista em favor de alguma ‘bruxa’ monstruosamente ‘abstrata’ que seja mais ‘fofinha. É possível até mesmo que prescinda totalmente do elemento ‘forma’ e tome o travesseiro ou o edredom por sua chupeta predileta-um substituto ao qual quer entregar o seu amor. Mais tarde na vida, dizem os psicanalistas, pode entregar esse mesmo amor a alguém vivo, digno ou indigno dele."

E.H. Gombrich. Meditações sobre um cavalinho de pau. P. 04)

Isso é lindo, não é?

Rio rio rio, pondo perpétuo...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Adriana Calcanhotto, no DVD do show Partimpim diz que aquele espetáculo só aconteceu porque Vinícius de Moraes existiu... acho muito belo e muito verdade, quem atenta para crianças (como eu), não esquece do Poetinha (que por ser diminutivo, não é menor que os outros, como as crianças, que não sabem menos, mas sabem outra coisa, como pensou uma antropóloga...
Por ele ter existido, nós e todas as crianças temos coisas como isso: