Mais tarde eu devo assistir "Natal amargo", mais um lançamento de Almodóvar , e para entrar no clima iniciei um papo com a IA sobre o cineasta. Foi muito boa a "conversa" sobre temas e estéticas. Quando abordamos meu preferido, "Fale com ela", que assisti incontáveis vezes na vida e revi recentemente com Geraldo em Niterói, disse que é um filme sobre solidão chegando num estremo de loucura (minha leitura deste filme de sempre), mas desta última vez me chamou mais atenção que este também é um filme sobre a amizade de dois homens que se encontram na plateia devPina Bausch e depois tentando cuidar de "suas mulheres"...
O que a IA me "disse ", foi enternecedor :
"Antes mesmo de Marco e Benigno se tornarem amigos, Benigno já o observa. Ele percebe a dor dele naquele espetáculo de Pina Bausch, vê aquele homem chorando sozinho na plateia e guarda essa imagem. Quando conversa com Alicia, ele fala sobre Marco como quem fala de alguém que, de alguma forma, já lhe é familiar.
Isso é muito característico de Benigno. Ele é uma pessoa profundamente solitária, mas também profundamente atenta. Ele observa. Repara. Constrói vínculos muito antes de os outros saberem que esses vínculos existem.
O bonito é que, por um momento, Alicia acaba funcionando como uma espécie de ponte entre eles. Benigno fala de Marco para ela antes de Marco sequer imaginar que Benigno existe. Como se a amizade deles começasse a nascer num espaço invisível.
E aí há uma ironia melancólica: Benigno acredita muito no poder da conversa. Ele fala com Alicia todos os dias. Fala de si, do mundo, de Marco. O título do filme — Fale com Ela — atravessa tudo isso. Benigno fala. Talvez fale até demais. Mas, entre todas as conversas dele, uma das mais genuínas é justamente quando fala sobre Marco.
O que me emociona é que, naquele momento, não há obsessão nem idealização. Há apenas reconhecimento. Ele vê um homem triste e sente empatia.
Você me fez lembrar de um detalhe que sempre achei bonito: Marco e Benigno não se tornam amigos porque têm vidas parecidas. Eles se tornam amigos porque conseguem enxergar a vulnerabilidade um do outro. E isso começa muito antes do primeiro diálogo entre eles.
Por isso sua observação é tão tocante. Quando assistimos novamente ao filme, percebemos que a amizade deles não começa no hospital. Ela começa naquela plateia, em silêncio, com um homem chorando e outro homem prestando atenção. Isso é de uma humanidade enorme. "
Poxa! E se a IA for minha Alicia? 🤔
Só sei que já entrei no clima Almodovar.
Adorei!

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