segunda-feira, 3 de abril de 2023

Quintal dos Prettos abril 2023

 


Mais um mês de Quintal dos Prettos ... vamos ver as imagens!
Eu, no dia
                                                          

estampa da camiseta N'things,

me arrumando 





























em casa



FOTOS OFICIAIS:
Gente linda

Rainha e rei 👑👑

Instrumento do samba 


quinta-feira, 30 de março de 2023

Orgulho e responsabilidade: Agora eu tenho uma publicação sobre Lima Barreto!

Um livro , publicado pelo Sesc, com um texto meu sobre Lima Barreto
O precursor, o maior escritor "negro brasileiro"  

Foi com muita alegria que ontem à tarde eu  recebi esse livro Modernismo: o lado oposto e os outros lados, organizado pelo professor Elias Thomé Saliba e dedicado ao saudoso professor Nicolau Sevcenko. É uma edição Sesc, muito chique.

Eu primeiro participei do Seminário no  SESC  para o evento sobre o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, em 2019.  Mas na época eu falei de representações de meninas negras em cem anos de literatura brasileira, mas quando foi sair em livro, os editores me pediram para mudar o texto, me adequar mais ao tema da cultura em 1922, então, para continuar tratado de representações da juventude negra, eu tomei coragem de falar de  Lima Barreto (1881-1922) , que conheci através da história de Clara dos Anjos, a jovem suburbana que se conscientiza da sua negritude no Rio de Janeiro da década de 1920, que era um assunto que eu precisava tratar, um tema urgente para nossos dias.

Não foi fácil, era quarentena, bibliotecas fechadas, agradeço muito a ajuda do Elias Saliba e da minha amiga Rosane Pavam com referências e livros.

Mas o mais difícil foi ter a coragem para escrever sobre o Lima Barreto. De ter sobre mim os  "os olhos de Lima" que nos olha há 100 anos (confira  AQUI o texto de Beatriz Resende) me olhando o tempo todo. Esse texto foi escrito assim, como um alerta: estamos sempre sob os olhos de Lima, que há mais de um século escreveu  sobre temas (raciais)  que ainda não estão resolvidos, mesmo que agora até já tenhamos o que Cuti chama de   escritores negro-brasileiros

"Literatura Negro brasileira", Cuti

Mas como ele mesmo destaca,  existiram precursores como Lima Barreto

Cuti: Cruz e Souza e Lima Barreto:
 precursores da Literatura Negro- brasileira

 Só  que esses primeiros nem lemos o suficiente, adequadamente,  que dirá discutimos as questões que colocaram. 

Lima Barreto que, ainda, nos olha

Há mais de 100 anos estamos sob o olhar de Lima que nos pergunta: Quando vão considerar os aletas que minha vida e minha literatura indicavam no começo do século passado?

Eu  escrevia esse capítulo publicado pedindo desculpas o tempo todo, pois sabia que, por melhor que fosse meu texto, nada seria digno de Lima! Só depois que arrisquei um projeto de pesquisa sobre o Jeferson Tenório, outro autor que sempre peço desculpas por importuná-lo com minhas tentativas de pesquisa, depois que li o texto impiedosamente crítico de Luiz Mauricio Azevedo, que também pede desculpas aos autores que amargam no silêncio apagador do racismo em nossa literatura, me dei conta de que isso deve ser comum para quem se propõe pesquisar autores da " Literatura Negro- Brasileira": 

Ensaios impiedosos

A gente enxerga a grandeza dos autores pairando sobre os textos. Máximo respeito! Não poderíamos errar, mas somos Humanos!

A publicação deste capítulo, para mim, tem muitos significados, é um marco na minha maturidade como pesquisadora, é um marco na minha vida de mulher negra, é uma resposta à menina  Camila que, aos 12 anos, leu o romance,  entendeu do que se tratava, mas ainda não tinha a maturidade para enxergar que, no fundo, Lima  falava dela. Que a Clara dos Anjos sou eu, é o Lima Barreto em 1922, somos nós, nesse Brasil, um século depois.

Eu que venho passando dias difíceis de fim de ciclo, achando que não tive as colheitas desejadas, fui presenteada com essa publicação e , só por isso, já sei que posso até "não ser  nada nessa vida", nas palavras de Clara dos Anjos, mas tenho um orgulho de ter realizado o percurso de conscientização racial, sob supervisão dos olhos questionadores de Lima Barreto e ter escrito um texto clamando: Pretinhas, leiam Clara dos Anjos, é urgente e é sobre vocês! 😍



quinta-feira, 23 de março de 2023

Sobre Torto Arado, anos depois

 

De repente um livro
 se uniu ao outro

Quando li Torto Arado , do Itamar Vieira Junior,  a questão religiosa  foi a mais  opaca para mim, reconhecia e não reconhecia aqueles cultos, o Jarê poderia ser, sem dúvidas, uma religião inventada para o romance, depois soube que não é, mas pouco sabia sobre ela. Eu pensava coisas sobre esse livro, como ISSO. Sempre disse que não estava  preparada para abordar o Torto Arado. Não estou. Não vou julgar ou falar sobre uma obra desconhecida. É preciso mais maturidade, mais conhecimento de coisas que se aprende e não se aprende em livros (até porque Torto também me tocou por essas vias inconscientes).

Como historiadora eu lembrava muito das histórias das feiticeiras nas Minas Gerais colonial, julgadas e condenadas de antemão pelo que sequer entendiam, que foram  estudadas pela professora Laura de Mello e Souza (e também pelo historiador Carlo Ginzburg no contexto europeu). Sobre Jarê na obra de Itamar, mesmo sabendo que são situações diversas, embora parecidas em certo ponto:  aquelas são tradições católicas, trazidas à colônia pelos acusados de feitiçaria europeus num contexto de colonização, mas que aqui ganharam novas configurações e aglutinações. Em Torto Arado estamos falando de tradições também herdadas, mas agora dos africanos, que aqui foram escravizados e trouxeram todo um repertório cultural que, remodelado, acabou compondo a base do que entendemos como Brasil, em fenômenos como o Candomblé (religião de culto aos orixás e celebração da ancestralidade, criada por africanos  na Bahia no século XIX) .  

No livro O que é religião afro-brasileira, que achei na livraria da estação de metrô da Barra Funda no carnaval, quando fiquei presa lá por causa da chuva, o autor Mário A. Silva Filho,  fala do Jarê (religião citada em Torto Arado) : "é uma religião observada especificamente na Chapada Diamantina, na área central do Estado da Bahia, no século XIX. Sua prática é semelhante ao Candomblé de Caboclo, que foi abordado anteriormente, sendo que a ritualística do Jarê é muito mais próxima do culto aos Caboclos do que às divindades, que no caso do Jarê são os Orixás. Seus sacerdotes são chamados de Babá ou Pai, as sacerdotisas de Iyá ou Mãe. A exemplo de outras religiões afro-brasileiras, Jarê proporciona àqueles que o buscam a saúde do corpo e da alma e seu sacerdotes e sacerdotisas são chamados de "Curadores", além, é claro, de Pais e Mães de Santo (Cf. BANAGGIA, Gabriel. As forças do Jarê: movimento e criatividade na religião de matriz africana da Chapada Diamantina. Tese de doutoramento: UFRJ/MN, 2013). Em nota: "Para saber mais sobre o Jarê recomendo a obra do Prof. Dr. Ronaldo de Salles Senna: "Jarê - Uma face do candomblé". Feira de Santana: UFS, 1998. " (SILVA FILHO. "O que é religião afro-brasileira". São Paulo: Lafonte, 2021,  p. 79/80)

Bate com o que é retratado no romance, sendo Zeca Chapéu Grande, pai de duas narradoras, um curador. Só não sei ainda (vale consultar os livros referenciados) sobre as entidades do  Jarê, sobre Santa Rita Pescadora, seria ela inventada por Itamar? Questões... A presença de cultos e feiticeiras na literatura brasileira contemporânea me interessa, mas não pretendo estudar Torto Arado, pelo menos não  ainda, por enquanto ele não se revelar melhor para mim.

quarta-feira, 22 de março de 2023

Nara Pinheiro: "sonzim" instrumental di Minas que amo, uai

Nara Pinheiro sorri na flauta: que delicia de som

Mais uma terça feira, estava calor  e, apesar da indisponibilidade emocional, fui a terapia e segui para o Sesc assistir ao Instrumental. Deu tempo para um lanchinho antes do show, mas como estava mesmo muito quente, não apostei na minha querida sopinha, comi uma torta salgada acompanhada de suco de laranja, foi uma rápida e  ótima escolha, até marquei o Sesc no Instagram

Amo esse lugar 😍

Como viram, eu estava bem arrumadinha, bem pretinha de verão, apesar de ainda não estar tão à vontade usando um cropped, combinou com a saia e eu estava aprendendo a amar meu corpo, inclusive a barriguinha. Tirei as fotos básicas em casa, no Sesc, no banheiro


Não sabia o que iria ouvir, mas assim que peguei o ingresso vi que seria uma  flautista , a Nara Pinheiro:  pássaros voaram em volta da minha cabeça

Já sei que semana que vem difícil eu vir de
casa, mas foi ótimo hoje

Quando entro gosto de sentir a energia do palco, ontem estava lindo, cheio de instrumentos, como eu gosto :

A Nara é um doce de pessoa, desenvolta, leve sotaque mineiro, contou que estava ali devido a parceria entre o Instrumental Sesc Brasil (ISB) e o Prêmio BDMG de música instrumental mineira (que eu amo) e que aqueles musicistas maravilhosos ela conheceu on-line, durante a Pandemia, trocando figurinhas para o BDMG, depois viraram parceiros em apresentações, arranjos e composições. 

No site do Instrumental ela é apresentada assim

E o som é muito bom, muito gostoso de verdade. Minha horinha de apreciação musical ao vivo a cada duas semanas surtiu grande efeito. Se quiser você pode assistir ao registro apresentação :


Coisa linda esse arranjo de "Com açúcar,com afeto",  do Chico Buarque, que ela fez para responder à dúvida de que se ainda caberia ouvir aquela música tão bela, gravada pela sua xará Nara Leão , que também é uma referência de mulher na música. Achei lindo. Obrigada pelo presente Nara e grupo, foi maravilhoso.







segunda-feira, 20 de março de 2023

Aquecendo o coração: Lembrança das meninas de Rosa

 

Detalhes das imagens da meninas: Acima a da etiqueta no caderno
à esquerda a do meu pingente e à direta a da capa do meu livro.

Na capa de um dos cadernos manuscritos de Guimarães Rosa que analisei na minha tese de doutorado "Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa"  encontrei colada na capa de um deles uma  pequena etiqueta com o desenho de uma menina. Embora o traço lembre bastante o de outros desenhos rosianos, não é possível afirmar que ele foi feito pelo escritor.
 
 Capa do caderno com o desenho da
 menina etiquetado embaixo, à esquerda

Mais importante foi observar que a ideia de "menina" compunha o ambiente de criação das estórias dos anos 1960 e no dia da defesa da tese, em agosto de 2014, eu usava um pingente muito semelhante ao desenho da menina. 
Meu pingente de menina


A respeito desta presença nas estórias, destaquei quatro personagens meninas como protagonistas das estórias, e outras 12 personagens que, sendo crianças, adultas ou idosas,  foram chamadas de menina nos contos das Primeiras Estórias (1962) e Tutaméia (1967). Sobre isso escrevi esse  artigo para a Revista Caderno Espaço Feminino (UFU)  
 
Capa do meu livro, com a menina sendo  redesenhada por
Marcio Reiff entre o centro e o fim da imagem

Para a capa do meu livro (tese) publicado pela Editora Desconcertos, pedi ao ilustrador Marcio Reiff que desenhasse essa menina, e assim ele o fez.

Só quis lembrar dessas coisas lindas e boas para adoçar um pouco a minha vida nesta segunda feira em que começa o outono de 2023.