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| Ilustração de Carybé para "A morte constante para lá do amor" |
CÂNDIDA ERÊNDIRA : Neste livro de Contos fantásticos de Gabriel Garcia Márquez, o texto que mais gostei foi "Morte Constante para lá do Amor"(1970).
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| Ilustração de Carybé para "A morte constante para lá do amor" |
Era dia da São João e também de Xangô
Eu saí pedindo humildemente misericórdia e agradecendo à
No Sesc não tomei sopinha, mas chocolate quente com torta de espinafre com ricota, empada integral de palmito e bolo de amendoim, paçoca e pipoca (era noite de São João).
No show um som nordestino, que você pode conferir aqui
Até o próximo show 😄
Depois que reli "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres", de Clarice Lispector, aquela leitura forte e cheia de esperanças que se faz aos vinte anos e percebi que o que realmente me importava eram mesmo aquiles trechos dos quais me lembrava, não achei nada além daquilo e fiquei um pouco decepcionada com a RELEITURA.
Era questão de honra reler "Alice e Ulisses", que para a leitora que era , na época, tinha relação muito direta com o livro de Clarice, muito além de serem livros sobre um amor entre professoras primárias e um Ulisses. Teria mesmo? Fui reler.
Assim como o livro de Clarice, o grosso do prazer da leitura já habitava minha memória, mas nesse caso ainda consegui outras impressões novas, como quando me encantei com o prólogo cheio de brincadeiras com as palavras e significados de Alice e Ulisses...
Em geral, acabei afastando maiores proximidades entre os livros. Se aquele é uma jornada de aprendizado, construção de amor e fenomenologia, este é a história de uma louca paixão, banhada nos textos clássicos da Odisséia de Ulisses e da Alice de Carroll.
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| Primeira edição, 1983. Minha edição. |
Vejamos algumas poucas publicações que resgatei no processo de releitura:
9 junho
ALICE E ULISSES : Terminada a releitura de "Uma aprendizagem..." da Clarice, senti vontade de reler "Alice e Ulisses" da Ana Maria Machado (uma das minhas autoras favoritas na infância). Quando li esse livro adulto dela, publicado nos anos 80, eu tinha meus vinte e poucos anos e estava ainda muito impactada com a leitura de "uma aprendizagem", tanto que não passou pela minha cabeça que não fosse uma referência direta e ele: dois romances sobre a busca de um encontro erótico/amoroso entre Ulisses com uma professora primária! Só isso já me bastava para ligar as duas obras. Mas será mesmo que existem mais ligações entre os dois livros? Só relendo pra saber. Vou devorar o livrinho (amo a escrita de Machado), depois lhes conto 😍
10 junho
ALICE E ULISSES: Como um cineasta ouve o "canto de sereia"?
"Ulisses ouvia vagamente a história comprida que a moça contava em palavras que fluíam tranquilas e seguras em cima de um leito de hesitação. Prestava atenção era na voz dela. O canto das sereias devia ser assim. Não era só um timbre agradável, uma modulação harmônica. Eram as qualidades não auditivas que o envolviam. Uma voz quente, macia, temperada. Dava vontade de pegar. De ver, filmar, fotografar. Tinha que conseguir um dia botar em imagens essa voz visual, plástica." (P.17-8)
Está aí um momento interessante do livro. Tal qual o da Odisseia, esse Ulisses também ouve o canto da sereia que pode matá-lo. Mas esse não resiste: acaba doente (de paixão)
17 junho
COMEÇA ASSIM: Primeiro livro para adultos de Ana Maria Machado (a dama da nossa literatura infantil), Alice e Ulisses (1983) começa com uma introdução muito saborosa, onde a autora vai mesclando as referências centrais : as personagens Alice de Carroll e Ulisses, de Homero. Ao mostrar que vai contar uma história de amor na mescla desses dois universos (ALUCINADA LUCIDEZ), Machado começa trabalhando as palavras (destaquei algumas evidentes em caps), depois cita os universos de espelhos, maravilhas, a odisséia, o pathos e o logos,etc. Adorei a introdução, especialmente porque o livro não será todo escrito assim, o que acharia soberbo, tolo e desnecessário, mas a título de introdução serve muito pra entrar no clima do romance. Vejamos:
"ALICIADA, ela foi, vá lá. Mas porque quis, das DELÍCIAS ao SUPLÍCIO. Vai ver que achou que tinha ALICERCE. E tanto tinha que não perdeu a ALUCINADA LUCIDEZ, nem mesmo na alegria inicial do cio, por mais variados que tenham sido os desvairados desvãos e os deslizantes desvios.
Claro,teve clima de vertigem, de JOGO DE ESPELHOS, cada um mergulhando no outro e se reencontrando filtrado ao inverso. Explorando verso e reverso nas palavras tontas e nas levras tantas, pavanas livres ou nirvanas parvos, rolando na cama e fodendo feito sapo, como dizia, que dispara e não para mesmo que lhe curtem a perna. Descobrindo salgados garimpos do corpo e lambendo versos de Salinas no fundo do ouvido,resfolegados, entre um espasmo novo e um orgasmo seco.
Só que não dava mesmo. Ilícito e não solicitante não podia ser mesmo esquema de Ulisses, enredado na roda que se deslancha e retece, sem despachar ou retesar. Escolhendo o tear e encolhendo o tentar. Pré -ferindo, preferindo fugir espantado do "pathos" e se amparando no "logos" como desculpa para se paralisar. Fingindo razões éticas como ilusões óticas para não enxergar o mascar mesquinho da ruminante da ODISSÉIA, do ramerrão que rema para longe do PAÍS DAS MARAVILHAS, ou que teme a desarrumação do OUTRO LADO DO ESPELHO. Avesso que para Alice acabava sendo uma revelação, rebelde a cada novo véu, clareando a intriga, separando o trigo do jogo verbal."
No final
Agora encerrei o ciclo com os Ulisses.
Ao final, nem a narrativa amorosa de Clarice, nem a passional de Machado combinam com essa mulher de meus idade que sou hoje . Sou muito mais a menina de Felicidade Clandestina, meu livro favorito de Clarice.
FELICIDADE CLANDESTINA: Postei um registo da releitura de "Uma aprendizagem..." concluindo que, embora seja um livro bonito, ainda prefiro os contos de "Felicidade Clandestina". Quando li o romance aos vinte anos, comecinho da vida , é claro que eu acreditava que poderia um dia viver aquela plenitude do amor à primeira vista e ao mesmo tempo aprendido de Lóri e Ulisses . Agora já não acho. Hoje já sei que sou uma leitora e meu melhor amante será sempre um livro, ainda que emprestado de biblioteca, ainda que seja de outra pessoa, será meu e eu o lerei com "orgulho e pudor":
"A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia."
Ave, Clarice ...
Momentos...
No dia 10 de junho eu tive a oportunidade de reencontrar minha amiga Rosane e fomos ao MASP, ver a exposição Monet ecológico.
Foi uma experiência singular voltar ao MASP para a exposição maravilhosa do Monet 💗
Estava muito frio e eu toda encapuzada
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| Minha edição antiga e toda comentada. Na releitura eu não li nenhum comentário dos 20 anos |
Depois de inúmeras tentativas, entre o fim de maio e início de junho de 2025 eu finalmente reli "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres", da Clarice Lispector, que tinha lido e adorado aos vinte anos e, durante toda a vida, nunca saiu da minha mente em alguns de seus pontos principais
No entanto, reler na íntegra, não consegui mais, nem mesmo na pandemia tive paciência para toda aquela fenomenologia.
Acontece que esse ano eu concluí a leitura. É um livro bonito. Talvez o mais belo de Clarice, mas eu confesso que esperava mais. Da leitura e geral, gostei mesmo dos trechos que nunca esqueci (a oração de Lory, a redenção de Ulisses...).
Não gosto de dizer isso, mas embora eu tenha gostado da releitura, ao final conclui que podia ter ficado sem essa releitura, porque na memória intensa do frescor dos vinte anos, o livro brilhava mais...
Vamos ver registros da releitura:
27 de maioUMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES :
"...faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate,e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contratasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade..."( Clarice Lispector, 'Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres', p. 20-1)
1 de junho
UMA APRENDIZAGEM: "E agora era ela quem sentia a vontade de ficar sem Ulisses,durante um tempo, para aprender sozinha a ser . Já a duas semanas se haviam passado e Lóri sentia às vezes uma saudade tão grande que era como uma fome. Só passaria quando ela comesse a presença de Ulisses. Mas às vezes a saudade era tão profunda que a presença, calculava ela, seria pouco; ela queria absorver Ulisses todo. Essa vontade de ela ser de Ulisses e de Ulisses ser dela para uma unificação inteira era um dos sentimentos mais urgentes que tiveram na vida. Ela se controlava, feliz em poder sentir." P.140-1
2 de junho
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| Capa mais bonita A flor que cresce a partir de si mesmos, como Lóri |
RELENDO "UMA APRENDIZAGEM...": É um livro estranho, mesmo para os moldes lispectorianos. Fala de dor, de amor, de "o Deus", de desejo e de um descobrir-se mulher através do filtro de um homem sabichão, mas que também descobre o segredo sagrado de uma mulher junto com ela própria. Estou gostando de reler. Essa capa é a mais representativa de Lóri: a flor que se permite crescer a partir de dentro de si própria, quando, em um mergulho no mar ,descobre :
"Era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro como o líquido expresso de um homem." (P.93)
Estou gostando de reler
3 de junho
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| A foto do trecho |
UMA APRENDIZAGEM: COM SPOILER
Nem transcrevi o trecho, fotografei mesmo porque é um dos pontos altos de "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres". Ainda que, solto assim, possa parecer um pouco dramático, para quem veio acompanhando a travessia do aprendizado de si mesmos de Lóri e Ulisses , faz muito sentido. E é bonito.
Me desculpem o spoiler ,mesmo sabendo que ,para livros da Clarice, spoiler não contam. Mas se ainda não leu o romance, pule esse POST.
4 de junho
UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES : Terminei de ler. Talvez o livro mais bonito da Clarice, mas não o meu favorito dela. Como ele trata de amor e prazeres, ao concluir a primeira coisa que pensei foi "amor pela ótica da fenomenologia" ?
Talvez. Gostei, claro, mas achei que gostaria muito mais dessa releitura, tinha minhas expectativas, mas foi bom clarear alguns pontos. Clarice é autora tão necessária, e esse livro é lindo 😍
Foi bom ter relido esse belo romance, mas da Clarice, ainda prefiro os contos de Felicidade Clandestina 😍