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domingo, 27 de setembro de 2026

Vida e morte Madalena, Guto Parente,



 VIDA E MORTE, MADALENA (2025), de Guto Parente

Acabei de assistir a Vida e Morte, Madalena no CineSesc. É um filme bastante experimental, mas achei muito divertido. Dei várias gargalhadas, como já esperava de uma produção vinda do Ceará.

O roteiro é típico de apaixonados por cinema: cita Kubrick e Fellini e retrata pessoas capazes de trabalhar quase sem salário, de dar a vida,  e a morte, pelos filmes. A história começa no velório do pai de Madalena, realizado dentro de um cinema, já que ele foi cineasta. Ao mesmo tempo, descobrimos que ela está grávida e produzindo, ao lado do marido, o último filme escrito pelo pai. Estão ali as três grandes chaves da obra: morte, vida e criação.


O roteiro herdado do pai é uma ficção científica de baixo orçamento,  ambientada nas areias cearenses. Essa combinação rende alguns dos momentos mais engraçados do filme. Como acontece com qualquer filmagem, os perrengues aparecem, smas, para Madalena, concluir aquela obra é uma questão de honra, em memoria de seu pai.

Mesmo tantas vezes sozinha, Madalena segue determinada a parir tanto seu filho quanto seu filme. 

Viva o cinema!


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Pacarrete (2019), Allan Deberton

 



PACARRETE

Assisti ontem a este filme de 2019, dirigindo pelo cearense Allan Deberton, e achei que gostaria mais. Afinal, ele é livremente inspirado na história real de uma bailarina cearense, mas ficou faltando alguma coisa. Talvez essa história pudesse ter sido contada de um jeito mais engraçado, sei lá.

A atuação de Marcélia Cartaxo como Pacarrete é o ponto alto do longa. Nós, espectadores, a achamos uma graça; achamos ranzinza, grosseira e teimosa, uma chata até, como pode ser uma artista idosa fragilizada pelas vulnerabilidades da velhice. Isso a torna uma pessoa ainda mais difícil de lidar e, no fim, nos compadecemos dela, claro. Mas não dei uma risada com ela, o que salvaria a personagem e talvez o filme todo.

A maior parte do elenco de apoio fica no mediano, mas um ou outro ator é bem ruim. Para mim, o maior problema está no roteiro previsível porque, embora haja momentos de pura ternura, belas memórias e a emocionante cena da fita VHS, a belíssima cena final parecia estar praticamente prevista desde o início.

Queria tanto escrever maravilhas sobre este filme, mas desta vez não foi possível. Talvez pelo filme, talvez por mim, talvez pelas expectativas não alcançadas. Para mim, não funcionou tão bem. Seria a minha boca já muito amarga para esse cubo de açúcar cor-de-rosa choque, ou foi pelo riso que nunca veio?