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terça-feira, 9 de março de 2021

Viajando de táxi por Adis Abeba no filme 'O preço do amor' (2015)


Comecei a ler o E-book sobre a Mostra de Cinemas Africanos 2020 pelo artigo a respeito do primeiro filme etíope que assisti,  'O preço do amor' (2015), da diretora Hermon Hailay, que na época comentei com imagens aqui 

O texto é de Michael W. Thomas, pós doutorando Universidade de Londres. Gostei do trecho porque me identifiquei muito, como se o taxista Tedy , me levasse para passear pela Etiópia:

"O táxi Lada de Teddy não é  apenas central na narrativa de "Preço do Amor", representando um terceiro personagem simbólico, mas também é usado para um excelente efeito cinematográfico, fornecendo uma plataforma móvel para enquadrar as ruas  urbanas de Addis. Na sequência de abertura, as tomadas de um ângulo baixo e os "travellings" através do para-brisa e das janelas do carro oferecem uma perspectiva  dinâmica da cidade no nível da rua, estabelecendo a locação do filme, bem como o ritmo acelerado de sua narrativa. O ritmo da edição e o design de som eficaz aumentaram as mudanças tonais dentro do filme, com uma miríade de tomadas e ângulos de câmara - "panorâmicas", "close ups" e "travellings" usados para criar uma imagem vibrante da turbulenta vida nas ruas - enquadram a natureza flutuante da florescente Adis Abeba e seus habitantes. Imagens das suas de  Adis Abeba contrastam os modernos anéis rodoviários com as ruas laterais de paralelepipidos e Toyotas 4x4 com Ladas da era soviética, criando uma imagem binária da vida contemporânea de Adis - de vencedores e perdedores econômicos e de crescentes desigualdades. Em um país de alto desemprego juvenil, no qual nem Teddy nem Fere têm família para se apoiar, é o amor um pelo outro e a orientação moral do padre, que fornecem um vislumbre de esperança."p. 263

"Reflexões sobre "O preço do amor' (2015) e a paisagem urbana de Addis Abeba por Hermon Hailay" ,  por Michael W. Thomas. In: ESTEVES, Ana Camila e  OLIVEIRA, Jusciele (org). "Cinemas Africanos Contemporâneos: abordagens críticas",  p.261-4.

(O texto originalmente escrito em Língua Amárica, conhecida como Etíope, traduzido para o inglês e depois para o português do Brasil)

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

"O Preço do amor”, Etiópia, 2015, direção Hermon Hailay

Cartaz 


16 DE NOVEMBRO DE 2020 -  O primeiro filme etíope que assisti na vida, fiquei apaixonada por toda aquela gente dourada e linda. Um país de Zahabes! Demorei um tempão para conseguir escrever sobre ele, a minha imersão foi imensa, só que eu tenho que encerrar essa essa primeira visita ao país da beleza plena.

O enredo é simples e direto : O jovem taxista Toddy (Eskindir Tameru) atua  na capital Adis Abeba e se empenha em proteger a belíssima  prostituta Fere (Fereweni Gebregers), com quem acaba se envolvendo.

Mas a graça do filme é mesmo conhecer a Etiópia através do seu cinema, ver a paisagem local,ouvir as músicas e sons.

Vou fazer uma leitura diferente dele, através de imagens.

Primeiro a imagem da belíssima prostituta Fere, que mesmo chorando, é deslumbrante 

A linda Fere

Prostituta trabalhando

Até chorando ela é deslumbrante: "Não olhe para mim"

Na cena em que ela chora no táxi, depois de ser resgatada do trabalho por Toddy, ela canta uma canção etíope que não consegui encontrar, mas é algo parecido com esse tipo de cantiga.

Encontrou o apoio de Toddy



Nesse filme a gente vê a cidade (Adis Abeba?)  Muito através da janela do carro de Toddy, que é nosso motorista.

A cidade pela janela do táxi

Pessoas etíopes são bonitas, têm um brilho luminoso, especialmente as mulheres. Pena que levem uma vida nada  fácil, são escravizadas, prostituídas, discriminadas  e sonham sair dali sem sequer imaginar o que pode lhes acontecer fora.
Belas moças levada ao exterior,sonhando em melhorar de vida
Outra imagens da cidade que embora sejam imagens urbanas, de algum modo parecem irreais. Outro mundo, mas ao mesmo tempo tão parecido, como costuma ser em África para olhos brasileiros. 
Não podia ser o centro de São Paulo em um raro momento mais vazio?

Como tentei pescar da paisagem mostrada na janela do táxi de Toddy imagens do cotidiano da cidade na Etiópia,  é claro que  uma cidade grande tem edifícios enormes no centro


E como é um filme, também tem poesia visual urbana na cidade 
Rotatória simbólica

E cores citadinas


Por fim, a cidade transborda, também na Etiópia
Uma cidade grande, mas no meio da Etiópia
E a cidade  acolhe as personagens em diversos momentos do filme
Toddy acolhe Fere escorado numa pedra significativa

Nos bares e restaurantes 

E  um amor através do espelho do táxi, em momentos sublimes
A imagem inesquecível do grande amor


Fere e Toddy abraçam a cidade

Conversa com a diretora do filme



A entrevista com Hermon Hailay, a diretora do filme etíope "Preço do amor" na plataforma do Cinesesc. Ela falou mais sobre a industria do cinema na Etiópia, um pouco sobre as tradições nacionais, a música do filme que envolve apresentações e intrumentos tradicionais, o motivo de seu interesse em contar histórias de prostitutas em seus filmes ela e sua irmã tiveram uma loja de cosméticos em Adis Abeba e era justamente na área em que ficavam as melhores clientes, as prostitutas, e com elas conversou, soube das suas vidas e de toda a problemática que as envolve naquele país tradicional. Comentou que muitas delas acaba se envolvendo com taxistas, então o enredo não foi à toa. 
Termino com um comentário nada surpreendente em se tratando de uma mulher etíope : que mulher linda que é Hermon Hailay. 



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Prêmio :Melhores do ano 2025 blog Pequenidades

Demorou muito e foi muito corrido, como tudo esses ano, nem vou comentar muito tópico por tópico, mas aqui vai a lista dos melhores de 2025:

 

1 Rolê: Festival Cacique de Ramos no meu aniversário 


Foi um ano onde quase não fui a rolês, mesmo sambas pouco frequentei, em comparação a outros anos. O melhor foi o festival do Cacique de Ramos no dia do meu aniversário, um grande presente!

Eu toda de vermelho e negro 
Toda gatinha de samba 




Ganhei muito carinho 

                      

700 ml de Suco de LIMÃO 
Muito calor!


2 Música : "Corpo fechado" , Academicos do Salgueiro 


Algumas músicas foram muito importantes pra  trilha sonora da história mais intensa do ano todo, registrada aqui, tivemos pelo menos dois temas musicais. No fim do ano fiz um resumo e achei que entrei nela como "Pescador de ilusões", de O Rappa. Essa música representou minha coragem de mergulhar de cabeça num mar escuro, apesar do medo, afinal via os corais mais coloridos ❤️
Pedi a IA uma imagem sobre a música 

Pescador de ilusões 

Ainda nesse clima, o músico do ano foi Djavan, que reencontrei e sua música Samurai, que eu sempre  amei, foi o grande tema dessa história. Resgatar Djavan fez parte  das quebras de couraças que aconteceram em 2025, ano em que eu vesti a camisa do Djavan, que eu dei de presente e roubei sem dó para tirar a foto mais curtida no Facebook
Djavanear o q há de bom

A música que mais ouvi o ano todo foi o samba de enredo do Salgueiro, Corpo Fechado. E não é porque sou salgueirense, mas essa música é uma reza, me protegeu em vários momentos, especialmente quando fiquei presa na enchente durante a tempestade em fevereiro! Além do que só de poder gritar essa letra não tem preço

"Macumbeiro, mandingueiro, batizado no gongá
quem tem medo de quiumba não nasceu pra demandar 
meu terreiro é a casa da mandinga
quem se mete com Salgueiro acerta as contas na curimba!"

3 Livro e autor (a) do ano:  "Após o anoitecer", Haruki Murakami


Em 2025, li muita coisa, como sempre. Algumas leituras foram melhores do que outras, mas, desta vez, não consegui escolher um livro que, por si só, fosse o melhor do ano. Este foi o livro do ano  porque pontuou vários momentos importantes e é uma leitura da qual sempre vou me lembrar ao pensar em 2025.


O dia frio que chegou

Este também foi o ano em que mais li Haruki Murakami, o que o torna, naturalmente, o autor do ano. Entre seus livros, “Após o Anoitecer”, que li em julho, se destacou por trazer muitas questões atuais. São questionamentos que venho observando com frequência em produções audiovisuais no streaming, especialmente aqueles ligados a outras dimensões e a diferentes registros do audiovisual.

Assistimos Alphaville 


Emprestei o livro ao Geraldo, que adorou, e ainda tivemos a oportunidade de assistir ao filme Alphaville, citado no romance japonês, em uma sessão no CineSesc. Seguimos com planos de continuar reverberando essa leitura. Livro bom é aquele que se expande, e esse é exatamente o caso deste.


4 Filme ou peça teatral: "Senhora dos afogados"


Bom, nesse ano de áudio visual, não sei como escolher um filme ou série, afinal vi incontáveis e todos maravilhosos: Drive my car, Them, Amores expressos, Ritas, Homem com H, Contos do Loop, Anne with an E, Black Mirror, She, Alphaville, Retrato Fantasma, O filho de mim homens ... não saberia escolher. Então o prêmio vai para a sensacional Senhora dos afogados, minha primeira peça de Nelson Rodrigues, minha primeira peça do Teatro Oficina : histórico, surreal! E eu estava muito gata, cabelinho Mara



5 Fotos do ano : Todas da Baia de Guanabara a partir da Ponte Rio Niterói (que não tem fim) e nunca me canso de ver

Uma das minhas maiores paixões em 2025. A ponte Rio Niterói, que não tem fim, que não tem tempo. É só deslumbramento 



6 Bebida ou comida do ano: Carnes e sobremesas feitas COM AMOR só para mim 😍

Esse ano fui muito mimada, bem tratada, curtida: cozinharam para mim carnes e sobremesas : muito amor ! 

Algumas sobremesas

 Algumas Carnes ❤️

7  Show: Jorge Aragão no Carnaval 

Nesse ano shows não foram destaque. Ainda bem que assisti ao do Jorge Aragão ,em frente a Igreja da Consolação,no pré carnaval     Acadêmicos do Baixo Augusta. Claro até não levei celular, mas consegui umas imagens depois . Logo no começo o ano estava ganho!

8  Roupas ou acessórios: Chapéu de samba

Só tinha um, usava pouco. Esse ano usei mais. Até ganhei um Panamá de presente de natal. Quero mais!

Chapéu Panamá:
Presente de Natal do Geraldo 

Meu chapéu vovó cinza
Um banda no samba 


9 Conquista do ano : Uma possibilidade de amor (e preto)



Começo citando Caio Fernando Abreu:  
"Deus - ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus -, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro ". (In Pequenas Epifanias) .


Já sabem do que estou falando. Mas eu sei que "presente ambíguo de Deus"  não é propriamente uma conquista! Explico : o que ganhei foi uma oportunidade de amor, mas não veio pronta,  foi preciso trabalhar para transformar num amor possível. Isso foi feito e conquistei! Ficou tão possível que preencheu tanto meu cotidiano , que essa energia salpicou a retrospectiva e também os "melhores do ano", mostrando como se agregou à minha vida. Afinal, como "qualquer maneira de amor vale à pena", a nós, pescadores de ilusões, nos cabe fazer valer à pene . Nós fizemos!

10 Ícone da cultura negrado ano:  Stefano Vop


Infelizmente acompanhei a trajetória de poucos negro e negras. Mas li o livro de contos "Homens pretos (não) choram" , de Stefano Volp , um jovem  autor negro. Depoimentos de negras já temos inúmeras "escrevivências", mas é muito raro ler sobre a subjetividade do homem negro. Divulguei Falei tanto desse livro nas redes sociais, e foi com felicidade que ouvi que alguns tinham lido esse livro lindo! 

11 Menção honrosa: Rodrigo Santoro 

Não tinha quesito pra ele, então como eu sou dona desse prêmio, inventei um só esse ano ! Porque ele  estrelou dois lançamentos lindos e poético ("O último azul" e "O filho de mil homens), marcando seu amadurecimento como ator, um presente! Certamente 2026 pode ser ano que Wagner Moura concorre e possivelmente ganhe o Oscar de melhor ator por "O agente secreto", mas 2025, pra mim, foi o ano de me deleitar ao  rever Santoro nas telonas 😍



Parabéns e obrigada aos vencedores e vencedoras! Ano que vem tem mais!







quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

"Oração para desaparecer" (2023), de Socorro Acioli: livro de outubro


Oração para desparecer : o livro de 2024

 Foi publicado em 2023 e como gosto muito da autora, pelas obras e pelo universo literário que a cerca, quis muito ler desde então. Era meu livro para 2024. E realmente foi. Eu li apenas no fim de outubro, mas pensei tanto nele que postei sobre desde março até novembro. 2024 será lembrando como o ano de Oração para desaparecer, não tem outra saída.

Mais ou menos na mesma linha do  primeiro romance da autora, A Cabeça do santo, mas com muito menos humor e mais referências simbólicas e literárias maravilhosas, Oração para desaparecer é um livro escrito por uma boa  escritora e sobretudo, uma grande leitora, que cita escondidinho, quem pegar pegou, ou então explicitamente, numa festa literária para quem gosta desse banquete, como eu.

O enredo é muito inventado, afinal Socorro, além de leitora,  é nordestina e bebe daquela cultura criativa desde sempre. Mas o mundo é tão grande que, o que ela acha que foi pura invenção, pode ter relação a alguma tradição cultural até então desconhecida, Tudo é um mistério. 

O livro  fala sobre uma "ressurecta", alguém que retornou da morte. Ela saiu de um buraco na terra, sem cabelo e com marcas de espancamentos e trouxe a imagem de uma nossa senhora, até que foi acolhida por um casal de idosos em Almofala, uma aldeia medieval portuguresa que existe de verdade.

"Almofala é uma palavra árabe, significa acampamento temporário. Al mohafala. Os mouros foram deixando muitos pelo caminho." p. 21

 Logo eles perceberam que ela "não tinha perdido as palavras" e "falava brasileiro". Era brasileira. Começamos sendo jogados na nossa própria história e discutindo as relações entre Portugal e Brasil. Tudo isso me lembrou muito o resultado do meu exame de DNA ancestralidade, muito África e Península ibérica. Não muito raramente alguém diz, talvez sem muita informação sobre, que tenho traços de MOURA. Uau!

A primeira parte do romance fala de como essa mulher tentou reunir pedaços de memórias e sonhos para saber quem era ela ou mesmo porque tinha morrido. Para continuar vivendo ela adotou o nome de Cida, pois havia aparecido e trazia nossa senhora. Cida se apaixonou pelo diplomata africano Jorge que gostaria de leva-la para conhecer o mundo .

Para viajar com Jorge, Cida precisava de documentos, um passado mais completo, daí que surge na trama Feliz Ventura,  personagem emprestada do romance "O vendedor de passados", de José Eduardo Agualusa. Feliz vai criar um passado para Parecida. Que teria nascido em 28 de outubro, seria de escorpião, novamente muito parecida comigo.

Na segunda parte Cida já se lembrou de bastante coisa da sua vida anterior. Lembrou que era uma mulher chamada Joana Camelo e vivia um amor com o biólogo Miguel,pesquisadora de cavalos marinhos. Joana  tinha sido abandonada pela mãe, em uma cidade também chamada Almofala, mas no Ceará , que existe de verdade. Essa cidade  é conhecida por ter tido uma igreja soterrada por areia por décadas e, provavelmente, sua passagem a ressurrecta teria se dado nessa ocasião.

Resumindo , foi o amor de Miguel que a manteve viva por tanto tempo,o mesmo tempo em que a igreja de Almofala CE ficou soterrada, e a história desse livro,na verdade, é sobre esse amor.

Deu spoiler? Alguns.mas juro que não contei nem metade. É um baita livro. Amei amei amei.

Vamos ver como eles estendeu no meu 2024 todinho:

NAS MINHAS REDES SOCIAIS DE MARÇO A NOVEMBRO:

 

16 MARÇO

MARTINS FONTES: Entrei na da Consolação só pra passar vontade. Lá estavam expostos livros muito importantes pra mim, que eu tenho, "a visão das plantas", " palavra que resta", "o avesso da pele", "Torto Arado"E dois dos livros do meu total interesse agora : "Oração para desaparecer" (próximo livro que vou comprar, se Deus quiser!), o novo do Gabo (nem perguntei o preço pq ele é até de capa dura,deve morrer nele uns 10 usados)... Se tudo mundo lê online,livro físico devia ser mais barato!



 

9 MAIO


24 JUNHO

Faz tanto tempo que desejo ler esse livro, desde antes de ficar doente, mas ainda não achei usado a preço justo (como eu prefiro) e de outro jeito: prioridades... Mas ainda quero muito!

 

29 JUNHO

PAQUERA: Já cheguei até a esquecer dele em maio, tempos difíceis, mas cada vez mais fico de paquera com esse livro. Toda vez que vou ao Sesc Consolação, procuro na Martins Fontes, está sempre fácil,pego, fico namorando, leio um trecho da última capa,nunca o texto todo, devolvo e vou embora. Por enquanto não achei um usado acessível, mas com fé, em breve chega minha vez 🥰

 

15 OUTUBRO

ORAÇÃO PARA DESAPARECER: Digo-lhes a verdade : faz tanto tempo que eu queria tanto ler esse livro da Socorro Acioli, todo azul, com cavalo marinho e tudo, mas ele era inacessível pra mim, quando achava um exemplar na livraria, eles são estavam no plástico, não  consegui nem folhear, uma frustração. Como revolta, nunca li o texto da última capa, deixei para quando eu tivesse o meu. Agora tenho! Ganhei de presente do Fábio Flora  e da Fernanda Duarte , e foi tão intenso que fiquei igual a menina do conto Felicidade Clandestina da Lispector: cheia de rituais com ele... Uma delícia. No dia que ganhei nem tirei do plástico. No dia seguinte, com muito cuidado, afinal é uma edição delicadíssima, lavei as mãos para não sujar, abri, admirei sua beleza,CHEIREI muito tempo aquele perfume de livro novo 🥰

Fui abrindo e degustando devagar. Antes de começar a leitura eu não quis ler a orelha, nem a última capa (qualquer "spoiler" pode destruir meu encontro com o meu desejado livro) e fui direto pro volume. Constatei que é um romance curto, dividido em três partes compostas por pequenos capítulos (o primeiro de Acioli, "A cabeça do santo" também é assim, acho) , esse vai dar para degustar palavra por palavra, como gosto. Li as epígrafes. A primeira do Guimarães Rosa :"Deixa o mundo dar seus giros! Estou de costas guardadas,a poder de minhas rezas."💕💕💕

Aí lembrei que é um livro da Acioli, tudo  que é literatura oral faz sentido ali. Especialmente as rezas. Estava me reconhecendo nesse lugar. Decidi ler bem devagar,um mini capítulo por noite, hoje vou ler o segundo . Sei que qualquer espectativa é irmã da decepção, mas por favor, me deixem me enamorar por esse romance, sentir o gozo de possuí-lo um pouco, pois ele é tão lindo, tão desejável que quando estamos juntos não dá pra não lembrar da Lispector:  "não era mais uma menina com o seu livro, era uma mulher com seu amante "


16 OUTUBRO

LENDO ORAÇÃO PARA DESAPARECER : Estou adorando. Não estou conseguindo ler tão devagarinho como planejei, mas estou degustando devagar, anotando,  deixando ele fazer parte do meu dia (hoje levei pra ler no metrô e ônibus,foi um deleite...) Como boa literatura de realismo maravilhoso, estamos sempre no limite entre vida e morte. Poucas páginas lidas ainda, mas muitas referências diretas ou transversais ao Guimarães Rosa e Juan Rulfo (que escreveram sobre montes perto do céu, os páramos...). Por enquanto, para usar uma palavra linda que apareceu mais de uma vez no livro, é uma Literatura de realismo insólito. Durante  a leitura desfilam na minha cabeça lembranças de  Kafka , Cortázar, Lygia Fagundes Telles, Poe, Murakami e tantas rezas e cantigas que a gente vem ouvindo ao longo da vida. Adoro os textos da Socorro Acioli, são a minha cara 😍

 

18 OUTUBRO

ORAÇÃO: Fazia  algum  tempo  que eu não lia um livro que eu realmente queria ler, um livro escolhido pra ser meu, como eram os que comprava para ler no hospital com minha mãe ou durante a pandemia e a maioria me agradavam. Nos últimos tempos tenho lido coisas boas também, mas apenas os disponíveis na biblioteca. Com "Oração para desaparecer", esse presente cheio de significados, revivo o gostinho de estar com ele e comigo mesma nessa aventura sublime pelas palavras. Desde que comecei a ler, toda hora tenho vontade de me trancar sozinha e ficar lendo, lendo... Não posso, por vários motivos, mas o principal é que se eu ler muito ele, que é curtinho, acaba logo. Que puxa! Literatura sempre foi minha melhor interlocutora na vida, só agradeço 🙏🏾

 

21 OUTUBRO

ORAÇÃO PARA DESAPARECER: Cheguei na metade do livro,mais rápido do que queria. Gosto muito dessas histórias de realismo fantástico, conversas com mortos, símbolos, ancestralidade. Cida, a personagem principal, se parece mais comigo do que eu gostaria. A única coisa que não gostei muito foi da história de amor com Jorge, que foi narrada tão apressadamente que, justo eu, uma romântica, não me sensibilizei como poderia, nem a belíssima canção "A lua girou", do Milton ,citada apenas pelo nome, amoleceu meu coração. Talvez eu tenha gostado mais do primeiro amor antigo que aparecia em sonhos com cavalos marinhos  para beijar-lhe os búzios! Temos meio livro inteiro, quem sabe eu passe a gostar do casal Cida e Jorge. Veremos...

 

22 OUTUBRO

SOCORRO ACIOLI: É a melhor autora brasileira para escrever realismo fantástico. Se em "A cabeça do santo" ela ficcionalizou de forma bonita e divertida aquela  cabeça oca descolada da imagem e Santo Antônio que ficou como monumento na cidade do CE. Em "oração para desaparecer" , só descobri agora com mais da metade do livro lido, ela também trata de um evento insólito do CE. Já disse que amo? Leia autore(a)s nordestino(a)s!


23 OUTUBRO

ORAÇÃO PARA DESAPARECER: Se a  primeira parte do livro foi marcada pelo insólito,nesta   segunda o livro começou a contar sobre o que realmente importa na vida humana, uma história de amor, digna dos grandes romances de Gabo e outros autores de realismo maravilhoso latino americano, muito do jeito que eu gosto

Só uma pena que, adorando assim, a qualquer momento concluo a leitura, daí fico numa ressacada literária kkkkkkk

 

24 OUTUBRO

ORAÇÃO PARA DESAPARECER: Acabei de terminar a leitura. Que delícia de livro fantástico! Sem dar muito spoiler eu digo que, ouvindo a recomendação da mãe Malba, não li em voz alta a "oração para desaparecer",  que encere o romance! Vai que eu transmuto e reapareço em algum lugar longe,longe! Afinal, "não sabemos nada mesmo sobre o mundo"... Mas às vezes o escutamos como uma prece salvadora!


25 OUTUBRO

Meu aniversário e comemorei com o livrinho 

Com o colar de búzios de  Joana

ORAÇÃO PARA DESAPARECER: Não é um livro fácil de ser resumido, ele  tem muitas camadas, mas talvez a mais bonita se concentre nesse trecho :  "A vida é essa coisa atropelada, que passa muito rápido e as únicas pessoas felizes são as que atravessam o tempo entregues ao amor." Socorro Acioli. "Oração para desaparecer", p 161

 

5 NOVEMBRO

ORAÇÃO PARA DESAPARECER: Estou adorando acompanhar a recepção do livro. Já ouvi muita coisa interessante, informativa, interpretativa. Essa é uma leitura longa. Eu li o livro rapidamente, anotando e  "comentando"  nas margens. A intenção era "revisar" depois  as impressões iniciais e adicionar post-its. Comecei a fazer isso ontem, conferi a primeira metade do livro e tanta coisa que tinha passado na primeira leitura, depois de concluída, de ouvir opiniões, de saber mais coisas,ganhou novos significados. A minha leitura final no Pequenidades, que escreverei em breve, alimentada por tudo isso,vai ser com spoiler e muito, muito,muito ancorada na minha identificação SURPREENDENTE com a personagem principal. Coisa que, desde o início, eu gostaria de negar, porém só vem aumentando, conforme a narrativa se consolida na minha mente. Grande livro, daqueles capazes de revirar nossos ocultos, como só a literatura é capaz...

 

8 NOVEMBRO

LÉXICO DE ORAÇÃO PARA DESAPARECER : Estou tão envolta nessa leitura, a qualquer hora darei à luz um texto sobre ela. Quando tiver tempo. Por hora, fiquem com uma leitura possível quase estrutural : Que é um livro literalmente fantástico, que une antepassados, vivos e mortos , eu já cansei de falar. Eu adoro esses enredos.

Relendo,por alto, destaquei algumas poucas palavras ou expressões que ganham um sentido especial nessa trama, pois  dão sustentação ela :

GEOGRAFIA DO DESTERRO: Fenômeno contado por antepassados segundo o qual algo que  desaparece em Almofala (Ceará)  é encontrado em Almofala (Portugal), ou o contrário;

DELÍRIO DO DESVELO: Sonhos que dificultam a capacidade de diferenciar real e irreal, mas que também revelam faces até então ocultas;

ENVULTAR-SE  ou Encantar-se:  é morrer ou enfeitiçar-se ;

HIEROFANIA:  Manifestação do sagrado;

(Na foto eu estou usando um colar de búzios africanos , que numa trama de "hierofania", chegou até mim há muitos anos, como "herança" dos antepassados e até agora me protege)

 

19 novembro

Eu ganhei o presente.
Divulguei e mais gente também ganhou ♥️