quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Guimarães Rosa e o simbolismo?

Sim, sim, sim, sei que essa relação pode parecer inaceitável a qualquer concepção conteudística de literatura (eca)...isso porque Guimarães Rosa, se for imprencidível enquadrá-lo em alguma escola literária, foi um modernista muito crítico, mas um modernista: É inegável que respirou o mesmo "oxigênio mental" de um James Joyce -o que para mim é claro, especialmente quando considero a relação com o universo infantil...
Mas se os modernistas da primeira geração- precisando destruir as escolas anteriores, sobre as quais queriam vigorar, supervalorizaram aspectos formais e ridicularizaram os simbolistas pelo seu afã de valorizar aspectos supra-racionais do Homem através da busca pela subjetividade ou a imaginação que revelariam aspectos inconscientes - na segunda geração modernista, o caráter iconoclasta cedeu lugar a perspectiva de observação da realidade social e política, para que na terceira geração modernista pudessem surgir pensamentos que resgataram e recompuseram as idéias como as dos simbolistas:Falo de Clarice Lispector e também de Guimarães Rosa.
Mas por quê?
O Movimento literário conhecido como Simbolismo trazia para a literatura os questionamentos epistemológicos de sua época - fins do século XIX e começo do XX até a Primeira Guerra, quando se começava a duvidar dos benefícios da racionalidade.

Para Clarice Lispector, por exemplo, o reaproveitamento de técnicas simbolistas pode ser observado no constante questionamento do subjetivo e muitas outras coisas sobre as quais não tenho condições de comentar muito bem.
E para Guimarães Rosa?
Como sempre, em se tratando de Rosa, as coisas não são nada simples, isso porque em sua escrita, sempre, vigora o paradoxo!Por que isso?
Sabemos que a escrita de Rosa foi sempre preocupada com a oralidade do sertanejo - são famosas as cadernetas de viagem pelo sertão, onde ele teria anotado as composições lingüísticas que ouviu- e daí resulta em uma performance escrita muito diferenciada,que se permitia adotar a imprecisão de certas palavras, valorizando seu aspecto sonoro, para nos reportar ao indizível, em outras palavras, a performance escrita era bastante MUSICAL, em uma nova espécie de nefelibatismo (que para os simbolistas era "andar com toda a cabeça nas nuvens"). A diferença estava no fato de que os modernos da terceira geração já não queriam mais somente observar a realidade não somente a partir da destruição formal (como na 1a. geração) ou somente da reconstituição crítica direta ( como na 2a.geração), mas era preciso escolher uma perspectiva de observação onde fosse possível integrar ambas as técnicas em uma imensa consciência estética expressa pelas palavras, onde o universo lingüístico ultrapassou as informações dos dicionários, pois usou a construção de um grupo semântico que contruiu seus próprios referentes, subjetivando a escrita literária. Assim que Guimarães Rosa instalou-se sobre o sertão, mas criou personagens sertanejas que ultrapassavam a terra do sertão : iam ao seu EU profundo, ao sonho, ao simbólico, como Alfredo Bosi lembrou em seu texto referencial:partiam "do inferno para o céu".
Olha, não sei mesmo se alguma dessas coisas que eu escrevi aqui fazem algum sentido -só sei que eu não consegui pregar o olho até agora pensando nelas-o tempo dirá se desse a mato sai algum coelho...

Resumo do projeto de doutorado " Infância é coisa, coisa?- Crianças inventam sentidos para a História na obra de Guimarães Rosa" (PROVISÓRIO)

"A proposta desta pesquisa de doutorado é a de tentar encontrar um lugar legítimo para a História na obra de João Guimarães Rosa, considerando as possibilidades e conflitos do seu tempo. Sugerimos que um dos diferenciais mais fortes da escrita rosiana está em sua aproximação do ponto de vista infantil, que aparece em representações lingüísticas e imagéticas em sua escrita literária e também em documentos paralelos como correspondências. Nosso enfoque supõe que esta preocupação com a percepção infantil,para dar conta de novos olhares sobre a História em um período no qual sua legitimidade sofreu forte questionamento, também foi algo percebido por outros nomes importantes do século XX, como James Joyce e Walter Benjamin, entretanto ainda não foi tema de nenhuma pesquisa de grande fôlego a partir
da obra rosiana, como estamos projetando."

SEMPRE ESQUEÇO O ANEXO!

É VERDADE, EU SEMPRE ESQUEÇO O ANEXO DOS E-MAILS! (rs)
O pior é que mesmo sabendo disso, eu nunca lembro de conferir... que interpretação psicológica eu posso ter disso? rsrsrs

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quiromancia, livre arbítrio e gêmeos coloridos

Uma mulher "leu" minha mão no Natal e me disse que nela não está escrito que eu terei filhos, mas só que eu irei para fora do Brasil!
Que puxa! Peguntei se eu não podia "trocar" a viagem por filhos...? (rs)
Ela disse que tenho o livre arbítrio e as linhas podem mudar... achei ótimo, porque essa minha pesquisa sobre infância me faz pensar tanto em filhos!
Claro que não à qualquer preço, não sem pai, sem condições financeira e emocional para dar suporte a eles, mas eu ando me preparando tão bem e é a imagem de bebês que , já cerca de dois anos depois de produzida, sempre me arranca um sorriso é a dos gêmeos alemães, cada um de uma cor, como se dissessem: SOMOS TODOS IGUAIS, VEJA QUE NÓS VIEMOS DO MESMO VENTRE:

Para que brigar? Por quê, ao invés disso, não brincamos? (rs)

ALICE E OS TEMPOS

Depois de velha, estou relendo na íntegra, com atenção aos detalhes o inesquecível livro Alice no País das Maravilhas, para minha pesquisa, claro...
Quando tentei usar a História de Alice no País das Maravilhas para diminuir o estranhamento de crianças de onze anos que, na quinta série, precisam entender um tempo passado muito mais longo do que sua vida e da sua família, como a Idade Média... não adiantava falar "Mas tudo isso que te conto foi há mil anos atrás e as soluções que encontramos hoje em dia, valem para hoje, mas podem não valer para mil anos atrás", só que conforme nos explicou Piaget, pra quem tem onze, essas coisas são incognicíveis!
Qual era minha idéia? Era relacionar esse longo passado ao País das Maravilhas: Lá, também, Alice não conseguia resolver seus problemas como fazia na sua Europa vitoriana real onde vivia, esse tipo de solução só lhe causava mais problemas!
Mas eu percebi que a Alice não era tão conhecida das crianças brasileiras (pelo menos por agora, antes que Tim Burton a transforme em um ícone tipo Hello Kitty)
Mas as idéias da história são muito ricas, muito mesmo!
Essa história de mudar de tamanho o tempo todo é tão verdadeira, não é?
Todos temos dias que crescemos dois metros e meio, mas logo podemos diminuir e medirmos vinte centímetros (e corremos o risco de afogar no rio de lágrimas que choramos quando estávamos com dois metros e meio)
Isso vale para agora, e para pessoas de todas as idades!
Mas Alice começa o livro com um comentário bem típico de crianças, muito sincero:
"E de que serve um livro sem desenhos ou diálogos?" (rs)
Ora,embora Alice achasse isso na Inglaterra vitoriana, no Brasil -como esclareceu Mariana Cortez - "o início do desenvolvimento da ilustração começou em meados dos anos 70 do século XX" e a análise dos livros infantis destinados a crianças entre 07 e 11 anos leva a concluir que crianças "lêem com absoluta precisão os elementos imagéticos e é a palavra [escita] que se torna um possível fator de dificuldade" (CORTEZ, Mariana. Palavra e Imagem Pp.12/3)
Mas isso é muito verdadeiro- digo a partir da minha experiência com as crianças e Guimarães Rosa entre 2003 e 2004: Elas queriam REPRESENTAR EM IMAGENS tudo...e como estavam em fase de alfabetização, toda palavra escrita lhes era desafiadora: a de Guimarães Rosa era tanto quanto a de Ruth Rocha!
Incrível, né?

sábado, 2 de janeiro de 2010

Representações de crianças...


Escrevendo o projeto de pesquisa de doutorado, coloquei claramente uma grande questão proposta na apresentação do livro "Os intelectuais na História da infância" : Sendo um trabalho de história, ao estudar o tema infância na obra de Guimarães Rosa eu deveria especificar claramente no projeto se se trata de uma proposta de trabalho sobre "História da Infância"- então me debruçaria sobre a concepção ou a representação que os adultos fazem sobre o que foi vivido pela criança ou sobre "História da criança"- que seria a história da relação das crianças entre si e com os adultos, com a cultura e a sociedade... entretanto, esclareci que não estou propondo a investigação de ‘crianças’ ou ‘infâncias’ reais, mas de representações delas feitas pela obra rosiana, que parece se encaixar em ambas as formas ...
Mas porque é tão importante a representação?
Vamos considerar duas formas de representação de crianças em evidência: O filme da Xuxa "Mistério da feiurinha"; e o novo CD da Adriana Calcanhotto Partimpim 2 ... quero escrever agora sobre eles, porque ainda não ouvi completamente o CD, e o filme ainda não assisti... depois de entrar em contato com ambos, volto a falar sobre eles- caso me sejam interessantes...
Em princípio, um parece ser o oposto do outro: Xuxa, ao pensar em um filme sobe o livo do Pedro Bandeira, está decodificando e entregando nas mãos da criança todo o universo de antigas tradições infantis - o dos contos de fadas - e elas vão gostar (etimologicamente, infância diz respeito a seres que ainda não tem poder de decisão sobre seu destino ou gosto) - e podemos lembrar das palavras de Alice, de Lewis Carrol:"de que serve um livo sem figuras nem diálogos?", então o filme de Xuxa estaria "reforçando" essas questões?Não sei... penso que não, que as crianças gostarão de tudo, porque tudo é mágico para elas, mas não saberão, por enquanto, que tendo acesso a essas coisas, estarão perdendo a oportunidade de fazer aquilo deveriam ser incetivadas a fazer tempo todo : Criar!
Já no disco da Adriana, tomando pelo excelente site do disco - no qual somos incentivados a criar o tempo todo - e um pouco pelo primeiro Partimpim e pelas quatro músicas do novo que eu já ouvi, a representação caminha por caminho oposto:Mergulha-se fundo no universo de significados e sonoridades das crianças, trazendo à tona os animais como a gatinha manhosa,o cotidiano como musicando o Alface, componente de todo almoço, da afetividade quando o amor é destaque da canção "Menino menina" e fazendo a relação desses temas tão "História da criança", a representação introduz o tema da História da Infância, com a música "O Homem deu nome a todo os animais"... dando nome, inseriu-os na narrativa.
O texto que eu mais gostei desde que e enveredei pelos caminhos da decifração da infância foi a apresentação de Sebastião Salgado para seus Retratos de Crianças do Êxodo, que eu postei na íntegra aqui...
O texto- assim como as fotos - não representa crianças ou infâncias, as apresenta não como seres tolos e fofinhos, mas sim como seres que estão vivendo e sobrevivendo a dores insuportáveis até a homens adultos...para nos aproximarmos delas é preciso mais sensibilidade. Como diz meu orientador - que não é um partidário de nenhuma concepção política nem da esquerda, nem da direita- não vamos resolver todos os problemas da Epistemologia ou da História Social, antão porque não apostar em novos olhares, menos duros, se for o caso?
Guimarães Rosa, para quem, segundo Luiz Costa Lima,"o mundo é mais do que crueldade" escreveu em "Pilimpsiquice", que "Representar é aprender a viver além dos levianos sentimentos, na verdadeira dignidade."
Esse é o meu autor e eu sei que tudo isso que eu penso ainda está confuso, mas estou apenas no começo do raciocínio ainda...
O que você acham?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

VIRADA 2009-2010


Enfim 2009 - esse ano complicado -acabou!

Mais uma vez eu estive no Réveillon da Paulista, desta vez com mais 2 milhões e quinhentas mil pessoas - eu não acreditava que seria possível, mas estava ainda mais cheia que no ano passado!

Mas nesse ano me diverti muito mais: Muito "amor"- talvez até demais para uma balzaquiana- e alegria!

Na hora da queima de fogos achei que estava ainda mais bela que no ano passado e foram naqueles quinze minutos de virada que a garoinha virou chuva, mas achei ótimo, pois estava sentindo que estava sendo limpa das ziqueziras de 2009!

Nessa hora eu estava ao lado de duas crianças e achei inesquecível olhar para os olhinhos encantados delas ao ver os fogos, os papéis brilhantes caindo por 15 minutos seguidos e cada vez que os fogos davam um tempo de alguns segundos, elas diziam decepcionadas "já acabou?"...

A festa deste ano foi ao som de samba e é disso que o povo gosta (não do KLB chatíssimo), confiram e pensem numa pessoa que se acabou de dançar:




Eu "sai do corpo" (como diz um amigo meu) ... espero que 2010 seja como foi a Virada: Tudibom!
Feliz 2010 a todos nós!