domingo, 11 de julho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
Sobre CÊ: O gênio de sempre
O gênio de sempre
Maria Luiza Kfouri - Music News
21/09/2006
De 1997 para cá, foram lançados nove discos de ou com a participação efetiva de Caetano Veloso:
"Livro" (1997) – um disco com 14 faixas; 12 inéditas e "Minha voz, minha vida" (dele) e "Na Baixa do Sapateiro" (de Ary Barroso), nunca antes gravadas por ele. A produção foi dividida entre Caetano e o violoncelista Jaques Morelenbaum, o disco contou com a participação de inúmeros músicos de cordas, sopros, percussão e teclados, e foi considerado, pela crítica especializada, como um disco difícil... A única música do disco que me lembro de ouvir no rádio – e assim mesmo, pouco – foi "Os passistas", exatamente a primeira faixa. O show de lançamento, intitulado "Livro Ao Vivo", foi gravado e lançado em 1998 num CD sob o título de "Prenda Minha" – editado sem nenhuma música de "Livro" – e atingiu recordes de vendagem para os padrões de Caetano em função de "Sozinho", composição de Peninha, que tocou no rádio até que se pedisse chega.
Lançado em 1999, "Omaggio A Federico E Giulietta", gravado durante show realizado na Itália em 97, traz um Caetano camerístico, acompanhado por quatro músicos, cantando bem como sempre, em clássicos dele, de Jobim e Vinicius de Moraes, de Oscar Castro Neves e Fiorini, de Braguinha e Alcyr Pires Vermelho, e de Nino Rota e Irving Berlin, entre outros.
Em 2000, quando os incautos esperavam que Caetano lançasse algo na esteira do sucesso alcançado com "Prenda Minha", ele veio com "Noites Do Norte", cuja faixa título é um texto-prosa de Joaquim Nabuco musicado por ele. Mais uma vez taxado de difícil, o disco, produzido por ele, por seu filho, Moreno, e por Jaques Morelenbaum, praticamente passou em brancas nuvens aos ouvidos mais apressados. O mesmo não aconteceu com o show de lançamento – "Noites Do Norte Ao Vivo" -, que acabou por ser lançado em CD duplo, em 2001, com 32 faixas, muitas delas do disco original.
Em 2002, Caetano se junta a Jorge Mautner e os dois sessentões lançam "Eu Não Peço Desculpa", disco de vigor e atualidade exemplares para quem soube ouvir e aprender.
Em 2004, Caetano gravou "A Foreign Sound", disco com clássicos da música norte-americana.
Em 2005, foram lançados os discos "Onqotô" – músicas compostas por Caetano e José Miguel Wisnik para o espetáculo de dança do Grupo Corpo – e "O Coronel E O Lobisomem" – trilha sonora de Caetano e Milton Nascimento para o filme de mesmo nome, dirigido por Maurício Farias.
Todo este retrospecto que estou fazendo tem dois sentidos. O primeiro é mostrar que não é verdade que Caetano não lançava discos com músicas inéditas desde "Noites Do Norte" – ou há seis anos – como tenho lido em diversas matérias sobre seu novo disco, "Cê", recém-lançado.
O segundo e principal sentido desta breve panorâmica, é chamar a atenção para o fato de que Caetano continua a NÃO fazer aquilo que se espera dele. Seja nas formações de suas bandas e nas conduções dos arranjos, seja na forma de compor, seja na forma de gravar. No que é absolutamente fiel à letra de "O quereres", lançada em 1984 no disco "Velô".
E assim como em "Velô" – um apócope de Veloso –, em seu novo disco "Cê" – um apócope de "Você" – Caetano apresenta não só músicas inéditas, como também uma banda nova.
Pedro Sá na guitarra, Ricardo Dias Gomes no baixo e piano Rhodes, Marcelo Callado na bateria. Caetano, voz e violão. É tudo. E nada falta.
A direção de produção do disco é de Pedro Sá e Moreno Veloso. Ou seja, Caetano entregou a condução de seu som a mãos conhecedoras das novas tecnologias, antenado como sempre, mas talvez sem paciência para a profusão de botões e "drivers". E o resultado é um som de Caetano, do Caetano de sempre. Um som casado com as idéias que o compositor quer passar.
Se tiver a mesma idade de Moreno, já que é seu amigo de infância, Pedro Sá está entorno dos 34, 35 anos. Participou de uma faixa do disco "Tropicália 2", de Gil e Caetano, lançado em 1993, aos 21, 22 anos de idade. Depois, tocou em "Noites Do Norte" – tanto em estúdio como na gravação ao vivo do show -, em "Eu Não Peço Desculpa" e em "A Foreign Sound". Tem inúmeros outros trabalhos com outros músicos e intérpretes.
Os jovens Moreno, Pedro, Ricardo e Marcelo não se intimidaram diante do tamanho de Caetano e fizeram um trabalho à altura dele. E Pedro Sá se apresenta como um guitarrista com G.
Quem gosta de Caetano desde sempre certamente vai gostar de "Cê". Suas 12 faixas são Caetano puro e, para aqueles que conhecem bem sua obra, cada uma delas – seja por um vocalise, ou uma palavra, ou uma harmonia, ou pela incrível precisão de sempre – vai remeter a alguma outra já conhecida. Resultado de uma obra nunca repetitiva, mas sempre coerente.
Mas, como sempre, não é um disco pra ser ouvido ligeiramente, nem uma vez só, antes que se diga gostar ou não gostar dele. Assim como Chico Buarque, Caetano deve ser lido e relido ao ser ouvido.
Você já deve ter reparado o número de vezes que escrevi o termo "sempre". Não foi por falta de imaginação. É que tenho lido, em tom de crítica, em relação aos novos discos de Caetano e de Chico Buarque, que ambos não trazem novidades, que os dois continuam os de "sempre". Como se duas das figuras mais geniais da história da música brasileira continuarem a ser o que sempre foram não fosse motivo de júbilo. Querelas do Brasil...
Na letra de "Waly Salomão", composta em homenagem ao poeta e amigo morto, Caetano diz: "(...) eu sigo aqui e sempre em frente, deixando minha errática marca de serpente (...)". Pra mim, é o que melhor define o disco."
Maria Luiza Kfouri - Music News
21/09/2006
De 1997 para cá, foram lançados nove discos de ou com a participação efetiva de Caetano Veloso:
"Livro" (1997) – um disco com 14 faixas; 12 inéditas e "Minha voz, minha vida" (dele) e "Na Baixa do Sapateiro" (de Ary Barroso), nunca antes gravadas por ele. A produção foi dividida entre Caetano e o violoncelista Jaques Morelenbaum, o disco contou com a participação de inúmeros músicos de cordas, sopros, percussão e teclados, e foi considerado, pela crítica especializada, como um disco difícil... A única música do disco que me lembro de ouvir no rádio – e assim mesmo, pouco – foi "Os passistas", exatamente a primeira faixa. O show de lançamento, intitulado "Livro Ao Vivo", foi gravado e lançado em 1998 num CD sob o título de "Prenda Minha" – editado sem nenhuma música de "Livro" – e atingiu recordes de vendagem para os padrões de Caetano em função de "Sozinho", composição de Peninha, que tocou no rádio até que se pedisse chega.
Lançado em 1999, "Omaggio A Federico E Giulietta", gravado durante show realizado na Itália em 97, traz um Caetano camerístico, acompanhado por quatro músicos, cantando bem como sempre, em clássicos dele, de Jobim e Vinicius de Moraes, de Oscar Castro Neves e Fiorini, de Braguinha e Alcyr Pires Vermelho, e de Nino Rota e Irving Berlin, entre outros.
Em 2000, quando os incautos esperavam que Caetano lançasse algo na esteira do sucesso alcançado com "Prenda Minha", ele veio com "Noites Do Norte", cuja faixa título é um texto-prosa de Joaquim Nabuco musicado por ele. Mais uma vez taxado de difícil, o disco, produzido por ele, por seu filho, Moreno, e por Jaques Morelenbaum, praticamente passou em brancas nuvens aos ouvidos mais apressados. O mesmo não aconteceu com o show de lançamento – "Noites Do Norte Ao Vivo" -, que acabou por ser lançado em CD duplo, em 2001, com 32 faixas, muitas delas do disco original.
Em 2002, Caetano se junta a Jorge Mautner e os dois sessentões lançam "Eu Não Peço Desculpa", disco de vigor e atualidade exemplares para quem soube ouvir e aprender.
Em 2004, Caetano gravou "A Foreign Sound", disco com clássicos da música norte-americana.
Em 2005, foram lançados os discos "Onqotô" – músicas compostas por Caetano e José Miguel Wisnik para o espetáculo de dança do Grupo Corpo – e "O Coronel E O Lobisomem" – trilha sonora de Caetano e Milton Nascimento para o filme de mesmo nome, dirigido por Maurício Farias.
Todo este retrospecto que estou fazendo tem dois sentidos. O primeiro é mostrar que não é verdade que Caetano não lançava discos com músicas inéditas desde "Noites Do Norte" – ou há seis anos – como tenho lido em diversas matérias sobre seu novo disco, "Cê", recém-lançado.
O segundo e principal sentido desta breve panorâmica, é chamar a atenção para o fato de que Caetano continua a NÃO fazer aquilo que se espera dele. Seja nas formações de suas bandas e nas conduções dos arranjos, seja na forma de compor, seja na forma de gravar. No que é absolutamente fiel à letra de "O quereres", lançada em 1984 no disco "Velô".
E assim como em "Velô" – um apócope de Veloso –, em seu novo disco "Cê" – um apócope de "Você" – Caetano apresenta não só músicas inéditas, como também uma banda nova.
Pedro Sá na guitarra, Ricardo Dias Gomes no baixo e piano Rhodes, Marcelo Callado na bateria. Caetano, voz e violão. É tudo. E nada falta.
A direção de produção do disco é de Pedro Sá e Moreno Veloso. Ou seja, Caetano entregou a condução de seu som a mãos conhecedoras das novas tecnologias, antenado como sempre, mas talvez sem paciência para a profusão de botões e "drivers". E o resultado é um som de Caetano, do Caetano de sempre. Um som casado com as idéias que o compositor quer passar.
Se tiver a mesma idade de Moreno, já que é seu amigo de infância, Pedro Sá está entorno dos 34, 35 anos. Participou de uma faixa do disco "Tropicália 2", de Gil e Caetano, lançado em 1993, aos 21, 22 anos de idade. Depois, tocou em "Noites Do Norte" – tanto em estúdio como na gravação ao vivo do show -, em "Eu Não Peço Desculpa" e em "A Foreign Sound". Tem inúmeros outros trabalhos com outros músicos e intérpretes.
Os jovens Moreno, Pedro, Ricardo e Marcelo não se intimidaram diante do tamanho de Caetano e fizeram um trabalho à altura dele. E Pedro Sá se apresenta como um guitarrista com G.
Quem gosta de Caetano desde sempre certamente vai gostar de "Cê". Suas 12 faixas são Caetano puro e, para aqueles que conhecem bem sua obra, cada uma delas – seja por um vocalise, ou uma palavra, ou uma harmonia, ou pela incrível precisão de sempre – vai remeter a alguma outra já conhecida. Resultado de uma obra nunca repetitiva, mas sempre coerente.
Mas, como sempre, não é um disco pra ser ouvido ligeiramente, nem uma vez só, antes que se diga gostar ou não gostar dele. Assim como Chico Buarque, Caetano deve ser lido e relido ao ser ouvido.
Você já deve ter reparado o número de vezes que escrevi o termo "sempre". Não foi por falta de imaginação. É que tenho lido, em tom de crítica, em relação aos novos discos de Caetano e de Chico Buarque, que ambos não trazem novidades, que os dois continuam os de "sempre". Como se duas das figuras mais geniais da história da música brasileira continuarem a ser o que sempre foram não fosse motivo de júbilo. Querelas do Brasil...
Na letra de "Waly Salomão", composta em homenagem ao poeta e amigo morto, Caetano diz: "(...) eu sigo aqui e sempre em frente, deixando minha errática marca de serpente (...)". Pra mim, é o que melhor define o disco."
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terça-feira, 15 de junho de 2010
Dias frios
Estou gripada, mal humorada, triste e sem a menor condição de escrever um paper, que dirá dois...
sexta-feira, 11 de junho de 2010
A voz do escritor com os poetas Ricardo Aleixo e Waldo Motta
Ontem à noite estive assistindo uma parte do encontro "A voz do escritor" aqui na USP. Recebemos dois poetas, o mineiro Ricardo Aleixo e o Capixaba Waldo Motta. Intressante ouvir esses poetas.
Do Waldo Motta e seu livro "Bundo" eu já tinha ouvido falar aqui nas letras, mas não tinha lido nenhum poema. Ele m
esmo leu para nós e, assim como ele mesmo, os poemas são escatológicos, homo-eróticos,reliosos e filosóficos, o que me levou a me perguntar (eu que eventualmente acompanho os saraus dos poetas na Casa das Rosas): Que poeta atual segue caminhos muito diferentes desses? Ao contrário do que ele gostaria, sua poesia não me chocou, nem interessou ou marcou. Lembro apenas frases divertidas dele, como quando se definiu como "bicho e bicha" que adota uma "perspectiva anal" em seus poemas (rs)Foi legal, mas fiquei pensando no perspectivismo do Viveiros de Castro ... será que ele consiguiria "comer" essa perspectiva tão "corporal" de Waldo Motta e voltar a ser Viveiros de Castro? Nunca saberemos. (rs)
Já com a fala do Ricardo Aleixo eu me identifiquei mais e como não o conhecia, foi uma agradável surpresa. Sua narrativa sobre os primeiros contatos com a poiesia, que teria se dado à partir do futebol-arte de Ademir da Guia, o "filho do Divino Mestre", que encarnava um "históri
co" familiar de poetas da bola ao relembrar constantemente seu pai Domingos da Guia, o "Divino Mestre". Interessou ao Aleixo todo o conjunto de linguagens que o futebol que proporcionou desde a infância: a poesia dos toques de bola; a rapidez das "narrações" ouvidas no rádio - ele se espantou chamarmos de "narradores de futebol", porque o que um narrador narra algo que já aconteceu e esses narram o acontecimento enquanto ele ainda está em processo, por isso tanta velocidade - a força de possibilitar uma inclusão social do jogo... esse tipo de percepção é coisa de poeta, não acham? Um olhar para o mundo procurando um "não-lugar" onde a vida não seria, de antemão, nem boa nem ruim, mas diferente: a poesia. O que interessou ao Aleixo não foi a competição, mas o jogo, porque para o futebol-arte o processo de constução da poesia interessa mais que o resultado final(me lembrou muito os times do Santos))! Isso me emocionou muito e eu me lembrei de quando eu li as crônicas de Nelson Rodrigues sobre futebol: Era, como a literatura também é,uma reenunciação da vida e dos seus dramas. Adorei!
Uma coisa se repetiu na fala dos dois poetas sobre a sua vida até então: Sempre há um momento em que as condições pioram e a poesia não se torna a melhor opção possível, mas sim a única possibilidade de permanecer vivendo, ou seja, a poesia não é mais uma forma de ressignificar o mundo, mas é ela mesma o próprio sentido, justificativa e finalidade da existência... Isso é a paixão, que deve envolver todos os homens, de preferência sempre...
Adorei mesmo ter ouvido vozes poéticas, nesse mundo tão raso e seco...
Do Waldo Motta e seu livro "Bundo" eu já tinha ouvido falar aqui nas letras, mas não tinha lido nenhum poema. Ele m
esmo leu para nós e, assim como ele mesmo, os poemas são escatológicos, homo-eróticos,reliosos e filosóficos, o que me levou a me perguntar (eu que eventualmente acompanho os saraus dos poetas na Casa das Rosas): Que poeta atual segue caminhos muito diferentes desses? Ao contrário do que ele gostaria, sua poesia não me chocou, nem interessou ou marcou. Lembro apenas frases divertidas dele, como quando se definiu como "bicho e bicha" que adota uma "perspectiva anal" em seus poemas (rs)Foi legal, mas fiquei pensando no perspectivismo do Viveiros de Castro ... será que ele consiguiria "comer" essa perspectiva tão "corporal" de Waldo Motta e voltar a ser Viveiros de Castro? Nunca saberemos. (rs)Já com a fala do Ricardo Aleixo eu me identifiquei mais e como não o conhecia, foi uma agradável surpresa. Sua narrativa sobre os primeiros contatos com a poiesia, que teria se dado à partir do futebol-arte de Ademir da Guia, o "filho do Divino Mestre", que encarnava um "históri
Uma coisa se repetiu na fala dos dois poetas sobre a sua vida até então: Sempre há um momento em que as condições pioram e a poesia não se torna a melhor opção possível, mas sim a única possibilidade de permanecer vivendo, ou seja, a poesia não é mais uma forma de ressignificar o mundo, mas é ela mesma o próprio sentido, justificativa e finalidade da existência... Isso é a paixão, que deve envolver todos os homens, de preferência sempre...
Adorei mesmo ter ouvido vozes poéticas, nesse mundo tão raso e seco...
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Uma releitura da antropofagia - VÍDEO
Prestem muita atenção nesse vídeo, especialmente na trilha sonora, é totalmente "Eduardo Viveiros de Castro"!
Eu sugiro que, caso se interessem, procurem Antropogagia no Youtube, É UM MELHOR QUE O OUTRO!
Eu sugiro que, caso se interessem, procurem Antropogagia no Youtube, É UM MELHOR QUE O OUTRO!
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