sexta-feira, 8 de junho de 2018

Convite : Festa Junina Pilantragi na Casa das Caldeiras

Domingo vamos ter Festa Junina na Casa das Caldeiras. O convite é lindo, uma arte de  Raunny Souza inspirada na obra O Jardim das Delícias Terrenas, 1504, Hieronymus Bosch.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Ê MINAS GERAIS :Ainda há Minas, Drummond!


Relendo minha dissertação sobre a questão da História nas terceiras estórias de Guimarães Rosa, lembro com força como aquele trabalho foi tipo uma declaração de amor às Minas Gerais ... ai eu encontrei uma citação linda da tese do professor Sérgio da Mata (que por um engano imperdoável não consta na bibliografia final, mas é devidamente referenciado no corpo do texto) que eu usei para interpretar as personagens nômades de Tutaméia :
"o mineiro é antes de tudo um jogador. Sob este prisma, pode-se entender melhor o problema do habitus nômade. Pois a lógica do homem que se desloca ao sabor da última descoberta de ouro ou da busca de um novo chão não é outra senão a do jogo. Movimentar-se, nos séculos XVIII e XIX, é antes de tudo uma outra forma de fazer uma aposta . (...) Quem toma o caminho das minas é um aventureiro: um jogador, um homo ludens portanto. " (Sérgio da MATA. Chão de Deus. Pp.24-5)

domingo, 27 de maio de 2018

UMA BUSCA DA INTERDISCIPLINARIDADE


(Ao mestre Nicolau Sevcenko)
Uma olhada panorâmica pela minha trajetória de historiadora/pesquisadora ela pode ser sintetizada como uma busca constante da interdisciplinaridade. Da iniciação cientifica ao pós doutorado eu sempre trabalhei com História, mas nunca apenas com ela. Assumi a voz de fala da historiadora, mas procurei estabelecer diálogos com as mais diversas disciplinas. Claro que isso tem seu preço, afinal defender a interdisciplinaridade é super bem recebido na teoria, mas na prática sempre alguém vai levantar o dedinho para dizer que "isso não é História". Já ficou chato...por outro lado, nunca me esqueço que alguns dos meus artigos mais bem recebidos por pareceristas às cegas, foram elogiados justamente pela forma com que uso a interdisciplinaridade, mostrando que escolher adotar uma perspectiva, como tudo na vida, é uma faca de dois gumes, sempre alguém vai rejeitar sem querer entender, mas há os que não apenas entendem, como também problematizam e inciam conosco fecundas discussões.
Fechando este desabafo, lembro da minha defesa de doutorado na tarde de 15 de agosto de 2014, aconteceu no mesmo dia e na mesma hora da cremação do mestre Sevcenko, que é um dos responsáveis pelo meu interesse interdisciplinar. Naquela sessão reuni uma banca de jovens historiadores, um crítico literário e um geneticista para arguir uma tese em História sobre manuscritos literários de Guimarães Rosa e isso, segundo meu orientador Elias Saliba, foi oficialmente a primeira homenagem póstuma a Sevcenko, pois ali estava acontecendo uma das coisas que ele mais prezava: a História em perspectiva interdisciplinar!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Ouvindo o disco "Sobrevivendo no Inferno"


Eu já disse que, porque eles têm alguma coisa de inconsciente coletivo (você não sabe, mas conhece, inacreditavelmente, nos anos 90 era a trilha sonora de fundo....) eu conhecia bem algumas músicas do álbum "Sobrevivendo no inferno" dos Racionais Mc's. Não todas. Mas não sabia que estavam no mesmo álbum e ouvi-las em sequência, na ordem, é uma outra experiência, é um choque de realidade, até para mim, que sou quem eu sou e tem a história que eu tenho... ter que ouvir se quiser "acalentar o sonho de doutor" é muito importante. Uma vez, há muito anos atrás, eu ouvi de uma entidade, numa gira : "você será uma doutora", o que nas rimas do Brown significaria que eu também "acalentei o tal "sonho de doutor (a)" e talvez isso tenha me permitido não ter levado um tiro de revolver aos 13 anos, mas não me salvou de outros tiros, e sobrevivi a eles todos. Ser doutora eu consegui, só eu sei a que custo e o sabor de não saber o que fazer com essa "sobrevivência" proibida. Resumindo: não vai dar mais para desistir, nem que eu queira, é como o som dos Racionais: uma força maior que nós.