Reassisti ontem na Netflix o filme de Walter Sales, do qual eu lembrava apenas da história de brasileiros tentando sobreviver à crise econômica do governo Collor e da belíssima música "Vapor Barato, de Waly Salomão na voz de Gal Costa. O que já seria, por si só, uma excelente lembrança cinematográfica.
Ao rever o filme, porém, me surpreendi positivamente. Os personagens brasileiros, vulneráveis e quase expulsos de seu próprio país, buscam abrigo em na Península Ibérica, agora "terra estrangeira", mas encontram ali apenas novas formas de desenraizamento.
Filmado inteiramente em preto e branco, refletindo o estado emocional das personagens, o longa reúne cenas belíssimas e tristes : paisagens vazias, o mar que, um dia, simbolizou descobertas e travessias. Agora, serve de cenário para desterrados. Simbolicamente, ainda guarda os restos de um navio naufragado. Seria também uma imagem do próprio Brasil?
Sem deixar de comentar o contexto político da época, o roteiro ganha contornos de thriller quando esses brasileiros que tentam sobreviver na Europa acabam envolvidos com organizações de contrabando. É um filme que envelheceu bem e que gostei de revisitar.
