terça-feira, 11 de maio de 2010

Uma amostra "metodológica" de como eu encaro a pesquisa das relações entre História e Literatura

"A postura, hoje difundida, em relação às narrativas historiográficas me parece simplista porque examina, normalmente, só o produto literário final sem levar em conta as pesquisas (arquivísticas, filológicas, estatísticas etc) que o tornaram possível. Deveríamos, pelo contrário, deslocar a atenção do produto literário final para as fases preparatórias, para investigar a interação recíproca, no interior do processo de pesquisa, do dados empíricos com os vínculos narrativos.Há muitos anos, Lucien Febvre observou que as fontes históricas não falam sozinhas mas só se interrogadas de maneira apropriada. Hoje isso nos parece óbvio. Menos óbvia é a observação de que as perguntas do historiador são colocadas sempre, direta ou indiretamente, em formas (destaco o plural) narrativas. Essas narrações provisórias delimitam um âmbito de possibilidades que, freqüentemente, são modificadas ou até descartadas no curso do processo de pesquisa. Podemos comparar essas narrativas a instâncias mediadoras entre questões e fontes, as quais influem profundamente (ainda que não de maneira exclusiva) sobre os modos pelos quais os dados históricos são recolhidos, eliminados, interpretados - e, por fim, naturalmente narrados. "
GINZBURG, Carlo. Decifrar um espaço em branco. In: Relações de força: história, retórica, prova.São Paulo: Cia das Letras. P.114

segunda-feira, 10 de maio de 2010

CORAL TROVADORES DO VALE


Bom, eu nem falo nada, né? Cultura popular mineira é tudo de bom pra mim!
Eu me apaixonei por essa menininha aqui cantando uma das cantigas que está nesse disco dos Trovadores do Vale, ela cantando é um barato, muito engraçadinha:

domingo, 9 de maio de 2010

DIA DAS MÃES

Vocês já viram a foto de Guimarães Rosa e sua mãe,
D. Chiquitinha?
Eu adoro essa foto, porque a mãe dele é parecida com a mãe do meu pai (minha avó, D. Ana):

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O que importa são os amigos!

No dia 27/04 eu fui assistir o seguinte evento no SESC VILA MARIANA:
O poeta Claudio Willer reuniu outros poetas para falarem do poeta Roberto Piva, que está passando por problemas sérios de saúde...
Todos se emocionaram muito ao falar de Piva; de suas histórias com ele; de suas visões da cidade de São Paulo; de toda uma vida que compartilharam e por isso ali estavam, tentando de alguma forma melhorar a vida do amigo de tanto tempo... Amizade é isso e por isso é é tudo o que importa!
Me lembrei demais do filme "Invasões Bárbaras", que é um dos mais dignos que eu já vi na vida ... muito emocionada com tudo, colo aqui um vídeo da belíssima trilha sonora "L'amitie" :

quarta-feira, 28 de abril de 2010

II SIMPÓSIO DE ESTUDOS SOBRE CULTURA


Apesar de tudo eu vou apresentar o que estou falando neste resumo:

Guimarães Rosa: Um escrevinhador de narradores

Camila Rodrigues*

Palavras-chave – Guimarães Rosa, oralidade, sertão, infância, modernismos

Resumo

A performance da escrita de João Guimarães Rosa (1908-1967) é a utilização da fala como ingrediente da sua escritura. Isso pode ser percebido a partir do alto grau de estranhamento que apresenta a leitores urbanos, pois aborda o cenário peculiar do sertão de Minas Gerais, que é tomado como emblema e alegoria do primitivo. Foi neste sertão - na cidade de Cordisburgo - que em 1908 nasceu o menino Joãozito, uma criança que ao completar oito anos, mudou-se para Belo Horizonte, onde seguiu seus estudos até tornar-se médico e depois atuar como diplomata.

Na fase adulta, Guimarães Rosa revisitou o sertão para viajar com vaqueiros e registrar, em seus conhecidos cadernos manuscritos, as narrativas e a linguagem tradicional dos sertanejos. Entender sua performance deve partir da existência desses registros, pois eles - tão parecidos com um relatório científico – não são, ainda, a sua obra literária final, mas apontamentos que serviram como sua matéria prima, já que a observação da realidade precisa de filtros ficcionais para tornar-se literatura.

A importância do contato com os sertanejos foi oferecer matéria prima para o artesanato de sua escritura, pois ao escrever sua literatura, Rosa não reproduz exatamente o que ouviu, mas faz escolhas de palavras ou expressões que – a partir de sua força sonora ou semântica – reproduzem não a fala, mas sim o ritmo do que foi ouvido, pois elege este elemento como a força motriz da comunicação, e isso passa a atuar como o corpo da narrativa. Assumindo essa visão, a escrita de Guimarães Rosa articula a linguagem de forma a potencializar a oralidade existente nela.

Se pensarmos na recepção da obra rosiana pela crítica no contexto de seu lançamento (1946-1967), em geral, a utilização desse artesanato que propicia uma escritura ligada a oralidade foi percebida, mas somente relacionada ao espírito do seu tempo (Zeitgeist), que começou a ser expresso na literatura brasileira pelo modernismo desde os anos 1920, especialmente no resgate de aspectos primitivos e orais em nossas manifestações populares. Após 1945, com a chamada 3ª.geração – a de Guimarães Rosa -, percebe-se uma busca ainda maior por experimentações lingüísticas, que refletiam uma ansiedade em inserir o Brasil nas grandes problemáticas da epistemologia do pós guerra, valorizando, entre outros elementos, a linguagem oral. A incorporação da perspectiva infantil a este novo olhar epistemológico também alterou a visão da História. Todos esses temas serão levantados, ainda que de forma sintética, nesta fala.

* Doutoranda em História Social na USP – Ma. Camila Rodrigues

Veremos...


domingo, 25 de abril de 2010

O SANTOS VIVE NO MEU CORAÇÃO!


Fazia tempo que eu não me deliciava com meu amado Santos, né?
Voltei a amar ser santista!