domingo, 15 de janeiro de 2012


"Muitas vezes tenho me perguntado por que os teóricos da literatura ainda não perceberam que tudo o que dizem quando falam de fenomenologia, estruturalismo, desconstrução ou qualquer outra abordagem crítica pode ser mais claro e facilmente demonstrado na literatura infantil. O inverso disso é imaginar por que muitos de nós que nos ocupamos da literatura infantil temos sido tão lentos para reunir as duas."
Aidan Chambers

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Historiador cria vida, cria tempos!

Toda narrativa é capaz de criar seu próprio tempo e sua própria vida a partir de documentos achados em arquivos. O historiador Robert Darton nos fala sobre a narrativa da morte de de uma personagem do século XVIII que pesquisou no arquivo:

"Posso repetir a morte de Bertrand de muitas maneiras, interrompê-la em qualquer ponto, retrocedê-la ou avançá-la em direção a ligações com outros dossiês que se relacionam com o dele em combinações infinitas.
O que eu estou fazendo com isso? O que todo historiador faz: brincando de ser Deus.
Como explicou Santo Agostinho, Deus existe fora do tempo. Ele pode reecenar a história como Lhe aprover, para trás, para a frente ou as duas coisas ao mesmo tempo.
O historiador certamente cria vida. Ele insufla vida no barro que escava nos arquivos..."

Muito interessante, especialmente para quem lida com arquivos...Darton é historiador que deve ser mais do que considerado!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Congresso Internacional

III CONGRESSO INTERNACIONAL DE LEITURA E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL II FÓRUM LATINO-AMERICANO DE PESQUISADORES DE LEITURA - PUCRS - de 09 a 11 de maio de 2012
Mais informações aqui.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O mundo da criança




Mundo da Criança
Toquinho


É sempre colorido, muitas vezes de papel
Com arcos, flechas, índios e soldados
Cheinho de presentes feitos por papai noel
O mundo da criança e iluminado

Baleias gigantescas, violentos tubarões
Mistérios de um espaço submerso
Espaçonaves passam por dez mil constelações
O mundo da criança é um universo
O mundo da criança é um universo

Pipas, peões, bolas, balões, skates e patins
Vovó, vovô, mamãe, papai, família
É fácil imaginar uma aventura
Dentro de uma selva escura
Com perigos e armadilhas
Viagens para encontrar minas de ouro
Piratas e um tesouro enterrado numa ilha

Imagens, games, bate-papos no computador
O tempo é cada vez mais apressado
E mesmo com todo esse imenso interativo amor
O mundo da criança é abençoado
O mundo da criança é abençoado



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As aventuras de Pinóquio: História de um boneco - Carlo Collodi

Vocês souberam da edição especial da história original do Pinóquio, escrita por Carlo Collodi que a editora Cosac Naify preparou em dezembro de 2011? Pois é tudo de bom!!!!
Vale muito ver, especialmente aos historiadores, afinal começamos a aprender a importância do tal bonequinho para a história ao lermos o texto "O país dos brinquedos - Reflexão sobre a história e sobre o jogo" que está no livro "Infância e História"de Giorgio Agamben?
Ali ficamos sabendo que até as coisas mais prosaícas e triviais podem ser um tesouro para análise de um bom historiador...
Nesta edição, segundo lemos no site da editora: "as ilustrações exclusivas de Alex Cerveny são uma atração à parte: o artista brasileiro utilizou a técnica cliché verre, do final do século XIX (contemporânea ao livro), na qual se chamusca uma placa de vidro com uma vela e desenha-se rapidamente sobre esta superfície com um objeto pontiagudo. O resultado são imagens oníricas de um Pinóquio nunca antes imaginado." Além disso também temos um prefácio do Italo Calvino, "só isso"... mal posso esperar para comprar e ler tudo!
Se quiserem saber mais sobre o livro clique aqui.
Se quiserem ler uma enterevista com o tradutor Ivo Barroso, clique aqui.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Brincar de tempo-será

Tempo Será

A Eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão).

Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A Eternidade está longe,
Brinca de tempo-será.
(Manuel Bandeira)

Mas que brincadeira é essa de 'tempo-será'?
Segundo
este site, é um jogo de pique que quando o pegador é escolhido, as outras crianças repetem o seguinte diálogo cantado:

— Tempo será.
— De cericecó.
— Laranja da China.
— Pimenta em pó.
— Pinto que pia?
— Pi-pi-ri-pi.
— Galo que canta.
— Cocorocó
— Quem é o durão?
— Só eu só.
— Olha que lhe pego.
— Não é capaz.
— Olha que lhe pego.
— Se for capaz...


Quando acaba todos se põem a fugir do pegador. O primeiro que for pego será o pegador da rodada seguinte. Brincadeira bem brasilira, não? O interessante é pensar nos "tempos outros" das crianças, que no máximo obedecem às temporalidades dos jogos e brincadeiras, estes sempre à parte do tempo cronológico linear dos adultos!

domingo, 18 de dezembro de 2011

(UM) CRIME DELICADO

Estou lendo o romance "Um Crime delicado", de Sérgio Sant'Anna e estou adorando!
Eu não esperava muito, confesso, mas estou me surpreendendo em cada vez maisudo bem que estou ainda no começo porque (para minha grande surpresa até) é bem densa (nunca chata!)...
Séparei 3 trechinhos logo do começo que eu amei, um sobre narrativa e seu poder; um sobre percepção do amor . Sobre a construção narrativa:

"Não tenho a pretensão de rastrear, reproduzir, aqui, a consciência, a memória em seu fluxo veloz e descontínuo, pois tal procedimento se encontra muito além de minhas potencialidades narrativas, talvez além do alcance das palavras, porque a maior parte desses pensamentos, lembranças e projeções se fazia por meio de sensações e imagens superpostas (AQUI A PERSONAGEM ELENCA IMAGENS DAS QUAIS SE LEMBRA QUE NÃO COLOCO AQUI PRA NÃO ESTRAGAR POSSÍVEIS LEITURAS DE VOCÊS QUE ME LÊEM). Então é preciso organizar esse fluxo, como o tenho feito, para que eu próprio possa segui-lo, dominá-lo ao menos nestas páginas, estas frases que se encadeiam, como se elas, sim, criassem a verdadeira realidade." P. 29-30"
As duas outras passagens sobre percepção da espécie de amor são:
"Minhas emoções, tenho certeza, se atropelavam, mas eu podia resumi-las nesse dia seguinte como sentimento de profunda cumplicidade com Inês e o seu destino, desde quando fora traçado com aquele estigma, muito antes de eu conhecê-la, até o momento mágico em que passara a incluir-me e, a partir dele, até onde esse destino fosse conduzir-nos. Nâo seria amor, ou mais?" P. 31
"...mais importante do que o fato de ser Inês uma pintora, medíocre ou não, havia o fato maior de sermos dignos um do outro, pois os espelhos que nos ligavam, inclusive na ausência, refletiam, para além dos corpos - para além, até, daquilo meio secreto em seu corpo -, uma imagem, digamos, do espírito." P.32

Este romance foi filmado, recebeu o nome de Crime delicado:
Não vou assistir antes de terminar de me deliciar com a sua leitura porque só de saber que está no eleco do filme já perdeu a graça de imaginar as personagens... que droga! De qualquer forma, fica aqui as duas indicações...