sábado, 13 de julho de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
Quartas Estórias e a consolidação do cânone literário que, antes de tudo, vende!
Eu comprei este livro e não tinha gostado muito dele. Até comentei que achei só legalzinho, nada demais... porque, como eu temia, a maior parte dos textos é inspirada em passagens do Grande Sertão, algumas poucas em Sagarana e uma ou outra no Corpo de Baile. Inspirado nas Primeiras Estórias, pelo que vi, só um texto a partir de Famigerado, e sobre Tutameia: nada. Isso é comum na recepção crítica que Rosa tem até hoje e é claro que se trata da solidificação de sua imagem como autor de determinadas obras canônicas, ok. Eu nem sei se deveria achar isso ruim, mas de qualquer forma eu não gosto nada disso! Eu gosto muito da segunda fase do Rosa, acho que continua sendo uma escrita densa, repleta de significados e cada vez mais caindo para o poético.
Agora fui pesquisar um pouco na editora Garamond e vi do que se trata realmente este livro: é mesmo para comemorar datas cabalísticas e tentar vender mais livros...
No site da editora está escrito assim:
Este livro é uma homenagem, respectivamente, aos 60 e 50 anos de lançamento das duas obras-primas de Guimarães Rosa, Sagarana e Grande Sertão: veredas. Reflete tanto a atualidade da obra de Rosa quanto suas diferenças com relação ao mundo em que vivemos, estabelecendo um diálogo entre diferentes aspectos do Brasil e da literatura.
Ao encarnar o desafio de recriar as histórias de um autor tão especial para a literatura do Brasil e do mundo, Quartas Histórias atesta o talento de 40 escritores brasileiros contemporâneos, alguns ainda bem jovens, e a vitalidade da nossa literatura contemporânea. Trata-se de uma obra marcada pelo vigor, pela ousadia e pela atualidade.
Os contos de Quartas Histórias podem ser lidos e entendidos independentemente de o leitor conhecer ou não as histórias de Guimarães Rosa. Eles podem inclusive despertar a curiosidade dos mais jovens pela obra do grande autor mineiro.
AUTORES QUE PARTICIPAM DE QUARTAS HISTÓRIAS
Aleilton Fonseca, Amador Ribeiro Neto, André Sant’Anna, Antonio Carlos Secchin, Antonio Carlos Viana, Ataíde Tartari, Bernardo Ajzenberg, Carlos Gildemar Pontes, Carlos Ribeiro, Cecília Prada, Deonísio da Silva, Fabrício Carpinejar, Fernando Bonassi, Geraldo Maciel, Godofredo de Oliveira Neto, João Anzanello Carrascoza, José Castello, José Rezende Jr., Leila Guenther, Luzilá Gonçalves Ferreira, Marcelino Freire, Marcelo Carneiro da Cunha, Maria Alzira Brum Lemos, Marilia Arnaud, Mário Chamie, Miguel Sanches Neto, Nelson de Oliveira, Nilto Maciel, Paulo Franchetti, Pedro Salgueiro, Raimundo Carrero, Ricardo Soares, Rinaldo de Fernandes, Ronaldo Correia de Brito, Ruy Espinheira Filho, Sérgio Fantini, Silviano Santiago, Suênio Campos de Lucena, Tércia Montenegro e W. J. Solha.
SOBRE O ORGANIZADOR
Rinaldo Fernandes é escritor, pesquisador e professor de literatura, atualmente na Universidade Federal da Paraíba. É autor de livros de contos e romances, além de organizador das coletâneas O Clarim e a Oração: cem anos de Os Sertões; Chico Buarque do Brasil e Contos Cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira.
Quem sabe um dia Guimarães Rosa vai interessar para além da sua capacidade de produzir mercadoria...
De qualquer forma, fica a dica para quem se interessar.
De qualquer forma, fica a dica para quem se interessar.
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domingo, 30 de junho de 2013
Alimentação das crianças brasileiras
Alimentação das
crianças brasileiras
Dois alimentos tradicionais para
crianças são o pirão de leite e o pirão escaldado, com ovos cozidos, ‘cabeça de
galo’, infalível na idade escolar. O pirão de leite acompanhava picadinho de
carne, n’água e sal. Depois bebia-se o caldo do cozido.
Leite quase nenhum. Ou nenhum. A
primeira reação era do próprio interessado:
-‘Sou lá menino novo para beber leite!’
Verduras, hortaliças, sopas, nada. O
brasileiro detesta, em regra geral, possuir uma pequenina tarefa em casa, uma horta
no quitalejo. E tudo sempre foi muito caro para a pecúnia popular.
Bolacha ou pão com café pela manhã.
Munguzá, milho cozido com leite de côco, bem mais comum entre o povo que o de
gado. Cuscuz de milho. Durante o dia os engodos sedutores nos tabuleiros da
rua, cocada, bolo preto, cajicão, a puxa-puxa para enganar, depois estilizada
no plano da resistência pelo ‘pirulito’ moderno, dourado, doce e sujo. Menino
de rua , sempre comendo e empre faminto.
Infinitamente menor o uso do amendoim na alimentação brasileira. Na África
Ocidental e Oriental é básico. No Brasil, de onde viajou, é uma gulodice, um
passatempo, sem a indispensabilidade africana.
Dos alimentos-guloseimas recordo a farinha
de castanha, a de milho, a pipoca, presentemente industrializada e servida
salgadinha, aos elegantes. A simples e gostosa farinha de mandioca com açúcar
ou rapdura pilada. O mel de engenho. O Jerimum, batata, com leite são acepipes sertanejos,
assim como a farinha com leite e açucar. E os favos de mel mais encontradiços
que no litoral. E as frutas do mato, procuradas nas safras e nunca
intencionalmente plantadas. A colheita sistemática sem cultivo fê-las rarear e
algumas espécies desapareceram dos arredores das cidades onde abundavam.
Como a criança tem a
vocação pela fruta, comendo-a em maiores quantidades e frequência que o adulto,
há também a sabida habilidade de localizar as árvores frutíferas em maturação,
quando quase toda a gente ignora. Também, antigamente, as mulheres do povo que
iam às frutas, nos morros e tabuleiros no Nordeste, eram acompanhadas
pelos filhos menores, tornados depressa veteranos na identificação da
pomicultura selvagem e utilização de seus sabores. Faziam mesmo um pequeno
comércio de frutas nativas nas cidades, depois de impossível continuação pela
morte das fruteiras ou avanço dos
arrabaldes, ocupando o que dantes era baldio, povoado de frutos. Esse aspecto
era idêntico às populações do Sul e Centro e, Pará e Amazonas, verificava-se
semelhantemente, quanto ao oferecimento de frutos colhidos nas cercanias das
cidades e que foram extintos pelo desenvolvimento urbano.
Outra fonte de
alimentação infantil, nas cidades e vilas marítimas, são os moluscos e
crustáceos nos mangues, alagados e pedras que empoçam água, guardando peixinhos
que aguardam a vinda da preamar. No comum os mangues eram povoados pelos
meninos, ‘catando’ siris e ‘caçando’ goiamuns. Já não os vejo presentemente nos
manguais desertos, unicamente campos de pesca de adultos.
Como, sem necessidade
alimentar mas atendendo ao irresistível apelo da idade e da ecologia
fascinante, fui pescador de manjubas e mores no rio Potengi, na convivência dos
grupos de meninos de todas as classes, presto um depoimento de testemunha, de
fato e de direito.”
CASCUDO, Luís da Câmara.História da Alimentação no Brasil (cozinha brasileira). São Paulo: Cia Editora Nacional, 1968. 2 V., p. 304-6
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Luis da Camara Cascudo
domingo, 16 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Hilda Hilst e sua "paixão sensorial pelos sons ou pelo desenho das palavras, por sua grafia..." Leo Gilson Ribeiro
Em entrevista ao crítico literário Leo Gilson Ribeiro, que foi publicada recentemente na coletânea de entrevistas de Hilst "Fico besta quando me entendem", organizada por Cristiano Diniz,a poeta comenta:
"O ummm russo, com essas reverberações ameaçadoras do m depois do u profundo, abissal, u sinto como demais verdade, sensorial, é um barulho que vem de dentro, perigosíssimo, talvez o homem tenha extrapolado a utilidade do intelecto, talvez se tivesse tido noção da periculosidade implícita desse som, sei lá, mântrico, aterrador, seria outra coisa o intelecto e não esse ummm apavorante " Hilda Hilst, 1980.
Temos também trechos de divulgação do livro :
domingo, 9 de junho de 2013
Como as crianças ensinam o Ser Humano a contar sua História?
Citando Walter Benjamin:
(as crianças) Sentem-se irresistivelmente
atraídas pelos detritos que se originam da construção, do trabalho no jardim ou na marcenaria, da atividade do alfaiate ou
onde quer que seja. Nesses produtos
residuais elas reconhecem o rosto que o mundo das coisas volta exatamente para
elas, e somente para elas. Neles estão menos empenhadas em reproduzir as
obras dos adultos do que estabelecer uma
relação nova e incoerente entre esses restos e materiais residuais. Com isso as
crianças formam o seu próprio mundo de coisas, um pequeno mundo inserido no
grande.” (BENJAMIN, Walter. Livros infantis, velhos e esquecidos, p. 57-8.)
Nesta foto, com "detritos" de lápis de cor (nada mais infantil), vemos como as crianças podem reinventar a partir de restos, que era o que interessava Walter Benjamin, que postulou que assim também podemos aprender com elas a escrever a História! Como diz Sonia Kramer, em excelente citação: “Walter Benjamin já nos alertava para o fato de que o homem faz história, de que existe a possibilidade de fazer história, porque temos a infância" (KRAMER, Sonia. Prefácio do livro A Infância vai ao cinema. p. 08.)
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