Cantiga tradicional portuguesa:
terça-feira, 22 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Caetano comenta o livro "A música de Milton Nascimento", de Chico Amaral
FOI PUBLICADO HOJE CEDO NO PERFIL "FALA CAETANO", NO FACEBOOK:
"Na coluna de ontem para @[115230991849922:274:O Globo], Caetano discorre sobre o livro de Chico Amaral sobre Milton Nascimento. ___________________________________ MILTON: A MÚSICA Recebi um livro que me arrebatou. Trata-se de “A música de Milton Nascimento”, escrito por Chico Amaral. Muitas das ideias a que, ao longo dos anos, esse artista excepcional tem me levado aparecem de modo articulado pelo autor, coisa que a mim mesmo não seria possível. É preciso ser muitíssimo mais músico do que sou para captar com consciência técnica as peculiaridades harmônicas e rítmicas que fazem o mundo único de Milton aflorar em timbres e formas. Quando canto que a bossa nova é foda, estou me referindo à explosão do João Gilberto dos LPs “Chega de saudade”, “O amor, o sorriso e a flor” e “João Gilberto”, com as composições de Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal; as letras de Vinicius, de Bôscoli, do próprio Lyra ou do próprio Tom; as releituras de sambas de Caymmi, Ary, Bid & Marçal, Lauro Maia; os arranjos econômicos e perfeitamente elegantes de Jobim (e os de Walter Wanderley em parte do terceiro disco): foi o Big Bang. As bandas jazzísticas que apareceram depois, sobretudo no Beco das Garrafas, sendo, a meus ouvidos, apenas uma pequena regressão virtuosística. Em suma, a “bossa nova” de que falo no verso desaforado não é um gênero mas um acontecimento. Respeitei seus desdobramentos mas nunca os pude pôr no mesmo nível do ápice revolucionário. O aparecimento de Milton, coincidindo cronologicamente com o do grupo tropicalista, veio a mudar esse esquema. Ou pelo menos se apresentou como algo mais que relevante (além de intenso e genuíno) nascido de uma relação diferente com essa história: Milton desenvolveu uma visão da música que dava mais atenção aos floreios do Tamba Trio do que ao rigor fundador de João. Claro que Milton não era o único brasileiro a ser mais atraído por aqueles desdobramentos. Conheci dezenas de amantes da música que, no início dos anos 60, tendiam mais para o culto dos Zimbos e Tambas, do Donato do “Muito à vontade” — e das canções de Edu, fundamente informadas pela riqueza harmônica da bossa nova mas saindo para modos do Nordeste e para paisagens sonoras mais grandiosas. Mas Milton fez de tudo isso um mundo novo. Eu próprio, admirador de Edu (apesar de manter fidelidade estética e crítica ao minimalismo do Jobim de João), compus, em 1964, a canção “Boa palavra”, que o próprio Milton, anos depois, me disse ter sempre amado. Mas não só eu não tinha adesão estética total ao que se insinuava nessa segunda fase do momento bossanovista da nossa canção: faltava-me o talento musical para produzir algo orgânico. Terminei, no apego à exigência joãogilbertiana, indo para o ruidismo roqueiro e para a mirada pop da produção cancional. Muito mais musical do que eu, Gil percebeu a força e o significado de Milton. Bastou-lhe ouvi-lo cantar a música de Baden no festival da TV Excelsior. Quando, pouco depois, ele tomou conhecimento das composições do mineiro, era-lhe evidente que Milton era a coisa mais importante que tinha acontecido à música brasileira. De minha parte, embora me fosse óbvio que “Canção do sal” e “Travessia” fossem composições belas, só comecei a perceber algo de especial em Milton quando o conheci pessoalmente. Desde que o vi algumas vezes no Redondo (bar que ficava em frente ao Teatro de Arena de São Paulo) tive a sensação de estar diante de alguém com conteúdos muito densos — e uma forma externa à altura: a beleza de seu rosto negro valeria por si só, não fosse o sentimento indescritível sugerido por seu olhar. Mas só vim a combinar essa experiência com a música que saía dali quando, de volta de Londres, em 72, vi o show do Teatro da Lagoa. Foi o show que encantou Wayne Shorter. Em Londres, Dubas chegou com um LP “Courage”. Ouvi, admirei mas não me deixei tomar. Vendo Milton com a banda no palco, de repente entendi tudo. A música de Milton é a maior força de presença da música brasileira no mundo depois da bossa de Tom e João. Isso se deve a sua capacidade intuitiva para com as relações dos sons — e a forças atávicas, históricas e sociais da feitura de sua individualidade. (Quando vi, no resultado dos testes de DNA feitos com celebridades brasileiras, que Milton apresentava a mais alta percentagem de gens negros, pensei: tinha que ser no mínimo isso!) Primeiro a turma do jazz-fusion, depois a turma do rock e do pop: o mundo viu algo imenso erguer-se no Brasil. E o próprio Brasil passou a gerar talentos grandes que tinham tido em Milton a inspiração: Ivan Lins, Djavan, Gonzaguinha, João Bosco… Escrevo isto sob o impacto da leitura do livro de Amaral. E com o “Coração de estudante” a que o nó dos professores convida. Ainda o estou lendo, já mais perto do final. Mas não tenho outra coisa na cabeça."
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
Terezinha de Jesus
Isso é :
ÁLBUM: O RITMO JOVEM NAS CANTIGAS DE RODA -
CONJUNTO E CORO INFANTIL CBS (1967)
A letra, na íntegra, é:
Dá laranja quero um gomo
Do limão quero um pedaço
Da morena mais bonita
Quero um beijo e um abraço
ÁLBUM: O RITMO JOVEM NAS CANTIGAS DE RODA -
CONJUNTO E CORO INFANTIL CBS (1967)
A letra, na íntegra, é:
Teresinha de Jesus
Temas Infantis
Terezinha de Jesus deu uma queda
Foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão
Foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão
O primeiro foi seu pai
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão
Quanta laranja madura
Quanto limão pelo chão
Quanto sangue derramado
Dentro do meu coração
Quanto limão pelo chão
Quanto sangue derramado
Dentro do meu coração
Terezinha levantou-se
Levantou-se lá do chão
E sorrindo disse ao noivo
Eu te dou meu coração
Levantou-se lá do chão
E sorrindo disse ao noivo
Eu te dou meu coração
Dá laranja quero um gomo
Do limão quero um pedaço
Da morena mais bonita
Quero um beijo e um abraço
Esta última parte da cantiga
"Dá laranja quero um gomo
Do limão quero um pedaço
Da morena mais bonita
Quero um beijo e um abraço"
É um pouco estranha para mim... são variantes de tradições populares antipatiquíssimas! Achei interpretações milenares desta narrativa/ canção , advindas da Índia antiga! Por isso que as reflexões sobre História e Cultura Popular que comecei com um grupo aqui na USP, com muita razão, destacava que certos fenômenos culturais populares são muito mais complexos do que parecem ser e para nos aproximarmos e refletirmos melhor sobre eles, um caminho possível pode, sim, começar partindo de uma renovada reflexão sobre as ideias de F. Braudel sobre a Longa Duração (que não foi concluída pelo historiador que primeiro a propôs, mas foi logo deixada de lado e tomada como "modinha" velha pelos historiadores ansiosos por novidades historiográficas... mas que para alguns pesquisadores da História Cultural é assunto e questionamento presente no dia a dia...
Refletir sobre isso me parece ser um método possível de se escrever a História, e bem mais complexo do que montar fazer planilhas demográficas, não? rsrsrs
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Melhores momentos do Cocoricó: vai deixar muita saudade!
A TV Cultura surpreendeu, negativamente, dizendo que vai interromper definitivamente o Cocoricó. Não tenho palavras para dizer o quanto lamento e me indigno: a TV aberta não tem mais programas para as crianças, nem mesmo a TV Cultura - que já ganhou tantos prêmios internacionais pela qualidade da sua programação infantil - já não vai mais manter o seu maravilhoso Cocoricó.
Talvez seja mais lucrativo e dê mais IBOPE trocar a programação infantil das mamnhã por aquele programa chatíssimo o Guia do Trânsito.Para o telespectador que não está preso no trânsito (espero que seja a maioria), é insuportável assistir aquilo. Pobres crianças, especialmente as que não possuem TV fechada... Lamentável!
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domingo, 1 de setembro de 2013
"Recado de Primavera", de Rubem Braga
Quando entra setembro, sentimos que se aproxima a necessária primavera... nos preparando para recebê-la, compartilho um dos textos distribuídos na emocionante exposição "Rubem Braga - Fazendeiro do ar", no museu da Língua Portuguesa em São Paulo... só para lembrar que, em certos momentos, a vida NÃO é feita só de tristeza, frio e feias visões e sentimento de fracasso ...há também a fecunda primavera!
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Vinicius de moraes
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Prefácio escrito por Moacir Scliar para o livro "Joãozito: a infância de Guimarães Rosa", de Vicente de Paulo Guimarães
“ A literatura era parte do genoma da
família de João Guimarães Rosa. A filha, Vilma Guimarães Rosa, é escritora,
autora de Acontecências, Setestórias, Serendipity e Por que não?.
E o tio, Vicente Guimarães, sob o pseudônimo de Vovô
Felício, tornou-se conhecido por seus livros para crianças e jovens, elogiado
por ninguém menos que Monteiro Lobato. Vilma homenageou o pai em Relembramentos; Vicente, por sua vez,
evoca a infância do grande Rosa neste Joãozito, oportuno relançamento da Panda
Books.
Não se trata de uma obra acadêmica,
erudita. O que moveu o autor, antes de mais nada, foi um genuíno afeto. O que
temos aqui, antes de mais nada, é a história de uma amizade. Vicente Guimarães
não foi o tio clássico, mais velho que o sobrinho. Como às vezes acontece em
famílias grandes, a diferença de idade entre os dois era pequena, cerca de dois
anos. Brincavam juntos, desenvolveram carreiras literárias paralelas, e foi
isto que permitiu a Vicente falar do grande diplomata e escritor, membro da
Academia Brasileira de Letras e candidato ao Nobel como Joãozito, simplesmente,
numa narrativa que tem encanto da ficção. Nisto teria o aplauso do próprio Rosa
que uma vez declarou : “Às vezes quase acredito que sou um conto contado por
mim mesmo.”
O cenário da infância foi uma pequena
cidade no meio de Minas Gerais. Cordisburgo quer dizer “cidade do coração”, e
esta denominação é significativa: com o
coração Rosa descobriu o mundo e as pessoas; do coração morreu, logo após a
posse na ABL, em 1967. Vicente conta a história da hoje famosa Cordisburgo,
fala de seus tipo populares, o Mané Galinha, o Chico Bico, o Chico Baiano, o
Juquinha Guarda-Chaves, a Macota e a Maricotinha; e ao fazê-lo, já está nos
introduzindo ao próprio universo ficcional rosiano, que é, como o próprio escritor
afirmava, eminentemente mineiro.
Joãozito
nascera em Cordisburgo em 1908, mesmo ano em que, no Rio, morria Machado de
Assis. Era o primogênito de Floduardo Pinto Rosa, juiz-de-paz e comerciante, e de
Francisca Guimarães Rosa, D. Chiquinha.
Concluiu os estudos básicos e, em 1925, com 16
anos, entro na faculdade de medicina. Mas não deixava de voltar a Cordisburgo,
em férias que Vicente descreve deliciado.
Trabalhou como médico alguns anos, fez concurso para o Itamaraty, e, como
diplomata serviu em vários países. Cônsul-adjunto em Hamburgo durante a época
do nazismo, salvou muitos refugiados judeus, concedendo-lhes vistos para o
Brasil. Em 1946 publica Sagarana e
dai por diante sua carreira prosseguirá com crescente êxito. Apesar disto, não
esquecia os amigos, com quem mantinha ativa correspondência. No que chama de “a
melhor parte do livro”, Vicente Guimarães reproduz algumas das cartas que Rosa
lhe escreveu e que são muito reveladoras de sua pessoa e de sua atividade como
escritor: “Quando escrevo, não estou pensando em obter tal ou qual efeito
cultural ou educativo. O artista é uma autarquia, sente, pensa e cria, em
termos absolutos, dando expressão à sua necessidade íntima.” Para ele, o
escritor deve ser humilde, independente, corajoso, profundamente sincero,
infinitamente paciente.
Uma lição de arte, uma lição de vida.
Por ambas, devemos ser profundamente gratos a Guimarães Rosa”
SCLIAR, Moacir. Prefácio. In: GUIMARÃES,
Vicente de Paulo. Joãozito: a infância, p. 05-07.
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