quinta-feira, 5 de agosto de 2021
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
A Terceira Margem do rio, por Odilon Esteves
Registro a interpretação do ator Odilon Esteves, gravada no Grotão, município de Novo Cruzeiro, Minas Gerais, em 17 de junho de 2021, temos um emocionante exemplo do que é tal da palavra-cantiga saída do falar sertanejo.
Infelizmente eu não consegui incorporar aqui na postagem, então segue o link:
A TERCEIRA MARGEM DO RIO - João Guimarães Rosa
domingo, 1 de agosto de 2021
O sol também se levanta. Levanta mesmo?
sábado, 31 de julho de 2021
Dois contos de Gogol e o estranhamento
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| Eu com livro de Gogol e os dois usados como referência neste texto |
Como postei em 28 de julho:
Antes, um comentário sobre a bela edição de Gogol : Trata-se de uma tradução original do russo por Gália e Otto Schneider, com ilustrações do alemão Erich Grandeit, edições Melhoramentos, coleção Novelas do Mundo, no.7, sem data.
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| edição que é uma jóia |
Agora terminei a leitura do livrinho e gostaria de postar um comentário breve sobre cada um desses contos fantásticos.
Pensando na produção literária do escritor russo Nikolai Gógol (1821 - 81), o conto "O Capote", publicado em 1842, desenha uma caricatura da burocrática sociedade russa de meados do século XX através da história do humilde e sem grande personalidade funcionário público Akaki Akakiévitch, que é bem pobre e precisa urgentemente de um capote novo ou arrumado, para enfretar o rigoroso inverno de São Peterburgo e a refinada crítica de Gógol aparece em momentos assim:
De leitura fácil, carregada de humor negro, nesse conto temos desenhada uma caricatura da sociedade russa através de contornos sutis das diferenças sociais na exuberante cidade peterburguense, o que o levou a ser tomando pelos próprios escritores russos como Dostoiévski, Tolstói, etc, uma especie de precursor de toda tradição ficcional que marcou a história da literatura de nosso tempo.
Apesar de ser um pouco grande para um conto, considero que seja mesmo um, pois toda a trama, sua problemática, desenvolvimento e final, gira em torno de um ponto bem específico: o vestuário de Akaki Akakiévitch: o que ele veste representa o que ele é, roto, gasto, velho, motivo de chacota. O narrador, que não é onisciente e conversa o tempo todo com o leitor sobre o que sabe e o que não sabe ao certo na história que está contando, e quando narra as humilhações cotidianas sentidas pelo personagem resignado, que não é dono nem das próprias palavras, e, estranhamente, vai descrevendo a surrada roupa como um duplo de seu dono:
"O leitor precisa saber que o velho capote de Akaki Akakiévitch (como ele próprio) também era alvo de toda sorte de zombaria por parte dos colegas, a tal ponto que, privando-o da nobre designação de capote, chamavam-no de bata. Na realidade esse capote era algo inteiramente singular; sua gola diminuía de ano para ano, servindo para remendar outras partes dêle. Os remendos não mostravam grande arte do alfaiate, pois eram toscos e feios." (p.19)
Já não podendo mais remendar seu capote, Akaki sabia que teria que dar um jeito de ter um novo e então, humildemente, procura ao alfaiate e encomenda um novo capote
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| Akaki Akakiévitch encontra o alfaiate. Ilustração do alemão Erich Grandeit |
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Muito intrigado, sai em busca do nariz com ajuda da policia e da imprensa em cenas engraçadíssimas, até encontrou um senhor de uniforme que não era outra coisa que não o seu nariz uniformizado!
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Major Kovaliov encontra seu nariz com uniforme mais graduado que o seu.
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"O pobre Kovaliov quase perdeu o juízo. Não sabia o que pensar de tão estranho acontecimento. Como era possível que o nariz, que ainda ontem fazia parte da sua cara, sem poder se locomover ou andar, estivesse hoje de uniforme?" (p.70)
Não quero estragar a surpresa dessa deliciosa peça literária, por isso paro de falar do enredo aqui, mas não sem antes destacar que esse conto foi objeto de discussão e reflexão constante nas minhas pesquisas sobre humor e estranhamento e humor, para as quais usei como apoio o capítulo "Estranhamento", do livro "Olhos de Madeira: Nove reflexões sobre a distância", de Carlo Ginzburg ( Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Cia das Letras", 2001. e o ensaio "Dois narizes", da escritora paulista Zulmira Ribeiro Tavares (In Região. São Paulo: Cia das Letras, 2012), onde ela experimenta uma comparação entre a obra de Gogol e parte da história da "Menina do narizinho arrebitado", de Monteiro Lobato.
Tanto Ginzburg , quanto Zulmira tratam por estranhamento como toda ordem de inesperado dentro do cotidiano, do banal, aquele lapso, que na maioria das vezes resulta em comicidade e nos convida a olhar nosso mundo de outra forma.
terça-feira, 20 de julho de 2021
Passeio no parque Trianon
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| Cara de assustada, mas certeza de que dias melhores virão |
Depois de um ano e quatro meses de quarentena, na gelada tarde de 20 de julho de 2021 eu sai de ônibus e metrô para passear no Parque Trianon com meu grande amigo Rafael. Como se percebe na foto, eu estava um pouco assustada, mas foi tudo bem, não peguei ônibus nem metrô cheios e fez muito bem conversar com alguém ao vivo, de máscara e álcool em gel e bateu uma esperança de que um dia tudo volta ao quase normal.
sexta-feira, 16 de julho de 2021
A morte anunciada e uma história de amor
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| Quando chegou fazia frio e me abracei nele |
A premissa é bem simples: Depois de um casamento suntuoso como nunca havia acontecido no vilarejo, a noiva é devolvida à casa dos pais por não ser mais virgem e, relatando o nome daquele que a havia violado, cabe aos seu irmãos, dois gêmeos que trabalhavam como açougueiros, anunciarem a morte do violador. Na verdade, expectando a passagem do navio trazendo o bispo, que nem chegou a desembarcar no povoado, nada além do anuncio dessa morte disso acontece na trama e o mais impressionante é como Gabo consegue manter o livro de pé, mesmo quase sem acontecimentos.
Quando cheguei perto da metade escrevi um depoimento :
Na verdade, nada acontece na trama, só alguns fios que ficaram soltos (deve ter mais de 50 personagens, mesmo com lista, muitas vezes fiquei confusa) que precisam encontrar um final. depois me acostumei com a dinâmica. Mas no começo eu não estava reconhecendo o Gabo que eu amo, o das grandes histórias de famílias, o dos grandes amores por anos, o do REALISMO MARAVILHOSO. Esse é bom, mas diferente, sei lá, parecia um livro do Jorge Amado (histórias que o povo conta), ou um mistério como se fosse algum da Agatha Christie, embora não houvesse mistério algum: há a morte, há os assassinos e as versões...o livro é uma ode às narrativas, uma bela crônica, no sentido de ser um
“Conjunto de notícias que circulam sobre pessoas”
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| Ilustração da capa: a faca |
“Bastava-lhe fechar os olhos para vê-lo, ouvia-o respirar no mar, o calor de seu corpo acordava-a à meia noite na cama.” (p.136-7)
Passou então a lhe escrever cartas, uma por semana, durante metade da vida, mas nunca obteve qualquer resposta, até que, prossegue o narrador:
"Certa madrugada de ventos, no décimo ano, acordou-a a certeza de que ele estava nu em sua cama. Escreveu-lhe então uma carta febril de vinte páginas e na qual deitou sem pudor as amargas verdades que guardava apodrecidas no coração desde a sua funesta noite. Falou-lhe das marcas eternas que ele havia deixado em seu corpo, do sal de sua língua, da trilha de fogo de sua verga africana. Entregou-a à funcionária do correio que, nas sextas feiras, à tarde, ia bordar com ela para levar as cartas, e convence-se de que aquele desabafo final seria mesmo o último de sua agonia. Mas não houve resposta. A partir de então já não tinha consciência do que escrevia nem a quem escrevia; continuou escrevendo sem quartel durante 17 anos.
Em um meio-dia de agosto, enquanto bordava com as amigas, sentiu que alguém chegava à sua porta. Não precisou olhar para saber quem era. “Estava gordo, o cabelo tinha começado a cair e já precisava de óculos para ver de perto”, disse-me. “Mas era ele, porra, era ele!” Assustou-se porque sabia que ele a estava vendo tão decaída como ela o via, e não acreditava que tivesse tanto amor como ela para se conformar. (...) Baynardo San Román deu um passo à frente, sem se preocupar com as outras bordadeiras atônitas, e pôs os alforjes na máquina.
-Bem - disse- aqui estou.
Levava a mala da roupa para ficar e outra igual COM QUASE DUAS MIL CARTAS que ela lhe escrevera. Estavam ordenadas por suas datas, em pacotes amarrados com fitas coloridas, e TODAS SEM ABRIR. "(p. 139-41)
Podem me chamar de boba, mas achei tudo isso tão lindo, nó!
Um último comentário: a parte final do livro, o destino de Santiago Nasser, é bonito e me lembrou um tanto o clima de "Pedro Páramo", de Rulfo.
Gostei muito de ler o Gabo novamente, que autor sensacional, um autor da nossa época! Adoro!
terça-feira, 13 de julho de 2021
Um capítulo sobre Pedro Bloch
No Ebook “Diálogos Possíveis: História e Literatura em Perspectiva – Vol. 1 e 2”, organizados por Thiago Sampaio (Unesp) e Alex Rogério da Silva (ufscar) e disponível gratuitamente em PDF, saiu um um capítulo sobre pesquisa de pós doc intitulado
ANEDOTÁRIOS DE PEDRO BLOCH: UMA HISTÓRIA DE HUMOR, LIVROS E CRIANÇAS e você pode ler nas páginas 129-159 deste link.
É bem divertido, garanto !

















