![]() |
| Detalhes das imagens da meninas: Acima a da etiqueta no caderno à esquerda a do meu pingente e à direta a da capa do meu livro. |
![]() |
| Capa do caderno com o desenho da menina etiquetado embaixo, à esquerda |
![]() |
| Detalhes das imagens da meninas: Acima a da etiqueta no caderno à esquerda a do meu pingente e à direta a da capa do meu livro. |
![]() |
| Capa do caderno com o desenho da menina etiquetado embaixo, à esquerda |
![]() |
| Meu exemplar |
Este é um livro bem complexo, usei muito na pesquisa para escrever minha dissertação de mestrado em História "Mãos vazias e pássaros voando: memória, invenção e não-história em "Tutaméia: terceiras estórias", de João Guimarães Rosa : me ajudou a entender Guimarães Rosa e as personagens de Tutaméia no mestrado, mas sobretudo, a pensar o motivo daquilo tudo ser sempre um acolhimento para mim. Anos se passam e novos significados vão surgindo.
"a questão da identificação nunca é a afirmação de uma identidade pré-dada, nunca uma profecia autocumpridora - é sempre a produção de uma imagem de identidade e a transformação do sujeito só assumir aquela imagem. A demanda da identificação - isto é, ser para um Outro - implica a representação do sujeito na ordem diferenciadora da alteridade. A IDENTIFICAÇÃO É SEMPRE O RETORNO DE UMA IMAGEM DE IDENTIDADE QUE TRAZ A MARCA DA FISSURA DO LUGAR DO OUTRO DE ONDE ELA VEM. Tanto para Fanon, quanto para Lacan, os momentos primários dessa repetição do eu residem do desejo do olhar e nós limites da linguagem. A atmosfera de certa incerteza que envolve o corpo atesta sua existência e o ameaça de desmembramento."[ (Grifo meu) BHABHA. Homi. O local da cultura. Trad. Myriam Àvila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Glaucia Renate Gonçalves.Belo Horizonte: Editora UFMG.1998, p.76-7.]
Nesse livro sobre nômades, migrantes, refugiados, exilados, toda sorte de pessoas não cobertas pelos braços de uma pátria, a maioria dessas pessoas se locomove para sobreviver. Trazendo isso para o trazendo para o contexto brasileiro, eu analiso na página 131 da minha dissertação acima citada. que a estudiosa Maria Cristina Wissenbach expica que a mobilidade como forma de sobrevivência dos brasileiros é uma das heranças deixadas pela escravidão, marcada pela mobilidade por toda a extensão do país, que em seguida marcou o comportamento dos habitantes das zonas rurais do Brasil, mostrando que a "sociedade escravocrata engendrou homens andarilhos." ( Wissenbach, M.C.."Da escravidão à liberdade: dimensões de uma privacidade possível". p. 57-60)
Dito isso , lembramos que no livro Turaméia, que começa assim:
"a estória não é história. A estória, em rigor, deve ser contra a História. A estória, às vezes, quer-se um pouco parecida à anedota"
Temos "estórias/anedotas" com esse tipo de personagens : ciganos, vaqueiros, circenses: todo mundo mundo que se move pelo sertão pra sobreviver. Bhabha afirma que essa gente, não coberta pela grande narrativa oficial nacional (História),tem que escrever a sua de forma diferenciada, a sua estória. Foi muito importante essa leitura para mim.
![]() |
| Minha coleção de Jeferson Tenório |
Depois de Guimarães Rosa, só em 2022, enfim, achei ter encontrado um sentido literario pra minhas buscas pessoais, quando li os primeiros romances de Jeferson Tenório: O beijo na parede (2013) e Estela sem Deus (2018).
Tal qual uma criança iludida como sou, quis estudar essas obras, dei início a uma sondagem, apostei nessa verdade que era meu caminho e dei com a "cara na parede". Me retrai, guardei minhas armas e me reservei.
Nessa primeira tentativa encontrei o texto reativo de Luiz Maurício Azevedo, que é tão diferente de mim: se eu me expresso no ritmo do Ijexá da Oxum e da flecha certeira de Oxóssi, ele é todo armado com o alforje de Iansã e a espada de Ogum, mas que também diz verdades das quais não posso discordar. Antes mesmo de ler o que ele escreve sobre Tenório eu já concordava e me perguntava :"com que direito eu, que embora negra, sou uma pesquisadora forjada no esquema literário branco, me dou o direito de estudar esse autor, um autor da vida, a minha vida, esse Lima Barreto do século XXI?
Pois bem, continuo me perguntando isso, sempre vou me perguntar, mas já relativizo: se eu, que também vivo na "pele" essas questões, não puder estudá-las, pensar sobre elas, certamente outra pessoa mais ditada pela branquitude, que nunca vai saber como é, vai se apropriar e tentar ditar regras que o encaixe no status quo da Literatura Brasileira. Não posso deixar, não vou desistir.
![]() |
| Livro questionador |
Por hora, vejamos o tom de guerra do texto de Luiz Maurício. Choca um pouco, mas como afirmar que ele está de todo errado?
"Se você não é Jeferson Tenório, sugiro que aceite que você é um escritor irrelevante. Se serve de consolo, garanto que não está sozinho. Olhe bem, estou aqui, segurando sua mão. Estamos ombro-a-ombro nessa trajetória de fracasso literário. Jeferson Tenório faz parte da minoria. Jeferson é anormal. Ele nunca gostou do mIRC. Ele não criou um Zine eletrônico nós anos 1990. Quando cria suas histórias, Jeferson precisa escolher se as dezesseis vezes em que foi parado por agentes da Polícia Militar (para averiguações, dada a sua cor provocativamente suspeita) ficarão do lado de fora de sua obra decidido isso, ele precisa, ainda, estabelecer qual a natureza dessa presença. Jeferson Tenório e, talvez, por isso, o melhor escritor da atualidade. E o é não apenas por ser negro, mas , precisamente por sê-lo. Ser negro o possibilita ter como matéria-prima a si mesmo e não apenas seu umbigo imaginado. Quando fala, fala do mundo. Quando reclama, reclama não daquilo que vê pela janela indiscriminadamente, mas da realidade examinada de forma meticulosa, celular, precisa. É a mágica da materialidade. Jeferson pensa melhor porque vive melhor. Ele começa a escrever antes da escrita, em um processo de mobilização que se revela, sob todos os aspectos, uma investigação psicanalítica perigosa, de m método de autoanálise que o obriga a pensar em si mesmo antes de pensar no mundo."
(AZEVEDO, Luiz Mauricio . 'Por uma Literatura menos ordinária'. In: "Estética e raça: Ensaios sobre a Literatura negra". Porto Alegre: Sulina, 2021, p. 99-100.
![]() |
| Fevereiro 2023: Carnaval |
![]() |
| Em julho 2022: magra e fraca |
![]() |
| Suka Figueiredos |
Em uma linda tarde ensolarada e quente fui à terapia e estiquei no Sesc Instrumental, sem saber do que ia se tratar.
![]() |
| Não estava tão bonita, nem tirei muitas fotos no dia. Só de óculos no busão na ida e quando cheguei em casa antes das 22 horas. |
Era a Suka Figueiredo, uma saxofonista fofa, muito talentosa! De cara fui gostando quando entrei e vi o palco:
E ela tinha, sim, acompanhamento de muitos músicos, uma pequena orquestra!
Como está no site do instrumental :
Muito gostoso o som deste show:
Surpreendentemente, Suka contou que foi assistindo à apresentação do Projeto Coisa Fina, naquele palco do Teatro Anchieta, em 2017 que ela conheceu a belezura que é o trabalho desta pequena orquestra.
![]() |
| Um print de publicação no Facebook sobre o show do Projeto Coisa Fina. Eu tinha amigos no publico fiel do instrumental. No caso eu falava sobre Felipe, um professor de História. |
Certamente eu e ela assistimos ao mesmo show do Coisa Fina , que eu tinha conhecido e amado em dezembro 2916 no próprio instrumental. Eu e Suka assistimos ao show e reagimos forte e apaixonadamente àquela banda, aquele som, aquele compositor! Viva a música e aos presentes que ela nos dá!
![]() |
| Com meu amado CD, hoje à tarde |
Na época eu pirei com esse grupo, comprei até o CD, que ouvi à exaustão enquanto trabalhava no meu pós-doutorado, mas fazia tempo que não ouvia essa beleza e hoje relembrei: Continua deslumbrante.
Foi tão gostoso ouvir aquele som instrumental, do jeitinho que eu aprendi a ouvir e amar, que simplesmente viajei.
Obrigada Suka, obrigada instrumentalmental, por mais esse carinho na minha alma.
![]() |
| Ouvi: "Nossa, ela vem mansinha assim toda de ouro, como pode?" |
![]() |
| Eu ainda amo o Quintal, mas tenho que admitir que já foi mais bonito, com sambistas que eu admirava |
![]() |
| Beto Guilherme |
![]() |
| Juninho Thymbau |
![]() |
| Saboneteiras: Não pronta ainda, mas a caminho |
![]() |
| Bem pertinho |
![]() |
| Saudades dos meninos prettos |
![]() |
| Com a Marilda |
![]() |
| A Marilda |
![]() |
| Beto Guilherme: Compositor de Agenda |
![]() |
| Beto Guilherme |
![]() |
| À esquerda Juninho Thymbau e Maurilio (Prettos) |
![]() |
| Cenas do samba |
![]() |
| Juninho Thymbau: "a vitória demora, mas vem" |
![]() |
| Essa é a Z, que cuidou da Beth Carvalho |
![]() |
| Z é uma mulher preta linda |
![]() |
| Diretamente do Rio: Dayse do Banjo |
![]() |
| Eis que Xangô chegou no samba ! Kao |
![]() |
| Os Prettos desfilaram na Mocidade Alegre, campeã do Carnaval 2023 com o tema "Yasuke, o samurai africano.No Quintal ganharam a faixa de campeões |
![]() |
| bela noite do Maria Zélia |
![]() |
| 🥰 |
PAIXÃO INTELECTUAL: Estive estado pleno de paixão intelectual em 2005, tinha me formado há pouco e fechado diagnostico de EM, passava sempre muito mal e achava que a qualquer momento iria morrer. Não podia, não sem antes realizar meu sonho que era estudar Guimarães Rosa, tinha que escrever um projeto de mestrado. Tinha sido mandada embora do trabalho (passava muito mal),com muito medo e estudava muito, muito, muito, passava dias na biblioteca dissecando a fortuna crítica de Rosa, ai encontrei os textos do Willi Bolle, que trazia uma História tão diferente pro Rosa, uma História benjaminiana. De Walter Benjamin eu sabia o básico, "o narrador", "a obra de arte na era da reprodutibilidade técnica" e tal...mas Bolle trazia outras faces e eu queria entender mais daquele filósofo.Ganhei da minha irmã um curso de Jeanne Marie Gegnebin "História e Narração em Walter Benjamin" na USP Maria Antonia e ali tinha tudo de bom: as palavras alemãs, os termos, Modernidade, História, narrativa, memória e muita infância! Tenho lembranças maravilhosas daquele curso,de voltar correndo pro metrô Santa Cecília às 22:00, lembro de comprar pêras frescas numa barraca e comer na volta absolutamente encantada com tudo aquilo. Tomei posse do universo de Benjamin e aquilo foi para mim a VIRADA DE CHAVE. Segundo minha terapeuta, foi a primeira vez que ela viu meus olhos brilharem naquele ano, depois da EM, de tudo de ruim. 😍 Aquilo foi só o começo, depois estudei muito mais infância, muito mais autores, mas Benjamin sempre me escorando para falar de crianças no século XX, no doutorado, pós doutorado e até agora. Lembrar dele me dá um quentinho no coração e a esperança de que, quando tudo está perdido, sempre existe uma luz, uma memória qualquer pode ser o "salto de tigre em direção ao passado" e isso pode dar um sentido para a História e para a vida.Benjamin é bom de fazer isso comigo, quero e preciso usar de novo! 😍
Escrevi este texto inspirada nessa postagem