terça-feira, 13 de junho de 2023

Marlene Souza Lima no Instrumental SESC Brasil

 

Cheguei no Sesc Consolação e vi
 que ia ser show de uma mulher preta
🤩

Duas semanas depois daquele desbunde de Jazz, volto ao Instrumental  e desta vez com ingresso reservado antes, aqui de casa mesmo, pelo app. Tudo é novidade!

Estava frio e me agasalhei bem, de preto e amarelo, nem parecia que estava toda inflamada e com coriza: uma mulher chique, como sempre gosto de estar ali no Consolação, lugar que me faz tão feliz sempre!

"Amarelo é a sua cor", me disseram essa semana 😍

Não só eu estava bem arrumada, também o Teatro Anchieta estava decorado :


Desta vez deu tudo certo, estava com tempo, com pastilhas para a garganta irritada, com carteira, com frio: cenário perfeito para minha querida sopa Sesc:

A sopa foi de ervilha e as pastilhas ajudaram muito

 Não conhecia Marlene Souza Lima, olhando o palco dela, prestei atenção na batera, imaginei que fosse jazz. E foi

o palco

Vejamos o que o site do Instrumental diz sobre está guitarrista brasiliense:

Marlene é maravilhosa, toda vestida de brilhos, toda animada e linda! Seu quarteto foi sensacional e o show muito agradável, um jazz bem moderno, cheio de referências, de aconchego. Quem quiser conhecer, assusta:


Amei conhecê-la naquela noite fria e chuvosa, foi tão gostoso e relaxante que quando chamaram a Patrícia Palumbo eu disse "mas já?!" Quando isso acontece é pq  show me tirou do tempo! Vou lá para isso mesmo!  😍

Como estava muito frio e eu com medo da friagem, fiquei até o final para prestigiar, mas fui ouvir o biss no banheiro ao lado do palco, muito bom... Na última canção, como bom quarteto de Jazz, eles se permitiram brincar na improvisação e eu vibrei! Obrigada por mais essa Sesc Instrumental! Até a próxima!








segunda-feira, 5 de junho de 2023

Quintal dos prettos junho 2023

 


Mais um Quintal dos Prettos. Dessa vez vou tentar chegar mais cedo pra ver se consigo entrar e não vou esquecer a capa de chuva ☂️

Nem teve chuva ou muito frio! Foi mais um dia gostoso e um pagode dos melhores 😍

Eu até tentei um lookinho festa,mas nem deu muito certo porque eu copiei um penteado, mas não fiz igual, então acabei soltando os cabelos depois

Em outra oportunidade vou copiar de novo 

Na hora de ir minha casa estava um caos, estavam arrumando fiação e chuveiro,logo fiquei sem energia elétrica boa parte da manhã. Deu para tomar banho e esquentar rapidinho o almoço no microondas (o mínimo) e só. No fim até que não saiu tão ruim, embora pudesse estar melhor.

No caminho, tudo tranquilo e no Maria Zélia um cenário bem mais tranquilo que no mês passado 


Como de costume, algumas fotos: 

Bonny, ao meu lado, é passista da Vai Vai

Lindas sambistas 

Nos stories : 3 garotas Sandra,eu e Rosangela

Samba é com amigos

A lua do Maria Zélia: Sempre amo



Quando cheguei fiquei no gargarejo: dava até pra ver a roda

na cadência bonita do samba


Você não samba mas tem que aplaudir


Eu sou o samba: feliz!

Espetinhos :carne e queijo 



A foto no busão Metrô Belém/Jaçanã 

Na véspera dos Namorados ninguém quer
Saber de amor,não kkk

Murilão da boca do mato (87):
máximo respeito à velha guarda
do Samba ❤️


No fim, uma narrativa triste:
                                    
No álbum oficial 

No álbum oficial 

No álbum oficial do

terça-feira, 30 de maio de 2023

ARTHUR NESTROVSKI NO INSTRUMENTAL E PRESENTES

                       

Mais uma terça com terapia e instrumental. O dia estava muito frio e eu gripada e desanimada, faltei da academia, mas fui, toda robocop,  ouvir meu respiro no Sesc Consolação. 

Casaco mais pesado que tenho!

                                               

Novamente era um nome de peso para a música instrumental, Arthur Nestrovski, e o Teatro Anchieta lotou, mas dessa vez não tive problema em pegar o ingresso.

Descobri o show

                                                

Encontrei dois amigos antes do Show, o Alberto, amigo do Instrumental de há tanto tempo e a Katia, amiga que eu sei que também frequenta o Instrumental agora, mas ainda não tínhamos nos encontrado lá. Foi muito especial porque também fazia anos que não nos víamos e ela, gentilmente, até  me trouxe presentes maravilhosos

Feliz demais com o livro!

                      

Também ganhei choux e um suspirinho rosa 

Além de tudo isso ainda teve o maravilhoso show! Ao contrario do que costuma acontecer com instrumentistas, Arthur é bem falante, comenta o show todo e a gente aprende. O show você pode ver aqui :

Fazia muito tempo que não ouvia só violão, como amo cordas, e o repertório que conheço de valsas brasileiras, violão clássico do Movimento Violão e outras músicas populares, num recorte de 100 anos, me emocionou tanto, ativou minhas memórias de apreciadora de música 
o palco 
                    

No show 

Porque foi um gatilho nas memórias, refleti :

                                        




Foi um momento muito bom para encerrar maio de 2023. Que venham outros!












domingo, 28 de maio de 2023

Livro de maio: Contos da nova cartilha, Liev Tolstói

 

Às esquerda quando comecei a ler. À direita quando terminei 

Terminei de ler ontem "Contos da nova cartilha", de Liev Tolstói, meu livro do mês de maio. Quando escolhi sabia que ia ser uma leitura rápida e agradável, queria fazer em fragmentados tempos livres. Expliquei a escolha aqui:


Então, terminada a leitura, cá estou para comentar o que achei. Adorei! Claro que não sabia da relação de Tolstói, autor que nunca me encantou, com crianças e educação. Conta a maravilhosa professora de Literatura Russa da USP Aurora F. Bernardini no prefácio da obra, que 

"Entre as preocupações sociais do grande escritor, estava a questão escolar na Rússia."(p.12)

Continua explicando Bernardini , que ele ficou órfão antes dos 11 anos, nunca chegou a frequentar uma escola, tendo se formado com preceptores. Adulto tornou-se leitor assíduo de obras pedagógicas de seu tempo, sem se entusiasmar com nenhuma, julgando-as 

"preocupadas demais com esquematizações e didatismos e de menos com os reais interesses das crianças, que, -de acordo com ele- deveriam ser despertadas para a aprendizagem participante e criativa. "(p.15/6) 

Mas tinha consigo a ideia de que seria muito mais saudável para as crianças se as cartilhas fossem mais poéticas.Com essa ideia, em 1849 (aos 21 anos), funda a Escola de Iasnaia Poliana, onde se praticava uma educação mais inclusiva para as crianças. 

O material presente neste livro, composto por 42 adivinhas e 56 textos dos alunos e selecionados por Tolstói.

Sabemos que pelo menos desde pelo desde o final do século XIX havia interesse intelectual legítimo em aproximar-se da mentalidade, cotidiano  e vida educacional das crianças, que se desenvolveram em diversas iniciativas durante o século XX. Em minhas pesquisas sobre História Cultural da criança explorei esse interesse em diversos intelectuais como João Guimarães Rosa, Ludwig Wittgenstein, Walter Benjamin, etc, Escrevi sobre isso no meu livro e sobre propostas educacionais inclusivas em vários artigos.

Voltando a Tolstói e o século XIX, afirmo que ter  acesso a esse material precioso nos possibilita sondar  o universo de apreensões de crianças de antes, de há mais de um século e seriam ótimas fontes para se escrever uma História Cultural da criança russa (conterrâneas do "conto maravilhoso russo") daquele século!

Recomendo imensamente a leitura deste volume aos interessados e também gostaria de deixar alguns exemplos do que se trata, com algumas adivinhas,  dois  exemplos de "fábulas" , dois de "histórias verdadeiras" , que foram contadas ou recontada pelas crianças e  escritas e selecionadas por Tolstoi. Começando pelas adivinhas:

À esquerda as adivinhas : à direita as respostas 

E continuando com as fábulas:







E as histórias verdadeiras 




Muito interessante, não acham?  

Algumas fotos de Tolstói e seus alunos 



SOBRE O LIVRO : TOLSTÓI, Liev. Contos da nova cartilha: primeiro livro de leitura. prefácio  Aurora F. Bernardini; trad. M. Aparecida B. P. Soares. Cotia: Ateliê editorial, 2005. 

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Jeferson Tenório escreve sobre o caso Vini Jr: Escrita da História pós-colinial

 


Punho fechado: dos Panteras Negras ao esporte atual, símbolo antiracista 


No final de maio de 2023 o futebolista negro Vinícius Junior (22), conhecido como Vini Jr, que atualmente joga pelo Real Madrid e pela Seleção Brasileira, foi vítima de racismo na Europa ao ser chamado de macaco, e o mais impressionante, ter um boneco seu pendurado pelo pescoço, após atuação no jogo Valencia x Real Madrid. uma cena lamentável
A imagem de um boneco negro pendurado pelo pescoço
incita o reavivamento de um ódio racial de séculos

Com a pouca ou nenhuma reação imediata de seu time ou mesmo de La Liga, responsável pelo futebol espanhol, foi o próprio Vini Jr quem tomou para si a responsabilidade de reagir, em pronunciamento lúcido, corajoso  e impactante:



Dolorido demais. Porém fundamentais essas falas de Vini. Sobre isso tratou a coluna de 23 de maio de 2023 de nosso expoente escritor negro Jeferson Tenório no portal UOL, que ficou restrita aos assinantes, mas com paciência consegui ter aceso e transcrevo aqui na íntegra:



Caso Vini Jr. já é um marco  histórico na luta antiracista global (Jeferson Tenório colunista UOL em 23/05/2023 11h24)

"Assim como Rosa Parks, ativista negra que, em 1955, no Alabama (EUA), se recusou a ceder um lugar no ônibus para uma pessoa branca, ou ainda quando Martin Luther King liderou um movimento para que os negros pudessem entrar numa piscina num hotel  em 1965, a atitude do jogador Vinicius Jr. diante de torcedores racistas deve ser encarada como mais um desses marcos históricos que pontuam um posicionamento importante na luta contra o racismo.

Encarar esse episódio como um marco nos  ajuda a ter uma dimensão histórica, lucida e complexa da recorrência do racismo. Após toda a reação global, que extrapolou o  ambiente futebolístico e ganhou, com isso, contornos diplomáticos, a Europa tem agora uma grande oportunidade para se pensar e se reconhecer como racista. É dolorido olhar para as próprias feridas colonialistas, mas necessário e urgente. Sem essa reflexão profunda, não sairemos de punições individuais, que são importantes, mas não atacam o problema em sua essência.

O avanço da extrema-direita na Europa não pode servir como desculpa para que nada seja feito ou para encarar a violência racial apenas como crime de ódio. A naturalização do racismo é um dos instrumentos de sobrevivência do próprio racismo. A banalidade do mal, como diria a filósofa Hannah Arendt, não consiste em pensar a maldade como algo banal, mas como um projeto social que faz a maldade se passar por algo banal. Como algo sem importância, comezinho e corriqueiro. Nesse sentido, a estrutura do futebol parece ser um espaço próprio para isso, como se torcer pudesse estar acima de tudo. Um lugar para extravasar as paixões. Um lugar onde um xingamento racista pode ser minimizado, pois, num estádio, no calor da hora, tudo é permitido, como se a lei, ali dentro, perdesse toda a autoridade.

O caso de Vini Jr. é feito de eventos absurdos. O presidente da liga espanhola acusa Vini Jr. de manchar a imagem do Real Madrid. Em outras palavras, o que ele está dizendo é o seguinte: olha, se você foi chamado de macaco pelo estádio inteiro, se penduraram um boneco enforcado com o número da sua camisa, fique quieto, sua reclamação pode atrapalhar o nosso campeonato. Este tipo de argumento é a evidência mais cristalina de que a manutenção do racismo é um projeto, fruto de uma ideologia e de uma herança colonialista muito mal resolvida.

As reações a esses episódios racistas de Vinicius Jr. infelizmente não irão acabar com o preconceito, porque não existe bala de prata contra o racismo. Não há um antídoto único, não há um remédio único. Cuidemos para não cairmos nessa armadilha. A questão está para além da punição de torcedores, clubes e ligas. A questão está na sociedade espanhola, está na Europa e em como essas práticas racistas são naturalizadas há séculos."

No excelente texto do professor, escritor e pesquisador de colonização e discursos pós-coloniais,  Jeferson Tenório vemos pontuados marcos históricos, simbólicos e atuantes que, em resumo, indicam uma narrativa da História do povo negro esboçada por eles mesmos, em suas ações e reações a fenômenos que lhes tocam, como racismo e discriminação. Na fala de Tenório identificamos a expressão de um intelectual negro do nosso tempo, com um grande conhecimento sobre questões da vida do povo preto e também de todo um ideário a ele relacionado. 

Teoricamente, para o historiador, trata-se de uma pequena joia, apontando caminhos para que os historiadores problematizem questões desafiadores para a escrita da História na passagem do século XX para o XXI,  e que se apresentam  atuais e apontam narrativas da História pós-coloniais (que nas palavras de Homi Bhabha em "O Local da cultura" (1998), estão  amparadas no pensamento dialético "que não recusem ou neguem a alteridade que constitui o domínio simbólico  das identificações psíquicas e sociais.") 

Por estas questões e pela qualidade literária de seu textos, eu gostaria de fazer um estudo sobre Jeferson Tenório, que assim como Lima Barreto no inicio do século XX, neste século é um autor brasileiro que me representa em amplos sentidos.  

Em 17 de junho, no amistoso entre Brasil e Guiné a seleção brasileira entrou em campo toda vestida de negro, repudiando o racismo e apoiando o Vini. Uma linda homenagem onde se instaurou a frase
 

Pena que nesse dia especial, houve mais um caso de racismo, porque não há bala de prata contra o racismo


quinta-feira, 25 de maio de 2023

Morre Tina TURNER,fim da era clássica das divas negras

 

Em 24 de maio de 2023 morreu Tina Turner,trilha sonora da vida, maior exemplo global de Diva Negra. 

Fiquei muito triste com sua passagem porque sua morte me deu a sensação de que sua a Era clássica de mulheres negras ícones se findou e daqui pra frente só teremos lindas divas negras (sim, falo de Rihana, Alicia Keys, Beyoncé , etc) militantes que aparecem como tendo inventado o discurso das pretas no pop, sem (na minha opinião) acrescentar muito musicalmente. Já Tina: "simples the besta"😍, é outro patamar! 

Que pelo menos sua memória e sua música permaneçam entre nós 💙