domingo, 7 de março de 2010

História da infância ou pré pré-história da criança?

Conhecemos a história social da infância, aquela que se debruça sobre os lugares que as crianças vieram ocupando no decorrer do tempo em diversas sociedades. Ou então, história da infância, que pode corresponder ao processo de invenção da criança como a conhecemos hoje e que é uma idéia moderna.
Sabe-se que chamamos de História tudo o que foi registrado como ocorrido no tempo após a invenção da escrita.
Segundo autores contemporâneos, infância é um fenômeno que não pode ser considerado independentemente da linguagem, que para as crianças, seria oral. (AGMBEN, Giogio.Infância e História: Destruição da experiência e origem da história.Belo Horizonte: Humanitas. UFMG.2008) Então como pensar numa história da criança, se a criança é pura vivência e a História pressupõe reflexão e narrativa?
Apesar de esforços como o de Mary DelPriore e seu livro muito ao modo dos franceses da História da Vida Privada, ouviu vozes de pesquisadores, sociólogos, historiadores, pedagogos, etc, para organizar seu livro "História das crianças no Brasil", onde, como vocês podem imaginar, vemos um excelente livro sobre história da infância no Brasil, não sobre história da criança brasileira.
Atualmente -e isso cabe aqui como o registro inicial de um processo de pesquisa- acho que se a criança pode ser conceituada como uso/não uso de linguagem e sua linguagem não considera a escrita, talvez possamos pensar com mais propriedade em uma pré-história da criança.
Como seria isso? (ótima pergunta, não acharam?) rs
Penso que para respondê-la teríamos que recuar para muito antes do advento da linguagem escrita e até mesmo da linguagem oral, quando tudo era silêncio e ruído:

Mas acredita-se, hoje em dia, que o cérebro humano possui um "módulo de linguagem", que seria inato e corresponderia a comunicação não verbal (daí a hipótese do ser humano ser possivelmente um ser narrativo), ou à fala.
Para podermos falar, precisamos regular a passagem do ar (preciso estudar mais sobre isso). Ora, o que é regular e sistematizar a passagem do tempo? É adquirir ritmo!
A primeira linguagem da criança pode não ser nem escrita nem oral, mas sim rítmica.
Crianças são muito atraídas por experiências rítmicas, não são? Elas adoram músicas ritmadas, que conseguem seguir facilmente... sim, estamos no mundo pré histórico, no máximo de primitivo possível.Eu estudo um escritor que se voltou para a linguagem não verbal de sertanejos, ou seja, linguagem de seres que vivem no sertão (que é alegoria do primitivo, do desconhecido, do pré histórico?), uma linguagem que não deve ser considerada sem valorizar o que nela está expresso pelo ritmo... por isso que deve ler Guimarães Rosa em voz alta e atentar para o que nele pulsa ritimicamente!
Vocês devem achar que eu estou louca, não duvido dessa possibilidade...mas tudo isso ainda está muito no começo. Veremos no que vai dar.

sexta-feira, 5 de março de 2010

ABRACADABRA

As crianças acreditam e usam PALAVRAS MÁGICAS, já nos disse Todorov, que essa utilidade lhes era confirmada cotidianamente, muito rapidamente elas "percebem" que bata falar "mãe" ou "mamá", qu essas coisas se tornem realidadem, como desejaram... como acontece com Nhinhinha, do conto rosiano "A Menina de lá"...
Mas pensando além da esfera cotidiana, qual é a palavra mágica mais conhecida po excelência?
é ABRACADABRA!
Nunca me esquecerei de ter visto em algum dicionário etimológico (não lembro a referência) a seguinte explicação (que reencontrei na wikipédia:
Hoje a palavra é normalmente usada como encantamento por mágicos de palco, principalmente por ilusionistas. Antigamente, porém, acreditava-se no poder de tal palavra para a cura de febres e inflamações. A primeira menção conhecida à mesma foi feita no segundo século depois de Cristo, durante o governo de Septímio Severo, num poema chamado De Medicina Praecepta (em um tratado médico escrito em versos), pelo médico Serenus Sammonicus, ao imperador de Roma Caracala, que prescreveu que o imperador usasse um amuleto com a palavra escrita num cone vertical para curar sua doença:

A B R A C A D A B R A

A B R A C A D A B R

A B R A C A D A B

A B R A C A D A

A B R A C A D

A B R A C A

A B R A C

A B R A

A B R

A B

A

De acordo com Godfrey Higgins, tinha origem em "Abra" ou "Abar", o deus Celta, e "Cad", que significa Santo. Era usado como um talismã, com a palavra gravado sobre um Kameas (Amuleto quadrado), transformando-se em um amuleto. Segundo Helena Petrovna Blavatsky, Higgins estava quase certo, o termo era uma corruptela da palavra gnóstica "Abrasax" e essa, por sua vez, era uma corruptela de uma palavra antiga sagrada copta ou egípcia, uma fórmula mágica que significava "não me firas", sendo que seus hieroglifos se referiam à divindade como "Pai". Era comumente utilizado sobre o peito sob as vestimentas.


A origem da palavra "abracadabra" ainda não foi totalmente esclarecida, havendo diversas teorias sobre a mesma:

"Eu crio ao falar" [SACA A IDÉIA DE PALAVRA MÁGICA E REALIZAÇÃO DOS DESEJOS? ENTÃO...]
Uma possível origem seria do Aramaico: אברא כדברא avra kedabra que significa "Eu crio ao falar".

Maldição e pestilência
Aqui há o ponto de vista de que a palavra deriva do Hebraico, ha-brachah, que significa bênção, e dabra, forma em Aramaico da palavra em Hebraico dever, que significa pestilência.

Pai, Filho, Espírito Santo
Abracadabra viria das palavras em Hebraico av (pai), ben (filho) e ruakh hakodesh (o espírito santo).

Desapareça como essa palavra [QUE VIOLÊNCIA! RS]

Alguns argumentam que a palavra viria do Aramaico abhadda kedhabhra, que significa 'desaparecer como essa palavra'. Acredita-se que tal forma era usada para combater diversas doenças.

Abraxas
É também dito que a palavra provém de Abraxas, uma palavra gnóstica para Deus. Ela também é atribuída a Abracalan (ou Aracalan), que diziam ser tanto um deus sírio quando símbolo mágico judaico.

Outras teorias
[MAIS VIOLÊNCIA! RS]
Outras teorias dizem que a palavra "abracadabra" deriva da união das palavras hebraicas abreg - ad - habra que juntas significam "fulmine com seu raio". Há também a teoria de que "abracadabra" tenha surgido pela união das palavras celtas abra (Deus) - cad (Santo). Uma curiosidade notável a respeito de "abracadabra" é que a pronúncia da palavra é praticamente igual em quase todas as línguas.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Coruja tailandesa e Guimarães Rosa

Nas imagens do dia do portal UOL vemos a fotografia de uma coruja tailandesa piscando em Bancoc. Vejamos:

Vocês podem me perguntar: E daí?
Eu respondo: Daí que me lembrei da minha dissertação, pois em Tutaméia, Guimarães Rosa colocava ao fim de cada conto ou o desenho de um caranguejo ou o de uma coruja...
Sobre a coruja eu escrevi o seguinte nas páginas 37-8:

"Esta é uma ave que assumiu a simbologia da inteligência, do ser ensimesmado, dotado de um olhar sábio, pois possui a capacidade de ver no escuro, daí que este animal também é associado à transformação dos processos, algumas vezes trazida pela idéia de morte de uma ordem anterior, uma tradição.
Segundo uma conhecida afirmação de Hegel sobre o papel da filosofia em sua época, esta assemelha-se à coruja de Minerva, que é uma ave que só levanta vôo ao entardecer e, nesse aspecto, aponta para o que só pode ser compreendido quando começa a deixar de acontecer.
Esta referência já havia sido indicada por Guimarães Rosa em seu texto A estória de Lélio e Lina, quando Lina – a velhinha – apresenta-se assim a Lélio – o seu mocinho:
'Rosalina. Você acha bonito o nome? Já fui mesmo rosa. Não pude ser mais tempo. Ninguém pode... Estou na desflôr. Mas estas mãos já foram muito beijadas. De seda... Depois, fui vendo que o tempo mudava, não estive querendo ser como a coruja – de tardinha, não se voa...'
Pensando neste texto de Guimarães Rosa, a imagem da coruja como representação de mudanças rápidas no cotidiano, trazidas por progressos ou modernidades - quando Rosalina foi vendo 'que o tempo mudava'- era preocupação comum nas representações literárias executadas pelas obras rosianas. " RODRIGUES, Camila. Mãos vazias e pássaros voando: Memória, invenção e História em Tutaméia de Guimarães Rosa. Pp. 37-8

O que acham dessas simbologias?

Eu acho muito interessante!


segunda-feira, 1 de março de 2010

Meu momento íntimo com José Midlin



Ontem, dia 28 de fevereiro de 2010 morreu o bibliófilo José Mindlin.
Não vou escrever sobre a Biblioteca Brasiliana (que está sendo organizada sob a coordenação do meu ex professor de História do Brasil colonial na USP, o Pedro Puntoni), nem sobre o amor aos livros e ao conhecimento - que são as mais difundidas características deste homem notável - porque sobre isso qualquer um pode pesquisar na Web e "aprender" sobre...
Quero escrever sobre um rápido momento de intimidade que vivi com Mindlin já nos anos 2000, afinal narrativa alguma pode superar a força da morte, que só pode ser vencida pelos sentimentos, como o que nasceu depois daquele momento "íntimo"!
Foi no inesquecível dia 15 de maio de 2006 (o dia do ataque do PCC), quando foram inaugurados os trabalhos do Seminário internacional "Cinqüentenário Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile" aqui na USP...
Mindlin e Antonio Cândido foram os convidados para a inesquecível palestra inicial e eu estava no céu: De repente todos os rosianos, toda a bibliografia no meu mestrado estava ali para ouvir, em pessoa! (rs)
Foi uma emoção sem par... mas o momento que me recordo sempre com emoção foi quando, ao fim da primeira manhã dos trabalhos, antes de sairmos do anfiteatro para o almoço, vi Mindlin sozinho aguardando a chegada de alguém para acompaná-lo (ele estava bem velhinho já) e com a minha cara de pau característica não pude perder a oportunidade de falar com ele, queria dizer que adorava, todas as noites, ir dormir ouvindo ele ler o "Encontro de Riobaldo com o menino" no CD "7 Episódios do Grande Sertão: Veredas":






Mindlin não conseguia me ouvir direito em meio ao barulho de tanta gente , então me pediu que falasse bem perto do seu ouvido, assim eu fiz e ele abriu um sorriso lindo, como se me reconhecesse "aqui uma outra amante de Rosa!" e disse que a maravilha estava toda no texto de Rosa, que ele apenas havia tentado ler com a grandiosidade que ele emanava!
Que prazer foi aquele momento!
Eu ainda ouço o CD com a leitura de Mindlin com freqüência e nada pagará esta memória de mim!
Eu poderei dizer que compartilhei com Mindlin nosso amor pelo maior escritor brasileiro, João Guimarães Rosa

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ELOMAR POR VINICIUS DE MORAES

"(...)Pois assim é Elomar Figueira de Melo: um princípe da caatinga, que o mantém desidratado como um couro bem curtido, em seus 34 anos de vida e muitos séculos de cultura musical, nisso que suas composições são uma sábia mistura do romanceiro medieval, tal como era praticado pelos reis-cavalheiros e menestréis errantes e que culminou na época de Elizabeth, da Inglaterra; e do cancioneiro do Nordeste, com suas toadas em terças plangentes e suas canções de cordel, que trazem logo à mente os brancos e planos caminhos desolados do sertão, no fim extremo dos quais reponta de repente um cego cantador com os olhos comidos de glaucoma e guiado por um menino - anjo, a cantar façanhas de antigos cangaceiros ou "causos" escabrosos de paixões espúrias sob o sol assassino do agreste.(...)."

Vinicius de Moraes - Abril de 1973.
Vejam um exemplo:

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

NO CARNAVAL...


















Tudo bem que eu estou um pouco atrasada no comentário, mas não posso deixar de comentar o Carnaval... Olhem as fotos!
Eu fui aum baile no CÉU e no SESC!Em um deles foi de surpresa no SESC, no outro eu fiz máscaras com duas menininhas de 08 e 11 anos (adoro crianças)...

2010 está sendo um ano doce, ô se está!














Essa é a primeira música do Partimpim 2!