terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Em seu sensacional "Cantando a própria história" Ivan Vilela comenta: 
MEMÓRIA DA INFÂNCIA  - Em relação à memória da infância é importante lembrarmos que, enquanto  o peso dos anos e a dureza da vida ainda não caíram sobre nossos ombros,  o olhar que guardamos dessa época tem sempre algo de idílico, uma tendência ao bucolismo. Por outro lado, a infância vivida no interior ou no campo tem sempre e terá sua graça por ser uma infância criativa , em que a carência de meios estimula o lado lúdico de cada criança, levada a inventar seus próprios brinquedos, mostrando-nos que a pobreza de bens não significava uma pobreza de valores de alma. Uma infância em que os espaços não necessitavam de fechos e o contato com a natureza era pleno. (...)
Inicialmente concordo a maioria das coisas que ele aponta neste trecho, mas não posso deixar de contra argumentar: será que a criatividade infantil estaria mesmo diretamente relacionada ao ambiente, urbano ou rural, em que a criança viva? Não seria a infância um estado de linguagem que a criança habita (como defenderam Benjamin e outros  pensadores da infância)? 
Eu penso que a criança recria o mundo que lhe é apresentado o tempo todo, essa é uma das graças de estudar a infância. 

De qualquer forma, o livro de Ivan Vilela é imperdível !

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Terça Feira Gorda com a Orquestra Contemporânea de Olinda


Diziam sobre a banda no site do Sesc Pompéia:
" Com o primeiro disco, homônimo, lançado em 2008, a Orquestra Contemporânea de Olinda conquistou indicações ao Prêmio da Música Brasileira (2009) e Grammy Latino (2010). Além dele, os álbuns Pra Ficar e Bonfim também carregam marcas de duas das maiores escolas de referência da música pernambucana: a percussão e os sopros. A este show, a Orquestra traz músicas de toda a carreira."
Assisti ao sensacional show da OCO numa terça feira de carnaval, melhor é impossível! Adorei tudo mesmo, eles são jovens, alegres, tocam bem um som criativo. Queria demais uma camiseta deles, mas eles nem estavam vendendo (assim fica difícil ajudar o projeto, né?) Algumas imagens do show: 




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Carnaval 2016 Fim de semana

Imagem do meu Facebook no Carnaval 2016

Esse ano resolvi brincar o Carnaval e não me arrependi...
Comecei acompanhando o Bloco Tarado Ni Você no sábado (06 de fevereiro). 
Esquina mais famosa de Sampa
Tietas 
Foto compartilhada pelo perfil do Cae
Mar de gente cantando Cae pelo centro de Sampa 
Mar de gente, visto de dentro

Sobre ele eu  só tenho uma coisa importante para dizer: 
CAETANO VELOSO É FODA! AMO DEMAIS!!!!
Para um bloco reunir cerca de 20 mil pessoas  (a maioria fanáticos) das 11:00 até mais de 18:40 tocando só músicas dele não tenho mais o que  comentar , só que adorei,  me realizei, me senti saciada porque dançando e cantando Cae o dia inteiro. Nunca vi tanta gente tão bonita reunida num lugar só, além de que eu percebi como esse Bloco é assumidamente contra a homofobia, além de muitas camisinhas, a gente ganha de graça glitter e camisinhas e, claro, vendem catuaba! Arrasou, bicha!!! Ter acompanhado esse bloco me enchei de energia, então vai dar tudo certo em 2016, VAI TER QUE DAR, VAI TER QUE DAR! Carnaval tem que ser assim! 
Nesse clima, domingo eu quis experimentar mais Blocos... comecei acompanhando minhas amigas no Bloco Afro Ilu Obá de Min.

Foi muito bonito, a bateria deliciosa, até o prefeito Fernando Haddad e a esposa estavam lá prestigiando.
Só que era Carnaval e eu queria
 mais agito, então peguei o fluxo das pessoas e  segui para o Largo do Arouche e não sabia que iria presenciar uma das coisas mais impressionantes que já vi na vida, a aglomeração de pessoas nos Blocos do Carnaval de Rua do centro de São Paulo...
Eu estava ali no meio...
Acompanhei (ou tentei ) o "Bloco Domingo ela não vai"
 e achei meio bagunçado (nesse mar de gente!), o Bloco ia para frente, o povo voltava, o som muito baixo, mas era claro que as pessoas (umas 50 mil delas) estavam se divertindo demais, isso que importa...quando tocou o Show das Poderosas, a reação do povo foi impressionante, como gostam de Anitta!  Com muito custo, consegui sair um pouco da muvuca e segui para o Anhangabaú, era lá que estava rolando o "Bloco do Desmanche", pancadão mesmo, todo mundo se pegando muito, do jeito que o Diabo Gosta... nem consegui tirar fotos (sem detalhes, por favor) rsrsrs Achei super divertido :)
Adorei Carnaval 2016 !

Emoticon heart

domingo, 31 de janeiro de 2016

Pré carnaval, com Cortella


Diretamente da Folha, em 22 de fevereiro de 2001, sem mimimi:

Saudável loucura


Mario Sergio Cortella

É necessário interromper a lógica que entende o trabalho contínuo e incansável como sendo a única fonte de saúde moral e cívica

Todo ano é a mesma coisa: o Carnaval se aproxima, e muitas pessoas começam a reclamar sem parar. Com impulsos rabugentos e veleidades moralistas, murmuram pelos cantos ou em voz alta contra a alegre ociosidade que, nesse período e por estas plagas, seduz a maioria dos humanamente mortais.
Aproveitemos a inspiração dos ambientes das passarelas momescas, quando se reinstala um simulacro da nobreza monárquica, e vamos dar passagem à advertência do marquês Luc de Clapiers Vauvenargues, jovem ensaísta francês do século 18: "Os preguiçosos têm sempre vontade de fazer alguma coisa".
Os que, como feitores renascidos, se outorgam a tarefa de colocar a todos nos eixos, gritam e alardeiam, com ares doutorais, que "o Brasil não tem jeito mesmo! Onde já se viu um país pobre dar-se ao luxo de parar de trabalhar? Já tem muito feriado por aqui, e agora continuam suspendendo tudo de útil por cinco dias apenas para ficar dançando e pulando pelas ruas. O que os estrangeiros, gente séria, vão pensar do nosso povo? Carnaval é perda de tempo! É por isso que uma nação assim não vai para frente...".
Ora, já somos a décima economia capitalista do planeta, sem que a riqueza coletivamente gerada seja adequadamente repartida! Uma nação não vai para a frente quando não prevalecem a justiça cidadã e a paz social, quando não há garantia do direito ao trabalho (e, portanto, ao descanso), quando os privilégios exclusivos são apresentados como conquistas inevitáveis de alguns apaniguados. Uma nação perde tempo quando valoriza o cinismo que acomete fartamente alguns que se preocupam com quantos dias de folga tiram aqueles milhões para os quais sobra muito pouco de vida sã fora do horário de trabalho.
É necessário interromper a lógica que entende o trabalho contínuo e incansável como sendo a única fonte de saúde moral e cívica; é preciso enterrar a estranha racionalidade que entende a capacidade de voltar a trabalhar como sendo o melhor critério de saúde. É comum um adulto internado em um hospital ou adoentado em casa considerar-se sarado apenas quando, após perguntar ao médico se pode voltar ao trabalho, é por ele "liberado"; por que não perguntar "Doutor, já estou bom? Já posso voltar a namorar, bailar, transar, jogar?".
Por isso é claro que não deve ser obrigatório "brincar" ou "pular" o Carnaval; o que pode ser feito por todos e todas é, isso sim, dar-se o direito de suspender um pouco o pragmatismo laboral do dia-a-dia e ganhar tempo, em vez de perdê-lo. Tempo de parar para dançar, orar, descansar, divertir, meditar, estudar; seja qual for a escolha, um tempo para si mesmo ou para si mesma. Ócio não é falta do que fazer, mas possibilidade de, nas condições apresentadas, fazer a escolha lúdica do que se deseja, sem constrangimento ou obrigatoriedade.
Melhor, nesse caso, respeitar os insanamente saudáveis e cotidianamente produtivos, inscrevendo no pavilhão de algum estandarte precursor a assertiva de Mihai Eminescu (patriótico poeta romeno do século 19, mas nem por isso menos futurista): "As pessoas alegres fazem mais loucuras do que as pessoas tristes, porém as loucuras das pessoas tristes são mais graves".
Afinal, louco não é o povo que pára por quase uma semana para brincar; louco, provavelmente, é o povo que nem pensa em parar...

MARIO SERGIO CORTELLA, filósofo, professor da PUC-SP e autor de "A Escola e o Conhecimento: Fundamentos Epistemológicos e Políticos" (ed. Cortez/IPF), entre outros, escreve aqui uma vez por mês 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Falar sem cuspir é escrever!


Circula essa piadinha na internet, acho engraçada, mas devo alertar que quem  fala vai sempre cuspir, o problema é que tem gente que exagera. A minha personagem menina de Rosa favorita, a Brejeirinha, era a própria narradora oral, contava as mil histórias que inventava e, segundo o próprio texto do Rosa, quando um dos personagens ficticios que ela inventou - o ‘Aldaz’’ Navegante”, partiu no mar imaginário, todos deixaram a ele uma mensagem de recordação , ai tem esse trecho fantástico:
"...cada um foi destinando a sua mensagem: “Zito põe uma moeda. Ciganinha, um grampo. Pele, um chicle. Brejeirinha - um cuspinho; é o "seu estilo".(Primeiras Estórias, p. 107).
Dai eu perguntava na tese :"Ora, este estilo cuspido de Brejeirinha – sendo uma forma de denominar sua linguagem oral – não pode ser as próprias narrativas das estórias inventadas sobre o “'Aldaz' navegante”? " (RODRIGUES, Camila. "Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na Escritura de Guimarães Rosa", p, 225)