Através dessas croniquetas, que não foram originalmente escritas como livro, mas que nele foram divididas em quatro capítulos, vamos passeando por vários temas que se entrecruzam para contar quem era Antonio Carlos Jobim, suas incontáveis genialidades e carioquices, além de outros assuntos: o Rio e sua maravilhosidade, o piano, os pássaros, o Brasil, a ecologia etc.
Vou tentar fazer um comentário sobre cada um.
1. O ouvidor do Brasil
É o capítulo no qual mais se enfatiza a figura pública de Tom Jobim, alguém que ultrapassou a música e foi se tornando um legítimo intérprete do Brasil. Ruy Castro sublinha como, na segunda metade do século XX, sua voz era ouvida em debates culturais, ambientais e até políticos, transformando-o em um símbolo respeitado nacional e internacionalmente.
2. As boas histórias
É um capítulo sobre memória, fama e legado, no qual o foco está na construção do mito. Nesses textos leves e engraçados, revisitamos histórias que circundam Tom Jobim, separando as verdadeiras das que se tornaram lendas e até desmentindo algumas delas.
3. Anos dourados
Nesta parte, o foco é o ambiente musical que formou Tom e sua obra. É o capítulo mais informativo e longo do livro. Entramos nos bastidores, o que é importante, mas que, para leitores menos familiarizados com aquele universo, pode parecer pouco envolvente do ponto de vista narrativo.
4. Vou te contar
Nesta seção final, voltamos às histórias, desta vez acontecidas com mais frequência após a morte de Tom. Algumas curiosidades me agradaram, como saber que o compositor, sempre interessado na natureza e na lingua portuguesa, como filho de poeta e leitor de poesia quase se candidatou à Academia Brasileira de Letras meses antes de morrer.
Sou historiadora e amo a história da MPB, mas, nesta leitura, meu foco foi Jobim como um dos artistas brasileiros mais importantes do século XX. Quando nasci, em 1979, ele era o "maestro soberano Antonio Brasileiro Jobim", um músico consagrado, embora seu auge já estivesse distante. Ainda assim, chegou até mim de duas formas: como esse mito construído nos dois primeiros capítulos do livro e, sobretudo, como o Jobim ecologista. Foi por causa dele que ouvi pela primeira vez essa palavra, tão fundamental para o mundo de hoje. Esse tema permeia, musical e sonoramente, seus últimos álbuns, justamente os que eu mais gosto.
Agradeço a sorte de ter conhecido Tom Jobim e à biblioteca do Sesc Pompeia pela oportunidade de ler este livro incrível.


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