segunda-feira, 10 de agosto de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Se no mestrado eu queria descobrir qual a concepção de História realmente adotada por Guimarães Rosa, e como esta aparece em sua obra literária, descobri que esta está mesmo mais voltada para a forma que pensaram o tempo durante a modernidade.
Ok,não muitas novidades até aqui - embora minha leitura seja uma bomba que vai contra a maioria das leituras da posição da História em Guimarães Rosa, porque ela não considera, de forma alguma, relações diretas entre o texto da "verdade do acontecido" e o texto ficcional . No doutorado eu propus uma pesquisa que se especificasse na abordagem de um dos temas caros aos que respiravam os ares da modernidade - como Guimarães Rosa - que é a atenção devotada ao olhar infantil para os processos históricos. Com esta mesma preocupação -delimitando pela época, inclusive - Rosa tem alguns companheiros de peso, como James Joyce, ou mesmo Walter Benjamin.
Interessantíssimo, não? Eu acho!
Porém meu orientador - que também deve ter achado tudo isso muito interessante,porque a proposta dá conta de discutir seriamente temas de TEORIA DA HISTÓRIA PURA, problematizando conceitos de temporalidades,de linguagem lúdica,e especialmente de duração,na forma específica como foram encarados pela modernidade - fez uma exigência prática,que obviamente tornará mais viável a pesquisa complicadíssima que estou propondo (que abarcará leituras em pedagogia,psicologia, história, lingüística, semiótica, etc...), mas é tão terrível atender a tal! Como acrescentar mais um autor a pesquisa?
Que autor brasileiro poderia dar as mãos a Guimarães Rosa nesse movimento todo?
Nenhum na prosa brasileira, eu suponho!
Mas me lembro do que escreveu Oswaldino Marques:
"Não se perturbe o leitor com o enquadramento indistinto de João Guimarães Rosa nas esferas da poesia e da prosa, pois a sua textura verbal cobre a dupla extensão dessas categorias. Não foi por acaso haver a ele cabido a primazia de gerar uma nova forma de expressão literária, onde se
fundem, de modo orgânico, a prosa e o poema. À falta de um termo corrente, fomos forçados a cunhar o vocábulo prosopoema, para nomeá-la."[MARQUES, Oswaldino. Canto e plumagem das palavras.]
Ora, então posso brincar com poetas também? Parece que sim.
E o mais interessante deles parece ser Manoel de Barros, que sofreu assumida influência da escrita de Rosa - especialmente na relação com a linguagem que estabeleceu (Linguagem e vida são uma coisa só) e isso ambos também parecem ter aprendido com as crianças.
Ótimo, ótimo. então qual é o
problema?
O problema é que eu posso gostar muito de Barros, achar genial e
legal, MAS ELE NÃO É GUIMARÃES ROSA!
Pessoa fiel, é um horror!
Não rolou aquela paixão ainda, nem mesmo ao ler trechos lindíssimos e reveladores como este:
"Quando o rio está começando um peixe,Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos."
Mundo Pequeno (do livro "O Livro das Ignorãças")Será que meu doutorado será uma aprendizagem da traição?
Vou começar relendo "Dom Casmurro" (risos)
domingo, 26 de julho de 2009
O LADO B DA ADOÇÃO
Nada daquele monte de mentiras que a mídia costuma despejar nas pessoas: adoção não é o lindo mundo encantado dos altruistas x dos rejeitados ...
Muitas verdades aparecem na reportagem, especialmente o quão terrível é sofrer abandono desde o começo de vida,e como isso influência a pessoa o resto da vida,o tempo todo.
Eu bem sei disso.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Blog "Vamo Comê"
http://vamocame.blogspot.com/
Aguardo a visita de todos
Camila
Tropicália: Alegoria alegria
"músicas mais conteudísticas e mais próximas do gosto e dos
critérios do sistema dos festivais, em que o arranjo servia de acompanhamento ou
reforço de uma 'mensagem'. "
Mas frente no livro, elee xplica por qual motivo o Tropicalismo representou uma forma de composição que trouxe a canção popular o status de grande interpretadora da realidade brasileira (e também externa), mas ainda no começo nos deparamos com trechos belíssimos como:
"Procurando articular uma nova linguagem da canção partir da tradição da música
popular brasileira e dos elementos que a modernização fornecia, o trabalho dos
torpicalistas configurou-se como uma desarticulação das ideologias que, nas
diversas áreas artísticas, visavam a interpretar a realidade nacional, sendo
objeto de análises variadas - musical,literária, sociológica, política. Ao
participarem de um dos períodos mais criativos da sociedade,os tropicalistas
assumiram as contradições da modernização, sem escamotear as ambiguidades
implícitas em qualquer tomada de posição. Sua resposta à situação distiguia-se
de outras da década de 60,por ser auto-referencial, fazendo incindir as
contradições da sociedade nos seus procedimentos. Empregava as produções
realizadas ou em processo, pondo-as em recesso, deslocando-as de um modo a
subtrair sua prática à redução a um momento particular do processo de evolução
das formas existentes, com o que fica marcada uma posição de ruptura."[Celso Favaretto. Tropicália alegoria alegria. Pp.25-6]
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Naná Vascocelos e Virgína Rodrigues MÚSICA AFRO BRASILEIRA
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Eu tenho assistindo muitos shows na rede SESC, muitos mesmo, de Tom Zé a Uakti, passando por Paulo Belinati e Paulo Martelli,João Bosco e Elba Ramalho, adorei todos, mas domingo passado eu vi o melhor deles: Naná Vasconcelos e Virgínia Rodrigues...
Eis a nova versão definitiva dos Afro Sambas de Vinicius e Baden, muito verdadeira, na percussão criativa de Naná e no vocal africano de Virgínia, como eu chorei!
Foi uma bênção, a seiva de alfazema que Virgínia jogou no microfone também caiu em mim, eu estava no centro, na fila do gargarejo! Eu e todos os orixás!
quarta-feira, 10 de junho de 2009
COMUNICADO OFICIAL DA DIRETORA DA FFLCH SOBRE OS TRISTES E PREOCUPANTES ACONTECIMENTOS DESTA SEMANA
"Não podemos deixar que a USP acabe! Vamos explicar, quantas vezes for necessário, a importância da autonomia universitária! Estou na USP desde 1999 e nunca vi nada parecido com o que aconteceu hoje. Estamos tristes, mas não devemos abaixar a cabeça, a oportunidade está em nossas mãos: não vamos virar órfãos da USP assim tão facilmente, em honra a todos os que lá estiveram e para que a gente continue tendo orgulho de dizer que estudamos na USP, uma grande universidade! " Por enquanto só consigo ler sobre, ficar mortalmente triste e preocupada, mas por questões pessoais sérias, já não acho as palavras, muito menos tenho ânimo para voltar ao Campus para participar das reuniões, apesar de saber (como poucos)quão fundamental seria estar por lá (como sempre estive), afinal estamos falando do questionamento institucional da Universidade de São Paulo, que é a Univesidade de tantas mentes brilhantes, mas que também é a minha Univesidade! Ao começar a pensar nisso, no máximo eu acho lágrimas quentes...
O sonho de uma Universidade como esfera legítima de discussão autônoma acabou? Seria essa minha geração a última? Tomara que não, não pode ser!
Vamos aguardar as próximas cenas, todos sabemos que tudo o que aconteceu - não é pouca coisa terem permitido a invasão do campus, como se ali estivessem assassinos da maisor periculosidade! - leva a assinatura da primeira reitorA da USP, Suely Vilela, mas não podemos deixar de lembrar que uma ação como essa não ocorre sem ordem do Secretário de Segurança Pública e o aval do governador José Serra... sempre mais do mesmo, não é? Concordo com o que afirma o site do SINTUSP (Sindicato doa trabalahadores da USP): Esta senhora já não apresenta a menor condições morais de permanecer no cargo que ocupa: NÃO VAMOS FICAR ÓRFÃOS DA USP, NÃO MESMO!
Para maiores esclarecimentos burocráticos, colo aqui o comunicado divulgado aos alunos e professores pela Diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Sandra Nitrini:
COMUNICADO
Diante da gravidade dos acontecimentos ocorridos no campus da USP, na tarde de 09/06/2009, a Direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, as chefias de Departamentos e as Presidências das Comissões Estatutárias, reunidas em 10/06, vêm a público para manifestar o seguinte:
1. Por volta das 17hs, mesmo com a tentativa de mediação da direção da FFLCH junto ao comandante do efetivo da PM, bombas de efeito moral foram atiradas sobre o estacionamento do prédio de Geografia e História, tendo seus gases invadido o edifício, onde se encontravam muitos professores, alunos e funcionários de nossa unidade.
2. Independente das causas que tenham originado tal atitude, esta se constituiu numa agressão física e moral à Faculdade. Não podemos aceitar passivamente um ato violento que agrida um espaço que foi constituído para o pensamento e reflexão.
3. Inquieta-nos o fato de ser a primeira agressão direta sofrida pela faculdade desde 1968. Acreditamos ser urgente encontrar formas de reabrir o diálogo de modo a permitir que os meios tradicionais e próprios da comunidade universitária de resolver conflitos se imponham sobre a força.
4. A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas em seus 75 anos de história conseguiu se transformar num patrimônio cultural do Brasil. É responsabilidade de todos nós, professores, alunos e funcionários da USP, encontrarmos meios de afastar todas as formas de violências do campus para preservar a Universidade como um espaço plural e democrático de geração e transmissão do saber.
Profa. Dra. Sandra Margarida Nitrini
Diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas