
domingo, 15 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Poema gera poema?
Bom dia aos que acordaram de madrugada para trabalhar, como eu! Comecemos o dia de trabalho com um poema de Eduardo Prado Vieira, composto por inspiração da primeira leitura do livro Primeiras Estórias, em dezembro de 1962:
INTERROGAR - Eduardo Prado Vieira
A coisa quieta
Que descansa no retrato, na lâmpada
Ou na pedra de gelo.A coisa real
Que está ali, existe, mas é vazia, falsa
E incapaz.Incomunicável, o retrato se mostra.
Incomunicável, a lâmpada acende o que dela nem sabe.
Incomunicável, o gelo é a água polida, pele toda, carne só, de repente sem exterior.
E eu. Que vejo e calo,
Como um sábio de coisas incolores,
Aprendiz de outras fluindo.
Meu suave Guimarães Rosa:
Por que existe algo em lugar de nada? (Revista Leitura - Rio de Janeiro)
O QUE ACHARAM DELE?
INTERROGAR - Eduardo Prado Vieira
A coisa quieta
Que descansa no retrato, na lâmpada
Ou na pedra de gelo.A coisa real
Que está ali, existe, mas é vazia, falsa
E incapaz.Incomunicável, o retrato se mostra.
Incomunicável, a lâmpada acende o que dela nem sabe.
Incomunicável, o gelo é a água polida, pele toda, carne só, de repente sem exterior.
E eu. Que vejo e calo,
Como um sábio de coisas incolores,
Aprendiz de outras fluindo.
Meu suave Guimarães Rosa:
Por que existe algo em lugar de nada? (Revista Leitura - Rio de Janeiro)
O QUE ACHARAM DELE?
Marcadores:
Eduardo Prado Vieira,
madrugada,
poema
domingo, 8 de abril de 2012
Os três dedos de Adão
Esse livro é uma maravilha! Comprei para minha pesquisa, com a reserva técnica, mas vou querer um pra mim, como não podia deixar de ser: Quando quis estudar história (tipo, quando prestei FUVEST) queria estudar medieval (desta forma que aparece nesse livro, só que não tive a chance de fazer isso na graduação). Depois tudo parecia ter se modificado nos meus desejos em história e tal, mas estudos sobre a Idade Média sempre tiveram um gosto especial para mim, de alguma forma. Só que hoje eu percebo que talvez não que eu quisesse fazer um estudo sobre a Idade Média como esse, porque meu maior interesse, talvez, nem seja por causa do tema em si, mas muito mais pelas questões de método: como contar uma história que, com o passar dos séculos, acabou quase sem registros materiais tradicionalmente fundamentados? Lá vieram os historiadores medievalistas virando as metodologias de ponta cabeça e suas "invenções" passaram a ser um ponto sério a ser discutido... Dai para falar de infância através da narrativa literária de Guimarães Rosa, que toca o mundo do sertão - uma sociedade contemporânea , mas com traços fortes de cultura oral, mais ou menos como era a medieval - e produzir literatura, Rosa teve que tocar muitas destas esferas, ao menos passar por elas... super genial.Ai quando eu leio Hilário Franco Jr e, além do arcabouço imagético, ele coloca na roda de observação os historiadores que me escoram até hoje, eu morro:
"A imagem em questão (a de Adão engasgado, colocando a mão na garganta utilizando somente seus 3 primeiros dedos, não os 5, como era habitual na iconografia do pecado original,em San Juan de La Peña no séc. XII) é única porque indicaria uma situação particular, exprimiria um estadom de espírito específico à comunidade monástica de San Juan.
Tal hipótese é difícil de ser testada, porque o mosteiro foi vítima de incêndios (no séc. X em 1494,1675 e 1809) que destruíram grande parte de seus fundos documentais, tanto textuais como iconográficos (inclusive, mais da metade dos capitéis do clausto). Diante disso, devemos recorrer a HIPÓTESES DE TRABALHO NÃO FUNDAMENTADAS SOBRE 'PROVAS' E SIM SOBRE UM 'CONHECIMENTO POR TRAÇOS' BASEADO NAQUILO QUE OS TEXTOS - E AS IMAGENS - NOS DIZEM 'SEM TER DESEJADO DIZER', COMO SUGERE MARC BLOCH. Mais recentemente Carlo Ginzbug prosseguiu nessa linha linha (que também é a de Arnold Hauser, Edgar Wind e Enrico Castelnuovo), chamando atenção para o 'paradigma indiciário' nas ciências sociais, inclusive na história, cujo conhecimento é 'indireto, indiciário e conjectural'. Dito de outra forma, o trabalho do historiador pede,com as precauções necessárias, raciocínio indutivo: passar 'do melhor ou do menos mal conhecido ao mais obscuro' , 'aplicar um método regressivo. (...)
FRANCO JR, Hilário. Os Três dedos de adão. p. 375-6
Marcadores:
Hilário Franco Jr.,
ofício do historiador,
Os três dedos de Adão
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Toda coisa tem seu nome - Cocoricó
Toda Coisa Tem Um Nome - Júlio e Sua Turma
Toda coisa tem um nome
Todo nome uma coisa
Outra coisa outro nome
Outro nome outra coisa
Uma coisa é uma coisa
Outra coisa é outra coisa
Quanta coisa tem no mundo
Que coisa eu me confundo
E para falar coisa com coisa
O homen em cada coisa, pois um nome
'Cê que vê'
O nome dessa coisa é microfone
Mas se derepende ele some
Pra descubrir aonde esta
Eu tenho que saber seu nome
Cadê meu microfone ?
Ta aqui
O nome dessa coisa é panetone
Mas se derepente alguém come
Pra matar a minha fome
Eu tenho que saber seu nome
Quem pegou meu panetone?
Fui eu
Eu e quando agente não sabe o nome
De uma coisa
A gente tem que se virar
Eu chamo de treco
Eu chamo troço
Baguio ,traquitana , geringonça
Eu sei lá
Toda coisa tem um nome
Todo nome uma coisa
Outra coisa outro nome
Outro nome outra coisa
Uma coisa é uma coisa
Outra coisa é outra coisa
Quanta coisa tem no mundo
Que coisa eu me confundo
E para falar coisa com coisa
O homen em cada coisa, pois um nome
'Cê que vê'
O nome dessa coisa é telefone
Mas se derepende ele toca
E pra saber quem é que me ligou
Eu tenho que saber seu nome
Alô quem fala ?
É o Júlio
O nome dessa coisa é violão
O nome dessa coisa é chilofone
Pra fazer essa linda canção
Cada instrumento tem um nome
Olha a gaita do Júlio
Eu e quando agente não sabe o nome
De uma coisa
A gente tem que se virar
Eu chamo de treco
Eu chamo troço
Baguio ,traquitana , geringonça
Eu sei lá
Cadeira , boneca , chiclete , caminhão, mamadeira,
Peteca, cotonete , macarrão, minhoca, alicate,
Penico, Guarda-sol ,Paçoca ,abacate, tico-tico e paiol
Toda coisa tem um nome
Todo nome uma coisa
Outra coisa outro nome
Outro nome outra coisa
ADORO COCORICÓ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Marcadores:
cocoricó,
CRIANÇAS,
nomes,
Toda coisa tem seu nome
quarta-feira, 4 de abril de 2012
O Estranhamento

"Que interesse isso (Estranhamento) pode ter - alguém poderia perguntar- para historiadores, para os estudiosos às voltas com documentos de arquivo, com atos notariais, e assim por diante? Por que deveriam perder tempo com o estranhamento e com conceitos semelhantes elaborados pelos teóricos da literatura? (...) Parece-me que o estranhamento é um antídoto eficaz contra o risco a que todos nós estamos expostos : o de banalzar a realidade (inclusive nós mesmos). As implicações antipositivistas dessa observação são óbvias. Mas salientar as implicações cognitivas do estranhamento, eu gostaria também de me opor com máxima clareza possível às teorias da moda que tendem a esfumar, até torná-los indistintos, os limites entre história e ficção. Essa confusão teria sido repelida pelo próprio Proust. Quando dizia que a guerra pode ser contada como um romance, Proust não pretendia de modo algum exaltar o romance histórico; ao contrário, queria sugerir que tanto historiadores como os romancistas (ou pintores) estão irmanados num fim cognitivo. É um ponto de vista que compartilho plenamente. Para descrever o projeto historiográfico em que pessoalmente me reconheço, utilizaria, com pequena modificação, uma frase de Proust :'mesmo supondo-se que a história seja científica, ainda assim seria preciso pintá-la como Elstir pintava o mar, ao revés."
Carlo Ginzburg. O Estranhamento. In: Olhos de Madeira. p. 39-41
Marcadores:
Carlo Ginzburg,
estranhamento,
ofício do historiador,
Proust
sábado, 31 de março de 2012
Lidar com manuscritos: Questionamentos éticos!
“... na cultura contemporânea que a questão dos limites se faz ainda mais necessária diante do desejo de transparência, do culto da auto-exposição ou da constância da pergunta "como você escreve?". Quando não há qualquer coisa que seja produzida na intimidade que não alcance um valor mercadológico no instante seguinte (premência que sofrem com muita força os manuscritos de trabalho, as cartas, etc.), seria interessante que o crítico genético se perguntasse pelos limites de sua própria pesquisa. Isto é, o trabalho do geneticista, com mais força do que qualquer outro trabalho crítico, é um trabalho que depende do questionamento constante de seus próprios pressupostos."
Roberto ZULAR. CRÍTICA GENÉTICA, HISTÓRIA E SOCIEDADE.
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252007000100017&script=sci_arttext
Eu não sou crítica literária, nem tampouco geneticista, mas também pesquiso produções manuscritas e sempre, sempre me pergunto "qual a minha legitimidade em consultar estes textos produzidos para permanecerem em âmbito privado (como cartas e Cadernos de Estudo) e que agora, eventualmente, já foram até publicados?
Será que me questionar sobre isso quer dizer dar uma super atenção às questões individuais? Sei não...
Roberto ZULAR. CRÍTICA GENÉTICA, HISTÓRIA E SOCIEDADE.
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252007000100017&script=sci_arttext
Eu não sou crítica literária, nem tampouco geneticista, mas também pesquiso produções manuscritas e sempre, sempre me pergunto "qual a minha legitimidade em consultar estes textos produzidos para permanecerem em âmbito privado (como cartas e Cadernos de Estudo) e que agora, eventualmente, já foram até publicados?
Será que me questionar sobre isso quer dizer dar uma super atenção às questões individuais? Sei não...
Ainda na graduação eu estudei um pouco sobre a lida do pesquisador com cartas e me dei conta de que este gênero é bem mais complexo do que parece: se eu leio as cartas escritas, devo ter noção que quem as escreve nunca é diretamente o seu autor, mas um ser fictício que ele criou para se comunicar com seu destinatário naquele momento. Portanto, tem seu alto grau de ficção e isso deve sempre ser levado em conta, só que historiadores costumam ter grande dificuldade em lidar com ficção...
Claro que, à medida que exponho esses meus questionamentos internos, muitos poderão retrucar de imediato. Não me importo. São as marcas do meu processo de pensamento em ação...
Claro que, à medida que exponho esses meus questionamentos internos, muitos poderão retrucar de imediato. Não me importo. São as marcas do meu processo de pensamento em ação...
Assinar:
Postagens (Atom)
