Jóia rara do "Milton 70", para quem ainda não conhece experimentar e para quem conhecia, como eu, mais a muito já não ouvia, voltar a se lambuzar com o Som Imaginário e Miltão em seus melhores momentos!
quarta-feira, 9 de julho de 2014
sábado, 14 de junho de 2014
Sobre Benjamin, traduzido por João Barrento e publicado pela Editora Autentica
Como eu já falei muitas vezes, eu gosto muito do livro "Infância berlinenses, 1900" editados no Brasil em 2013. Muita gente não gosta, acha fraco, etc... mas eu acho muitas coisas naquela edição. Vamos ver um trechinho dela :
Este foi um dos trechos retirados por Walter Benjamin das versões originais mais conhecidas de seu livro "Infância Berlinense, 1900" e que constam nos anexos da edição brasileira da Editora Autêntica. Eu só conheço esse livro, mas sei que a Autêntica tem (re)editado também outras obras benjaminianas e, tomando por esse livro, eu continuo dando o maior valor a essas edições. Especificamente sobre o "Infância...", ela me apresentou dados que nós, aqui no Brasil, desconhecíamos (como correspondências,fontes de jornal, manuscritos que nos dão conta de acompanhar minimamente o ritmo da escritura ... coisas de total interessa a historiador). Não acho que essas coisas se apresentam para contrapor ou se sobrepor ás traduções que tínhamos aqui,e muito menos às interpretações de Benjamin mais conhecidas no Brasil ( Jeanne Marie Gagnebin ou Michel Löwy), até porque o forte deleas não é a interpretação, mas a pesquisa de Barrento que nos trazem faces das "notas e materiais" de Benjamin (lembrando a terminologia de Willi Bolle) referentes a composição do texto de "Infância...". É um prato cheio aos que se interessam pela morfologia da história...
Sobre este pensamento, considero-o simbólico do ideário do começo do século XX, especialmente lembrando as descobertas de Freud e etc...
Este foi um dos trechos retirados por Walter Benjamin das versões originais mais conhecidas de seu livro "Infância Berlinense, 1900" e que constam nos anexos da edição brasileira da Editora Autêntica. Eu só conheço esse livro, mas sei que a Autêntica tem (re)editado também outras obras benjaminianas e, tomando por esse livro, eu continuo dando o maior valor a essas edições. Especificamente sobre o "Infância...", ela me apresentou dados que nós, aqui no Brasil, desconhecíamos (como correspondências,fontes de jornal, manuscritos que nos dão conta de acompanhar minimamente o ritmo da escritura ... coisas de total interessa a historiador). Não acho que essas coisas se apresentam para contrapor ou se sobrepor ás traduções que tínhamos aqui,e muito menos às interpretações de Benjamin mais conhecidas no Brasil ( Jeanne Marie Gagnebin ou Michel Löwy), até porque o forte deleas não é a interpretação, mas a pesquisa de Barrento que nos trazem faces das "notas e materiais" de Benjamin (lembrando a terminologia de Willi Bolle) referentes a composição do texto de "Infância...". É um prato cheio aos que se interessam pela morfologia da história...
Sobre este pensamento, considero-o simbólico do ideário do começo do século XX, especialmente lembrando as descobertas de Freud e etc...
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sexta-feira, 6 de junho de 2014
Passeios pela infância, com Walter Benjamin
Neste livro, em uma tradução e seleção diferente, eu achei neste livro outros flagras do que Walter Benjamin pensava sobre infância:
Belas imagens como :
"Como uma mãe que aperta ao peito o recém-nascido sem o acordar, assim a vida trata durante muito tempo a recordação ainda tênue da infância." (Walter Benjamin, Varandas. In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 70.)
Ou mesmo :
"Todo mundo têm uma fada a quem podem pedir a realização de um desejo. Mas só poucos são capazes de se lembrar do desejo que formularam; e por isso só poucos reconhecem mais tarde, ao longo da vida, que o seu desejo foi satisfeito. (...) " Walter Benjamin, Manhã de inverno.In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 82-3.
Inclusive, sobre esta imagem, achei neste link uma figura com ele todinha :
E, voltando ao livo, pude reler uma das mais belas :
Na minha opinião esta é uma das imagens mais sublimes de Benjamin:
Belas imagens como :
"Como uma mãe que aperta ao peito o recém-nascido sem o acordar, assim a vida trata durante muito tempo a recordação ainda tênue da infância." (Walter Benjamin, Varandas. In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 70.)
Ou mesmo :
"Todo mundo têm uma fada a quem podem pedir a realização de um desejo. Mas só poucos são capazes de se lembrar do desejo que formularam; e por isso só poucos reconhecem mais tarde, ao longo da vida, que o seu desejo foi satisfeito. (...) " Walter Benjamin, Manhã de inverno.In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 82-3.
Inclusive, sobre esta imagem, achei neste link uma figura com ele todinha :
E, voltando ao livo, pude reler uma das mais belas :
Walter Benjamin, A Meia.In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 101.
"nada me dava mais prazer do que enfiar a mão por elas adentro, o mais fundo possível. Não o fazia para lhes sentir o calor. O que me atraia para aquelas profundezas era antes 'o que eu trazia comigo', na mão que descia ao seu interior enrolado... "
Bela, cotidiana, sensual, literária,poética, histórica, psicanalítica, filosófica, infantil... tudo isso que Benjamin via onde muitos de nós enxerga só uma criança e seus afazeres...
Na minha opinião esta é uma das imagens mais sublimes de Benjamin:
"nada me dava mais prazer do que enfiar a mão por elas adentro, o mais fundo possível. Não o fazia para lhes sentir o calor. O que me atraia para aquelas profundezas era antes 'o que eu trazia comigo', na mão que descia ao seu interior enrolado... "
Bela, cotidiana, sensual, literária,poética, histórica, psicanalítica, filosófica, infantil... tudo isso que Benjamin via onde muitos de nós enxerga só uma criança e seus afazeres...
Mas como Benjamin não para de abrir caminhos para pensar o tempo e a criança (em outras palavras, em História e Infância), vou lendo e garimpando preciosidades como esta descrição de um adulto do seu sentimento ao ter sido uma criança constantemente doente:
Walter Benjamin, A Febre.In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 88.
Como vimos no trecho acima, quando fala da infância,Benjamin é profundamente proustiano ao abrir seu repertório de sensações. Neste, talvez o diálogo mais direto seja com Henri Bergson e a ideia de tempo como duração (durée), e portanto uma dialética com o espaço e as atuações cotidianas...
Só uma pergunta: dá para não amar?
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quarta-feira, 28 de maio de 2014
Infância Roubada na Ditadura Militar
Este vídeo é muito bom, porque nele, além das memórias daquelas crianças já quando adultos, a gente pode ver registros que eles fizeram ainda crianças sobre aquilo que eles estavam sentindo e vivenciando. Ai, me parece, damos voz àquelas crianças que tiveram sua infância (no sentido tradicional) roubada.
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terça-feira, 13 de maio de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Ofício do historiador
Não é só porque eu adoro o Robert Darton, é que ele realmente escreve coisas muito boas, especialmente para o historiador que trabalha com arquivos e que depois tem de relatar sua consulta em uma narrativa, como este trecho :
"A caixa de arquivos - que continha os registros dos interrogatórios de espiões e anotações misturados sob a etiqueta 'Caso dos Catorze'- pode ser entendida como um aglomerado de pistas para o mistério que denominamos 'opinião pública'. Que tal fenômeno existisse 250 anos atrás é algo que dificilmente pode ser posto em dúvida. Depois de ganhar força durante décadas, ela desferiu o golpe decisivo quando o Velho Regime ruiu, em 1788. Mas a rigor, o que era isso e como afetou o curso dos acontecimentos? Embora tenhamos vários estudos acerca do conceito de opinião pública como tema de reflexã filosófica, possuímos pouca informação sobre a maneira como ela funcionava na prática.De que forma podemos entendê-la? Devemos encará-la como uma série de protestos, que batem como ondas contra a estrutura do poder, em crises sucessivas, desde as guerras religiosas do século XVI até os conflitos parlamentares da década de 1780? Ou como uma atmosfera de opiniões, que muda conforme os caprichos dos determinantes sociais e politicos? Como um discurso ou como um amontoado de discursos concorrentes, desenvolvidos po grupos sociais de bases institucionais diferentes? Ou, ainda, como um conjunto de atitudes, oculto sob a superficie dos fatos, mas potencialmente acessíveis aos historiadores por meio de pesquisas e análise? É possível apresentá-la para o exame de vários pontos de vista; porém, tão logo conseguimos uma imagem mais definida, ela se embaça e se dissolve , como o Gato Cheshire."
(DARTON, Robert. 'Poesia e política'. São Paulo: Cia das Letras, 2013, p. 18)
A analogia entre os fragmentos de documentos de arquivo e a figura do Gato Cheshire, aquele que, vai paulatinamente, desaparecendo a olhos vistos, é das mais fieis a quem já mergulhou em aquivos, não é?
domingo, 20 de abril de 2014
"Poemas para ouvir: uma interpretação dos cadernos de estudos para a obra de Guimarães Rosa"
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| Imagem de um manuscrito avulso de "Grande Sertão: Veredas", publicada na Revista de Estudos Avançados, no. 58, 2006, p.92 |
Aos interessados nos processos de criação literária, muito já se falou a respeito das tão comentadas cadernetas de João Guimarães Rosa, entretanto - talvez porque se pensasse que se tratava da mesma coisa - pouco se falou sobre seus Cadernos manuscritos. Mas agora acaba de ser publicado na Revista Manuscrítica um artigo que escrevi, no qual proponho uma interpretação deles, enxergado-os como documentos autônimos, que são diferentes das cadernetas, e que nos contam muito sobre os processos de escritura de Rosa e também dos do ofício dos literatos no século XX.
Para fazer o download do artigo "Poemas para ouvir: uma interpretação dos cadernos de estudos para a obra de Guimarães Rosa", clique aqui .
Esta é a minha primeira grande publicação e sei que sofro do mal do pioneirismo, então meu artigo deve ter muitos tropeços, mas acho que aquela fonte é rica e capaz de suscitar diálogos e debates. Ainda que não tenha saído na revista por algum engano editorial, cabe esclarecer que o conteúdo deste artigo é parte de um dos capítulos da tese "Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa", que desenvolvo na área de História Cultural e devo defender ainda no primeiro semestre de 2014, na USP.
Grata pela atenção
Camila Rodrigues
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