Não? Digo que foi um pintor e ilustrador alemão que viveu entre 1807 e 1875. Aqui vão aperitivos de suas obras (representando crianças) que eu peguei no Google imagens. Enjoy.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Tom Zé no aniversário de Sampa, 2016
Tom Zé publicou no Facebook : "O Armazém da Cidade, que fica na Medeiros de Albuquerque, ao lado do Beco do Batman, na Vila Madalena, convidou o artista #Kobra para grafitar a fachada e comemorar o aniversário de São Paulo com Tom Zé. Segundo o pesquisador Assis Ângelo, Tom Zé é o compositor que mais fez músicas para a cidade. "São São Paulo, Meu Amor", "Augusta, Angélica, Consolação", tantas e tantas.
Lydia Hortélio: "Brincar é o último reduto da espontaneidade que a humanidade tem"
A entrevista com Lydia Hortélio é uma das coisas mais lindas que eu li recentemente, tem Schilller, tem Benjamin e, por trás de tudo, tem muito Zumthor <3 br="">Confira em aqui 3>
Esta entrevista com Lydia Hortélio, que copiei aqui, está originalmente disponível aqui. Mas eu copio o conteúdo e comentários abaixo:

*
Brincar é o último reduto de espontaneidade que a humanidade tem.
.
Via Neae
Lydia Hortélio estava na Universidade de Berna, na Suíça, cursando piano clássico. Naquele dia, tinha dificuldades para tocar um trecho de uma sonata de Beethoven. Suas tentativas frustravam o professor, o húngaro Sandor Végh. Para ajudá-la, ele pediu que imaginasse um rei dançando com a rainha em uma festa da corte e assimilasse, da memória de seus movimentos, o segredo para tocar o minueto. E, então, ele partiu para o meio da sala e dançou como um rei. Lydia olhou para o professor e entendeu tudo, mas não conseguiu executar. Aquela música não estava no seu corpo. Impaciente, o professor voltou-se para ela e disse-lhe: “Que pena que vocês (brasileiros) não tiveram um rei!”. Instantaneamente, seu pensamento cantou: “E daí? E daí?”.
Foi o estalo. A partir daquele momento, Lydia Hortélio começou a procurar a sua música. Não quis mais estudar piano e voltou para o Brasil, mais precisamente paraSerrinha, na Bahia. A partir daí, começou a gravar tudo o que ouvia de música popular, mas não sabia ainda como usar o material. De volta à Europa, decidiu estudar etnomusicologia e tomou contato com um trabalho dos compositoresBartók e Kodály, um vasto lenvantamento da música da cultura infantil da Hungria. Percebeu que havia um paralelo com o Brasil e, desde então, vem documentando e coletando tudo o que encontra sobre a música tradicional da infância e os brinquedos, representações do que ela chama de o “Brasil encoberto”.
Neae – Quando o seu trabalho com a música se mistura com o trabalho da educação infantil?
Lydia Hortélio – Quando comecei a estudar etnomusicologia, mostrei a meu professor, o húngaro Sandor Veress, várias cantigas da minha infância. Ele disse: “Pois é, só que a melodia é só uma dimensão de um fenômeno muito mais complexo, muito mais rico, que é o brinquedo ele mesmo”. Até ali eu havia tido uma educação pinçando a melodia das músicas. Então, percebi algo que mudou a minha vida: a música tinha poder de mover uma ação. Em uma música como “olha o camaleão/olha o rabo dele/segura esse nêgo…”, por exemplo, as crianças formam uma fila e uma pessoa é a cabeça do camaleão. Ela canta isso e cumpre um roteiro entrando e saindo daquela fila, e aos poucos vai se formando o camaleão. Isso tudo é o brinquedo camaleão. A melodia, tão bonitinha no começo, agora desaparece, porque a ação dramática é muito mais forte. E há uma infinidade de ações dramáticas com uma linguagem de movimento própria em cada brinquedo. O brinquedo é a palavra, o texto literário; é a música, o movimento; é o drama e o outro, o companheiro de brinquedo. E isso é um todo indivisível.
Neae – E o que essas músicas ou brinquedos representam na nossa cultura, na nossa educação?
LH – Aquelas músicas que a gente cantava na adolescência, por exemplo, quando a menina descobre o menino, o menino descobre a menina, e a gente tira versinhos de amor nas rodas, são, pode-se dizer, as últimas formas de música da cultura infantil. São verdadeiros ritos de passagem para chegar à idade adulta. Fizemos um disco recentemente – o Abra a Roda Tindolelê – em que tento fazer um arco, uma curva de toda a música tradicional da infância com as várias estações que ela tem, começando das rodas de verso da adolescência e crescendo, como gosto de dizer, cada vez mais pequenino, até chegar às canções de ninar. Algumas músicas são nitidamente herança indígena, outras ibéricas, outras da cultura negra. São os arquétipos da nossa cultura.
Neae – Existe uma definição do que é brincar? Quando é que eu sei que estou brincando como uma criança ou como um adulto, se é que é possível brincar como adulto?
LH – Acho que não.
Neae – Então, quando adultos, só podemos aprender a brincar com as crianças…
LH – É a nossa chance ter uma criança perto para ver como é, entrar no movimento outra vez, no mundo dela. Para aprender a brincar, é preciso, em primeiro lugar, não querer brincar. Não pense em querer nada. Você está à toa na vida e, de repente, um gesto lhe chama e você se esquece de você, você entra no brinquedo. É um mistério. Eu não saberia, a esta altura, dizer o que é brincar. Mas é tudo o que mais busco, a inspiração da minha vida. Quando você brinca, você se esquece de si mesmo e faz parte do todo. Na hora, você não tem consciência disso, você é feliz, vive uma inteireza. Brincar é, para mim, o último reduto de espontaneidade que a humanidade tem. É a língua do ser humano. Vamos perdendo essa língua à medida que entramos na escola – e hoje com a televisão. Você está vendo a Xuxa outra vez se aproveitando das crianças e achando que está brincando e levando a brincar. Então, cuidado com isso. No sertão, que é tão seco, quando as pessoas encontram um olho d’água, elas o cercam com todo o cuidado para o animal não pisotear. Acho que é esse olho d’água que está esperando a gente cuidar dele e beber aquela água dali.
Neae– E qual o papel do educador nesse processo de recuperação, de valorização da música e do brincar?
LH – Durante um projeto que desenvolvi na Bahia, em 1980, fotografava meninos brincando, meninos do povo, porque nossos filhos estão confinados e não brincam uns com os outros livremente. Porque um menino precisa de outro menino, não precisa de professor, não. Chega um momento em que a gente vai introduzi-lo nas conquistas da humanidade, é para fazer isso também. Mas para o crescimento dele na sua unicidade como ser humano é mais importante brincar, pois é aí que ele aprende liberdade. Um grande homem alemão, que se chama Friedrich Shiller, diz o seguinte: “O homem só é inteiro quando brinca, e é somente quando brinca que ele existe na completa acepção da palavra Homem”.
Neae – Em muitas escolas, talvez na maioria delas, existe a hora de estudar e a hora de brincar. Seria necessário mudar o modelo de escola para que não houvesse essa distinção, ou cabe ao professor fazer isso?
LH – Antes de mais nada, esta é uma questão da consciência. É a professora, em primeiro lugar, que deve trabalhar a si mesma, chegar a esse ponto, à consciência de uma compreensão da criança através da cultura da criança. Todo mundo só lê a psicologia do desenvolvimento, o construtivismo, que tem sua procedência também, mas não é a resposta total do ser humano.
Neae – Que autores influenciaram a senhora?
LH – Eu não li em lugar nenhum, devo dizer isso muito humildemente. Tenho agido de acordo com as minhas descobertas. Encontro inspiração em autores como Schiller, nas Cartas Estéticas. É um pensamento ou outro. E em Walter Benjamin, que diz: “Verdadeiramente revolucionário é o sinal secreto do vindouro, o qual fala pelo gesto infantil”. Foram frases como essas que bateram como um raio, despertando ou confirmando em mim um sentimento que eu tinha e não via em lugar nenhum. Leio e, de repente, já estou pensando em outras coisas.
Neae – Além da construção subjetiva da criança, qual o papel da vivência das brincadeiras na construção de um espírito de brasilidade?
LH – Acho que a música tradicional da infância é o que de mais sensível e mais essencial existe na cultura de um povo. É o nascedouro da cultura brasileira. Nessas músicas do disco, como disse, podemos perceber heranças das culturas africana, ibérica e indígena. Você percebe um substrato e reconhece que aquilo é Brasil. Gosto de dizer: “Qual é o verso que queremos cantar na roda das crianças do mundo?”. O Brasil é para ser cantado e dançado. Se não cantar e dançar, não se sabe sobre o Brasil. Um amigo me disse que aprendeu as músicas do disco que fizemos com o filho de um ano e meio, que mal balbucia. Esse menino está adquirindo a língua-mãe musical, porque está cantando nos vários estilos, gêneros, sem saber as leis internas da música do Brasil, com todas as vertentes dessa música. Então, esse menino é um menino brasileiro. Para mim, esta é a maneira mais feliz de construirmos a identidade cultural.
Neae– Conte um pouco da sua atuação como coletora de músicas, brinquedos, brincos…
LH – Recolhi nesses anos todos representações do fenômeno brinquedo na pintura, na literatura, em achados arqueológicos, coletei músicas tradicionais da infância e objetos-brinquedos. Existem objetos-brinquedos inventados por crianças, criados pelos fazedores de brinquedo, como o clássico Mané Gostoso, um marionetezinho com duas varas que você aperta e faz malabarismos – o Brasil inteiro conhece. Esses brinquedos da cultura popular brasileira têm um princípio de funcionamento que é sempre um exemplo de física. Por ali você entra em ciência também.
Neae – Quer dizer que esses brinquedos poderiam estar na escola como apoio às aulas de física, matemática…
LH – Claro. Não sei o que a escola está fazendo que não se inspira na cultura popular, em que tudo é elementar. Fácil de compreender e, a partir daí, desenvolver. Se estudarmos a cultura popular compreendendo que ali o Brasil está encoberto, puxaremos o fio do novelo que está ali. A educação do Brasil deveria caminhar por aí, não como um regionalismo, mas como algo muito mais profundo e digno de conhecimento. As crianças procedem por uma construção de conhecimento que não é pelo raciocínio lógico, não é a compartimentalização. Com elas é uma consciência de inteireza, em que o sentir, o pensar e o querer fazem parte de uma unidade.
Neae – Como a senhora tem trabalhado a classificação das brincadeiras da cultura infantil?
LH – Tenho tentado fazer isso, mas às vezes me afasto porque fico com a impressão de que eu quero meter a vida no bolso, quero saber, é uma coisa do poder, que é da nossa cultura ocidental, de que no momento em que você bota no bolso, dá nome, você sabe. E o que vejo é que os tipos e subtipos de brincadeiras, os seus cruzamentos são tão infinitos que me dão um baile. Faço para ver o que tem e como se mistura com algo que esteja ali ao lado, mas não para classificar. Por exemplo, no caso da música tradicional da infância: existem os brinquedos da adolescência, que têm determinadas características. Depois os brinquedos cantados, nos quais a melodia é mais forte. Depois os brinquedos mais ritmados, em que o ritmo e o corpo têm uma expressão maior. Depois as parlendas, mais para as nuances da fala, as cantilenas, que caminham mais para as nuances da voz, mas ainda não são cantigas, depois as cantigas. Procuro também colocar em blocos os brincos, que são os brinquedos dos meninos pequenos, que precisam da ajuda de um adulto. Isso serve para compreender os momentos e o desenvolvimento da criança.
Neae – A senhora poderia explicar o que quer dizer quando denomina seu trabalho como de documentação e recriação?
LH – A documentação é quando eu fotografo, gravo aquilo que vejo, o movimento da criança, os momentos da cultura da criança. Já esse disco é um projeto de recriação. Levei muito tempo para fazer porque achava que era impossível trazer para ele todas essas dimensões da cultura da criança, já que entra só a música. Peguei um grupo de meninos que canta muito naturalmente, não tem aquela afinação exacerbada dos coros de crianças, para guardar a dimensão da espontaneidade e do inacabado, que é a criança. E nós, junto com os arranjadores, descobrimos todas as dimensões das várias vertentes da cultura brasileira que incidem na cultura da infância e as recriamos.
Neae – A senhora está desenvolvendo um projeto voltado para a cultura infantil em São Paulo. Poderia falar um pouco sobre ele?
LH – A Monumenta, do Ministério da Cultura, tem um terreno atrás da Pinacoteca, no bairro da Luz. Fui convidada para criar ali um espaço para a criança, com a cultura da criança, um museu de brinquedos. Vamos recuperar a natureza ali presente e chamaremos o lugar de Quintal da Luz.
Neae – É na linha da Casa das Cinco Pedrinhas?
LH – A Casa das Cinco Pedrinhas ainda não existe fisicamente. É um sonho, inspirado em um poema de Fernando Pessoa, no qual ele, menino, poeta, está brincando – e não jogando, como se diz – as cinco pedrinhas com o menino Jesus, Deus e divino: “Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas/no degrau da porta de casa,/ graves como convém a um Deus e um poeta,/ como se cada pedra fosse todo o universo/ e fosse por isso um grande perigo para ela/ deixá-la cair no chão”. Então, é preciso jogar as cinco pedrinhas para saber o que ele está dizendo. Para entender a compreensão que ele tem da criança, do divino e do ser humano. Eu entendo naquele poema que o ser humano é criança e é divino. E nisso eu encontro tudo o que busco.
Neae – O que seria essa casa?
LH – Um lugar de brinquedo. Onde as crianças pudessem brincar, construir. Em vários momentos surgiram instituições que quiseram fazer esse projeto, mas não deu certo. Depois pensei que não deveria fazer casa nenhuma, que as cinco pedrinhas deveriam existir no coração de cada um que se identificasse com esse sonho, e tomei distância. Não quero que se transforme em um lugar de educação. Ela existe no coração de muita gente que se aproximou de mim e já faz esse sonho à sua maneira, e o que me gratifica profundamente é que cada um faz de uma maneira diferente. Um amigo chega a incluir em seu currículo “membro da Casa das Cinco Pedrinhas” (risos). A Casa das Cinco Pedrinhas pode ser criada em vários lugares.
Lydia Maria Hortélio Cordeiro de Almeida nasceu em Salvador/BA dia 13 de outubro de 1932. Passou sua infância em Serrinha/BA, é professora de Música e dedica-se à pesquisa e difusão da Cultura da Criança e de Música Brasileira, em particular das manifestações culturais da zona rural do município de Serrinha/BA. Tem participado de vários projetos de Educação, buscando favorecer a inteireza e o movimento da Criança, e despertar uma consciência de Brasil.
Veja também :
Entrevista de Lydia dada ao Mapa do BrincarEntrevista de Lydia para FamiliarteIniciação à Cultura da Criança
A gente nasceu pra ser gente
A gente nasceu pra ser gente
Link desse post: http://institutotear.org.br/4187
Conteúdo relacionado
Boletim de notícias
Receba as novidades do Astrolábio e do TEAR.
Digite seus dados abaixo:
Digite seus dados abaixo:
Marcadores:
brincadeiras,
infância,
Lydia Hortélio,
MÚSICA
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Filme Outras Estórias (1999)
(Direção e roteiro: Pedro Bial/Elenco: Paulo José, Giulia Gam, Marieta Severo, Anna Cotrim, Walderez de Barros, Cacá Carvalho, Antônio Calloni, Enrique Diaz, Sílvia Buarque, Juca de Oliveira, Rodolfo Vaz, Jonas Torres.Outras estórias é um filme brasileiro, do gênero drama, inspirado em contos de Guimarães Rosa, dirigido por Pedro Bial.)
Olha só o que já está disponível no Youtube... usei muito a parte do Sorôco (tem cerca de 15 minutos e começa em 1:29:31) com as crianças na Escola Lumiar e também quando dei aulas de sociologia no Ensino Médio em 2008 ... porque eu nem gosto dessa história, nem deu para reparar rsrsrs
Marcadores:
Escola Lumiar,
Outras Estórias,
Pedro Bial,
Sorôco sua mãe sua filha
sábado, 16 de janeiro de 2016
Qual personagem do Tarantino é você? Eu tirei o Django LINDO
Gostem ou não, o Tarantino é um dos diretores da minha geração... é muito gostoso "reconhecer" meus "pares", que sempre acabam perguntando se vimos o último do Tarantino rsrs Que seu cinema é assumida e propositalmente violento, é fato, mas ele também é bem mais profundo que isso e apresenta essa que uma marca do que é esse nosso tempo. Adoro perceber essas coisas, me fazem sentir viva e nem estar tão velha assim. Gosto tanto que eu, que adoro as brincadeiras do Facebook, fiz essa e simplesmente amei o resultado: Eu tirei Django LINDO! Super combinou, afinal eu sou mesmo uma princesa negra metida a alemãI!!!!!!!!!!! kkkkkkkkk.
Marcadores:
Django,
Facebook,
Quentin Tarantino,
testes
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Os oito odiáveis de Tarantino e a violência em close.
Saiu o mais novo filme de Tarantino, "Os oito odiados", e eu fui assistir.
Eu sempre achei o excesso de violência nos filmes tarantianos uma questão estética, afinal ele é um esteta e por isso foi fazer arte ( e isso ele faz bem) . A estética ali é no no sentido de atiçar certa percepção mesmo. Depois que eu passei a estudar o humor, vejo que muitas vezes nos filmes, Tarantino costumava usar um 'truque' de percepção: mostra tanto a violência, por exemplo, e de formas tão inconcebíveis que você não a perceber como verdade possível e ai acaba achando graça. Naqueles filmes eu vejo acontecer claramente aquilo que é uma das hipóteses da minha pesquisa de pós doc que é observar como nas anedotas infantis do Pedro Bloch, os adultos acham graça nas vivências infantis porque elas lhes jogam na cara, tranquilamente, o absurdo que é a sua forma de viver, dai chegam ao riso, mas é quase sempre amarelo, porque eles riem de si mesmo antes, não das crianças. Nos filmes de Tarantino, é preciso a super exploração mesmo para que a ficha do absurdo realmente caia.
Sobre este último filme, eu estive aqui pensando... o gosto amargo na boca depois de assistir ao filme do Tarantino deve deve-se muito à falta dos risos (amarelos ou não em meio a tanto exagero) e também a uma pergunta que me surgiu : que futuro violento nos espera, se dá tanto já era assim, continua sendo e enfim? Ai , no Facebook ,eu ainda vejo cenas reais de violência aqui em São Paulo, e não é estilizada, nem gravada de modo artesanal, é a realidade dura e sangrenta. E nem estamos nos EUA antigo ... nem é um filme, mas eu preferia que fosse.Sério, esses dias mesmo um sem noção me falou que a questão racial (abordada -mal ou bem- pelo Taratino em "Django livre" e também em "Os 8 odiados" ) não tem tanta importância ... só não me falou que é porque o racismo não existe porque eu cortei (definitivo)... que preguiça de estar viva me bateu!
Em "Os 8 odiados" (Título que deveria ter sido traduzido como "Os oito odiáveis", ou então como está no original The Hateful Eight, "os oito odiosos), porque não há trégua para nenhum deles... mas acho que a personagem mais interessante do filme é mesmo a Dayse. Ela também é odiada por odiosa todo o tempo (no cinema ouvi comentários ditos em voz alta apenas sobre ela: "racista dos infernos", "safada" e acredite "coitada" em uma das vezes que sagraram sua cara). E Tarantino não nos conta quase nada de porque ela havia sido condenada, mas sua presença e atitudes nos fez odiá-la de antemão e para sempre e não apenas pelo que ela fez (ou deixou de fazer) durante o filme,mas também pelo que ela tinha sido condenada (que pensamos que deve ter sido justamente, afinal ela não seria capaz de nenhuma atitude menos odiosa, né?).... fiquei intrigada pensando nisso. Muitas vezes, no filme, algum dos personagens salienta o fato dela ser uma mulher e estar naquela situação de estar sendo perseguida, mas nem por isso algum deles a trata com maior cuidado, o que também se reflete na reação do público.
Achei que o fato do filme ser muito centrado ali no bar da Minnie - já que o que tinha fora era a belíssima nevasca (se não por outra coisa, vale muito assistir o filme no cinema porcausa das imagens da neve, achei de tirar o fôlego) -, acabou aprofundando a representação das personagens, parecia meio que um romance policial clássico, com algumas pitadas de violência a la Taratino, claro. Diziam que Tarantino apenas se repetia nesse novo filme, eu não achei,apesar do tema caçadores de recompensa e tal... mas pensando em como terminou "Django Livre" (a explosão da fazenda sulista passando claramente a mensagem de que era isso que deveria acontecer, não? Que os racistas se explodam!), quando o diretor retoma o mesmo assunto mostra parece mostrar que, na verdade, "Django Livre" foi apenas um filme e que aquela explosão do racismo não aconteceu lá, nem em "Os 8 odiados", nem acontece agora na nossa vida real, por isso tratar do assunto racismo ou ódio entre brancos e negros não é um assunto desgastado e não pertinente, nem há séculos, nem agora. Enfim, bom ou ruim, um filme de Tarantino chama a atenção e enquanto for preciso sublinhar questões raciais, que ele o faça. Me perdoe o textão, é que o assunto me intriga muito rsrssPode até ser que a própria personagem Dayse seja superficial - não sabemos mais dela do que sabemos das outras, mas não baber DELA me incomodou mais... não foi apenas uma ou duas vezes que algum personagem destacasse ela ser mulher e estar sendo levada à forca, não é?
E ver um filme de diretor tem essa delícia: despertar conversas kkkkkk
E o mais "importante" foi que, como sempre nos Tarantinos, sai louca para lavar as mãos que jurava estarem sujas de sangue! kkkkkkkkkkkkkkk
Marcadores:
Os oito odiados,
Quentin Tarantino,
violência
Assinar:
Postagens (Atom)
















