quinta-feira, 22 de outubro de 2020
Café com canela, 2017, Brasil, direção Glenda Nicácio, Ary Rosa
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
"O fantasma e a casa da verdade”, África do Sul, 2019, direção Akin Omotoso
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| À esquerda, de azul e amarelo, a linda senhora Ogum |
O enredo conta a historia de uma conciliadora penal Bola Ogum (Susan Wokoma) , que medeia o encontro entre vítimas e criminosos com muita confiança, até que é a sua única filha quem some, então ela se vê no outro lado da trama e é capaz de qualquer coisa para encontrar a menina viva ou morta. Nessa travessia, encontra a ajuda de uma policial muito dedicada, a solitária que está grávida, que acolhe a dor e o ânsia por justiça de Ogum,mas sem nunca sair do horizonte da busca por justiça.
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| A mais bela cena do filme |
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| Adicionar legenda |
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| policial competente |
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| Imagem da entrevista Só uma policial investigadora mulher poderia dar a esse papel um toque de força e delicadeza que o diferenciam de outros filmes do gênero. Para mim essa foi uma grande sacada. |
Na excelente entrevista dada aqui
à Ana Camila, curadora da Mostra, Akin Omotoso, chega a comentar que ao receber o roteiro, logo de cara fez uma
mudança: trcou um investigador por uma investigadora. Depois, ele explica
porque ela precisou estar grávida, o que foi uma sugestão da escritora Tracy
Whitaker. Isso deu ao filme um toque mais feminino, o que eu considerei
maravilhoso.
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Adoro ver as mulheres desse filme, empoeiradas, se compreendendo, se
ajudando. Vestidas como africanas, no cotidiano da cidade, mostram a África que
gente como eu gostaria de ver mais : a África das grande mães, fortalezas de
amor e sabedoria. Mas nesse filme tão próximo de nós ocidentais, também tempos
marcas de tradições que, no caso, tornaram a dor da mãe da menina desaparecida
ainda mais insuportável. Excelente oportunidade de ver outras face dos cinemas africanos pelos olhos de Omotoso, este belo, sensível e competente realizador de cinemas africanos |
terça-feira, 13 de outubro de 2020
" E não havia mais neve... ”, Senegal, 1965, direção Ababacar Samb-Makharram
O
filme conta a história de um jovem senegalês que regressa da França e se vê
diante de todos os dilemas dos que um dia deixaram sua terra natal. Ainda
pertence àquele lugar? Aquele país ainda lhe atrai? Mais que a Europa?
Em preto e branco, e filme é bem agradável de assistir, adorei a trilha sonora, em alguns momentos me lembrou os sons de clássicos de Hollywood (como o E o Vento Levou), em outros mais sessentista, um som mais animado, gostei muto de ouvir o filme.
Quando assisti lembrei muito do belíssimo,musical, colorido, mas também angustiante pelo sentimento de estrangeiridade na terra natal, "Heremakono" (2002) de Abderrahmane Sissako, filme que comentei aqui ,mas mesmo tão antigo, o filme de Ababacar Samb-Makharram me pareceu muito mais leve, tem certo humor de fundo, o que eu realmente gosto nos filmes e na vida, afinal nada é tão sério assim!
Pelo que entendi esse tema do sentimento de estrangeiridade é comum na história dos cinemas africanos, muitos realizadores não saíram, depois voltaram a terra natal? Pois ...
quarta-feira, 7 de outubro de 2020
"Lua Nova”, Quênia, 2018, direção Philippa Ndisi-Herrmann
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| CARTAZ DE LUA NOVA |
Sinopse
É
um belíssimo documentário sobre a decisão da artista e cineasta Philippa
Ndisi-Herrmann em se converter ao Islã. Nessa empreitada, ao conhecer crentes e
tentar conviver com eles, Philippa repensa sua vida e
trajetória, assim como os motivos que a levaram a tomar decisão tão radical
(segundo ela mesma apresenta).
Ao mesmo tempo ela grava um documentário sobre a vida de um menino muçulmano.
Ela, então, retrata a vida da sua amiga Raya, que tem dois filhos, trabalha em
uma cia de seguros, é ativista em várias causas sociais, tem filhos (dentre
eles o encantador Ahmed, o personagem do doc) e um casamento poligâmico.
PHILLIPPA – Esse é um filme sobre a busca pelo auto conhecimento da
diretora, que se questiona constantemente sobre quem ela seria
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| Philippa |
Na bela cena inicial, Philippa nos conta sobre um sonho que sua mãe teve antes dela nascer, com ela lhe perguntando:
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| A pergunta[ |
Esse é um dos primeiros poemas visuais que pipocam no filme todo, que é
visualmente bem trabalhado e bonito:
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| rituais |
Ao longo do filme, e também dos
sete anos que ele demorou para ser filmado e editado, Philippa viveu momentos de oscilação,
sobre se deveria ou não se converter, mas ao final, quando ele conta para a mãe
sua decisão e a mão lhe questiona o motivo, ela diz apenas
LUAS VÊM E VÃO. Precisava pertencer a algo grande, pois “do
grande viemos a ele voltaremos”.
Nesta linda imagem poética
vemos representa da conversão, a mulher se transformando na muçulmana:
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| conversão |
BISMILAH : “Em nome de Alá”. “Deus esteja conosco”
RAYA - A Raya é uma mulher pró ativa, comunicativa, tecnológica, trabalhadora e muito bonita.Muitas vezes em seu discurso percebemos o quanto sua rotina é exaustiva, ao cuidar da casa e dos filhos, a ponto dela ter simplesmente se acostumado com o fato de que seu marido tem outras esposas, afinal ela mesma chega a se esquecer de ligar para ela algumas vezes. Essa narrativa impactou muito Philippa , que parecia ter demorado a se decidir pela conversão, dado que nunca tinha imaginado dividir o marido com outras.
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| Raya |
AHMED - Mas a melhor personagem do filme,
além da própria Philippa
A outra personagem
encantadora é o menino Ahmed:
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| Desjejum |
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| Com as crianças para a reza |
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| Na escola do Islã |
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| Se arrumando para rezar |
Sua rotina é bem normal de casa para
a Escola do Islã e de volta para casa. Sempre a rezar e cantar para Alá. Quando
Philippa lhe pergunta qual
seria o seu herói, o garoto não pensa duas vezes antes de responder: O PROFETA.
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Filme muito diferente e
bonito, foi bem interessante assistir. |
Fiquei muito impressionada com a figura de Raya, que é mãe, ativista, que vive um (impensável para mim e tantas de nós) casamento poligâmico, personagem do documentário queniano Lua Nova (2018). Ela é um soco no estômago pra nós mulheres ocidentais. Passou por cima do incomodo de saber que o marido tem outras mulheres para ter acesso a uma vida mais dela mesma, onde tem tempo de trabalhar, fazer o que gosta e precisa, não precisa ficar só de dedicando a ele. Tem das que até o esquece! Quis fazer uma homenagem a ela, me vestindo de muçulmana, mas sou muito ruim de imitar muçulmanas, deixo aparecer muita pele, muito cabelo e muito sorriso! Valeu a homenagem ! Fica o registro
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
SEM TEMPO, IRMÃO
SEM TEMPO, IRMÃO - Até que enfim recebi meu tão aguardado volume, mas por algum motivo misterioso eu não consegui ler nem o primeiro conto completo. Quando comprei "A cidade ilhada" foi porque tinha muito tempo livre, pois tinha acabado a primeira temporada da Mostra de Cinemas Africanos (que preenchia muito tempo da minha Quarentena com filmes e lives) e eu sempre sentia falta da escrita companheira de Hatoum e sei que novo romance da trilogia só em 2021, aí achei que alguns contos poderiam me nutrir. Mas tenho a sensação de que essa necessidade foi suprida e há tanto tempo que já mudei de frequência. Agora a Mostra já reiniciou, de forma menos intensa e sem lives, tenho estado mais ocupada com artigos do dossiê sobre história cultural do humor , tenho feito caminhadas diariamente e voltei a estudar Guimarães Rosa (esse é um ponto importante, pois ele suga o tempo da gente). Por tudo isso, ainda não tive tempo de degustar os contos como quero. Mas vou. Está no horizonte de pequenos prazeres para outubro.
Como diria Drummond "O tempo é minha matéria". E até minha profissão (agora reconhecida)
terça-feira, 29 de setembro de 2020
Viva o humor das crianças
"Desde a segunda metade do século XX, no Rio de Janeiro, o médico foniatra e escritor Pedro Bloch (1914-2004) realizou um importante trabalho no sentido de resgatar a voz de seus pacientes pequenos tanto no sentido literal, ao ajudá-los em suas dificuldades na fala, como no sentido social, ao reconhecê-los como sujeitos interlocutores legítimos, donos de uma sabedoria original. Para divulgar seu “achado” passou a escrever e publicar enunciações infantis que revelavam aquelas originais interpretações de mundo" (RODRIGUES, 2019, p. 3).
segunda-feira, 28 de setembro de 2020
"Akasha", Sudão, 2018, direção Hajooj Kuka
Sinopse
Adnan é um
revolucionário sudanês, um herói de guerra e ama seu rifle AK47 como ama
sua namorara Lina. Por ter se atrasado no retorno a unidade militar depois dos dias
de folga da guerra civil, passa a ser perseguido pela kasha, ai foge com seu
amigo Absi, se envolvendo nas maiores trapalhadas e mostrando a vida e as
ideologias de um Sudão controlado por rebeldes de forma muito humorística.
Lembrando que, nesse
momento em que o filme está sendo apresentado na Mostra, seu diretor,
artista ativista, Hajooj
Kuka estava sendo perseguido e foi preso e, claro, o publico da Mostra
se mostrou empático e ajudamos a pressionar a Embaixada do Sudão no Brasil -
fomos um dos países que mais mandou emails pressionando esta prisão por
motivos políticos.
O Filme
No
começo do filme lemos uma explicação que nos alerta para o fato de estarem
tratando de um país em guerra civil e ela tem algumas regras:
“Durante a época das chuvas, a guerra civil sudanesa para devido à lama. Para os rebeldes,é hora do cultivo, família e amor. Depois a chuva para...”
A fita começa com uma comemoração tradicional, de onde um casal sai sorratiramente, tratam-se de Adnan, com seu rifle nas costas e sua linda namorada Lina, que seguem para a tenda dela, para desfrutarem e Lina desfruta momentos prazerosos
Adnan
faz muitas promessas a Lina, de torná-la rainha e ela parece mesmo uma nobre junto
a ele
em frente a ele, até descobrir que Nancy o nome que o namorado deu ao rifle e fica com ciúmes, porque pensa que este só pode ter sido o nome de alguma mulher com quem ele se envolveu.
Na cena da briga do casal, o rebelde é expulso da casa, com as calças caindo e a bela Lina fica muito brava, mas também muito triste com a inconstância do namorado
Mas como a garota fica com a arma e o namorado passa a ser perseguido pela kasha, justa-se ao amigo Absi e os dois seguem se escondendo dos "melhores" jeitos
Seguem em uma moto, vestindo saias, sutiã e carregando um bebê, em cenas engraçadíssimas
Em um dos momentos mais especiais do filme eles chegam em uma caverna onde Absi passa a tocar uma linda música tradicional
para ouvir os conselhos de uma sabia ânsia ela tenta impedir que Adnan com uma flor rosada, mas consegue em partes, tanto que a partir daí ele fica todo marcado da magia da flor, com quem conversa

Gostei muito de assistir esse filme, porque ele me apresenta uma África que a gente até espera ver retratada - cheia de guerras civis- , mas também mostra que, apesar disso, os africanos e africanas se envolvem nos mesmos problemas (inclusive afetivos ) que nós, mas as saídas que encontram são bastante inusitadas e divertidas. Assistindo a esse filme, me lembrei muito do meu queridinho da primeira temporada da Mostra, o Yellen, e toda a magia que envolve o modo de alguns africanos enxergarem a vida, conversando com flores, cantando e tocando músicas, apesar da infindável guerra civil, o horizonte é sempre um retorno ao estado de nobreza, de onde essa gente veio. Eu AMO MUITO ISSO.


































