terça-feira, 5 de outubro de 2021

"Rua do Saara, 143", Argélia , 2019. dir. Hassen Ferhani

 


Sinopse: No meio do deserto do Saara, um reino particular é governado por uma rainha misteriosa e solitária. Embora desconfiada e cautelosa, Malika sempre recebe de braços abertos os viajantes que decidem parar em seu castelo, transformado em cafeteria, em busca de algo para beber, comer ou mesmo de um conselho. Enquanto o mundo exterior continua a passar, emoldurado pelas margens de sua janela e porta, Malika parece viver fora do tempo, sentada em seu trono com seu fiel companheiro felino. Mas seu reino pode estar em perigo agora que a modernidade está se aproximando, representada pela construção de um novo posto de gasolina e restaurante ao lado de seu castelo.

Continuamos com documentários que se passam no deserto. Esse tem uma narrativa, a de Malika (rainha), a "guardiã do vazio. Em sua casinha, no meio do deserto, recebe os viajantes e clientes, oferecendo-lhes o que precisam para seguir viagem. Muitos caminhoneiros, amigos, viajantes de todos os cantos, muçulmanos, peregrinos: é como se o mundo parasse alguns instantes para visitar o reino de Malika. Ela não gosta que lhe façam perguntas, mas nós agradecemos aos que fazem, porque é impossível não se perguntar como é possível que uma senhora como ela, sem tanta mobilidade, possa sobreviver sozinha, no meio do deserto, na companhia apenas de seus cães e da gata Mimi? É possível. Mas querem tirá-la dali, os donos do posto de gasolina e restaurante vizinho que está sendo construído. Será que conseguem? Ela, que é experiente diz que não vão aguentar muito tempo. Não sabemos, mas desconfio que não mesmo, a menos que a "modernidade" mude tanto o cenário daquele ponto do deserto que quem não vai aguentar será ela. Nunca saberemos. A menos que alguém for até a Rua Saara, 143, para saber como ela está. Quem topa?

Esteticamente o filme é uma grande experiência. Entrando no deserto, o tempo é outro, o tempo do Reino e Malika. O filme começa com um plano aberto, focando no Saara, com a casinha solitária no meio e uma árvore na entrada. Depois, a gente vai vendo tudo pelas janelas e janelinhas, como o mundo aparece para Malika, através de seus clientes e visitantes, É uma bela viagem ao Saara, muito surpreendente. Vemos as fotos:


A casa\ bar de Malika

Clientes cantadores

Viajantes

Velhos amigos

A lamparina e o rádio

Um smartphone de alguém: notícia de fora!

Muçulmanos

Uma mulher dona de bar!

Uma mulher que viaja sozinha em sua moto

À noite

Como o mundo vê Malika

Uma janela grande: O deserto

Que imagem linda, sintetiza do filme!

Malika dorme

Tem diversão, Malika até dança

Um cochilo

o seu celular é simples, só serve para ligações

"Agora o povo do Saara tem carro de marca"



Viajantes


Enormidade do deserto

Malika

Casinha no meio do nada


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

"O Último Refúgio", Mali | 2021, dir. Ousmane Samassekou

 


Sinopse: Ao sul do deserto do Saara fica a Casa dos Migrantes, um abrigo temporário para aqueles que cruzam a África tentando chegar à Europa. Nesse lugar, eles se reconciliam com suas histórias de migração individuais. No documentário de estilo observacional, o cineasta malinês Ousmane Samassékou encontra esses viajantes cheios de ilusões, mas sem certezas, pois suas vidas parecem suspensas no tempo enquanto habitam este lugar.

 Documentário muito bom, vamos ouvindo e vendo esses migrantes africanos, sabendo um pouco sobre eles e elas, o que os levaram a querer cruzar o deserto para chegar na Europa. Na casa são acolhidos, se conhecem, ouvem suas histórias e projetos e sobretudo ouvem muitas vezes argumentos para que, se possível, aproveitem o período na Casa,  reflitam e quem sabe desistam dessa intenção. 

Mariko
São destacados três personagens, um é Mariko, um jovem bonito, com distúrbios mentais. em tratamento,  mas que vaga sozinho pela África. Ele é tem visões, a recorrente é de uma mulher branca, com quem conversar, trocam juras de amor e com quem ele quer se casar. Dos perdidos no mundo, ele talvez  seja o mais vulnerável. Espero que esteja bem agora.   



As outras duas são garotas Esther e Kadi, que se encontraram no caminho. Fugiram

Esther e Kadi

de 
Burquina Fasso, cada uma com seu motivo, mas ambas cheias de esperanças e ilusões sobre a vida no estrangeiro, mas na  Casa são orientadas : para uma mulher é sempre mais perigoso, especialmente se forem meninas sozinhas como elas...no período que o filme as observa, elas interagem, conversam  e passam momentos de descontração, embora falem sempre da raiva, do desamparo, do ódio. Ficamos tensos pelo destino delas, mas ao final o doc nos informa que Esther conseguiu chegar à Argélia e Kadi voltou a morar com os pais.

Há uma outra mulher,  Natasha, de passado tão dolorido quanto se imagina, que costumava estar sempre só, jogando sozinha, mesmo que as outras a convidassem para estarem juntas, ela é a imagem da solidão resignada. 

Natasha faz traças no cabelo das meninas

O filme acabou de ser rodado e Natasha permaneceu na Casa, não sabemos até quando. Espero que esteja bem. 

A última vez que o cinema me levou ao Mali foi para ver uma ficção baseada num lenda do século XVIII, um dos filmes mais esteticamente bonitos da vida, o  Yeellen (1987), de Souleymane Cissé, agora esse documentário  forte não ficou pra trás. cada imagem! Desde o  deserto inimaginável, às peles retintas dos africanos do norte, passando pelas  verdes da Casa de Acolhimento: Que deslumbramento esse documentário! Só amo:

Que IMAGEM!
Eles comem juntos!




De dentro para fora

Espelho
Africanos retintos
Deserto
Migrante
 Saara
Ele tem um filho NA ESCOLA!
Janela pro futuro
Nascer do sol
Deserto!

As cores de África 😍


















As cores da Casa dos Migrantes! Isso é África





 


domingo, 3 de outubro de 2021

“Knuckle City”, África do Sul | 2019, Direção:Jahmil X. T. Qubeka

 



Sinopse: Um boxeador profissional mulherengo e decadente tenta recuperar a academia de seu falecido pai com a ajuda de seu irmão gângster imprudente. Para isso eles devem enfrentar o submundo que cerca o boxe, colocando tudo em risco enquanto tentam salvar o que seu pai lhes ensinou que era a coisa mais valiosa para um homem: sua família. Enquanto os acompanhamos nesta aventura, o diretor e roteirista sul-africano Xolani Thandikaya Qubeka nos mostra a vida nas ruas da meca do boxe na África do Sul: Mdantsane.

Reza a lenda que cinema africano só tem filme monótono e chato, né? Quem acompanha essa Mostra sabe muito bem que isso é o maior mito do mundo. Uma prova é esse filme. Eu confesso que não esperava muito dele, o tema "mundo do Boxe" não me atrai, mas gostei de saber que existe uma "meca do boxe" na África do Sul! Essa mostra me ensina tantas coisas! 

Ao contrário da maioria dos filmes africanos, que falam de mulheres, são dirigidos ou encenados por elas, esse filme é absolutamente masculino, clima de gangsters, cheio de lutas, muito sexo e nudez, violência, tiro, porrada e bomba, facções, tradição e amor familiar, tem de tudo! Não sou grande conhecedora de filme de boxe, mas do que eu conheço, esse não deixa a desejar, a ordem é a SUPERAÇÃO e, francamente, não dá para cochilar um segundo nas duas horas de fita.

Trilha sonora maravilhosa, especialmente na primeira parte, quando trata da infância de Dudu (o boxeador) e seu irmão mais novo Duke, nos 1970 , que me lembrou tanto a primeira parte de Cidade de Deus, sim aquela com as crianças atirando ou sendo baleadas, enfim ... não estamos falando de filme infantil. 

Mas não posso deixar de  dizer que adorei ter visto! Mesmo que você (como eu) nem goste tanto de filmes com essa temática, esse é bem legal, juro! Vai chamar muito a sua atenção até o fim. Pensei que ia tirar algumas fotos, acabei tirando várias, lá vai:
Dudu pede forças aos ancestrais antes de lutar

Campeão



Força

Um escritório de boxe, mas na África, não esqueça

Família

Gângster

Essa hora não dá para não arrepiar!

Treino entre o mar e o céu

Nocaute

Dudu chama os ancestrais, mas não recusa ajuda de Jesus

Sobreviventes

Desde a infância: Brigas

Né? kkkkk