quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Sessão Cinema Árabe Africano Feminino - parte 01

 


A Senhorita
El sghayra (Miss). Argélia, França | 2020 | 12 min | Ficção 
Direção: Amira Géhanne Khalfallah
Sinopse: Com sua diversão e imaginação, uma garota alegre, filha única da comunidade, preserva uma sensação de vitalidade no oásis que se desvanece.

Sobre Separação
About Separation. Egito | 2020 | 10 min | Documentário
Direção: Kawthar Younis
Sinopse: Yasmina é chamada às pressas para ajudar sua amiga Yoko em sua partida repentina.

Mordi Minha Língua
Je me suis morde la langue. Egito,Tunísia, França | 2020 | 25 min | Documentário
Direção: Nina Khada
Sinopse: Com o objetivo de encontrar sua língua materna perdida, uma jovem argelina criada na França vagueia pelas ruas de Túnis entrevistando estranhos.

Sem Tempo pras Mulheres
Y’a pas d’heure pour les femmes. Marrocos, Canadá | 2020 | 19 min | Documentário
Direção: Sarra El Abed
Sinopse: Nos dias que antecedem uma eleição presidencial, um grupo de mulheres se reúne em um salão de cabeleireiro para discutir a situação política do país.

Gosto de cinema africano, mas os curtas em especial porque , com eles, o bicho pega, os primeiros africanos que assisti, em 2019, foram curtas-metragem. Eles costumam falar mais em imagens, enfim. Sobre eles, para valer à pena, como Cortázar falou sobre os contos, costumam ganhar por nocaute. No caso destes, eles são especiais, pois não simplesmente africanos, são também árabes, é outra estética em discussão, não são cinema negro, podem decepcionar quem procura ver só gente e problemas de pretos nos cinemas africanos (África tem 54 países, gente). Vou comentar os quatro, rapidamente.

A Senhorita - É o meu favorito, gostei muito da menina, tão sozinha com o seu deserto do Saara, como que presa nele, mas lutando bravamente para sobreviver. Alguém lhe diz que Deus pune as crianças que mentem, elas são queimar no mármore do inferno, ao que ela responde que o inferno nem seria tão ruim, pelo menos teria outras crianças para brincar. Sua TV está quebrada, mesmo assim ela assiste a filmes de Charlie Chaplin, mas gostaria de ouvir o que ele fala, ao que seu amigo cego responde que ele não precisou falar falou uma única palavra para produzir seus filmes. ALERTA  DE SPOILER 
Esse amigo cego a leva para passear, para ver as palmeiras que produzem sombra, no meio do Saara, que é o que ele gostaria de ver naquela paisagem de areia. E pergunta qual foi último programa que ela assistiu antes da TV quebrar, ela conta sobre uma animação e devolve a pergunta: Qual foi a última coisa que ele viu antes de ficar cego? A resposta é o nocaute: A LUZ DO GERBOISE BLUE (coisa de franceses!). Sim, estamos em território contaminado, e vimos a encantadora menina brincar e caminhar em locais perigosos, sem a menor noção que lhe pode acontecer. Cinemas africanos e sua relação de amor e ódio com a França, para mim que não sou francófila, me faz ser menos ainda. Algumas imagens

Início: Deserto

Uma menina brinca!

Lugares do Saara

Como 1 ponto a garota aparece no meio das dunas:incível

Nocaute

Imagine a paisagem que quiser!

Som das panelas 

Brincando em zona de perigo


A TV

Belo sorriso 

Sobre Separação - O filme é o mais curto, como um raio, rápido e sucinto: Duas amigas se despedem. Não sabemos muito sobre elas, além de que uma vai viajar, não sabe para onde e nem se vai voltar, mas deixa dois filhotes de gatinhos para a amiga cuidar. Nesta despedida, que pode ser para toda a vida, elas conversam, discutem, choram, riem, se abraçam: humanas, amigas. Muito bonito.
 
Yoko vai partir

Yasmina : fica com os gatinhos

Filhote de gatinho 

Outro filhote de gatinho

Abraço

Mordi minha língua  - Do pouco que conheço sobre cinema africano, o tema da perda da língua natal e consequentemente o da crise de identidade, é comum nas narrativas africanas em todos os tempos. Não importa de qual região sejam, o mais comum é que e algo - colonização, migração, guerras, tragédias ou catástrofes - as façam ter que reconstruir toda sua vida em outro lugar. Nesse filme uma mulher sai buscando pela língua materna que perdeu, perguntando o que as pessoas sugerem para que ela reencontre esse laço linguístico. É bonito ouvir as sugestões de pessoas de todos os tipos e, sobretudo, o depoimento, em francês, da narradora ao contar que não conhece o seu país (Argélia), não pode visitá-lo, é longe demais, não consegue falar sua língua natal, então sonha que ia visitar o avô, no caminho consegue ler todas as placas, mas quando o encontra, ele fala tão rápido, que ela não o entende, e nem consegue falar nada, apenas morder sua própria língua. Ao fim, uma lista de palavras, expressões, canções (até um RAP), depoimentos, compõem o seu mundo linguístico antes devastado. Filme muito delicado e bonito 
Uma senhora: retorne ao seu país, a língua vai voltar

Um rapper: exílio e crianças: palavras inesquecíveis

Que imagem!

Canto

 
Mordi minha língua  - Um filme  bem divertido, sobre mulher se expressando sobre política e a relação entre o Estado e as mulheres na Tunísia em pleno contexto de campanha eleitoral. O mais interessante é que essa conversa ocorre num lugar extremadamente feminino, um salão de cabelereiro, onde elas se arrumam e discutem sobre qual pensam que será o futuro das mulheres dali em diante. 
Debate acalorado

Ambiente acolhedor

Ali todas podem falar e ainda saem mais bonitas

 

terça-feira, 5 de outubro de 2021

"Rua do Saara, 143", Argélia , 2019. dir. Hassen Ferhani

 


Sinopse: No meio do deserto do Saara, um reino particular é governado por uma rainha misteriosa e solitária. Embora desconfiada e cautelosa, Malika sempre recebe de braços abertos os viajantes que decidem parar em seu castelo, transformado em cafeteria, em busca de algo para beber, comer ou mesmo de um conselho. Enquanto o mundo exterior continua a passar, emoldurado pelas margens de sua janela e porta, Malika parece viver fora do tempo, sentada em seu trono com seu fiel companheiro felino. Mas seu reino pode estar em perigo agora que a modernidade está se aproximando, representada pela construção de um novo posto de gasolina e restaurante ao lado de seu castelo.

Continuamos com documentários que se passam no deserto. Esse tem uma narrativa, a de Malika (rainha), a "guardiã do vazio. Em sua casinha, no meio do deserto, recebe os viajantes e clientes, oferecendo-lhes o que precisam para seguir viagem. Muitos caminhoneiros, amigos, viajantes de todos os cantos, muçulmanos, peregrinos: é como se o mundo parasse alguns instantes para visitar o reino de Malika. Ela não gosta que lhe façam perguntas, mas nós agradecemos aos que fazem, porque é impossível não se perguntar como é possível que uma senhora como ela, sem tanta mobilidade, possa sobreviver sozinha, no meio do deserto, na companhia apenas de seus cães e da gata Mimi? É possível. Mas querem tirá-la dali, os donos do posto de gasolina e restaurante vizinho que está sendo construído. Será que conseguem? Ela, que é experiente diz que não vão aguentar muito tempo. Não sabemos, mas desconfio que não mesmo, a menos que a "modernidade" mude tanto o cenário daquele ponto do deserto que quem não vai aguentar será ela. Nunca saberemos. A menos que alguém for até a Rua Saara, 143, para saber como ela está. Quem topa?

Esteticamente o filme é uma grande experiência. Entrando no deserto, o tempo é outro, o tempo do Reino e Malika. O filme começa com um plano aberto, focando no Saara, com a casinha solitária no meio e uma árvore na entrada. Depois, a gente vai vendo tudo pelas janelas e janelinhas, como o mundo aparece para Malika, através de seus clientes e visitantes, É uma bela viagem ao Saara, muito surpreendente. Vemos as fotos:


A casa\ bar de Malika

Clientes cantadores

Viajantes

Velhos amigos

A lamparina e o rádio

Um smartphone de alguém: notícia de fora!

Muçulmanos

Uma mulher dona de bar!

Uma mulher que viaja sozinha em sua moto

À noite

Como o mundo vê Malika

Uma janela grande: O deserto

Que imagem linda, sintetiza do filme!

Malika dorme

Tem diversão, Malika até dança

Um cochilo

o seu celular é simples, só serve para ligações

"Agora o povo do Saara tem carro de marca"



Viajantes


Enormidade do deserto

Malika

Casinha no meio do nada


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

"O Último Refúgio", Mali | 2021, dir. Ousmane Samassekou

 


Sinopse: Ao sul do deserto do Saara fica a Casa dos Migrantes, um abrigo temporário para aqueles que cruzam a África tentando chegar à Europa. Nesse lugar, eles se reconciliam com suas histórias de migração individuais. No documentário de estilo observacional, o cineasta malinês Ousmane Samassékou encontra esses viajantes cheios de ilusões, mas sem certezas, pois suas vidas parecem suspensas no tempo enquanto habitam este lugar.

 Documentário muito bom, vamos ouvindo e vendo esses migrantes africanos, sabendo um pouco sobre eles e elas, o que os levaram a querer cruzar o deserto para chegar na Europa. Na casa são acolhidos, se conhecem, ouvem suas histórias e projetos e sobretudo ouvem muitas vezes argumentos para que, se possível, aproveitem o período na Casa,  reflitam e quem sabe desistam dessa intenção. 

Mariko
São destacados três personagens, um é Mariko, um jovem bonito, com distúrbios mentais. em tratamento,  mas que vaga sozinho pela África. Ele é tem visões, a recorrente é de uma mulher branca, com quem conversar, trocam juras de amor e com quem ele quer se casar. Dos perdidos no mundo, ele talvez  seja o mais vulnerável. Espero que esteja bem agora.   



As outras duas são garotas Esther e Kadi, que se encontraram no caminho. Fugiram

Esther e Kadi

de 
Burquina Fasso, cada uma com seu motivo, mas ambas cheias de esperanças e ilusões sobre a vida no estrangeiro, mas na  Casa são orientadas : para uma mulher é sempre mais perigoso, especialmente se forem meninas sozinhas como elas...no período que o filme as observa, elas interagem, conversam  e passam momentos de descontração, embora falem sempre da raiva, do desamparo, do ódio. Ficamos tensos pelo destino delas, mas ao final o doc nos informa que Esther conseguiu chegar à Argélia e Kadi voltou a morar com os pais.

Há uma outra mulher,  Natasha, de passado tão dolorido quanto se imagina, que costumava estar sempre só, jogando sozinha, mesmo que as outras a convidassem para estarem juntas, ela é a imagem da solidão resignada. 

Natasha faz traças no cabelo das meninas

O filme acabou de ser rodado e Natasha permaneceu na Casa, não sabemos até quando. Espero que esteja bem. 

A última vez que o cinema me levou ao Mali foi para ver uma ficção baseada num lenda do século XVIII, um dos filmes mais esteticamente bonitos da vida, o  Yeellen (1987), de Souleymane Cissé, agora esse documentário  forte não ficou pra trás. cada imagem! Desde o  deserto inimaginável, às peles retintas dos africanos do norte, passando pelas  verdes da Casa de Acolhimento: Que deslumbramento esse documentário! Só amo:

Que IMAGEM!
Eles comem juntos!




De dentro para fora

Espelho
Africanos retintos
Deserto
Migrante
 Saara
Ele tem um filho NA ESCOLA!
Janela pro futuro
Nascer do sol
Deserto!

As cores de África 😍


















As cores da Casa dos Migrantes! Isso é África