sexta-feira, 15 de agosto de 2025

MURAKAMI:Entre a parede e o ovo

 

Referência: Google imagens 

MURAKAMI: ENTRE A PAREDE E O OVO


Em um vídeo de 2009 que circula na internet, Haruki Murakami discursa em inglês ao receber o Prêmio Jerusalém pela Liberdade do Indivíduo na Sociedade (Jerusalem Prize), já concedido anteriormente a escritores como Milan Kundera (1985). Nesse discurso, o autor pronuncia uma frase emblemática: “Entre uma parede alta e sólida e um ovo que se quebra contra ela, eu sempre ficarei ao lado do ovo.”


Com essa metáfora, Murakami expressa um posicionamento ético: a defesa incondicional da subjetividade — mesmo quando isso significa confrontar o peso de uma coletividade capaz de esmagar o indivíduo.


Embora seja uma figura engajada em seu país, essa postura não se manifesta de forma direta em sua ficção. Seus romances e contos preferem explorar universos fantásticos e subjetivos, em diálogo constante com outras literaturas, com a música e com diversas referências culturais.


Sua defesa da subjetividade sugere que um personagem (indivíduo ), mesmo  ao  voltar-se para si mesmo, pode não apenas refletir o coletivo, mas atuar sobre ele de forma indireta. Desta forma sua literatura parece ressoar  com questões centrais para o leitor do século XXI.


É esse tipo de debate que um autor de sua envergadura — lido amplamente no Japão e traduzido em todo o mundo — oferece à literatura contemporânea.


Que bom termos Haruki Murakami!

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Algumas fotos perdidas da juventude


Por motivos técnicos,precisei eliminar alguns emails antigos da minha conta principal do Gmail (inclusive para tentar manter esse blog funcionando) e para isso vasculhei emails enviados com anexos grandes. Neles encontrei algumas fotos minhas em momentos de juventude,meus vinte e tantos anos, época entre mestrado e doutorado (2008/2009).

Muito interessante observar como, no geral, minha energia continua.

Antes uma foto perdida do réveillon 2007/8

Com minha sobrinha Isabela na garagem de casa,eu de vestido,bons tempos em que eu me arrumava

Vestido lindo , cor uva 

Em 2008, nas "férias" passeando na região da Paulista (rua Bela Cintra) com meu amigo Rafael, passamos em frente a escola Lumiar, onde eu  tinha ministrado uma oficina sobre Guimarães Rosa com crianças desde 2005... 



A escola em 2008

A entrada em 2008

Eu não entrada, em 2008

As outras fotos foram no ano seguinte, dezembro de 2009, tiradas em um churrasco de fim de ano em dezembro de 2009, convite do meu amigo Alexandre e eu estava muito animada e alegre
Fugindo dos Paparazzi 


O churrasco era clube do bolinha 
Poucas mulheres 

Muito eu, sempre 

Foto de paparazzi 🤣

As pessoas no churrasco 

Esse mês abri um pouquinho do túnel do tempo 💞 







segunda-feira, 11 de agosto de 2025

" Na idade da inocência", François Truffaut (1976) no Cinesesc

 


Fui porque já tinha comprado o ingresso,porque o dia não estava nada favorável a ir ao Cinesesc na rua Augusta, planalto de Sampa.

Os óculos eram pra esconder olheiras,
Porque sol mesmo não tinha


Tentei não ficar muito desarrumada, afinal o mundo não merece pagar pelo meu desânimo. Fui de mantinha nas costas e levei o coração (de quartzo rosa) fota do peito. Aquela história de "uns agostos por dentro" do Caio Fernando Abreu, vindo da friaca de fora.

Claro que valeu a pena, no cinesesc demore vale, especialmente se for para assistir a um filme clássico!

Foto da tela do Cinesesc 


"A idade da inocência" de Truffaut é um filme muito gostoso de ver, porque mostra aquilo que em geral gostamos de ver :as crianças agindo e reagindo no seu mundinho particular no meio do mundo adulto. Essa é uma diferença de postura para a história da infância a partir da segunda metade do século XX, o advento da História da criança. Nesse filme isso é evidente.

Crianças vivendo os conflitos com adultos e vencendo tantas vezes, porque são capazes de viver o tempo do instante com uma facilidade que adultos não conseguem mais.

Lembrei muito das discussões teóricas do meu pós doc, da experiência em escolas democráticas, meu oxigênio crianças século XX. Hoje me sinto como se tivesse sobrevivido a ele e já não acho mais os sentidos que achava antes. Enfim.

Se tiverem oportunidade, assistam ao filme, pode aquecer seu coração 💓 


quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Eloá Gonçalves e seu piano jazz no Instrumental



Mais uma terça grande , academia,terapia, instrumental. Só que tudo num dia frio.

Sai agasalhada e até bonitinha de


Levei meu livro da vez pra passear 

A terapia foi boa, depois de férias e viagens tanto minha quanto da terapeuta. Sai com a convicção de que posso afirmar para manter o que quero que continue funcionando em minha vida. É preciso ter coragem!
No Sesc encontrei amigos 
Casal de amigos : toda
 semana no instrumental

Café e docinho


Ai veio o show da pianista Eloá Gonçalves, que você pode assistir:





Algumas fotos do show 






Acabou que sai mais cedo e não escrevi o comentário no ônibus de volta. Só escrevi na manhã seguinte :

INSTRUMENTAL ONTEM: O show era da pianista Eloá Gonçalves e sua banda. Bem bonito o som, além do piano dela,  a bateria, o baixo acústico e trompete muito claros e o vocal jazistico feminino muito bons , claro, mas como foi um show autoral, mais difícil empolgar tanto, achei um pouco repetitivo,bem diferente do jazz das playlists de Murakami no Spotify. A verdade é que o som, muitas vezes, me pareceu um pouco sombrio, muitas composições da pandemia...e o frio não ajudava,tanto que sai voluntariamente às 20 horas, inédito na minha história de Instrumental. Talvez eu não fosse o público certo pra esse espetáculo .


Próxima semana vai ter bandolim. Acho que sairei de casa pra assistir 😝


domingo, 3 de agosto de 2025

Encontro com a História da Etiópia

 


Agosto começou com um dia de inverno friozinho, mas sem exageros. Nada comparável aos últimos dois meses. 

Eu pensei em ir a florata das cerejeiras no parque do Carmo, mas fiquei mais reclusa em casa porque de manhã é gelado e também porque meu corpo ainda está se adaptando a alterações hormonais. Ser mulher é isso,tem dias que não estamos disponíveis para a vida.

Fui a biblioteca do Sesc Pompéia e emprestei dois livros sobre a História da Etiópia. Amei 😍 

Gostei de ver que a biblioteca está super atualizada, já tem até o lançamento de Jeferson Tenório 

Novas Aquisições 


Que venha agosto,com alegria, que quero te usar 😍😍😍😍

Um pouco de biscoito vestido de verde neon e abusando do cabelinho Bela Campos ,porque está tão difícil e solitária a vida no frio e sem rolês, que estou precisando 

Verde Neon : meu verão forçado 
















quinta-feira, 31 de julho de 2025

"Após o anoitecer", de Murakami: o livro que queria ser filme

 





"Após o anoitecer" (2009) , de Murakami foi um livro indicado um grupo de leitura do Facebook  e que comprei usado e gostei em julho de 2025. Meu terceiro Murakami (além de "Sono" e o inesquecível "Homens sem mulheres" que em agosto completa um ano da primeira leitura inesquecível!), esse chegou um dia antes do gélido feriado de 9 de julho e foi meu companheiro no mês mais gelado do ano. 

Levei até pra viajar e foi um ótimo companheiro!

A partir de pouco antes da meia noite até um pouco depois das seis horas da manhã, um relógio vai contando as horas de uma madrugada em Tóquio e o que acontece na vida de alguns personagens naquele período. Não sei se a obra tem algum protagonista, mas destaco como principal a história das irmãs Mari e Eri Asai. Mari é uma universitária tímida que fala chinês e ,por algum motivo não revelado de cara,escolheu passar a noite lendo em um café. Ela é irmã  mais nova nova da modelo  Eri, que se encontra dormindo em casa há dois meses, por algum motivo que também não é revelado. A trama delas é muito interessante, uma é o oposto da outra (uma não consegue acordar, a outra não consegue dormir,uma ligada a aparecia a outra a essência,etc ) e o problema principal está na dificuldade de comunicação (tema caro aos japoneses). Por isso chamei esse livro de um romance sobre amor fraternal.

Ao redor delas surgem outros personagens como o TROMBONISTA (coloco em caixa alta porque não foram bem um bem dois resenhistas que o descreveram como trompetista! Para mim não é detalhe) Takahashi toma um café com Mari antes de passar a madrugada ensaiando com a banda num porão.  Depois disso surgem outras personagens do submundo de Tokio, como Kaoru,uma mulher grande, dona do Motel Alphaville, onde uma chinesa teria sido agredida. Como ela não fala japonês, chamam Mari para  fazer a tradução do seu depoimento. Ai surge outra trama na história,a agressão da prostituta e o submundo das máfias chinesa e japonesa atuando nas ruas de Tokio. Nesta trama surge Shirakawa, um trabalhador pai de família e acima de qualquer suspeita, mas até na verdade esconde uma face violenta e tenebrosa e ouve as  cantatas de Alessandro Scarlatti pelo contratenor estadunidense de origem japonesa Brian Asawa. 

Esses e outras personagens, exceto Eri Asai que só dorme, vivem aquela madrugada acordados e se transformando em algo que não eram antes daquele amanhecer.

Tudo isso é enriquecido por uma rica e variada trilha sonora (como já vida de todo mundo)  ,  que vai até vai de cantatas de Alessandro Scarlatti do século XVII, até sucessos do Pet Shot boys , não esquecendo o destaque para o repertório de jazz e blues do trombonista, uma das coisas mais belas do livro.

Dando uma olhada nas resenhas dos booktubies , a maioria gostou ou achou ok.

Destaco esse vídeo, onde a jovem defende que esse livro é uma ótima opção para começar a ler Murakami,porque ele é curto e aborda de forma "concisa e domada" alguns dos temas/ambientes comuns na obra do autor, como humor distorcido, histórias dramáticas,"realismo mágico", histórias estranhamente sexuais ou violentas, funcionando como uma espécie de sumário daquela escrita.

Mas, pessoalmente, eu destacaria a forma de contar como o grande diferencial do livro. Não só porque é marcado pelo relógio, mas especialmente pelo fico narrativo diferenciado. Narrado em terceira pessoa, o narrador, que é uma espécie de "POV", um ponto de vista , e narra  assim 

Esse ponto de vista de camera, avisa o leitor,apenas descreve os acontecimentos sem interferi neles. (P. 157)

E conta a história a partir de uma câmera imaginária,por isso o livro parece sempre querer ser um filme .

Todo esse cenário desenvolvido por Murakami me lembra  muito o que se pode observar nos filmes e séries da Netflix, que são o que há de mais moderno na produção de narrativas.

Por essas e por outras, adorei ter feito essa leitura.

ALGUMAS POSTAGENS NAS REDES SOCIAIS DURANTES A LEITURA 

21 de julho 

"-Fico pensando... Será que as lembranças não seriam o combustível de que os homens precisam para viver? Se essas lembranças são ou não realmente importantes para a manutenção da vida, não vem ao caso. Elas podem ser apenas um combustível. Seja uma propaganda de jornal, um livro filosófico, uma foto pornográfica ou um maço de notas de dez mil ienes, tudo isso não passa de papel na hora de queimar, não é mesmo? O fogo não queima tudo questionando "Nossa! Isso é Kant"  ou "Isto é a edição vespertina do Yomiuri" ou "Puxa! Que peitos!", concorda? Para o fogo, tudo não passa de papel. É a mesma coisa com a memória. As lembranças importantes, ou até as que não têm importância nenhuma, tudo, indiscriminadamente, é apenas matéria de combustão.

Koirogui balança a cabeça concordando consigo mesmo e continua :

- É por isso que, se eu não tivesse esse tipo de combustível em mim, se eu não tivesse essa gaveta de lembranças dentro de mim, eu já teria morrido há muito tempo. Eu estaria em algum lugar horrível, abraçando meus filhos joelhos, morta e abandonada na estrada. Na medida em que posso usar, de acordo com minhas necessidades, as inúmeras lembranças que tenho, sejam elas importantes ou não, é que consigo me manter viva, mesmo sendo essa vida de pesadelos. Mesmo que eu pense que não dá mais, que não posso mais continuar, consigo de alguma maneira superar isso. " P. 173

23 de julho 

"Sala do subsolo que parece um depósito. Estamos no local onde a banda se reúne para ensaiar durante a noite. (...) Takahashi toca um solo longo com seu trombone acompanhado de piano elétrico,contrabaixo e bateria. É "Sonnymoon for Two", de Sonny Rollins. Um blues de ritmo moderado. A performance de Takahashi não é nada má: além da técnica, ele  tem um modo de desenvolver frases e variações temáticas que resultam num diálogo musical. É em momentos assim que se revela a personalidade do músico. Ele fecha os olhos e se entrega à música." (Haruki Murakami. " Após o anoitecer",p.175)

28 de julho 

A hora passando ...


APÓS: É real, estou a poucas páginas de concluir minha terceira leitura de Muraksmi, e dessa vez um romance e  um exemplar meu! 😍

Achei que ia concluir na volta da viagem, na qual ele foi meu  companheiro fiel, mas não é tão aleatoriamente assim que nos despedimos de um livro de Murakami, tem que ter aquele tempo do medo da despedida. Estou nele: o romance se passa em uma madrugada , a partir da meia noite, e segundo o reloginho que inicia os breves capítulos já estamos quase em cinco da manhã :  mais breve do que eu gostaria concluo mais uma leitura deste autor incrível. Virá outra, ler Murakami e gostar é só começar 😍

Na madrugada, terminando de ler


29 de julho 

APÓS: Acabei  de ler. Não era minha intenção terminar  hoje, já estava até dormindo (fato irônico em relação a esse romance), mas recebi uma ligação  e a conversa não pôde se desenvolver no tempo e como eu estava acordada,   restou-me cair nos braços do livro. Que na real é uma história de suspense muito bem contada. Do pouquíssimo que conheço de Murakami, já  identifiquei que os temas comuns vão de música , ao fascínio por mulheres, invariavelmente filtrado por questões envolvendo o sono. Nesse livro o centro é o amor fraternal e a dificuldade de comunicação. Mas há também, de forma coadjuvante,traços de uma forma  lindíssima de falar do apaixonar-se como um filtro de vida para os olhos de quem está vivendo (que aparece também no conto "Samsa apaixonado").  Neste nosso século  dos amores líquidos, destaco que em Murakami ainda temos o "velho amor ainda e sempre", o que espera, que deseja trocar longas cartas, que planeja encontros cotidianos para o próximo verão e que vão ser  incríveis  só por estarmos  juntos novamente! Pode parecer ultrapassado, mas na verdade é o amor mais bonito e ainda resta em livros, belíssimos como este!


terça-feira, 29 de julho de 2025

CONHECENDO PARTE DA COMUNIDADE NEGRA DE NITERÓI

 


Na semana entre os dias 20 e 27 de julho de 2025 eu tirei umas férias salvadoras em Niterói RJ ,na casa do meu anfitrião, também negro ,Geraldo. Qual não foi minha grata surpresa ao descobrir que a cidade estava em clima de "mês da mulher negra" e a comunidade afro desenvolvendo eventos lindos e gratuítos no "Reserva Cultural Niterói", aquele espaço projetado por Niemayer e que ocupa o centro da cidade.  pudemos aproveitar bastante e foi muito bom.

Primeiro assistimos a um lindo desfile de Moda Afro do Projeto Emilia Brown,na quarta dia 23 de julho.
Como os negros estão em todos os lugares e acabam de conhecendo, foi uma grata surpresa saber que Emília e toda sua equipe, é ligada a minha queria Mama Nossa cultura, até conheço aqui da Casa das Cadeiras.
Com Mama Nossa Cultura nas Caldeiras
Em 2018

Foi muito bom ver que a beleza negra também vive em Niterói,não só no palco, mas também na plateia do desfile: negro é lindo ♥️

Algumas fotos 











No dia seguinte, quinta feira, no mesmo lugar, fomos prestigiar a peça CINDERELA NEGRA


Foi uma adaptação da história de Cinderela para a população negra , divertida e consciente! 
Para ver esse espetáculo o teatro lotou, teve  muitas crianças e todo mundo se divertiu. 

Dias depois, na sexta feira, para reforçar o tema da negritude em Niterói, fomos conhecer  um centro de umbanda e foi muito mágico. Era um dia de batismo (nem sabia que tem isso na umbanda), ficamos um pouco, vimos as incorporações e eu até tomei um passe do meu pai Oxóssi 🏹💚💙

Fiquei muito contente em conhecer um pouco da comunidade negra de Niterói. Agora só falta um samba 😍