sábado, 16 de abril de 2022

Inesgotável Gabriela, cravo e canela (1958), de Jorge Amado

Quando chegou, eu toda feliz


Vamos falar um pouco sobre Gabriela!

Não vou colar aqui todos os comentários  que fiz durante a longa leitura, mas terminei de ler há quase uma semana


 Demorou tanto para terminar a leitura de Gabriela, Cravo e canela, que nem queria pensar mais no livro, como comentei esta manhã de 16 de abril! 


Quando comecei a ler, em 01 de março, tinha as seguintes expectativas

Doze dias depois eu estranhava a leitura demorada 

Sobre as ilustrações do Di Cavalcanti, não vou postar aqui, vou postar algumas aqui
DI CAVALCANTI





Queria pensar as representações da personagem , desde o começo

No dia 28 de março eu escrevi bastante sobre Gabriela:
REPRESENTAÇÕES DE GABRIELA I- É verdade que este é o romance de JA que menos gostei até agora, mas não posso nunca dizer que, por isso, ele é ruim. Loge disso, ele está me pirando o cabeção, por vários motivos. Por exemplo, as representações de Gabriela. A alegre menina cobiçada pelos homens de Ilhéus, até agora, me parece uma personagem simples, a complexidade e a malícia está nos olhos de quem a via e vê até hoje, escondida debaixo das tantas representações que adquiriu. Certa vez li e queria reler, um depoimento, provavelmente de Walter Avancini, diretor da primeira novela Gabriela em 1975, onde ele explica que, se o romance de JA a questão central é a luta política no sul da Bahia nos anos 1920, auge da extração do cacau, novela destacaria a sensualidade de Gabriela. Assim foi feito, e como de costume nas adaptações de JA para o áudio visual, as complexas discussões sobre a política ou a crítica social são achatadas ou descartadas. Nesse caso, em especial, deu muito certo, até hoje quando se fala em Gabriela, é dificil não se pensar numa mulher parecida com a Sonia Braga. Tenho tentado pensar em outras imagens para ela, porque ela já existia antes disso, inclusive.

GABRIELA E SUAS REPRESENTAÇÕES II - Procurando o texto de Avancini, cai numa dissertação de mestrado de 2005 sobre a recepção crítica de "Gabriela" . Muito boa, aliás, comentando vários pontos e autores. Dela eu destaco esse trecho:
"o crítico Silvio Castro, em seu ensaio 'Jorge Amado e a recepção crítica'(1992), aborda, justamente, o ponto crucial que rodeia a produção literária amadiana: o constante conflito no exercício da crítica. E vários são os motivos dissonantes : o uso do calão, as constantes repetições, uma linguagem próxima da oralidade, povoamento de suas obras com personagens alcoólatras, prostitutas e homossexuais, além de personagens negras, turcas e árabes. Todos esses elementos fazem parte das contendas da crítica literária que envolve a produção do autor.
Castro evidencia a divergência entre as análises que tomam por base a inserção da produção literária de JA na 'tradição literária brasileira' e a convivência da crítica com esta obra."
"Revisitações a Gabriela: Uma experiência de leitura da recepção crítica do romance", Renata Maria Souza do Nascimento. Dissertação de mestrado em Letras UFBA,2005,p. 63

Em um determinado momento Renata diz que um novo frescor tomou conta dos estudos críticos da obra amadiana, com a entrada de analistas vindos da antropologia ou sociologia, uma vez que a crítica literária tradicional não saia dos seus moldes de avaliação clássico. Já em Jorge Amado era preciso ampliar as perspectiva, imaginem em Torto Arado, por exemplo! 

 GABRIELA - Como é difícil de ler, ela está sempre escondida embaixo de outras leituras e imagens que dela fizeram que nunca sei se ela é mesmo só isso. Espero (e desejo) que não seja! Por enquanto só tenho aprendido mais a ver como funciona a cabeça dos homens (até hoje) sobre a "alegre menina" Gabriela, ou melhor, diante todo esse imaginário em torno de Gabriela. Entendendo tudo isso, em nome de Malvina (talvez minha personagem favorita do romance), não tenho mais com apedrejar Gabriela

Mas e sobre Malvina, o que eu comentei durante a leitura?  Quando reparei nessa personagem, senti nela um protagonismo de mulher amariana,  que falta em Gabriela, e depois, em 25 de março  escrevi :

"GABRIELA": SURGIU A PROTAGONISTA?- O romance se Amado tem uma estrutura simples: quatro capítulos de cerca de 100 páginas e está dividido em duas partes. Na primeira parte, senti falta da protagonista Gabriela (que está no título), pois ela aparece só no final do cap.2, mas surge como uma mocinha de romance romântico, não uma mulher de Jorge. Achei que na segunda parte ela poderia protagonizar, mas logo ao começar o cap. 3 ela deu uma sumida de novo e quem brilha é Malvina, uma filha de coronel que se coloca abertamente contra o pai seu coronelismo e defensora das mulheres em plenos anos 1920... Essa, sim, está à altura das grandes personagens femininas de Jorge , que comandam suas vidas! Estou só no começo do capítulo, mas de cara a Malvina me agrada mais que a Gabriela. Vamos ver se a impressão de confirma.

Dentre tantas coisas incríveis que vemos em Malvina, o que mais me chama a atenção é o fato dela ser uma mulher que lia, que brigava pelo direito de ler , o que comentei em 30 de março 

GABRIELA E AS MULHERES QUE LEEM - Acho que essa ilustração de Di Cavalcanti não representa Gabriela,mas minha personagem favorita, a Malvina, a filha de coronel que tem a OUSADIA DE LER. Recusando o pedido do coronel de não vender mais "livros ruins" para ela, o dono da livraria responde:
"- Tenho livros para vender. Se o freguês quer comprar não deixo de vender. Livro ruim, que é que o senhor entende por isso? Sua filha só comprou os livros bons, dos melhores autores. Aproveito para lhe dizer que é môça inteligente, muito capaz. É preciso compreendê-la, não deve tratá-la como uma qualquer."

Mas Gabriela, o romance e a personagem são bem amadianos, produtos de uma bem imbricada trama com a literatura oral, não é à toa que as adaptações receberam as trilhas sonoras mais belas , com canções que definem bem Gabriela, como essa belezinha, que é um poema que aparece no romance e  foi musicado por Dorival Caymmi para a trilha sonora da novela Gabriela de 1975, que também contava com canções representativas do universo de Ilhés de Gabriela , como esse  samba de roda baiano . Mas a mais bela canção composta para Gabriela é mesmo "Tema de amor para Gabriela", de  Tom Jobim, com a citação de várias cantigas tradicionais da zona cacaueira, coisa mais linda! Sempre me emociono!

Para terminar, uso uma citação bela, que eu acho que também define essa personagem, que é a terra da Bahia, com seus cheiros e temperos, que o árabe nacibe tanto amava e é tão   amada pelos  brasileiros e brasileiras:

"Êle (seu Nacib)  a olhou alucinado, viu a terra molhada de chuva, o chão cavado de enxada, de cacau cultivado, chão onde nasciam árvores e medrava o capim. Chão de vales e montes, de gruta profunda, onde êle estava plantado. Ela estendeu  os braços, puxou-a para si. Quando se deitou a seu lado e tocou seu calor, de súbito então tudo sentiu : a humilhação, a raiva, o ódio, a ausência, a dor das noites mortais, o orgulho ferido e a alegria de nela queimar-se. " (448-9)


Viva Gabriela , do cheiro de cravo e da cor de canela!


 

 



domingo, 10 de abril de 2022

Ganhei um VIP do Samba do Sol

 Eu ia ficar em casa , mas não é que acabei ganhando um VIP pro Samba do Sol? Aí vou ter que ir, né? Kkkk


Era domingo de ramos, estava um pouco despreparada para esse rolê, mas fui mesmo assim, vestida de Samba é uma forma de oração 
l

Mas o clima, naquele dia, não estava nada leve.  Perguntei pra minha amiga Eta se só eu que estava achando esse rolê meio desanimado, ela disse que não, que a energia está baixa mesmo.

Pode até ser, mas que estava borochô é verdade. 😞

Mas nem tudo foi ruim, na volta reencontrei o amigo Vladmir, com quem adorava conversar no antigo Espaço Rio Verde, e também conheci pessoas maravilhosas, uma nordestina muito gente boa 

Vida que segue!



domingo, 3 de abril de 2022

Samba do Sol : Edição especial Pagode 90

 


Pedi tanto um pagode que até teve ! 😍
Foi a segunda edição do Samba do Sol especial Pagode 90, no Mural da Casa de Cultura na Vila Madalena mesmo lugar, na primeira eu estava lá ... Tenho ou não tenho uma História no Samba do Sol? Kkkk

O Mural estava um pouco diferente, mais escuro que antes da Pandemia, mas deu para curtir bastante!
Até o Mural, em pessoa, se posicionou na minha frente
O cara era grande, tive que mudar de lugar 

Eu estava muito apaixonada e me arrumei toda, quando Ele disse para eu não esquecer de levar uma blusa, obedeci

Mas o melhor mesmo foi reencontrar amigas que não via desde o Carnaval 2020 
Com Patrícia Ferreira

Foi muito bom também assistir ao show do Grupo Sambacana, que toca um pagodinho cremosinho, bem gostoso 


Foi bom demais.obrigada Deus e Orixás!







terça-feira, 29 de março de 2022

Jorge Amado e a ausência de posts neste blog

 


Como já expliquei, em 2022 eu estou procurando ler menos livros (em quantidade), me demorando mais nas leituras, sem a menor pressa. Está sendo muito bom, mas o problema é quando eu começo a ler esses livrões do Jorge Amado, que me faria demorar mais de qualquer jeito, mesmo que não estivesse fazendo uma leitura mais atenta.

Depois do fantástico "Tereza Batista, cansada de guerra", livro de janeiro, que comento aqui, março está sendo o mês de "Gabriela, cravo e canela", livro que devo terminar só lá em abril mesmo, sobre o qual já escrevi inúmeros pequenos depoimentos (quase que diários), mas sobre o qual só vou escrever depois que terminar a leitura. Mas  para não deixar passar o mês em branco, posto os dois últimos comentários que escrevi, sobre as representações da personagem Gabriela. Vejamos 


e continuei 

Em breve espero voltar a escrever sobre esse romance, quando tiver concluído a leitura, enfim.
PS. Peço desculpas pelos erros, publiquei sem revisar, desculpem.








terça-feira, 22 de março de 2022

Dia 22 de março, dia do Criolo Rei Jorge Ben!

 


Sobre o que é "desenhar nossa auto estima", eu expliquei:




Parabéns e obrigada! Salve  Jorge!

segunda-feira, 21 de março de 2022

Os encantados



"As pessoas não morrem, ficam encantadas". João Guimarães Rosa.
Naquela conversa sobre Torto Arado entre Itamar Vieira Junior e o Silvio de Almeida no YouTube que comentei, uma outra fala de Itamar me volta sempre à cabeça: para ler Torto Arado é preciso se desvencilhar um pouco da perspectiva única de uma literatura mais clássica européia. Isso é bem difícil (por exemplo, eu sofri ao ver filmes africanos tentando de desvencilhar primeiro do colonial, depois até do decolonial, e ver uma matéria mais original). Em Torto Arado, uma das narradoras é a encantada Santa Rita Pescadeira, que sabe e conta sobre passados que não queremos lembrar...mas que só sua manifestação , a que não morreu só se encantou, veio reavivar. Essa encantada é como a própria narrativa, a História? Me arrepia pensar isso!



domingo, 13 de março de 2022

Retorno ao Samba do Sol na Vila Madalena

 

Amo os cartazes 💓

Como sempre o "@Samba do Sol" permeando minha vida de rolê. Duas semanas depois daquele retorno emocionante à "@Casa das Caldeiras" , dia 13 de março foi dia de retornar a um dos lugares mais queridos, o antigo Espaço Rio Verde, na Vila Madalena, que tinha falido, mas agora reinaugurou sob nova direção, mudou de nome para "@Casa Rockambole", mas continua um lugar lindo e agradável. 

Na parede


Como o ambiente é diferente das Caldeiras, não apostei numa Tshirt e usei a linda camisa @Ducaridi, que eu só tinha dado tempo de usar uma vez antes da Pandemia!

Chiquérrima essa camisa 😍 

Foi maravilhoso reencontrar meus amigos da pizza @Nossa Pizza, curtir e sambar demais.

PIZZA

Deu até pra ficar sem máscara em ambiente aberto, foi bom demais! 

Nessa hora estava tocando "Deixa eu dizer"
o que penso dessa vida/Preciso demais desabafar
 

Comi a melhor pizza ever e ainda fui garota propaganda da vegana Falafel 
Que leve e gostosa 

"Fiz" amigas que lembraram de mim da Casa das Caldeiras, como amo ter essa fama de rolezeira
Da esquerda pra direita: Gabriela e Regina, expositoras


 Amei curtir o chorinho do grupo XOROXANGÔ, maravilhoso como sempre , gravei a execução de "Corta Jaca", da Chiquinha Gonzaga  

E sambar do teatro com a amiga Eta , quanta saudades depois de dois anos longe uma da outra

Eu e Eta (Elaine), bem felizes, a roda de samba ao fundo 

Mas curtimos muito ao som do grupo SÓ VENDO ORA CRER

Sambistas cegos e maravilhosos  

Como sempre, só não pude ficar pros originais do samba, porque 21 hora minha carruagem vira abóbora. 

Mas que delícia poder voltar 😍