sexta-feira, 6 de novembro de 2026

FEITO PIPA

 

Cartaz, no cinema 


FEITO PIPA (2026), dirigdo por Allan Deberton, com roteiro de André Araújo, trata de identidade, infância, memória e relações familiares. Na história, conhecemos Gugu (Yuri Gomes), um lindo garoto queer (que performa diversos gêneros), de onze anos, que vive com a avó cheia de vitalidade, Dilma (Teca Pereira), no interior daquele Ceará de locações belíssimas, que parecem perdidas no tempo e no espaço, mas cheias dos universos próprios dos filmes de Deberton (lembre-se de Pacarrete). Em contraste, temos a nova família do pai, Batista (Lázaro Ramos), que tem dificuldade em aceitar a identidade do filho.

No CineSesc 

Enxuto em sua cerca de hora e meia, nada ali é extremado ou transborda. Logo entendemos a morte da mãe, o trauma da avó e a densidade da história. Gugu tem uma vida muito real e expressa seu corpo livremente, seja jogando futebol muito bem, seja dançando Pabllo Vittar ou temas pop dos anos 1980. A bela música “Time After Time”, de Cyndi Lauper, é a própria manifestação da memória de sua mãe.

A memória é um grande tema da película, pois, com o passar dos anos, Dilma começará a apresentar sinais de Alzheimer, mesmo exercitando o jogo da memória com os amigos do neto, em uma das cenas mais divertidas e tocantes do filme.

Sua memória também é representada pelo açude perto da casa: abaixo do curso d’água, há uma cidade inteira submersa e, à medida que o filme avança, ela vai ressurgindo, como as lembranças ocultadas de Dilma, numa metáfora visual poética e belíssima. Passamos boa parte do filme grudados em Gugu, conhecemos seu divertido grupo de amigos, a rotina na escola e os conflitos com a nova família do pai. Impossível não amá-lo.

Adorei a aposta brasileira para tentar concorrer ao Oscar 2027. Pontuo que o filme me fez lembrar de duas produções nacionais recentes que amei: O Último Azul, pela busca da liberdade na velhice da vó Dilma, e A Fabulosa Máquina do Tempo, pela perspectiva infantil colorida do neto Gugu e de seus amigos.

Momento "A rosa púrpura do Cairo"


Preciso pontuar que foi a primeira vez que fui ao cinema sozinha,  depois da Torre de 17 de outubro.  Precusava desse ritual de desapego. Cheguei em cima da hora , comprei a pipoca Cinesesc,  mas como entrei no escuro, deixei cair metade no caminho.  Estou reaprendendo a ser só nesses ambientes 
Vida que segue!  

Um dia após o lançamento