terça-feira, 22 de julho de 2014

Campo Branco - Elomar



O que é essa música? Só a memória de que esta foi a primeira música do único show de Elomar que assisti ... já comecei chorando muito! Lembro também que ele perguntou se a platéia não achava que esse som nos levava até um lugar longe, longe... e eu pensei "sim, longe no espaço e especialmente no tempo ... séculos e séculos, volta ao medievo (re) surgindo na caatinga (campo branco) do sertão! Muito obrigada Elomar! 

CAMPO BRANCO :

Campo branco minhas penas que pena secou
Todo o bem qui nóis tinha era a chuva era o amor
Num tem nda não nóis dois vai penano assim
Campo lindo ai qui tempo ruim
Tu sem chuva e a tristeza em mim
Peço a Deus a meu Deus grande Deus de Abrãao
Prá arrancar as pena do meu coração
Dessa terra sêca in ança e aflição
Todo bem é de Deus qui vem
Quem tem bem lôva a Deus seu bem
Quem não tem pede a Deus qui vem
Pela sombra do vale do ri Gavião
Os rebanhos esperam a trovoada chover
Num tem nada não tembém no meu coração
Vô ter relampo e trovão
Minh'alma vai florescer
Quando a amada a esperada trovoada chegá
Iantes da quadra as marrã vão tê
Sei qui inda vô vê marrã parí sem querer
Amanhã no amanhecer
Tardã mais sei qui vô ter
Meu dia inda vai nascer
E esse tempo da vinda tá perto de vin
Sete casca aruêra cantaram prá mim
Tatarena vai rodá vai botá fulô
Marela de u'a veis só
Prá ela de u'a veis só

segunda-feira, 21 de julho de 2014

"ESCUTA E DIÁLOGO COM O UNIVERSO POÉTICO INFANTIL”- bate papo com Camila Rodrigues


"ESCUTA E DIÁLOGO COM O UNIVERSO POÉTICO INFANTIL”- bate papo com Camila Rodrigues

Na manhã de  19 de julho de 2014 estive com os professores de  crianças de 0 a 4 anos da CEI Vila Calu, em Itapecerica da Serra, falando  um pouco  do que estudei sobre  a importância do diálogo e a interatividade com os infantes,  o incentivo a criatividade e ao desenvolvimento de várias linguagens com as quais as crianças se comunicam, como desenhos, brinquedos, cantigas. Também consegui comentar com eles sobre experiências no sentido de incentivar as práticas de vida adquiridas pelos  adultos em contato direto com o  criativo universo infantil, como a do escritor João  Guimarães Rosa que já era um  autor consagrado quando teve o  interesse e a  humildade em se voltar a linguagem da neta de pouca idade em cartões postais que enviou a ela e nos quais experimentou abrir seu leque de linguagens caras aos pequenos com cores, desenhos, cantigas que abriam caminhos novos em  direção a criatividade.  Também pude falar da experiência do fonoaudiólogo Pedro Bloch, que não só escrevia  mas também  publicava as falas infantis em livros; do conjunto de conhecimentos 
  desenvolvidos para crianças na  primeira infância, na Reggio Emilia, na Itália, onde a ideia é a de  buscar o  pleno desenvolvemento das linguagens infantis   antes da entrada  na linguagem; ou mesmo dos discos e shows "Música de Brinquedo", da banda Pato fu, que é todo ele tocado com instrumentos de brinquedo, juntamente com as crianças  . Foi muito bom perceber o quanto isso foi bem recebido pelos professores, que interagiram comigo, demonstraram muito interesse  pelo que eu estava expondo. Do meu ponto de vista,  também foi bastante rico escutar  o que eles tinham para me falar, porque eu pude ouvir um pouco da experiência de cada um na Educação infantil - que ainda continua sendo  tomada como  um ramo menor da educação,  ou como mero  assistencialismo, quando na verdade é um um dos trabalhos mais impotantes para o ser humano, pois lida com as primeiras aprendizagens de todo mundo,  o acompanhamento das  vivências iniciais  e o sutil desenvolvimento da interação e percepção. Nas narrativas dos professores sobre  o  trato cotidiano com as crianças pequenas, alguns depoimentos me emocionaram especialmente, como do Nei, que falou sobre como foi importante para uma maior proximidade com as crianças, passar na postura de 'Homem ereto' que olha todas  por cima delas, e se abaixar para se unir elas sentado no chão, olhando o mundo da mesma perspectiva dos pequenos para interegir; ou da Renata, que falou que os professores da E.I., até pelo convivio intenso com pequenos tão criativos, também apresentam grandes ideias  até mesmo sobre a própria educação. Por fim, consegui visualisar perfetamente isso tudo ao visitar as salas do CEI: deu para regitrar o tamanho do cuidado e da criatividade desses professores que convivem com os pequeninos: como eles inventam e criam coisas lindas para esses seresinhos! Foi fundamental e enriquecedor, só tenho a agradecer aos professores, a cordenadora Roberta Villa e, sobretudo, às crianças, por existirem como verdeira esperança de um futuro melhor. 

Referências :

Livros apresentados:

BLOCH, Pedro. Criança é isso aí. Rio de Janeiro: Bloch Ed. ,1980.
____________.Dicionário de anedotas de crianças para adultos. Rio de
       Janeiro:Revinter,2001.
____________. Essas crianças de hoje! Rio de Janeiro: Bloch Ed.,1970.
NARANJO, Javier (org). Casa das Estrelas: O Universo contado pelas crianças. Trad.
Carla Branco. Ilustração Carla Branco. Rio de Janeiro: Foz, 2013, p. 49.
Rosa, João Guimarães. Ooó do vovô: correspondência de João Guimarães Rosa, o
vovô  Joãozinho, com Vera e Beatriz Helena Tess, de setembro de 1966 a
novembro de 1967. São Paulo Edusp; Imprensa oficial do Estado de São
Paulo;Belo Horizonte:Ed. PUC/ Minas, 2003.

Discos e DVDs comentados:

CD  PATO FU, Música de brinquedo, Brasil, 2010.
DVD PATO FU Música de Brinquedo ao vivo, Brasil, 2011.

Vídeo   recomendado:

Reportagem sobre a Escola em Reggio Emilia, Itália
https://www.youtube.com/watch?v=4j8mtA_iDss

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Milagre dos Peixes : Milton Nascimento e Som Imaginário ao vivo em 1974

Jóia rara do "Milton 70", para quem ainda não conhece experimentar e para quem conhecia, como eu, mais a muito já não ouvia, voltar a se lambuzar com o Som Imaginário e Miltão em seus melhores momentos!

sábado, 14 de junho de 2014

Sobre Benjamin, traduzido por João Barrento e publicado pela Editora Autentica

Como eu já falei muitas vezes, eu gosto muito do livro "Infância berlinenses, 1900" editados no Brasil em 2013. Muita gente não gosta, acha fraco, etc... mas eu acho muitas coisas naquela edição. Vamos ver um trechinho dela :

Este foi um dos trechos retirados por Walter Benjamin das versões originais mais conhecidas de seu livro "Infância Berlinense, 1900" e que constam nos anexos da edição brasileira da Editora Autêntica. Eu só conheço esse livro, mas sei que a Autêntica tem (re)editado também outras obras benjaminianas e, tomando por esse livro, eu  continuo dando o maior valor a essas edições. Especificamente sobre o  "Infância...", ela me apresentou dados que nós, aqui no Brasil, desconhecíamos (como correspondências,fontes de jornal, manuscritos que nos dão conta de acompanhar minimamente o ritmo da escritura ... coisas de total interessa a historiador). Não acho que essas coisas se apresentam para contrapor ou se sobrepor  ás traduções  que tínhamos aqui,e  muito menos  às interpretações de Benjamin mais conhecidas no Brasil ( Jeanne Marie Gagnebin ou Michel Löwy), até porque o forte deleas não é a interpretação, mas a pesquisa de Barrento que  nos trazem faces das  "notas e materiais" de Benjamin (lembrando a terminologia de Willi Bolle) referentes a composição do texto de "Infância...".  É um prato cheio aos que se interessam pela morfologia da história...

Sobre este pensamento, considero-o  simbólico do ideário do começo do século XX, especialmente   lembrando as descobertas de Freud e etc...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Passeios pela infância, com Walter Benjamin

Neste livro, em uma tradução e seleção diferente, eu achei neste livro outros flagras do que Walter Benjamin pensava sobre infância:


Belas imagens como :

"Como uma mãe que aperta ao peito o recém-nascido sem o acordar, assim a vida trata durante muito tempo a recordação ainda tênue da infância." (Walter Benjamin, Varandas. In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 70.)

Ou mesmo :

"Todo mundo têm uma fada a quem podem pedir a realização de um desejo. Mas só poucos são capazes de se lembrar do desejo que formularam; e por isso só poucos reconhecem mais tarde, ao longo da vida, que o seu desejo foi satisfeito. (...) " Walter Benjamin, Manhã de inverno.In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento,  p. 82-3. 

Inclusive, sobre esta imagem, achei neste link uma figura com ele todinha :


 E, voltando ao livo,  pude reler uma das mais belas :
Walter Benjamin, A Meia.In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento,  p. 101.

Na minha opinião esta é uma das  imagens mais sublimes de Benjamin:
"nada me dava mais prazer do que enfiar a mão por elas adentro, o mais fundo possível. Não o fazia para lhes sentir o calor. O que me atraia para aquelas profundezas era antes 'o que eu trazia comigo', na mão que descia ao seu interior enrolado... "

Bela, cotidiana, sensual, literária,poética,  histórica, psicanalítica, filosófica, infantil... tudo isso que Benjamin via onde muitos de nós enxerga só uma criança e seus afazeres...  
Na minha opinião esta é uma das  imagens mais sublimes de Benjamin:

"nada me dava mais prazer do que enfiar a mão por elas adentro, o mais fundo possível. Não o fazia para lhes sentir o calor. O que me atraia para aquelas profundezas era antes 'o que eu trazia comigo', na mão que descia ao seu interior enrolado... "

Bela, cotidiana, sensual, literária,poética,  histórica, psicanalítica, filosófica, infantil... tudo isso que Benjamin via onde muitos de nós enxerga só uma criança e seus afazeres...  

Mas como Benjamin não para de abrir caminhos para pensar o tempo e a criança (em outras palavras, em História e Infância), vou lendo e garimpando preciosidades como esta descrição de um adulto do seu sentimento ao ter sido uma criança constantemente doente:
Walter Benjamin, A Febre.In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento,  p. 88. 

Como vimos no trecho acima, quando fala da infância,Benjamin é  profundamente proustiano ao abrir seu  repertório de sensações. Neste, talvez o  diálogo mais direto seja com Henri Bergson e a ideia de tempo como  duração (durée), e portanto uma dialética com o espaço e as atuações cotidianas...

Só uma pergunta: dá para não amar? 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Infância Roubada na Ditadura Militar


Este vídeo é muito bom, porque nele, além das memórias daquelas crianças já quando adultos, a gente pode ver registros que eles fizeram ainda crianças sobre aquilo que eles estavam sentindo e vivenciando. Ai, me parece, damos voz àquelas crianças que tiveram sua infância (no sentido tradicional) roubada.