sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ouvir música como antigamente ...

Entrevista de Samuel e Lô em 28 de abril de 2016 

Samuel Rosa diz que o ato de consumir música atualmente é grosseiro
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Felipe Branco Cruz
Do UOL, em São Paulo


28/04/201618h21
-- Para Samuel Rosa, vocalista do Skank, a tecnologia e a internet facilitaram o consumo de música, mas transformou o ato de ouvir em algo "grosseiro". "É como se as pessoas voltassem a comer com as mãos. Um álbum precisa ser degustado. O Clube da Esquina, por exemplo, tem que ser ouvido de cabo a rabo", afirmou Samuel.
"As pessoas precisam criar espaço na agenda delas para ouvir música. Está tudo superficial. Estamos na época dos surfistas e não dos mergulhadores". A declaração foi dada nesta quinta-feira (28) durante o bate-papo especial com Samuel e Lô Borges em comemoração aos 20 anos do UOL.
Dono de composições atemporais, durante a conversa, Lô Borges preferiu não fazer previsões do futuro da música. "Eu não saberia responder para onde a música vai amanhã, muito menos daqui a cinco anos", disse o compositor que brincou com o título do funk "Tá Tranquilo, Tá Favorável". "Não conheço a música. O título é simpático, mas soa como algo que não presta. Acho que cada um deve cantar e tocar o que lhe convém. A diversidade musical serve para diferenciar e juntar as pessoas", analisou.
Os mineiros Samuel Rosa e Lô Borges estão em turnê juntos para tocarem as músicas do Skank e do Clube da Esquina. Recentemente, a dupla lançou um DVD e um CD ao vivo gravado em agosto do ano passado no Cine Theatro Brasil. "Me surpreendi quando Lô Borges gravou 'Te Ver', do Skank. Fiquei feliz e lisonjeado na época", lembrou Samuel.
Os dois cantores aproveitaram a oportunidade para trocarem elogios. Lô Borges lembrou, por exemplo, de uma conversa que teve com Milton Nascimento quando Samuel compôs "Resposta". "O Bituca [apelido de Milton] disse que Samuel Rosa dormiu, sonhou comigo e escreveu 'Resposta'", disse Lô.
"Acho gostoso dividir o palco com o Samuel, porque normalmente eu trabalho em carreira solo. Faz bem para a música da gente", disse Lô Borges. Para Samuel, tocar com Lô é como se apresentar com os Beatles. "Tocar com ele tem para mim a mesma dimensão dos Beatles. Eu o vejo do tamanho dos Beatles", afirmou Samuel. "O Clube da Esquina nos encorajou a fazer música para quem não estava no eixo Rio-São Paulo".
FONTE DO TEXTO Clique aqui.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Sobre mulheres "Belas,recatadas, do lar"

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160418_marydelpriore_entrevista_marcella_temer_np?ocid=socialflow_facebook

Uma entrevista com Marcela Temer que a definia como "bela, recata e do lar" causou grande reação nas redes sociais em ótimas postagens  engraçadas, lembro ainda que essa categorização tem um histórico, relembrado pela Mary Del Priore aqui e que foi muito bem analisado no momento atual pela filósofa Marcia Tiburi aqui

Vendo todos esses lados, nem todas as mulheres são iguais, nem precisam seguir modelo algum, por isso lembro meu posicionamento, reinterando a fala de Nana Queiroz  :

  

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Benjamin e o politicamente correto em 1929



"As crianças querem evidentemente conhecer tudo. E se os adultos só mostram a elas o lado bem comportado e correto da vida, elas logo vão querer conhecer o outro lado por si mesmas. Por outro lado, ninguém nunca ouviu falar de crianças que tenham se tornado malcriadas por causa de Max e Moritz ..." Walter Benjamin. "Theodor Hosemann, p. 99

terça-feira, 19 de abril de 2016

Carta a presidente Dilma, por Maria Rita Kehl

O texto "Querida presidente Dilma"mde  Maria Rita Kehlvocê pode ler aqui. Ou aqui:
Querida presidente Dilma18/04/2016 02h00Compartilhar803 
Querida presidente Dilma, escrevo após a triste votação na Câmara dos Deputados que autorizou a abertura do processo de impeachment de seu mandato.
Já me declarei publicamente contra o eventual (no momento, quase certo) impedimento, motivado por argumentos duvidosos e conduzido por uma Câmara cujo presidente, Eduardo Cunha, é réu no Supremo Tribunal Federal, sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.
O que mais me entristeceu, presidente, foi sua declaração de que, depois de efetuado o golpe que pretende destituí-la da Presidência, a senhora será uma "carta fora do baralho". Bem, fora desse baralho ensebado, feito de cartas marcadas, a senhora estará, sim. Por conta de seus méritos, não de seus defeitos.
O lugar que ocupará na história do país, porém, está garantido, presidente Dilma, e será positivo. Não listarei as virtudes de seu governo, entre as quais o fato óbvio, não reconhecido por seus detratores, de que, pela primeira vez "na história deste país", um governante não usou de seus poderes de manipulação e chantagem para evitar a investigação de crimes envolvendo seu partido. Será que ninguém se pergunta por que a Lava Jato, apesar de sua evidente falta de imparcialidade, nunca encontrou obstáculos durante seu mandato?
O que a coloca definitivamente, a meu ver, como personagem fundamental na história do Brasil foi o fato de a senhora ter sido responsável pela criação da Comissão Nacional da Verdade.
Sei que a lei que instituiu a comissão foi votada pelo Congresso Nacional, mas não somos ingênuos de pensar que os deputados e senadores fariam isso por conta própria. Foi preciso que o país elegesse para presidente uma mulher corajosa, que militou contra a ditadura, foi presa e torturada (sem delatar companheiros), para que se criasse, com muito atraso em relação aos outros países latino-americanos, uma Comissão da Verdade no Brasil.
Antes tarde do que nunca. Em função dessa demora, todavia, a reação da sociedade brasileira à divulgação de nossos trabalhos foi decepcionante. Foram poucas as manifestações públicas de apoio.
Com exceção dos incansáveis grupos de familiares dos mortos e desaparecidos, a sociedade não se mobilizou para exigir que o Estado brasileiro revelasse as condições da morte e a localização dos corpos dos 243 desaparecidos políticos.
Assim, as Forças Armadas não se sentiram moralmente obrigadas a admitir a participação de agentes do Estado em crimes de tortura, assassinatos e ocultação de cadáveres.
Assistimos, consternados, à presença de alguns (poucos) jovens, no mínimo ignorantes, a ostentar cartazes em favor de uma "intervenção militar" no país. Como se autoritarismo e repressão fossem sinônimos de ordem e paz social, e não o contrário.
E agora, a provar que a história se repete como farsa, nos vemos diante da iminência de uma nova catástrofe: a cassação de uma presidente séria, comprometida com o combate à corrupção, por uma Câmara comandada por um deputado acusado de vários crimes e repudiado pela população.
Talvez o pior não aconteça. Talvez o Brasil acorde durante o julgamento no Senado e perceba a gravidade do que está por vir. Ou então assistiremos, estarrecidos, à repetição de um golpe em nome da moralidade pública.
MARIA RITA KEHL, 63, psicanalista, foi integrante da Comissão Nacional da Verdade. É autora de "Processos Primários" (Estação Liberdade)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Dias seguintes


Nos dias seguintes a defesa da minha tese em agosto de 2014 senti que me faltava o chão e não sabia o que fazer depois de anos imersa naquele trabalho, agora eu tinha todo o tempo livre e, ao invés de começar a escrever artigos alucinadamente (como manda a lógica fordista que rege a pesquisa científica atual), fui assistir a todos os vídeos e filmes sobre a ditadura militar disponíveis na internet. Era algo que eu sempre queria ter feito, desde a graduação (1999-2003), quando ainda não se falava muito sobre o tema (ressalva ao inesquecível curso da excelente professora Maria Aparecida de Aquino), os arquivos não eram abertos a consultas pública ainda e tínhamos poucas produções às quais dificilmente tínhamos acesso. Agor, já no século XXI tínhamos muitos deles, até mesmo os produzidos pela "Comissão da Verdade" e eu tinha todo o tempo do mundo para assisti-los, então me propus essa jornada dolorida e assisti tudo,, conheci os nomes de perseguidos (como a Inês Etiene Romeu), de desaparecidos (Rubens Paiva, por exemplo), de militares, torturadores como o citado ontem Ustra e não conseguia parar de ver, passava madrugadas vendo tudo , foi uma loucura que contei para o meu orientador e ele comentou ser coisa de historiador essa " absurda sede de conhecimento do passado". E do meu passado. Como já disse muitas vezes, nasci no fim de 1979, quase junto com a abertura política, na minha família não tivemos perseguidos políticos nem nada, mas minhas memórias de infância são repletas de flashs relacionados a redemocratização do Brasil. Lembro de ter visto cenas da manifestação pelas "Diretas Já", mas e essas não sei se vi mesmo (eu tinha só 4 anos) ou se essa lembrança visual foi construída depois quando eu voltei a ver a imagens mais velha, mas o importante é que eu lembro de ter vivido aquilo de algum jeito, e me apropriei daquele acontecimento como memória pura; também lembro, ai eu um pouco mais velha, que assistindo a desenhos da TV, eles eram sempre interrompidos por boletins da "assembleia constituinte". Eu tinha sete anos e não sabia o que era aquilo, mas de alguma forma eu sabia que era algo muito importante. Tempos depois, disso me lembro bem, meu pai chegou em casa me mostrando um livro (sempre ele me trazendo livros!), o nome era "Constituição da República Federativa do Brasil" e na minha cabeça de criança devo ter feito alguma ligação, não lembro qual,  entre ele e os boletins da constituinte. Ai, já adulta, fui estudar História, será que foi à toa? Não me tornei uma pesquisadora de história política, nem de ditadura, mas esse é um dos assuntos base da minha formação profissional e como pessoa. Agora estamos em outro "dia seguinte" e novamente sem muito chão firme para pisar, e não consigo mais ler ou assistir nada, precisava apenas desabafar sobre esse turbilhão que me sufoca. ‪#‎nãovaitergolpe‬ simplesmente porque não poder ter!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Dilma: Golpe é a tirania dos mais corruptos

Um registro histórico :

'Palavra golpe estará gravada na testa dos traidores da democracia'