domingo, 26 de abril de 2015

Ver canções


O Catraca livre divulgou no Facebook  algumas pinturas da artista visual Melissa McCracken, que sofre de sinestesia, quando ouve canções. A mais bonita que eu achei foi feita a partir da música Lucky, do Radiohead.
Bem linda a imagem. Sua versão musical é :

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Carta de Manuel Bandeira a Guimarães Rosa

Manuel Bandeira, Peregrino Jr., Curt Meyer-Clason (tradutor alemão), João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Geraldo França FONTE Templo de Delfos


Diretamente do Templo de Delfos, uma carta que Manuel Bandeira escreveu a Guimarães Rosa:

AMIGO MEU, J. Guimarães Rosa, mano-velho, muito saudar!

Me desculpe, mas só agora pude campear tempo para ler o romance de Riobaldo.
omo que pudesse antes? Compromisso daqui, obrigação dacolá... Você sabe: a vida é um Itamarati - viver é muito dificultoso.
Ao despois de depois, andaram dizendo que você tinha inventado uma língua nova e eu não gosto de língua inventada. Sempre arreneguei de esperantos e volapuques.
Vai-se ver, não é língua nova nenhuma a do Riobaldo. Difícil é, às vezes. Quanta palavra do sertão! A princípio, muito aplicadamente, ia procurar a significação no dicionário. Não encontrava. Pena o título: Grande Sertão: Veredas. Nenhum dicionário dá a palavra "vereda" com o significado que você mesmo define à página 74: "Rio é só o São Francisco, o Rio do Chico. O resto pequeno é vereda." Tinha vezes que pelo contexto eu inteligia: "ciriri dos grilos", "gugo da juriti" etc. Mas até agora não sei, me ensine, o que é "arga", "suscenso", "lugugem" e um desadôro de outras vozes dos gerais. Tinha vezes que eu nem podia atinar se a palavra era nome de bicho vivente, plantinha ou coisa sem corpo nem côr nem coragem, abstrato que se diz, não é? Ou é? Ou será?
Ainda por cima disso, você fez Riobaldo poeta, como Shakespeare fez Macbeth poeta. Natural: por que um jagunço dos gerais demais do Urucuia não poderá ser poeta? Pode sim. Riobaldo é você se você fosse jagunço A sua invenção é essa: pôr o jagunço poeta inventando dentro da linguagem habitual dele. O vocabulário dele já é riquíssimo, dá a impressão que não ficou de fora nenhuma dicção de seus pagos e arredores; aumentado com os neologismos, sempre de boa formação lingüística, ficou um potosi, nossa! A gente acaba tendo que entregar os pontos, nem que seja um Gilberto Amado. O diabo é que depois de ler você a gente começa a se sentir e cantar eu sou pobre, pobre, pobre, rema, rema, rema, ré.
Só que acho que não precisava contar de um rojão só, como o Joyce do último capítulo de Ulysses, as 594 páginas da história de Riobaldo. Quantas horas levaria? Eu levei dias para ler. Ainda bem que você virgulou tudo, minudente. E o caso de Diadorim, seria mesmo possível? Você é dos gerais, você é que sabe. Mas eu tive a minha decepção quando se descobriu que Diadorim era mulher. Honni soit qui mal y pense, eu preferia Diadorim homem até o fim. Como você disfarçou bem! nunca que maldei nada.
Amigo meu J. Guimarães Rosa, mano-velho, o menino Guirigó e o cego Borromeu são duas criações geniais. Aliás todo esse mundo de gente vive com uma intensidade assombrosa. E o sertão?



O sertão é uma espera enorme.



E o silêncio?
O vento é verde. Aí, no intervalo, o senhor pega o silêncio, põe no colo.
Tão deleitável tudo, nem que estar nos braços da linda moça Rosa'uarda, ou de Nhorinhá, de Ana Dazuza filha, ou daquela prostitutriz que proseava gentil sobre as sérias imoralidades.



Ah Rosa, mano-velho, invejo é o que você sabe:



O diabo não há! Existe é o homem humano.
Soscrevo.

13/03/1957

Turbante que empodera!


Ontem, novamente, provei um turbante na Paulista. E era um turbante amarelo, lindo, me senti muito rainha com ele! Pena ele ser tão caro, ai não trouxe um para mim. 


Mas não me esqueci dele, da minha imagem usando ele e da sensação que tive ao vesti-lo.

Procurei no google e vi que ele não remete apenas a herança africana, mas também  a oriental (nada mais Camila, que é uma preta confundida com indiana), vejam:


"Para quem não sabe, o turbante é um dos símbolos da identidade negra africana e brasileira, mas que também remete a cultura oriental. O que diferencia uma das outras é a forma em que elas foram criadas/adaptadas pelo uso de cada povo.
Para nós brasileiras, herdeiras da cultura afro, o turbante significa o símbolo da nossa história (anterior a 1888), das nossas crenças e principalmente da valorização da nossa beleza e cultura, tão negada e muitas vezes invisibilizadas para não atribuir veracidade ao que a história e a atual conjuntura mostram sobre elas." (texto de Fernnandah  Oliverira, para o  site Criloura

terça-feira, 21 de abril de 2015

"Sal da Terra", de Wim Wenders

O ingresso molhado de chuva, mas vale o registro, porque NÃO PERDI O NOVO FILME DO WENDERS NO CINEMA! UFA!



Muito Wim Wenders e tantas  imagens impressionantes do Sebastião Salgado na grande tela!


Depois do desbunde belíssimo que foi Pina, Wenders parece ter regressado ao documentário mais tradicional. Ok, sem maiores problemas. As pessoas parecem ter gostado e, ao final, até se ouviram tímidos aplausos : Para Wenders? Para Salgado? Para o planeta Terra? Eu aplaudi o filme, que passa um recado lindo para a humanidade : vamos cuidar do que nos resta de planeta porque vale a pena, apesar de tudo! Como também vele muito assistir ao filme, gente! 

Embora eu não tenha achado esse tão marcante como filme, apesar do tema, e sobretudo as imagens,serem bem admiráveis. Contudo, não posso deixar de lamentar  que dois dos livros de fotografia de Salgado que são mais importantes para mim - "Terra", com o MST no Brasil e "Retratos de Crianças do Êxodo" -, não foram avulsamente citados, embora algumas fotos deles tenham aparecido quando falaram de "Trabalhadores" e do próprio "Êxodo".

Enquanto aguardamos (no meu caso ansiosamente)  o próximo documentário de Wenders, vamos ver melhor as fotos do Êxodo: que trabalho primoroso de Salgado!

sábado, 18 de abril de 2015

Animação sobre O Grito de Munch




Interessante e bonito o trabalho de animação de Sebastian Cosor.

Me lembrei da adaptação do conto do Rosa (Sorôco, sua mãe, sua filha) para a TV, que precisou incluir uma narrativa paralela para funcionar melhor. E também lembrei da uma  palestra de uma cineasta que assisti em 2010 , em um  congresso sobre literatura infantil e que lembrava que a linguagem do cinema só funciona na relação causa/efeito, por isso depende de narrativas (dai compreendi que  os grandes cineastas tentam e muitas vezes conseguem questionar isso ).

Nessa animação vemos a imagem avassaladora da pintura O Grito em movimento, som e dentro de uma narrativa inspirada no diário  do próprio  Munch em 1893, como está explicado no site do Catraca Livre:

Sobre a obra, Munch escreveu em seu diário: “Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza”.
Para aparecer no quadro (até pelas limitações de linguagem), o contexto se transformou na imagem  certeira do grito angustiado que paralisa, sem a necessidade de  maiores contextos:





quarta-feira, 15 de abril de 2015

Cancionistas escritores: relações entre música e literatura no Brasi

Conferência de Abertura do I Seminário do Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira, realizado de 9 a 13 de março de 2015, no prédio de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Neste vídeo, o Prof. Dr. José Miguel Wisnik (DLCV-FFLCH-USP) fala sobre "Cancionistas escritores: relações entre música e literatura no Brasil".

Antonio Prata : exemplo de pai moderno, aprendendo a dividir ...

No Facebook, além do Marcos Piangers (candidato a melhor pai do ano), também sigo o Antonio Prata  (autor de "Nu, de botas" o livro de memórias da infância mais fofo dos últimos tempos), que também é pai e posta depoimentos para nunca mais esquecermos, como esse:


Antonio Prata

Estou estarrecido. Minha filha de um ano e oito meses acaba de acordar em seu berço, chorando e pedindo não papai, nem mamãe, mas Arthur. Arthur é um colega da escola com quem, aparentemente, ela está envolvida. Um ano e oito meses e me dou conta, com um aperto no peito, de que ela já está nos abandonando, nos trocando pelos Arthures deste mundo. Eu sabia que este momento viria, mas não esperava nenhuma forte emoção antes de, sei lá, 2027. Dureza.
Curtir · Comentar · Compartilhar · 13 de abril

 Deve ser bem dureza para um pai escrever, ainda que em tom de comicidade, frases como "Arthur é um colega da escola com quem, aparentemente, ela está envolvida. Um ano e oito meses e me dou conta, com um aperto no peito, de que ela está nos abandonando" rsrsrs

Abandona não, papai, para um pai desse a gente sempre retorna...

Como podem ver, entre os meus contatos no Facebook estão os modelos de melhores pais da atualidade, homens: inspirem-se!