terça-feira, 25 de agosto de 2015

História em Walter Benjamin

"A recepção de Benjamin, principalmente na França, estava voltada prioritariamente para a vertente estética de sua obra, com uma tendência a considerá-lo sobretudo um historiador da cultura. Ora, sem neglicenciar esse aspecto de sua obra, é preciso reconhecer o alcance muio mais amplo de seu pensamento, que visa nada menos do que uma nova compreensão da história humana. Os escritos sobre arte e literatura podem ser compreendidos somente em relação a essa visão de conjunto que os ilumina a partir de dentro. Sua reflexão constitui um todo no qual arte, história, cultura, política, literatura e teologia são inseparáveis"
 Michel Löwy. Introdução a 'Walter Benjamin: aviso de incêndio- uma leitura das teses sobre o conceito de história", p. 14  

Concordo com o exposto. Mas, como  historiadora,  o Benjamin 'historiador da cultura' me chamou sempre a atenção, claro,  mas o que me encanta mesmo é  sobretudo o teórico. É pelas especulações teóricas que eu penso ser possível abordar todos os aspectos possíveis no que tange a arte, história, cultura, política, literatura e teologia. 
Além disso, essa teoria também pode abrir caminho para se pensar uma outra modalidade que, à época benjaminiana, não era assunto de interesse da historiografia: a história da criança.

A vida do meu pai morto

Hoje faz um mês que meu pai faleceu e, pela primeira vez desde então, eu sonhei com ele. Sonhei uma verdade que tenho vivido esses dias todos: ele estava morto, mas também vivia, abriu os olhos e falou para mim:
"bom dia, meu amor" !
Acordei e não chorei. Pelo contrário., sorri o meu mais belo sorriso, porque a vida é um mistério belíssimo que a gente não apreende racionalmente!


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ricardo Aleixo e a ancestralidade

Primeiro chegou a mim a fala de Ricardo Aleixo nesse vídeo:

"... ter convivido com meus pais, que foram as duas pessoas mais admiráveis que eu já tive a chance de conhecer,  significou a a possibilidade de pensar a ideia de ancestralidade não  como é comum a boa parte dos negros no Brasil - pensar em uma África mítica - a minha África é a minha casa. E pensar, também, a partir do momento em que foram nascendo os filhos ... foi o momento em que eu comecei a pensar na ancestralidade não como aquilo que está dado, mas a partir da poética da cosmogonia africana : ancestre é também aquele que ainda não veio e isso é o que determina a circularidade e a sobreposição dos tempos ..." (27' e 29')

Depois tem o poema:

ANCESTRAL
é quem
vive no meio
do tempo
sem tempo:
é quem veio
e já foi
e é também
quem
ainda não
veio

Ricardo Aleixo, poeta das minhas performances! 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O luto lento


Não faz nem um mês ainda, mas foram tantos os acontecimentos que parece que só agora eu eu vou realizando a perda definitiva do meu pai e estou entrando nessa realidade ... e sinto o luto como o Miguilim sentiu o de Dito, porque o meu Rosa sabia das coisas:
Quando chegava o poder de chorar, era até bom - enquanto estava chorando, parecia que a alma tôda (sic) se sacudia, misturando ao vivo tôdas (sic) as lembranças, as mais novas e as muito antigas.Mas, no mais das horas, êle (sic) estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Êle (sic) não era êle (sic) mesmo. Diante dêle (sic),as pessoas, as coisa s , perdiam o pêso (sic) de ser. "
 João Guimarães Rosa, Campo Geral, p. 79.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Sessão em memória de Nicolau Sevcenko


Nesta foto boa parte da minha formação como historiadora
Em 13 de agosto de 2015 foi aconteceu no DH uma sessão em homenagem a memória de  Nicolau Sevcenko, o grande professor da minha geração.  Quanta gente veio dar depoimento, outros tantos de várias gerações, vieram assistir e homenagear aquele que foi um formador de pessoas e pesquisadores melhores!

domingo, 9 de agosto de 2015

Pato Fu - Mamã Papá



"quem já tem neném
sabe muito bem
tem história pra contar
ele já cresceu
mas nunca se esqueceu do amor
que havia em seu olhar"

Enciclopédia sobre o desenvolvimento na Primeira Infância


Sabiam que já existe, online, uma Enciclopédia sobre o desenvolvimento na Primeira Infância?
Para os que estudam os mirins que acabaram de chegar por aqui é uma boa pedida, afinal como alguém me disse recentemente "
A historiadora da infância Egle Becchi defende que o historiador da

infância deve estar aberto à multidisciplinaridade, para dar conta de interpretar as experiências da criança de um outro tempo." e existe um outro tempo mais diferente do que os que vivem seus primeiros momentos dentre nós? Acho que não e também Egle Becchi aposta nisso para pensar na possibilidade de uma História da Primeira Infância.  Adoro.