Sinceramente, eu lamento que em 2011 ainda exista uma coisa deprimente como concurso de miss universo, que coloca as mulheres como bonecas disputando pra saber qual é a mais "bonita", sendo que todos sabemos que as mulheres ocupam (e muito bem) outros papéis na sociedade real : muitas sustentam família, exercem profissões que até há pouco eram só domínio masculino, ocupam cargos importantes...aqui no Brasi,nas últimas eleições, como eu li em um excelente artigo escrito na época pela minha amiga Lidiane, vimos aflorar tão claramente o preconceito contra a mulher como nunca pois tivemos duas mulheres candidatas a presidência! Uma delas ganhou a disputa (que não era por beleza, não) mas até hoje sofre com comentários insinuando que ela não possui atributos que caracterizariam uma mulher (como beleza, delicadeza, etc). Como esquecer que a mulher mais comentada na posse de Dilma foi a esposa do Michel Temer ( aquela que o Zé Simão chamou de Paquita)... que mundo machista nós vivemos, né? Eu, como mulher negra, infelizmente, também não me surpreendi nada com os ataques racistas, afinal parece tratar-se de uma africana, não é isso?E é o seu corpo negro (como os corpos dos afro descendentes em todos lugares) que é tomado como a única coisa a ser levada em consideração, afinal ela é negra, o que mais ela tem para oferecer?! Infeliizmente eu aposto que o UNIVERSO do qual esta moça é "miss" não a aceitará assim tão facilmente neste lugar, e muito menos permitirá que ela venha a ocupar um outro papel. É uma pena!
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Miss Universo: Duas vezes lamentável
Sinceramente, eu lamento que em 2011 ainda exista uma coisa deprimente como concurso de miss universo, que coloca as mulheres como bonecas disputando pra saber qual é a mais "bonita", sendo que todos sabemos que as mulheres ocupam (e muito bem) outros papéis na sociedade real : muitas sustentam família, exercem profissões que até há pouco eram só domínio masculino, ocupam cargos importantes...aqui no Brasi,nas últimas eleições, como eu li em um excelente artigo escrito na época pela minha amiga Lidiane, vimos aflorar tão claramente o preconceito contra a mulher como nunca pois tivemos duas mulheres candidatas a presidência! Uma delas ganhou a disputa (que não era por beleza, não) mas até hoje sofre com comentários insinuando que ela não possui atributos que caracterizariam uma mulher (como beleza, delicadeza, etc). Como esquecer que a mulher mais comentada na posse de Dilma foi a esposa do Michel Temer ( aquela que o Zé Simão chamou de Paquita)... que mundo machista nós vivemos, né? Eu, como mulher negra, infelizmente, também não me surpreendi nada com os ataques racistas, afinal parece tratar-se de uma africana, não é isso?E é o seu corpo negro (como os corpos dos afro descendentes em todos lugares) que é tomado como a única coisa a ser levada em consideração, afinal ela é negra, o que mais ela tem para oferecer?! Infeliizmente eu aposto que o UNIVERSO do qual esta moça é "miss" não a aceitará assim tão facilmente neste lugar, e muito menos permitirá que ela venha a ocupar um outro papel. É uma pena!
sábado, 10 de setembro de 2011
Pablo - Milton Nascimento
"Káritas ficou grávida. Bituca se comportou como o protótipo do cara que vai ser pai. Apalpava a barriga da mulher e fazia planos para o nascituro. Moravam sepaados; ela, em São Paulo; ele, no Rio. Decorrido o prazo regulamentar, como diria um cronista esportivo, Pablo nasceu. Ganhou de presente uma música de Bituca com letra de Ronaldo, uma cantiga de aparência infantil mas de melodia intricada e sutil, carregada de emoções complexas. A letra não fazia muito sentido, mas soava muito bem, combinação esta que pode ser perfeitamente uma caracteística das grandes letras de música popular:
'Meu nome é pablo
como um trator é vermelho
incêndio nos cabelos
pó de nuvem nos sapatos
meu nome é pablo
nasci num rio qualquer
meu nome é rio
e rio é meu corpo
meu nome é vento
e vento é meu corpo
incêndio nos cabelos
pó de nuvem nos sapatos
como um trator é vermelho
pablo é meu nome
meu nome é pedra
e pedra é meu corpo'
'Meu bem, meu amor' todo mundo já escreveu. Trator vermelho, nuvem nos sapatos, incêndio nos cabelos, aquilo sim, era puro Salvador Dali."
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Ainda sobre A VOZ...
Tem a voz mais perfeitamente hamônica de Milton Nascimento, mas essa é rara, raríssima de tão maviosa... também me interessam as vozes que me causam certo estranhamento e que nem por isso deixam de serem muito belas, como a da Bjork:
Interessante ver ler os comentários de brasileiros sobre este vídeo, ficam incomodados com a PRONÚNCIA DO PORTUGUÊS DA BJORK! Me lembrei daquele filme "Fabricando Tom Zé", quando ele foi vaiado na França porque tentou falar algumas palavras em francês e os franceses se ofenderam com a pronunca... é ridículo que isso tenha acontecido lá na Europa, que ainda tenta manter certa tradição, mas aqui é o cúmulto do ridículo porque parece que nós brasileiros temos total conhecimento da língua portuguesa e nossa pronúncia seja exatamente a mesma do Oiapoque ao Chuí! Sobre o vídeo, adorei (curto muito estranhonhamentos...). O que acharam?
sábado, 3 de setembro de 2011
POESIA ORAL
"-Meus parabéns Camila! Aliás penso que esse seu doutorado vai ser mais um motivo para você rever algumas coisas que ainda estão em aberto sobre sua infância, e isso não é só com você, porque na verdade o que todo mundo passa a vida procurando por algo que ocupe a sensação da mãe na fase intra uterina..."
Na hora eu fiquei com medo desta fala, achei que ela estivesse atropelando um pouco os assuntos, mas acabei me esquecendo, até que esta semana eu li um texto que me fez pensar que talvez ela tivesse razão:
“Indefinível, senão em termos de afastamento, articulação entre sujeito e objeto, entre Um e Outro, a voz permanece inobjetável, enigmática, não especular”. Ela interpela o sujeito, o constitui e nele imprime a cifra de uma alteridade. Para aquele que produz o som, ela rompe uma clausura, libera de um limite que por aí revela, instauradora de uma ordem própria: desde que é vocalizado, todo objeto ganha para um sujeito, ao menos parcialmente, estatuto de símbolo. O ouvinte escuta, no silêncio de si mesmo, esta voz que vem de outra parte, El a deixa ressoar em ondas, recolhe suas modificações, toda ‘argumentação’ suspensa. Esta atenção se torna, no tempo de uma escuta, seu lugar, fora da língua, fora do corpo.
Jogo, ritmo vocálico anterior à instauração de um espaço e tempo mensuráveis, e que só é ‘sentido’ na medida em que esta palavra designa direção e processo: a voz se encontra simbolicamente ‘colocada’ no indivíduo desde o nascimento, significando (por oposição, segundo D. Vasse, ao fechamento do umbigo) abertura e saída. Mais tarde, entrada em conjunção histórica, a criança assimilará a percepção auditiva ao calor e à liberdade anunciados pela voz materna – ou à austeridade protetora da lei, significada pela voz do pai. Experiência equívoca: à imagem em que pesa a presença do significado materno se opõe o iconoclasma da ordem e da razão, mas o equívoco vem de mais longe: no útero a criança, já se banhava da Palavra viva, percebia as vozes e, como se diz, melhor os graves do que os agudos: vantagem acústica a favor do pai, mas a voz materna se ouvia no íntimo contato dos corpos, calor comum, sensações musculares apaziguadoras. Assim se esboçavam os ritmos da palavra futura, numa comunicação feita de afetividade modulada, de uma música uterina que, reproduzida artificialmente ao lado de um recém nascido, provoca imediatamente o sono e, ao lado de uma criança autista (na terapêutica de A. Tomatis), deflagra uma regressão salvadora.
À medida que se afaste o doce ‘não lugar’ pré natal e que tome consistência a sensação de um corpo-instrumento, a voz, por sua vez, se ajustará à linguagem, em vista de uma liberdade. O símbolo vai invadir o imaginário.Pelo menos, subsiste a memória de um engodo fundamental, a marca de um antes, puro efeito de ausência sensorial, que cada grito, cada palavra pronunciada, parece ilusoriamente poder preencher. Tocamos aqui, como penso, nas nascentes da poesia oral.”
(ZUMTHOR, Paul. Introdução à poesia oral. Belo Horizonte : ufmg.Pp.15-6)
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
CRÔNICA : MEU PRIMEIRO MAR DE PALAVRAS
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
As crianças e as cores
"A cor é 'nuvem', superfície de deslocamento, linha de fuga no imaginário para divagações laterais, escapa para fora da página, compreende-se que ela suscite a desconfiança dos pedagogos. Em relação à conduta, ela favorece o afastamento; em relação à profundidade ou à verticalidade do sentido, ela ensina o charme do não sentido. Ela desvia as palavras de sua acepção corrente e impede a criança de se tornar semelhante aos 'modelos de moralidade'; ela proíbe a identificação obrigatória, familiar ou pedagógica.(...) De fato, o uso sujo das cores é, por sua vez, algo da ordem do deslizamento mimético pelos improvisos imprevistos do imaginário: lambuzada, imunda, brincando de pintar ou de tatuar o corpo, a criança rejeita, assim, identificar-se com a imagem que se exige dela: ao usar o visível para se tornar invisível aos outros, ela escapa à vigilância deles."
(SCHÉRER, René. Infantis- Charles Fourier e a infância para além das crianças. Belo Horizonte: Autêntica. 2009. Pp. 126-131)