sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Dossiê História Cultural do Humor está online

 

Capa da Revista com o Dossiê História Cultural do Humor


Depois do trabalho de um ano inteiro, é com imenso prazer que divulgamos que o Dossiê História Cultural do Humor, organizado por mim e pelo João Paulo Capelotti,  está online neste link da plataforma da Revista Faces da História. 


Tomo a liberdade de copiar aqui a apresentação do dossiê que eu e João escrevamos a quatro mãos :


"O riso e o humor sempre fizeram parte da cultura humana. Apesar disso, foi só a partir da segunda metade do século XX que as narrativas humorísticas passaram a ser legítimo objeto de estudo para a historiografia, a partir do advento da história cultural do humor. Mesmo que, metodologicamente, o estudo da comicidade seja ainda campo de difícil aproximação para o historiador devido à fragmentação dos objetos, é sempre válido apostar em uma leitura atenta das fontes, dialogando livremente com perspectivas epistemológicas.

Daí porque é possível afirmar que o estudo do humor tem se mostrado cada vez mais pujante e merecedor de abordagens originais nas mais diversas áreas do conhecimento.

Pensando historiograficamente, ainda que tenhamos acesso a publicações mais gerais do século XXI, como por exemplo Uma história cultural do humor (2000), organizado por Jan Bremmer e Herman Roodenburg, História do riso e do escárnio, de Georges Minois (2003), e sobretudo o largo compêndio de estudos sobre humor organizado por Salvatore Attardo, The Encyclopedia of Humor Studies (2014), esses volumes possam figurar como parâmetros para o historiador do humor, destacamos que no Brasil o crescimento deste campo ainda é lento, apesar do trabalho pioneiro de Elias Thomé Saliba (2002) e da existência de grupos de pesquisa e seminários sobre comicidade, apontando que esta é uma linha de pesquisa repleta de possibilidades de trabalho.

Este dossiê especial da revista Faces da História pretende celebrar exatamente este momento da pesquisa sobre humor no Brasil, registrando seus diálogos sobretudo com a história cultural, mas abrindo também espaço a interlocuções com a filosofia, a linguística, a literatura, o cinema, a música e o direito. A generosa acolhida da equipe editorial ao tema proposto para o dossiê, portanto, é nosso primeiro motivo de agradecimento como editores.

O segundo foi a boa receptividade encontrada pela chamada de artigos, não só por historiadores, público-alvo da revista, mas também por pesquisadores de outros campos do conhecimento – todos, porém, com propostas extremamente interessantes e inventivas, vindas de diversas partes do país.

Nessa aventura interdisciplinar, a lógica que pretendemos seguir com a ordem de apresentação dos artigos não foi a simples cronologia dos fatos históricos abordados em cada um dos trabalhos. Como o dossiê é composto por abordagens que vão desde a Grécia antiga ao direito contemporâneo, optamos pela divisão em quatro blocos temáticos.

No primeiro deles, reunimos quatro artigos que combinam historiografia e análise literária.

Em Tenupá-Oikó: a filosofia do “Deixa Está” como proposta humorística para a construção da legislação brasileira pela ótica antropofágica de Clóvis de Gusmão, Heraldo  Márcio  Galvão  Júnior,  doutor  em  história  pela  Universidade  Federal  do  Pará (UFPA) e professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), resgata um nome pouco estudado do modernismo brasileiro, jogando luz sobre um autor profundamente original que ainda não obteve o merecido reconhecimento. Clóvis de Gusmão utilizava o folclore amazônico – anedotas, em especial – com o objetivo de, nas palavras  de  Galvão  Junior,  compreender  “a  verdadeira  brasilidade”  e  “reedificar  as concepções de sociedade, de cultura e de política”, inclusive por meio da substituição da legislação vigente, que seria mera cópia de modelos europeus, por algo verdadeiramente nacional.

Outro autor relativamente pouco estudado é o objeto do artigo de Leandro Antônio de Almeida, doutor em história pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Depois, miseravelmente depois, só rindo: a sátira cômica de João de Minas nos anos 1930 escrutiniza a vida e a obra do pseudônimo de Ariosto Palombo, escritor de matizes inicialmente sertanistas que enveredou mais tarde pelo romance mais popularesco, contudo, sem jamais, abandonar a sátira política como elemento central de suas narrativas ficcionais. Almeida compara esses dois momentos da obra de João de Minas, refletindo sobre o papel do distanciamento na sátira e demonstrando como o autor mesclava os dramas de seus protagonistas com referências explícitas a acontecimentos políticos da época – tudo envolto numa atmosfera um tanto iconoclasta, num “universo regido pela busca [...] de poder e dinheiro por meio da corrupção generalizada”.


Fechando o bloco concernente à literatura, Luís Felipe Gonçalves do Nascimento, mestre em história pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), apresenta A Ressurreição de Vitorino Carneiro da Cunha: humor e ironia na  obra de José Lins  do  Rego. O artigo mostra como o escritor paraibano utilizou um dos protagonistas do romance Fogo Morto para ironizar a crítica literária da época, e em certa medida a si mesmo, na medida em que se tratava de personagem inserido na mesma oligarquia canavieira na qual o próprio José Lins do Rego havia crescido. O artigo propõe, com isso, uma leitura que ilumina de modo inspirado toda a obra do autor: “É esta tensão que faz de José Lins do Rego um escritor intrigante, no aspecto de falar ou não falar do mundo em que viveu, de representá-lo, ou, de maneira intencional, desmontá-lo com ironia”.

O segundo bloco traz artigos que avaliam o humor na imprensa, começando com mais uma contribuição nordestina. Em O Jornal O Norte e o pioneirismo do humor gráfico na imprensa paraibana, Rosildo Raimundo de Brito, doutor em história pela USP e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), analisou as edições que circularam entre 1968 e 1980 do primeiro periódico do estado a utilizar de modo consistente tiras e quadrinhos. Para se debruçar sobre as caricaturas do jornal, em especial sobre o personagem Zé da Silva, o autor parte da ampliação do conceito de “documento histórico” pela chamada “nova história cultural”, para concluir que “é possível, a partir das imagens, se conhecer a história social de um determinado tempo”, considerando que por meio delas é possível reconstruir acontecimentos “em toda sua espessura política, social e cultural” – como, por exemplo, as alusões feitas sobre a ausência de voto direto para presidente durante a ditadura civil-militar que governou o país de 1964 a 1985.

Já em “Adoradores de Baccho”: embriaguez, humor e ambivalência na imprensa pelotense (1930-1935), Thaís de Freitas Carvalho, mestre em história pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), retrata como o humor confere ambivalência ao retrato da vida noturna por dois jornais circulantes na cidade, que se equilibravam entre a condenação dos excessos alcoólicos por meio da derrisão e a celebração dos entreveros por meio de notas policiais bem-humoradas. A historiadora reconhece que “muitos dos causos e histórias vividas por entre bares e botequins permanecem inacessíveis aos historiadores”; porém, os fragmentos de brigas e vexames, que ganharam menções nos periódicos, permitem entrever e imaginar a dinâmica dessa sociabilidade, e o que ela revela a respeito do divertimento possível à classe trabalhadora pelotense da época.

No quarto bloco destacamos artigos que abordam o humor em narrativas musicais e cinematográficas, fontes caras aos estudos de história cultural e que aqui primeiro surgem com o artigo Humoristas-cantores: a comicidade na canção brasileira


(1964-1985)  entre  tons  de  crítica  e  notas  de  acidez,  de  Gabriel  Percegona  Santos, mestrando em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Nele, Santos propõe estabelecer um “diálogo entre a história cultural do humor no Brasil entre os anos de 1964 e 1985 e sua expressão musical”, abordando a comicidade em registros fonográficos de artistas como Ary Toledo, Paulo Silvino, Chico Anísio e Arnaud Rodrigues (Baiano & Novos Caetanos), destacando como tais críticas, porque vieram através do humor, não fizeram com que as obras fossem censuradas e nem “tornaram seus autores e intérpretes personagens visados pela ditadura”, como era comum na época.

O humor no cinema aparece representado em Cinema e consumo popular de pornochanchadas:  da  nudez  explorada  às  representações  femininas  (1970),  de  Julio Eduardo Soares de Sá Alvarenga, mestre em história pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), e Pedro Vilarinho Castelo Branco, doutor em história e professor da mesma universidade. No artigo, os autores não só abordam o gênero pornochanchada em geral como também apresentam análises mais detalhadas das comédias eróticas  Um  Virgem na  Praça  (1973),  de  Roberto  Machado,  e  Mulheres  Violentadas  (1977),  de  Francisco Cavalcanti, para discutir a questão da nudez naqueles filmes e, sobretudo, “a dominação masculina e as formas de resistência feminina” e, com isso, esboçar possíveis papéis das mulheres naquele gênero cinematográfico de alto consumo na década de 1970.

Inaugurando a última e mais interdisciplinar seção do dossiê, dedicada a outros campos do conhecimento, Walter Claudius Rothenburg, livre-docente em direitos humanos pela USP e professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE), apresenta O humor e seus limites jurídicos – amparado sobretudo no caráter paradoxal da manifestação humorística, que caminha quase sempre no fio da navalha entre a proteção e a repressão por parte do ordenamento jurídico. Escrito em linguagem clara e acessível a não-juristas, o autor defende que o humor pode iluminar determinados fatos e questões sociais de modo inestimável, porém, “[q]uando inferioriza, quando agride, o humor discriminatório deve ser encarado pelo Direito como ilícito: uma manifestação intolerável de ‘discriminação recreativa’”.

Segundo consta na Encyclopedia of humor studies (ATTARDO, 2014, p. 120-7) o campo do humor infantil é um dos mais considerados como tema de estudo pelos pesquisadores da comicidade e neste dossiê ele está representado pelo artigo Da compreensão à produção de incongruências por uma  criança  pequena:  dados de humor,  de Caroline Prado Gouvêa, graduada em letras e mestranda na área de linguística pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus Araraquara; Alessandra Del Ré, que é doutora e professora na área de linguística na UNESP/Araraquara, e Alessandra Jacqueline Vieira, que é doutora e professora do curso de letras da Universidade Federal


do Rio Grande do Sul (UFRGS). Neste artigo, bastante empírico, as pesquisadoras se propuseram a considerar “o processo de compreensão e a produção das incongruências que vão produzir efeito humorístico no discurso” durante a interação com o outro. Essa pesquisa foi feita a partir da análise dos vídeos de crianças entre três e quatro anos de idade disponíveis no banco de dados do grupo NALingua (CNPq). Interessante é que os resultados parciais alcançados nesta pesquisa mais ampla na área de aquisição da linguagem infantil mostram que o humor estaria presente na fala da criança desde cedo.

Para finalizar nosso dossiê, apresentamos uma colaboração advinda da filosofia sobre a presença das narrativas cômicas na Antiguidade com o artigo A tripartição da retórica no cinismo de Diógenes de Sínope, de George Felipe Bernardes Barbosa, graduado e mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), que se propõe a analisar trechos da obra de Diógenes, o Cão. Considerando aspectos cômicos no cinismo, Barbosa defende que se “dissipa a ideia de que o filósofo é sempre a figura séria, presas em pensamentos transcendentais”. Além de divertida e surpreendente, essa contribuição também é enriquecida com uma linguagem erudita e reflexões pertinentes sobre gêneros textuais humorísticos como anedotas.

A pluralidade do dossiê que temos a satisfação de apresentar ao público leitor é, portanto, espelho das próprias possibilidades oferecidas pelas diversas formas de manifestação humorística. Atravessando gêneros e formatos, séculos e povos, o humor ainda se apresenta intrigante e aberto às perguntas que, espera-se, lhe sejam feitas com frequência cada vez maior.

Boa leitura!

Camila Rodrigues Doutora em história pela Universidade de São Paulo (USP)

João Paulo Capelotti

Doutor em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Referências

ATTARDO, Salvatore (org). Encyclopedia of humor studies. New York: SAGE Publications, 2014.

 

BREMMER, Jan; ROODENBURG (Org). Humor e história. Uma história cultural do humor. Trad. Cynthia Azevedo; Paulo Soares. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 13-25.

MINOIS, Georges. História do riso e do escárnio. Trad. Maria Helena O. Ortiz Assumpção. São Paulo: Editora Unesp, 2003.

SALIBA, Elias Thomé. Crocodilos, satíricos e humoristas involuntários: ensaios de história cultural do humor. São Paulo: Entremeios; USP-Programa de pós-graduação em história social, 2018.

SALIBA, Elias Thomé. Raízes do riso: a representação humorística na história brasileira da Belle Époque aos primeiros tempos do rádio. São Paulo: Cia das Letras, 2002.


Em um ano de pandemia, concluir um trabalho desses é para se comemorar e comemorei, até abri uma cerveja, não junto com minha equipe, mas sozinha mesmo, aqui em casa



“A Cidade Ilhada”: o rio de histórias de Milton Hatoum

 

 


 Se para o escritor o melhor prêmio é o leitor, como sugeriu o premiado Milton Hatoum numa live no Instagram nesta semana, eu sou um prêmio agridoce para ele, porque eu leio tudo o que chega até mim, sou leitora assídua e voraz, mas uma leitora bem chata, fico brigando com os livros, vendo cabelo em ovo, aprofundando a relação... Mas sempre leio, porque eu adoro a escrita dele, até por isso mesmo que eu olho tão criticamente. Logo no começo eu reclamei que a edição não trazia informações sobre quando os contos foram escritos, mal sabia eu que o próprio autor explica em detalhes num posfácio que eu mal tinha reparado! A chata!

                Leitura do segundo semestre de 2020, “A cidade ilhada” foi um livro difícil de ler, primeiro porque demorou um pouco para chegar, coisas da pandemia, depois me pegou  bastante  ocupada  em meados de setembro, eu tendo que preparar aulas, textos, acompanhar a Mostra de Cinemas, mil coisas e acabou que eu poucas vezes me sentei para ler o livro, como gosto sempre de fazer. Fui lendo os contos bem aos poucos, quando dava, porque não gosto de ler superficialmente, isso nunca. Não com Hatoum.

                Aqui farei um breve ou brevíssimo comentário sobre cada um dos contos do volume.

Varandas  da  Eva –Abre o volume e é o conto mais comentado por todo mundo, conta uma história envolvendo  iniciação sexual junto a profissionais em Manaus,  daquele jeitinho hatuano de escrever. Não me chamou a atenção, exceto pelo aparecimento do Tio Ranulfo, personagem de “Cinzas do Norte”, romance muito citado na contracapa do livro.
Uma estrangeira na nossa rua -  Continho bem pueril, agradável . Até demais? Me lembrou muito alguma coisa de W. G. Sebald, coisas soterradas pelo tempo podem emergir, não importa o tempo que passe.
Uma carta de  Bancroft -  O conto fala sobre um narrador  que se dirige a biblioteca de Berkeley para ler uma carta inédita de Euclides da Cunha que nunca foi encontrada na correspondência de Euclides. Seria real, ou não? Logo no início uma personagem sinoamericana chega a comentar que para seus antepassados (sua cultura) “a realidade não tinha a menor obrigação de ser interessante” (p.23). A ficção sim, ou também não? Não vou falar mais detalhes, mas o conto aprofunda esse jogo de forma excelente, na minha opinião. Adorei!

Um oriental na vastidão – Aqui temos uma narradora, como em “Relato de um certo oriente” e o centro da trama está em um pesquisador japonês que viaja a Manaus para viajar pelo Rio Negro por um motivo que só lendo pra saber. É um dos textos mais bonitos do livro, muito bem escrito, com trechos de tirar o fôlego, para contemplarmos aquelas palavras como o japonês contempla o Rio manuara  como por exemplo : "logo depois, o céu silenciou. E o silêncio subtraiu a noção de tempo. (...) Não havia mais claridade, e a superfície escura do remanso alcançava o céu." (p. 34-5)

Dois poetas da província– Um conto de culto à memória intelectual de certas gerações manauaras  através de dois poetas, um jovem e um velho e suas relações reais ou rememoradas  com Paris. Me lembrou o tom, o cilma de alguns momentos do romance  “Dois irmãos” e, claro, de “Cinzas do Norte”, como se fosse mais um exercício num possível laboratório de composição ficcional do universo do autor. Eu viajo.

O adeus ao comandante– Ah, um conto muito do jeito que eu gosto, mais uma história um tanto fantástica (apenas o suficiente) que se passa em Manaus, uma história oral, uma narrativa propriamente dita. É importante destacar isso, pois ela se apresenta exatamente assim, quando o velho caixeiro viajante Moamede  chega de mais uma viagem, encontra os jovens reunidos a espera da transmissão da TV e propõe contar uma história incrível, envolvendo o barco Princesa Anaíra,do seu amigo comandante  Dalberto, dos rios, e um caixão, etc. Que conto fabuloso! Me lembrou de muito aquelas narrativas sensacionais da literatura universal presente em antologias de contos universais como nos volumes de  “Mar de histórias.” Palmas para esse conto, escrito por um grande escritor e a procura de um bom leitor.  

 Manaus, Bombaim, Palo Alto  – Um escritor residente em Manaus (alter ego de Hatoum?) recebe o comunicado de que um almirante da marinha indiana (mais um oriental) decidiu conhecer seu escritório, todo deteriorado, sem condições de receber uma visita. Mas acaba recebendo e eles então cotejam as realidades de relação com a linguagem das inúmeras línguas faladas na Índia que foram trocadas pelo inglês colonizador e  as várias línguas amazônicas  que deram lugar ao português. Tem trechos notáveis como “muitos indianos de Madras e outras cidades do Sul se sentem mais à vontade falando inglês do que em urdu. De todo modo, com ou sem computador, todo o subconsciente se comunica com os deuses. Até os navios da nossa marinha são batizados com nomes das divindades.”(p. 58) A questão da “aculturação” é muito mais complexa do que pode parecer, sempre há alguma resistência.

 Dois tempos– Novamente uma história do sobrinho do tio Ranulfo, o tio Ran, que volta à Manaus já adulto e se surpreende em encontrar a casa do tio fechada, pois ele estaria viajando, mas o garoto aproveita para relembrar suas vivências naquela cidade.  Com o retorno do tio, o sobrinho começa a fazer aulas de canto com a professora Aiana e essa relação domina o enredo.

A casa ilhada – Um conto muito misterioso, cheio de suspense e, novamente, uma personagem de fora, um estrangeiro, chega a Manaus buscando encontrar algo ou alguém. No caso é o pesquisador de peixes de água doce suíço Lavedan, que vem de Zurique, querendo conhecer a “casa ilhada”, de um postal que teria recebido, anos atrás. O conto é muito bem articulado, acho que o eixo para decifrá-lo (não que eu tenha decifrado, claro) esteja na imagem do peixe tralhoto,que  " com seus olhos divididos, vê ao mesmo tempo o nosso mundo e o outro: o aquático, o submerso", e com o qual, em um dos mais belos trechos do conto, o estrangeiro  vive um momento de plena cumplicidade :”os  olhos de Lavedan encontraram os do tralhoto, e ambos permaneceram assim: o peixe e o homem, quietos, encantados pelo magnetismo de tantos olhos voltados para dentro e para fora. Isso durou o tempo de um olhar demorado.”(p.70)

Bárbara no inverno – Digo de antemão: É certamente o conto que menos gostei do livro todo. Embora seja bem anterior, posso até situá-lo no universo de criação literária de Hatoum ali nos primeiros volumes da trilogia “O Lugar mais sombrio”: personagens brasileiros exilados em Paris e que, certa hora, retornam ao Brasil com suas questões afetivas, políticas ou existenciais à flor da pele. Inclusive no primeiro volume da trilogia temos um personagem chamado Lázaro, altamente politizado, como o namorado da Bárbara.  O tema não me agrada em nada e até canção do Chico Buarque tem, poxa vida (na trilogia as canções são menos obvias). Podemos passar para o próximo?

A  ninfa do teatro Amazonas  – Texto muito fantasioso que aborda a história do idoso segurança Álvaro e uma parturiente  que teria entrado no teatro e levado o senhor a rememorar a soprano Angiolina Zanuchi. Certamente precisaria reler com mais tempo, mas a sensação constante é a de que tudo se passa (ou não se passa) numa grande alucinação de Álvaro, algo bastante interessante para um conto.

 A natureza ri da cultura  – Esse conto eu situo perto do meu romance favorito, “Relato de certo oriente”,  especialmente  por ser narrado por uma mulher  (sem nome) e pela sua avó, a  matriarca Emilie que tem origem libanesa mas se interessa pela cultura francesa  e indica a sua neta aprender francês os nome de Amand Verne, um estudioso das línguas indígenas  e acreditava que a língua podia “preservar e promover” sua cultura, e o de Felix Delatour, que acreditava no contrário “não se pode dominar totalmente  um idioma estrangeiro, porque ninguém pode ser totalmente o outro. Um deslize no sotaque ou na entonação já marca uma distância entre os idiomas, essa distância é fundamental para manter o mistério da língua nativa . ”(p.97) A questão do deslocamento é abordada em várias frentes, tomando a língua como filtro  em frases como “A viagem, além de tornar o ser humano mais silencioso, depura o olhar”(p. 100). ”Novamente, como no conto sobre o idiano em Manaus, a grande questão se apresenta em torno das línguas e da identidade. Gostei muito, como sempre,  senti saudade de  “Relato de certo oriente”.

Encontros na penísula  – Esse conto é divertido e um mergulho literário envolvendo Machado de Assis e Eça de Queiroz que acabam mudando e dando rumo às ações das personagens do conto, a espanhola Victoria, seu professor de português (alter ego de Hatoum?)que narra a história e o namorado português de Victória o Soares, o fanático por Eça de Queiroz. Uma história cheia de camadas, um conto fantástico!

Dançarinos na última noite  – A história desse conto segue ao redor do casal de dançarinos Miralvo e Porfíria que antes viviam em Manaus, mas tiveram que se mudar, o que os deixou sempre saudosos da terra natal. Não consegui alcançar o sentido desse conto, não o  achei lírico, nem fantástico, não entendi muito,mas...

 

Em geral gostei mais do livro nesse balanço rápido do que na própria leitura, em muitos momentos, foi muito bom revisitar esses textos de Hatoum que, tantas vezes, registram  de processos de composição do autor, algo que eu adoro perceber. Muitos contos são grandiosos, poderiam estar em uma grande antologia de contos universais só que  e como foi escrito por um manauara, minha ideia é ligs-los um  rio amazonense.

Parabéns e oxbrigada Hatoum, você me distraiu, me fez pensar e sentir várias coisas! Até uma próxima leitura.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Faces Camila 2020

 Certamente foi um ano atípico. O meu tradicional painel com fotos mês a mês em dezembro demorou bastante para sair, teve meses que eu nem encontrava fotos, mas no fim deu certo. Excetuando as primeiras três, todas as fotos foram em casa, no meu quarto ou quintal, onde a luz nem sempre é tão favorável, mas eu tentei dar um up mesmo assim. Embora eu ache que o meu cabelo veio melhorando pouco a pouco, nunca ficou do jeito que eu gosto, isso só quando aquele maldito corte sair de vez, o que  ainda deve demorar. Mas para um ano "em casa" até não em saí mal, não acham?

 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

MELHORES 2020 (teve até tricampeonato!)

 


Sim, o ano foi (ainda está sendo)  uma porcaria, mas a gente tem que tirar leite pedra, né? Passamos de 15 de dezembro e já dá para contar as melhores coisas, porque não é porque foi tudo mais para o ruim que não vivemos umas coisas melhores do que outras, então lá vai  a listinha tradicional  de 10 quesitos, às vezes adaptada, mas  só para não deixar a tradição morrer e teve até  tricampeonato!

1 – ROLÊ : PRÉ CARNAVAL BLOCO LUA VAI NAS CALDEIRAS É TRICAMPEÃO

Melhor rolê do ano

A concorrência foi pouca porque os rolês foram só até março, fui nas festas nas Caldeiras em janeiro (com banho de espuma e tudo) e no samba no Maria Zélia em 01 de março e no Samba do Sol dia da mulher no Mural da Casa de Cultura (meu último rolê) ; em fevereiro  e teve o carnaval , pré e pós, que não conta como rolê, esse rolê ainda era uma festinha de aquecimento e que aquecimento:  pelo terceiro ano seguido a melhor festa do ano  foi o baile pré carnaval na Casa das Caldeiras com o Bloco Lua Vai. Pagode 90 é vida e esse  é sempre melhor rolê, valeu por um ano inteiro sem festas! (queria por vídeos, mas os sons ficaram ruins)
















2- MÚSICA: SE A FILA ANDAR

Podia dar para “Amor de Quenga”, que é o hino do ano, mas para ser mais honesta, com a proposta do quesito, leva esse prêmio a música que eu mais ouvi o ano todo e com isso não posso deixar de dar o prêmio para “Se a fila andar”, que é uma música digna, tipo "não seja FDP e respeita nossa história" e que eu ouço nas caminhadas na rua sempre  e em casa, até o Youtube sabia que eu gosto e todo dia rodava sozinho uma playlist com todas as versões possíveis, eu AMO! Minha favorita é a versão do Panela Preta

3- LIVRO : A Noite da Espera de Milton Hatoum e "Torto Arado" de Itamar Vieira Junior

Livro mais significativo do ano
Ano passado até escolhi “Dois irmãos”,mas queria ter dado o prêmio pro Milton Hatoum como autor do ano, em 2020 eu  li menos do que gostaria, ele continuou presente,  comecei lendo “A noite da espera” e “Pontos de fuga”,  os dois primeiros volumes da trilogia “O Lugar mais sombrio”, com os quais briguei muito o ano todo, pois o tema me desagrada (geração bicho grilo), as circunstâncias da leitura (plena pandemia), mas no final do “Pontos”, enfim, criei  empatia pelo protagonista  Martim, me emocionei demais, fui até às lágrimas ouvindo a canção “Mãe” ,do Zeca Veloso. Quando começou a quarentena comecei lendo filosofia, o livro “10 liçoes sobre Sloterdijk”, do professor Paulo Ghiraldelli, que achei sensacional para pensar esta pandemia num contexto mesmo da História Natural, como  vínhamos nos comportando para que chegássemos ao extremo de precisar viver isolados uns dos outros por causa do Corona Vírus? De literatura, peguei um livro que eu tinha abandonado há anos  e terminei de ler “Jorge Amado Dona  Flor e seus dois maridos”, de Jorge Amado, foi muito divertido. Fora isso eu li mais Hatoum, os contos de “A cidade ilhada” agora no fim do ano, que como sempre me agradou e desagradou na mesma proporção,  mas ainda espero pelos romances e por ouvir Hatoum falar na intenet, que é uma delicia. Fora isso, li muita coisa pra trabalho: Livros de ou sobre Janusz Korczak como "O direito da criança ao respeito", "A República de crianças" e "Coletânea de pensamentos"; livros para montar as aulas do minicurso sobre Guimarães Rosa como "Noites circenses - Espetáculos de Circo e teatro em MG do Século XIX", da Regina Horta Duarte  e "Metamorfoses" de Ovídio; livros para ajudar nos artigos que ainda pretendo escrever na quarentena como
"O  Planeta Cultural" de Gilbrto Mazzoleni "Manifestos", de Oswald de Andrade. Essa semana mesmo  Hatoum disse em uma live que participou no Instagram, que melhor prêmio é mesmo o leitor, e esse eu já  dei a ele faz tempo. Só que como tenho que escolher um livro que marcou meu ano, escolho “A noite da Espera”, não porque eu tenha sido o que mais gostei (longe disso), mas o ano também não foi bom, e esse livro ainda teve uma coisa de Minas Gerais, das relações entre
Foto do prêmio Jabuti  de melhor romance 

Literatura e História e como Hatoum escreve muito bem, foi o que mais recomendei, o que mais me acompanhou nos lugares, livro companheirinho, foi um livro importante e a capa é LINDA. 
Eu já tinha publicado essa lista quando terminei de ler o "Torto Arado" de Itamar Vieira Junior,que foi efetivamente o melhor livro do ano. Que tiro foi esse?
Ainda não tive tempo de escrever sobre ele, mas que eu gostei mais do que tudo! Salvou meu morno ano literário em 2020.

4- FILME : "A vida invisível", de Karim Aïnouz e"Mostra de Cinemas Africanos 2020" 

Único filme em cinema de 2020

Nesse ano nunca tive uma relação tão estreita com os filmes como em 2020, muito  por causa da Mostra de Cinemas Africanos 2020,em suas duas temporadas online, a melhor coisa para a quarentena. Não tenho condições de escolher um filme da mostra,  nem acho justo colocar aqueles no mesmo saco dos cinemas ocidentais porque gostei de todos, todos em conjunto, acabei até fazendo uma apresentação sobre eles ele dezembro.

Melhores cinemas do ano

 O prêmio deveria ser para os Cinemas Africanos, tão importantes para mim, mas se tiver que escolher um filme só agora, escolho o único que eu vi no cinema em janeiro esse ano e me emocionou muito, que foi “A Vida invisível” de Karim Aïnouz, sobre o qual escrevi essas palavras emocionadas.  

5 – FOTO: No Jornal Nacional

Virei Global

2020 não foi um ano de fotos, mas se tiver que escolher uma escolho a do carnaval  que eu e a Patricia aparecemos vários minutos no Jornal Nacional, porque não é todo dia que a gente vira global! Detalhe: Novamente algo envolvendo o Bloco Lua Vai, eu nem curto pagode 90!

6- Bebidas/comidas: Pipocas



Em casa, na quarentena com a pipoqueira, adquiri o hábito de comer pipocas todos os dias.
Amo!

7- Show / Lives: Caetano Veloso 78 anos

Primeira Live do Cae


Não vou contar os shows do carnaval, então show não teve esse ano de quarentena. Mas tivemos Lives e eu confesso que me diverti muito. Amei todas que vi e vou tentar lembrar todas. Desde as mais calminhas “Renato Teixeira” (lembrei do meu pai) , do “João Bosco”, as que assisti com minha mãe “Roberto Carlos” e “Fabio Junior”, nas duas nós cantamos muito junto com eles, foram grande momentos da quarentena! As agitadas  do “Samba do Sol”, do “Quintal dos Prettos”, passando pelas duas do "Zeca Pagodinho" (melhores cenários e banda) , do "Dudu Nobre" (enorme, o cara tem fôlego),  dancei e cantei muito junto com a do “Raça Negra”, as lives maravilhosas da diva “Alcione”, as do "Péricles", na falta do "Art Popular" (que foi cancelada) a do "Márcio Art", as do “Molejão” (a gente morre de rir ), sambar mesmo sambei e até gravei o samba na live do "Bloco Lua Vai", mas essa não conta porque já ganharam melhor rolê. Teve a live da Virada Cultural “Elza Soares e Flávio Renegado no Teatro Municipal”, muita coisa boa, mas a melhor live do ano foi a dos 78 anos do Caetano Veloso em 7 de agosto, a primeira live dele, com os filhos, no pior momento da pandemia, parecia que era uma questão de tempo e todo mundo ia acabar morrendo, mas deu para reunir tanta gente online, para cantar a trilha sonora das nossas vidas, chorei muito! Obrigada painho.

8 – Roupas e acessórios: Máscaras

Algumas máscaras


Não tinha como escolher outra coisa: Máscaras, né gente? Foi a roupa/acessório do ano!

9- Conquistas do ano : Sobreviver e produzir












A maior conquista nesse ano de pandemia é que eu e minha mãe sobrevivemos com saúde, juntinhas aqui em casa. No meu caso, conseguindo produzir mais, participei uma Live com Fernando Costa no Instagram e no dia da Consciência Negra de outra publiquei um capítulo de livro no meio do ano, organizei o "Dossiê História Cultural do Humor" na Revista Faces da História com o João Paulo Capelotti, ministrei o minicurso online sobre Guimarães Rosa "A Estória contra a História" na "Semana de História da Unesp Assis", assisti um curso online sobre Cinemas Africanos na plataforma SESC e fiz até uma apresentação online sobre cinemas africanos para o "Canal da Revista Círculo de Giz". Deu para viver bem, mesmo em quarentena.

 10- Preto do ano: Akin Omotoso



Em 2019 ninguém levou esse prêmio, pura revolta minha, mal sabia eu como ia piorar tudo. Nesse, o preto do ano mesmo, de verdade, não posso falar quem foi (sim, foi aquele melhor momento que não posso revelar onde, nem quando nem com quem, só saudade), mas para não ficar vazio esse pódio, o prêmio vai para o diretor de cinema nigeriano  Akin Omotoso.  Que preto é esse?

Acho que foi isso,se tiver atualizações volto aqui para inserir e que venha 2021!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Uma live de Milton Hatoum no Instagram

 

OUVIR MILTON HATOUM - Adoro lê-lo, mas às vezes não é o suficiente, então é preciso ouvi-lo. Na live desta noite com o psiquiatra da FMUSP de ascendência grega  Táki Cordás  a conexão e o próprio Instagram não foram tão legais, ele caiu mais de uma vez, mas mesmo assim foi maravilhoso ouvir falar  uma pessoa QUE LÊ é outro nível nesse túnel sem luz da minha quarentena cheio de sons de televisão tentando me deixar burra, muito burra demais.  E Hatoum não é só um escritor (e dos bons), é também um grande leitor. Logo no início falou de um dos autores de sua formação que é o Graciliano Ramos, acho fundamental atentar para o Graça que ele nos projeta. Ai citou  a frase fundante para o escritor,retirada de Caetés "O MAIS DIFÍCIL É ESCREVER". E não é mesmo?

Depois falou da importância dos lugares, da Manaus da sua infância que o acompanhou por todos os lugares do mundo onde ele esteve e como isso também aprece nas suas obras. 

Depois foi perguntado o quanto de sua própria experiência tinha na construção da personagem  Martim, o protagonista da trilogia, e ele disse que Martim teve, como ele, a experiência de ser o isolado nos lugares, a solidão do estrangeiro em todos os lugares, mas ele, Milton, não teve a experiência dolorosa de separação da mãe que viveu Martim, que por ela se tornou um melancólico, traumatizado, não tem paz porque acha que perdeu a mãe, mas às vezes acha que ela pode estar em silêncio em algum lugar que ele não sabe onde é. É essa a sua quase loucura. (demorei um tempão para entender esse processo, no começo, em "A Noite da Espera" me irritava muito com Martim, não tinha compaixão, mas foi com o "Pontos de Fuga" que eu "realizei" aquele trauma, até chorei cantando "todo homem precisa de uma mãe"!)

Ai ele revelou que o terceiro volume, que é menor, que é onde a MÃE DE MARTIIM CHEGA, ENFIM,  no romance e deveria ser lançado agora, mas a pandemia adiou os planos e deve sair no segundo semestre de 2021! (O que eu vou fazer até lá?)

 "Dois irmãos" em  grego


Estava tudo muito bom, muito bem, mas a rede dele caia sem parar ... quando voltou falou um pouco sobre seu processo de escrita, de como é fundamental o distanciamento temporal para a construção da ficção. VOLTAR A OUVIR AS VOZES DA INFÂNCIA, de como foi ter ouvido tantas línguas de pequeno, árabe e outras, que eram  línguas que ele não entendia, mas que ficou na sua memória como uma "melodia perdida", sons da sua infância com os quais tem familiaridade e que reinventa na ficção ( se me lembro bem é  em "Relato de um Certo Oriente" que essa questão das línguas ouvidas por todos  na infância, mas que só alguns aprendem o idioma e compreendem o que é dito, é retratada)  ... Quando ele falou isso sobre infãncia ,  JURO, ele citou um  grande trecho do  Sertão perfeitamente :

" A opinião das outras pessoas vai se escorrendo delas, sorrateira, e se  mescla aos tantos, mesmo sem a gente saber, com a maneira da ideia da gente!" (Grande Sertão: Veredas") 

CARA, ISSO É SÓ, MAIS OU MENOS, UM RESUMINHO DA MINHA TESE SOBRE A INFÂNCIA NA ESCRITURA DE G. ROSA <3


Ai perguntaram se ele era assim tão fatalista, pois começa a maioria dos romances pelo seu fim trágico, como se não fosse dado aos personagens a possibilidade de mudarem seu destino. Ai ele riu, e disse que as personagens mudavam muito,  mas sempre no meio da travessia , ai lembrou o Grande Sertão de novo, claro.


Caiu a conexão de novo e quando voltou falaram sobre a política atual e ele, lúcido até demais, disse que não acredita na literatura como salvadora , o que pode melhorar a sociedade são políticas públicas capazes de promover a humanização das pessoas.

Que estamos vivendo uma exacerbação do antigo projeto de destruição da cultura global, educação, da coisa pública que está em andamento desde sempre, com poucos períodos de respiro (essa hora me angustiei de verdade).Mas ele se saiu com essa:  Está tudo horrível, MAS PODE MUDAR. Vamos chegar numa hora e quem não vai dar mais para aguentar e vamos sair às ruas. TOMARA!

Obrigada Hatoum até uma próxima

sábado, 12 de dezembro de 2020

Quarentena em casa : Mergulhando nos cinemas africanos



Convidada a falar sobre minha experiência em passar a quarentena em casa durante a Pandemia de Covid19, só pude falar na oportunidade ímpar de mergulhar nos cinemas africanos, em uma fala longa demais, mas muito apaixonada, que vocês podem ver aqui: