domingo, 29 de dezembro de 2024

Retrospectiva 2024: O ano em que eu tive Dengue


2024, ano que ouvi Jorge Aragão , procurei um amor no tempo da madureza, ano de Cartola, das rodas de samba do RJ...foi um um ano incrível, mesmo sendo o ano em que eu tive dengue e isso o dividiu em duas partes. Foi o ano em que li três livros da minha favorita Lygia Fagundes Telles, dois do Murakami, dois da Conceição Evaristo e que Drummond me ensinou que chegaram os tempos da madureza, só o amor nesses tempos ainda não chegou, mas deixei as portas abertas:Tudo a seu tempo. Cada parte, com seu charme e seu cansaço. Vejamos, mês a mês:




 JANEIRO

Comecei o ano inspirada, ouvindo e reouvindo os discos do Cartola, enchendo meus dias daquela música e poesia, onde há sempre a disputa entre o bem e mal. Ao mesmo tempo lia “Becos da Memória” da Conceição Evaristo e achava que nessa obra, ao contrário dos sambas de Cartola, só existia o mal, não havia futuro, foi bem difícil.  Encontrei Menina sentada do Portinari no metrô. Teve Samba do Aguidá e Encontro das Rodas de Samba dos Partideiros, terminei lendo um livro de poemas da Carmen Faustino.

Com a amiga Vânia, no primeiro samba no Maria Zélia

"Becos da memória", "Menina sentada,
"Samba do Aguidá ", "Estado de Líbido "

FEVEREIRO

Em fevereiro teve carnaval e isso ocupou a parte interessante do mês! Teve Samba do Sol pós carnaval, e nos bloquinhos,  mesmo sozinha (dessa vez quase ninguém foi, só a Aninha no Bloco Pagu!) eu brinquei todos os dias, estava linda e feliz! Também assisti ao show do Octeto Feminino e li  Mil Tsurs do Kawabata e Ponciá Vicêncio da Conceição Evaristo. Depois de setembro com a primavera, o melhor mês é fevereiro, que tem carnaval.


Octeto feminino no Instrumental 


Registros do carnaval 2024

















MARÇO 

Março é ressaca do carnaval, mas foi bem intenso, eu estava me sentindo linda, fui ao teatro infantil “Um dia um rio”, ao "Samba do Aguidá” nas Caldeiras, conheci o “Terreiro de Crioulo” e li “Voragem”, livro que mudou minha vida. No fim também achei esse mês sensacional!

Teatro infantil 

Meus amigos do Aguidá e Dona Nenê no Samba do Sol

No Terreiro de Crioulo

ABRIL

Abril tinha tudo para ser maravilhoso, muito instrumental bom, samba com moços bonitos do Resenha de Buteco no Maria Zélia, dia nacional do choro (amo) e o melhor show que assisti no ano, do Höröyá! Pena que nos últimos dias do mês eu cai doente, eu só dormia, achei que estava só exausta, mas depois vim a saber que  era um pouco pior, eu estava era com dengue! Da dengue em abril não tirei fotos, só em maio, que veio a ser o mês mais pesado do ano.

 

Lendo Fanon no show do Höröya 
África/ Brasil 😍



Momentos com amigos no instrumental e no samba 
Dia nacional do choro (amo)


Realmente esse grupo me impactou
Quando os vi chegando, todos ENORMES,
queria ter visto minha cara kkkkkk

MAIO

Maio começou com o  fim da dengue, fraqueza, baixa energia e sonolência, foi tenso. Teve o show da Maddona na TV e eu ter conseguido assistir até o fim me mostro que a dengue tinha ido embora do um corpo. No RS assistimos à tragédia das chuvas, como não tínhamos visto no Brasil, eu também doei roupas para os desabrigados, não estava tão bem, mas tinha gente pior. Depois da dengue eu tinha que continuar em repouso porque ia passar por cirurgia marcada há seis meses e até os últimos dias não sabia se teria plaquetas o suficiente para encarar a operação, muita tensão. No fim deu tudo certo, na cirurgia foi tudo bem, mas depois tive uma infecção, que tratei com antibiótico, estava com muita vontade de voltar a treinar e recuperar um pouco da fraqueza. Nisso foi quase todo o mês, certamente o mais pesado do ano, que marcou um ponto de virada nele, teve o antes da dengue, muita tensão e cansaço, e o pós dengue, de muita recuperação e energia.Mês pesado, mas também passou.

De lilás no dia da cirurgia, com dengue pálida e melhor, no dia das mães e reencontrando amigos no instrumental 

Show da Maddona 


Tenso 


JUNHO

Renovada das doenças, cai logo em dois sambas tradicionais no Maria Zélia, quatro instrumentais com Arranjando o choro, Banda Mantiqueira , etc. Li e comprei “Claro enigma”, um dos melhores livros do ano, no meu tempo de madureza, ele me abriu a vontade de viver um amor . Voltei a ler Lygia Fagundes Telles, com “cerejas” e depoimentos sobre escrita, relembrei, com Cortázar,  um momento único vivido em janeiro, de atração no metrô de onde eu saia que, se tivesse em um outro momento da vida, teria encontrado um amor. Vida pós-dengue.

Leituras do mês. 
Em tons terrosos pra ouvir Banda Mantiqueira 

Lygia 

JULHO 

Friozinho e eu animada com rodas de samba do RJ no Maria Zélia, fui ao meu segundo Terreiro de Crioulo, dessa vez toda de vestido de rainha africana, tirei foto com meus ídolos, como o bandolinista Abel, que é um querido... e encontrei meu amigão Mugabe, meu couch de relacionamento. Fui no aniversário dos partideiros toda uniformizada, fã é fã! Li meu  primeiro Dostoiévski,comecei a ouvir muito Jorge Aragão e desejar um nego véio para mim...

Terreiro de Crioulo

Uniforme de partideira

Meu primeiro Dostoiévski 

AGOSTO

Em agosto veio meu crush, um homem mais velho, outro tipo de experiência e a partir de então, nos próximos meses,  passeei muito de casalzinho em São Paulo. Voltei a acompanhar a Mostra de Cinemas Africanos online, vi "Campo de Thiroye"um filme de Sembène. Vi duas rodas de samba maravilhosas do RJ em São Paulo, Samba de Cabeça Branca e Pede Tereza, só amor esses sambistas cariocas. Li "Homens sem mulheres",meu primeiro Murakami e foi marcante! 

Escorpião 

Desejo atendido

Passeio com crush

SETEMBRO

Cortei os cabelos, como nunca antes, apostei em um corte  Black Power e estou curtindo muito o  puro charme! Eu e meu crush continuamos passeando por São Paulo, uma descoberta para ambos. Fotos  na Paulista, numa linda tarde de domingo, fomos ao Museu da Língua Portuguesa, ao Memorial da América Latina, turistando na própria cidade.
Meus amigos do churros 


Cortei os cabelos 

Passeios e sorrisos


Memorial da América Latina

OUTUBRO 

Mês de eleições, do nosso aniversário (meu e do crush), de estar numa das rodas de samba mais tradicionais Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador, assistir a um documentário de Safi Faye na Mostra de cinemas africanos, Tendal da Lapa, Conhecendo o centro, exposições  e, claro, meu presente de aniversário: Conheci o Cacique de Ramos. Momentos muito bons, especialmente para quem estava doente há alguns meses.
Moacyr Luz e Samba do trabalhador 

Cacique de Ramos

Neidinha, minha amiga que trabalha no Teatro Anchieta  e eu  encontro toda semana no instrumental

Meu aniversário: presentes e café 
com Fernando e amigos no Sesc Pompéia

NOVEMBRO

 Novembro foi um mês de muitas chuvas e tempestades, teve óculos novos, quebrei minha canela. Comemorei  dez anos de Samba do Sol nas Caldeiras e 17 anos da Comunidade do Samba do Maria Zélia. Teve o dia da Consciência Negra que passei com meu crush, na Ocupação Preta do CCBBsp com o Samba Poeira Pura. Assisti "Retrato de um certo oriente" de Marcelo Gomes  achei que ele não rasura "Relato de um certo oriente", do Milton Hatoum, o livro que o inspirou. Foi muito bom, mas no final  eu estava já indicando pouca bateria para o fim do ano!
Óculos novos

Consciência Negra, eu de bata amarela,
no samba do centro de São Paulo 

Antes de ver o filme:
ainda não sabia que ia gostar tanto

Dez anos de Samba do Sol 

DEZEMBRO

Dezembro em clima de encerramentos de ciclos e muito cansaço. Nem mesmo os sambas que eu já tinha programados eu tive muito pique pra curtir, cansada mesmo. No primeiro fim de semana teve Encontro das Rodas de Samba em Homenagem ao dia do Samba no sábado e quintal no domingo.  Como os Prettos lançaram um álbum de releituras de Cartola, fui ao Quintal toda trabalhada no Verde e Rosa e fui chamada de mangueirense na rua! Amei!
No segundo sábado estava com sinal  vermelho de exaustão ligado no Samba d'Coroa convida Nelson Rufino e Marquinhos PQD.
Uma pena eu estar tão cansada, se não teria aproveitado bem mais!
Momentos do Samba D'Coroa com
Cassiana Pérola Negra, Ste Oliveira, Geléia e Seu Quirino
                       
Tremi muito, mas juro que esse é o
Nelson Rufino 

Ste Oliveira e Geléia: Dois momentos  comigo

Natal,com mamãe ♥️

Nos Prettos de verde e rosa: Viva Cartola 

Comemorando
DIA NACIONAL DO SAMBA









sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Balanço das metas para 2024: Melhor que ano passado!

 



Eu sei que deveria estar postando a Retrospectiva e o Prêmios Melhores 2024, mas esses dão muito trabalho, por hora consegui adiantar o balanço das metas que tracei em janeiro, para ter uma ideia de que se o ano foi bom ou ruim. Vejamos quais foram cumpridas, parcialmente cumpridas ou não cumpridas :


1 - CONTINUAR VIVA

META CUMPRIDA : Não corri risco de vida em 2024, mas fiquei bem ruim como nunca em abril e maio, com dengue e cirurgia. Mas cumpri a meta com sucesso e cá estou vivíssima.

 

2 - VIVER EXPERIÊNCIAS SENTIMENTAIS E AUMENTAR MEU AMOR PRÓPRIO

META CUMPRIDA : Nesse ano eu diminui o alcance dessa meta, queria só viver experiências sentimentais e isso consegui com sucesso, sem rasurar meu amor próprio, que até aumentou, tanto que acredito que possa tomar algo maior como meta em 2025. Veremos!

 

3- ME REINVENTAR PROFISSIONALMENTE

META NÃO CUMPRIDA: Estava tudo ruim nesse campo, sem luz no fim do túnel e continuou assim. Na verdade, passou tão rápido, em deu tempo de me reinventar: tantas prioridades, especialmente de saúde. Deixa pra 2025.

 

4- CONHECER E CURTIR SAMBAS E ROLÊS

META CUMPRIDA : Como sempre mantive uma rotina de samba em minha vida, conheci novas rodas no  Maria Zélia, inclusive algumas tradicionais cariocas e no dia da Consciência Negra, no Samba do Sol que sempre é uma delicia. Além do instrumental, como sempre maravilhoso, eu também conheci outros rolês, visitei exposições e foi maravilhoso flanar pelo centro de São Paulo fora do carnaval e ganhar um pouco mais de São Paulo para mim. Isso ninguém me tira mais.

 

5- CONTINUAR TREINANDO O QUANTO PUDER

META CUMPRIDA : Cumpri mesmo, apesar de tudo! Fui treinar super fraca,  com dengue e tudo, e no fim deu tudo certo, ganhei até massa muscular nas pernas, ui ui ui...

 

6 -CUIDAR DE MIM E DE QUEM AMO

META CUMPRIDA : Cumpridíssima, eu diria. Cuidei muito de mim, dos meus sentimentos, não me joguei de cabeça, me priorizei e quando senti que estava sobrando, me levantei da mesa sem brigas ou alarde, só amor próprio. E em dezembro, depois de cinco anos, acompanhei a alta da minha mãe no tratamento no Instituto do Câncer, que foi minha maior conquista do ano! Continuemos!

 

7- LER PELO MENOS UM LIVRO POR MÊS

META CUMPRIDA : Continuando a pegada de 2023, li bastante, vinte e um livros, bem mais do que um por mês, embora tenha tido meses que não li nenhum! Como no ano passado, o destaque foi a Biblioteca do Sesc Pompéia, que me emprestou tantos volumes,mas até do que esses que concluí a leitura, e que assim seja mais e mais em 2025! Além desses empréstimos, eu também ganhei livros, o que foi uma delicia, porque me mostrou que, apesar de parecer que vivo na total solidão lendo e escrevendo sobre minhas leituras, tem sempre alguém que vê, que acompanha, que gosta que gostaria de receber minha opinião sobre os livros. Esse ano eu só comprei um livro usado, o Claro Enigma do Drummond, que comprei depois de ler o volume da biblioteca e quis ter o meu. Maravilhoso livro do tempo da madureza. Viva os livros, meus melhores amigos!

 

8- ESCREVER

META PARCIALMENTE CUMPRIDA : Meta difícil de cumprir todos os anos, dá trabalho e não vem sendo cumprida desde 2022,nesse mundo sem leitores, escrever é também é importante para mim, porque tem sempre alguém que lê e se nutre do escrito.Esse ano, além do blog, que mantenho à duras penas e falta de tempo para me sentar para escrever, também vim escrevendo  pequenas resenhas imediatas após os shows do instrumental, no ônibus mesmo, e publicado no Instagram, o que tem sido interessante. Também escrevi (e li)   sobre Caetano Veloso, que é sempre desconcertante. Sigamos!

 

9- CONTINUAR A BUSCA PELA MINHA ANCESTRALIDADE E ESPIRITUALIDADE

META CUMPRIDA : Essa ligação nunca é cortada e me dá ânimo de acordar a cada novo dia. Assim seja no próximo ano, pelo resto do ano pelo resto da vida!

 

10- PROSPERAR

META PARCIALMENTE CUMPRIDA : Sim, mantive minha saúde apesar das pestes,  evolui bastante, enriqueci espiritualmente e espalhei alegria e conhecimento por onde andei. Não me acertei no campo profissional, embora tenha trabalho com produção de conhecimento o tempo todo, um dia vai dar frutos. Não encontrei o amor no tempo da madureza, mas vivi experiências muito boas, estou na fé que estou pronta para amar e ser amada de novo. Falta ainda ter mais forças para me libertar mais e andar com minhas próprias pernas, mas tudo tem seu tempo e o meu será em breve !

 

Em se tratando de metas, 2024 foi melhor do que 2023. Se no ano passado tive seis metas cumpridas, 1 parcialmente cumprida e três não cumpridas, esse ano cumpri sete metas, tive duas parcialmente cumpridas e apenas uma não cumprida. Aos poucos a vida vem  melhorando. Assim seja!
Em janeiro posto as metas para 2025!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

EU LEITORA EM 2024

 



Foi um ano rico em leituras, mesmo tendo ficado dois meses sem ler por motivos de saúde, no fim ultrapassei minha meta de ler um livro por mês. Comento aqui apenas livros que concluí a leitura, embora tenha arriscado ler muitos outros , que acabei abandonando por hora. E concluí livros muito bons, livros memoráveis que merecem um comentário só deles na revisão do ano.

Em 16 de dezembro eu terminei minha última leitura do ano e comentei nas redes:

Com Ciranda de pedra eu terminei minha vigésima primeira leitura do ano. Nada mal para o ano que tive dengue e cirurgia, passei longo tempo sem conseguir ler nada direito. Foi um ano em que quase não comprei livros, praticamente só li livros emprestados da biblioteca do SESC POMPÉIA,ou que ganhei de presente. Voltar a ler exemplares de biblioteca, como quando eu estudava na FFLCH, foi maravilhoso, porque tive oportunidade de experimentar muito mais obras do que essas que conclui a leitura. Algumas vi que não me agradam,outras retomo em outro momento, o importante é estar cercada de livros. Isso me nutre sempre.

Abaixo um comentário rápido sobre cada leitura concluída. Se tiver outro texto sobre o livro, o link aparece em azul na postagem


JANEIRO

1 Becos da memória, Conceição Evaristo


Primeira leitura do ano veio na onda da última do ano passado, que tinha sido o encantador Canção para ninar menino grande, da Conceição Evaristo. Esse ano comecei com Becos da memória , um livo mais cru, mais difícil de ler. Nesse livro muito ao modo das publicaçõs contemporâneas, que mesclam realidade e ficção de forma quase indistinta, o talento de Conceição se expressa  de forma exemplar, tornando esta uma das  leituras que mais me afetou, me deixou bem mal, me senti no beco, de onde demorei para sair. Literatura tem que incomodar, e esse livro incomodou.

2 Estado de líbido, Carmen Faustino


O segundo livro do ano foi o de poemas Estado de Libido, de Carmen Faustino, muito  para tentar amenizar o amargor do beco onde Conceição tinha me colocado. Mas como foi um livro de poesia negra, ele também era um açúcar marrom. Eu amei ler esses poemas eróticos e pretos. Passei a seguir Carmen Faustino, esta poeta negra linda e maravilhosa, nas redes e com isso venho repensando tanto sobre o que é ser mulher negra, pois no decorrer do ano a vida me obrigou a ter esse repertório e muita auto estima. Como você pode ver no link sobre o livro postado acima, nesse livro,  além das belas poesias, temos  ilustrações maravilhosas de Flávia Rosa, que me fez ver melhor o marrom das partes intimas femininas, que quase nunca são ressaltadas e nem os homens,especialmente eles inclsive, olham com o interesse que merecem. Que aprendizado!  

3 A dançarina de Izu, Yasunari Kawabata


Como comecei o ano  com litertatura negro-brasileira, normal que desse uma respirada e o  terceiro livro me levou ao encontro de um dos meus autores favoritos da vida, o japonês  Ysunari Kawabata, que eu sei que é sempre esteticamente atraente e realmente foi. Em A Dançarina de Izu temos o recorte de uma novela, ricamente representado, mostrando um Japão de sonhos que só a pena de ouro de Kawabata consegue traçar.

FEVEREIRO

4 Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo



Depois de muita poesia e  já  um pouco recuperada do trauma causado pelo beco do primeiro livro do ano, voltei a ler Conceição Evaristo com Ponciá Vicêncio. Achei a edição esteticamente linda e sai com ela num tom de roxo e sorrindo, até começar a ler e ver que, ainda que não tenha aquele peso cinza chumbo de Becos da Memória, ele também não é um livro lindo para sorrir. É um livro sobre mulheres, mulheres negras que é roxa violeta e o  ataque aqui é de outra forma.  Acho que esse é  realmente um dos primeiros volumes dela, tem marcas visíveis de herança escravocrata na vida das personagens. Conceição Evaristo é uma escritora negra enorme, é preciso ler o que ela escreve, mas para lê-la é preciso coragem e força.

5 Destilo melanina e mel, Upile Chisala 



Achei na biblioteca "Eu destilo melanina e mel", um livro de poesia da bela Upile Chisala, uma contadora de histórias do d Malawi, que se formou pela Universidade de Oxford e vive em Johanesburgo, África do Sul e na obra, não sei se pela tradução, temos muito reforçada uma linguagem pós colonial de empoderamento feminino , mais como militância do que como experiência sentida pela mulher sob o colonização (como li recentemente  em  Carmen Faustino ou em Conceição Evaristo). Desse livro eu não gostei tanto, não faz muito meu tipo, mas foi uma experiência esse contato.  

6 Mil Tsurus, Yasunari Kawabata




Ai voltei a Kawabata  e li Mil Tsurus, um dos melhores dele que conheço, me lembrou tanto Guimarães Rosa! Aquela escrita deslumbrante, mas agora tratanto de temas fundamentais, sobre  o Japão pós segunda guerra, numa trama  lírica e sensual muito bem construída que me faz até gostar mais do Japão (só Kawabata!) kkkk

MARÇO

7 Voragem , Jun'ichirō Tanizaki





Super influenciada pelo Kawabata, quis saber mais da literatura japonesa,ouvir outras vozes literárias de lá e 2024 realmente foi marcado por essa busca. Muito recomendado, pelo bem ou pelo mal, eu li meu primeiro Tanizaki, que foi  Voragem. Esse livro realmente mudu minha vida, me fez agir em meu favor, me afastar de histórias que estavam minando minha energia há anos. Depois, no final do ano, precisei fazer esse movimento de novo, mas já com tanto sofrimento real como aconteceu após a primeira leitura de Voragem. Que aprendizado.

8 Kyoto, Kawabata


Depois da porrada de Voragem, voltei à contemplação do Japão de Kawabata em Kyoto, em um dos seus livros com mais japonesices, me perdi em meio a tantas festas e rituais tradicionais, mas é  também um dos mais belos textos, como um desenho delicado! Que autor maravilhoso! Mais que recomendo.

9 Conspiração de nuvens, Lygia Fagundes Tellles



Depois dessas leituras deslumbrantes, me acalmei voltando a ler alguns contos de  Lygia Fagundes Telles, minha autora brasileira favorita. Ja estava numa fase de baixa energia e nem tirei foto com esse livro. Pra a pequena  compilação de contos Conspiração de nuvens, não cheguei a escrever um post específico, apenas sobre um tema que me ficou gravado na memória e que ainda s liga ao impacto da leitura de Voragem, que é respeitar o Direito de quem escolheu não te amar. Essa foi uma das lições mais fortes e doloridas que aprendi em 2024!


ABRIL E MAIO: DENGUE E CIRURGIA 

Aquela baixa energia e exaustão  sentida com o ultimo livro se consolidou no meu corpo e em abril e maio tive reais problemas de saúde. Em abril tive dengue e em maior passei por uma cirurgia , tudo isso me deixou muito fraca, sem possibilidade de me concentrar em leituras. Foi bem tenso. Mas também passou.


JUNHO

10 Oito Contos de amor, Lygia Fagundes Telles


Estava dificil concluir as leituras, mas continuava tentando. Para não deixar minha contista favorita Lygia Fagundes Telles no vácuo pela mal recebida leitura do seu último livrinho, assim que me vi mais disposta a ler depois das doenças, a ela que eu voltei, com foto e post comentando conto a  conto, como manda o figurino com a compilação Oito contos de amor Em uma edição meio paradidática, conta com um depoimento lindo de Lygia, que comentei no post linkado e traz contos sublimes e cruéis, como esperava de Lygia.

11 Claro Enigma Drummond


Gosto muito dessa foto:
Recuperada depois de ter ficado muito mal

Me deparei com um dos melhores livros do ano, Claro Enigma, de Drummond e esse, confesso, é um caso em que o livro é maior que  a gente, por isso não consegui escrever sobre, nem comentar direito. Foi uma entrada na esfera da maturidade e a beleza de uns dos mais belos poemas de Drummond destacando essa fase da vida. 

Para no dizer que não postei nada sobre esse livro enorme, nesse post sobre o instrumental de  26 de junho, comentei:

"Na terapia começamos falando do livro que tem salvo minha vida, o Claro Enigma, de Drummond, um livro de poemas da maturidade do nosso querido poeta, que tem me feito pensar muito na vida, nas escolhas passadas e fazer um balanço da vida na maturidade! Como se eu fosse uma personagem de Jeferson Tenório, é sempre  um livro o que vem me salvar de crises e dificuldades! "

JULHO

12 Tsugumi Banana Yoshimoto



Voltando ao universo das vozes literárias japonesas, quis terminar um livro escrito por uma  autora japonesa, já que tinha largado Relatos de um gato viajante , de  Hiro Arikawa e emprestei Tsugumi, de Banana Yoshimoto, que achei uma bobagem sem fim. Um livro adolescente, não serviu para mim, mesmo.

13 Noites brancas Dostoievski


E foi nesse ano  que li Noites Brancas, meu primeiro Dostoiévski. Foi um pouco decepcionante,muito romântico pro meu gosto, mas passei o pano necessário: não é um romance, é uma novelinha etc. Para encarar um romance desse mestre ainda não estou preparada.

AGOSTO

14 Homens sem mulheres Murakami


E agosto trouxe Homens sem mulheres minha primeira leitura de  Haruki Murakami, e um  um dos concorrentes a melhor livro de 2024, pois  realmente pirou meu cabeção de agosto para o resto do ano. O post sobre ele que linkei cima é um dos mais longos do blog! Que livro, meus amigos! Recomendo.

SETEMBRO/OUTUBRO

15 Oração para desaparecer, Socorro Acioli


A vida me puxou para outras coisas além da leitura, mas em outubro, mês do meu aniversário, consegui ler,enfim, o livro que queria ler desde o ano passado, o livro  do ano de 2024, Oração para desaparecer, da Scorro Acioli que ganhei de presente de aniversário. Esteve na minha cabeça muito tempo, mas foi além, já pensava  nele antes de ler, pensava durante a leitura, depois pensei mais anda.Como podemos ver no post sobre ele, a identificação comigo foi assustadora!  Não vai ter como não lembrar de 2024 como o ano de Oração para desaparecer.

16 Acabou Chorare, Márcio Gaspar


Ganhei de aniversário Acabou Chorare, mais um livro de disco, tema de meu total interesse e foi um delicia ouvir e me dedicar novamente a pesquisa sobre canção popular brasileira.

17 Caetano Veloso (Folha explica)


Na trilha dos livros sobre canção popular brasileira, pegei esse livrinho sobre Caetano que tenho faz tempo, mas não tinha lido de cabo a rabo. Agora li, mas não tive tempo e atenção para escrever  sobre. Caetano é sempre desconcertante!

NOVEMBRO

18 Sono MURAKAMI


Em novembro li Sono, meu segundo Murakami. Escrevi sobre um comentário muito menor do que ele merece, mas foi o que deu nesse clima de fim de ano.

19 Relato de um certo oriente (releitura)


Em dezembro reli Relato de um certo oriente (esse link é sobre a primeira leitura), antes de assistir ao filme Retrato de um certo oriente de Marcelo Gomes. É meu favorito de Hatoum, e o filme é muito bom .

DEZEMBRO

20 De onde eles vêm, Jeferson Tenório


Ganhei De onde eles vêm de presente de natal. Li, gostei em partes. Foi um pouco decepcionante, muito por causa de Avesso da Pele ser aquilo tudo,  tinha muitas expectativas com Tenório, mas é um bom romance.

21 Ciranda de pedra, Lygia Fagundes Telles


Terminei o ano lendo o primeiro romance de Lygia, como disse acima, e foi muito diferente achar minha contista em outra esfera. Terminou bem esse ano de maravilhosas leituras. 

Que venha 2025!