sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Lançamento do meu livro "Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa"

Capa do meu livro, com desenhos do Marcio Reif 

Sim, meu primeiro livro foi publicado! Que emoção, minha gente! 

No dia 3 de dezembro de 2021 aconteceu a live de lançamento da minha tese publicada em em livro pela Editora Desconcertos, com a presença do Editor Claudinei Vieira e a responsável pela Coleção Acadêmicas, Paula Autran: 


Um print da Live

Caso tenha interesse em assistir, está disponível aqui :


Primeiro  me  preparei para a ocasião


Depois fizemos os testes necessários 

Mas não foi o suficiente para garantir uma boa conexão, se não me engano, caí umas três vezes! Muitas pausas (M%, diria Rosa), e fiquei tão atarantada que não sabia onde estavam os livros que queria ter mostrado na hora. Estavam atrás do computador! Eram esses livros

Livros de contos de Rosa "Primeiras Estórias"(1962) ;"Tutaméia"(1967) 
E "A última aventura do Sete de ouro", adaptação de um conto de Sagarana (1946) para as crianças 
 pelo tio e autor infantil Vicente Guimarães (1960)  


Mas de qualquer forma pude falar bastante, sem chorar nenhuma vez! Sei que muita gente amiga estava assistindo, a Patricia Rafaini que foi da minha banca, o meu orientador na tese Elias Thomé Saliba (sempre os mais produtivos comentários), foi muito especial!
O livro do ano de 2021


Em determinado momento a Paula perguntou qual seria a importância desta publicação para os nossos dias atuais e eu  responder :
"Essa tese eu defendi em 2014, há sete anos, mas só agora em 2021 surgiu a oportunidade de publicá-la em livro e eu, como Guimarães Rosa, não acredito que nada aconteça por acaso: Em 2021, em um dos mais conhecidos prêmios literários do país, o Jabuti, premiou a obra Sagatrisuinorana , de João Luiz Guimarães, como  melhor livro infantil. A sinopse do livro nos conta:
"

"O livro Sagatrissuinorana é uma homenagem a João Guimarães Rosa que reconta a fábula dos Três Porquinhos, mas tendo como pano de fundo o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho. O texto segue a sintaxe rosiana, ao mesmo tempo em que não se furta a registrar criticamente duas das maiores tragédias socioambientais do país — e que tiveram as Minas Gerais como palco.

Afinal, o que fazer quando a realidade parece superar a ficção? Diante do devastador tsunami de lama ainda haveria a possibilidade de se temer o lobo? O simbólico e o real medem suas forças neste livro tão potente, com um final aberto a inúmeras interpretações."

Discussões tão atuais, trazidas às crianças, possibilitou que o livro levasse também o prêmio de LIVRO DO ANO 2021, destacando esse ano como o ano em que Guimarães foi associado ao tema infância e eu meu livro também participamos dessa marca! Fiquei muito contente!

Agora lançado, o meu livro continua em pré venda neste link .

A divulgação da live que a desconcertos fez trouxe até um trecho do prefácio escrito pelo Elias:


 O texto de lançamento: 

"ESCREVENDO A LÁPIS DE COR: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa

Camila Rodrigues

Sondando uma documentação minuciosa, composta por correspondência de cartões-postais; as três séries dos trinta cadernos manuscritos de Guimarães Rosa; escritos dispersos em periódicos, desenhos ou sugestões de imagens e capas feitas pelo próprio escritor e de inúmeras outras fontes – além, é claro de amealhar toda a portentosa fortuna crítica de Rosa – quase que poderíamos dizer, com Willy Bolle, que Camila Rodrigues chegou bem perto de penetrar na “câmara íntima” de criação do escritor. 

Por tudo isto, incluindo a meticulosa e sensível escrita da intérprete, o livro é uma contribuição inestimável não apenas à uma história cultural da linguagem das crianças, mas também porque, ao amealhar e dialogar com a extensa fortuna crítica do escritor, ensaia uma inédita interpretação das incríveis narrativas do autor de Tutaméia."


Tudo muito bom para ser verdade, mas foi verdade sim! Viva Guimarães Rosa!


quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, mas as leria neste romance?

 

Só boas recomendações sobre este livro de Marçal Aquino, foi meu “contemporâneo” do mês de novembro porque adorei o título! Ele chegou aqui em casa no dia do meu aniversário. embrulhado pra presente, expectativa não me faltava. Mas como dizem, expectativa é mãe da decepção, né? Será que foi o caso? Vejamos minhas impressões de leitura.


Poxa, agora que concluí a leitura, é estranho lembrar que minha primeira referência foi  Milton Hatoum! Depois não pensei mais nele, não vi necessidade. Esse ponto que destaquei, do filme ser muito imagético, parecendo até um roteiro de cinema, é mesmo verdade. Gosto especialmente das cenas na pensão da dona Jane, onde o narrador de grande parte do romance, o Cauby, interage com o homem careca, que conta sua dramática história de amor a um menino e o fotógrafo, espertamente, faz uma analogia com a história central do romance entre ele e a Lavínia.  Se eu fosse cineasta, faria um curta dessa história, ficaria bonito. Mas minha dificuldade em engrenar na leitura apareceu logo:

EU RECEBERIA- Passado o primeiro contato bastante positivo com o livro de Marçal Aquino,  constato que a leitura não flui tão bem nas primeiras 50 páginas. Sei que é melhor comentar só quando estamos perto ou passamos a metade do livro, mas tanta expectativa em torno dele me dá a sensação de que passei da hora certa de ler esse livro, isso me obriga a tecer alguns comentários agora. Menos poético (às vezes até cafona, talvez propositalmente, como que dialogando suavemente com o universo tecno brega do Pará? Uma palavra muito usada no início é "eletricidade"...) do que eu gostaria e ele prometia, gosto muito dele  ser um livro centrado na fotografia, no olhar fotográfico para a vida (está na capa e até o amor é sutilmente construído a partir dessa chave), acho original e divertido tantas citações a palavra "filme" fotográfico, mas a leitura não me arrebata como eu gostaria. Espero que quando chegar na metade a sensação melhore, porque abandonar a leitura eu não vou...

Acontece que a vida me chamou e eu acabei tendo que deixar o livro de lado por um tempo, mas quando  voltei  comentei: 

EU RECEBERIA - Depois de uns dias fora, volto pras histórias do Cauby. Não sei porque, não confio muito nele, sempre acho que ele vai se revelar um vilão e esse amor por Lavinia, romântico demais até pra mim, me cheira a disfarce. Não é que não fui com a cara dele, achei só um chatinho, mas algo me faz desconfiar de suas boas intenções... Veremos!

Mas seguia lendo o livro, que ao contrário da impressão inicial, não é poético e nem prende a atenção da gente na leitura como eu gostaria. Até que cheguei na metade



Acho o Cauby um chato. Paulistano (tinha que ser), está no Pará, até curte, mas não se envolve, é tudo tão fake, fica fumando maconha, lendo poemas e filósofos  e  seus momentos inesquecíveis são os que ele transou loucamente com a mulher ao som de Beethoven! 😵 Tudo isso poderia ser cômico, mas nem isso! Cauby é um deslocado, não é um cara mau, é só um mala paranóico na moça. Já o pastor Ernani , marido da Lavinia, é o próprio lobo mau em pele de cordeiro,  se acha o salvador da pátria e, claro, quer salvar a Lavinia, não importando o que ele precisa fazer para isso. Sobre ele eu comentei, transcrevi até um trecho (nesse livro não tem post its)  :

"Ernani achou bonita a mulher, uma das que tocaiavam clientes de um jeito dissimulado nas imediações do hotel. Gostou dos olhos escuros, pareciam misteriosos, ancestrais. Tudo poesia da cabeça daquele servo de Deus: na verdade, Lavínia estava baratinada com anfitaminas. Mal conseguia ficar em pé. Era assim que sua metade suave suportava a vida áspera que andava levando." (P. 85)
O capítulo mudou, por enquanto não estamos mais vendo a história a partir dos olhos do Cauby, o fotógrafo quarentão do tipo que "cita filósofos"🙄, mas o interesse que o rosto de Lavínia ("quase uma antiguidade") despertava nos homens continua. Como de costume nos livros de escritores homens, as mulheres acabam sendo um lindo mistério, a gente se pergunta, muitas vezes sem resposta, quem é essa mulher? Muitas vezes essa é a grande questão.

Depois tem um capítulo sobre a vida pregressa de Lavinia, meio que para tentar "explicar" o fato dela se uma mulher atribulada, que assume várias personalidades a cada momento, mas isso é bem pouco explorado. Assim como o contexto de guerra pelo ouro, que é muito interessante e importante, que explicaria melhor muitas tramas do livro, mas Marçal preferiu ficar centrado nesse amor cafona (nada contra cafonice verdadeira, mas no livro não é  autêntico) do Cauby pela Lavinia. 

Ai gente, não é que achei o livro ruim, mas tem tantos livros melhores, eu poderia ter dado meu tempo para outra obra, né? Não pude deixar de pensar isso. Até que eu, enfim, cheguei na parte final do livro :

TEMPO DA ESPERA -Poucos perceberam, mas estava sem internet desde ontem por volta das 22 horas. Fiquei muito pistola, afinal amanhã é lançamento do meu livro, cadê meu wi-fi? Pois o técnico veio resolver, descobriu que precisava receber instruções da central, então ficamos mais tempo esperando do que outra coisa. Eu, por outro lado, deixei ele absorvido com o tel da central e peguei o livro do Marçal Aquino para terminar de ler. Terminei. Com dois dias de atraso e por causa de um longo tempo de espera, meu novembro, enfim, acaba de terminar! Quando tiver um tempo escrevo no Pequenidades sobre o romance, juro q tentarei ser menos arisca do que fui nos comentários durante a leitura, porque agora (quem diria), estou até num luto por essa leitura!

Agora que estou escrevendo. infelizmente, não estou mais amistosa com o romance. Sinto falta de ler um romance, mas preferia que fosse um melhor. 


Acho que é isso!

O FILME


Como disse, temos adaptação para o cinema, com a linda Camila Pitanga como Lavinia. Não assisti, queria ler o livro antes, mas como não deu nada certo, é certo que nem vou ver. Já deu!
Mas queria saber se a dançante e instigante música "Império de Lei", do Caetano, que destaca a questão da violência da guerra entre os seringueiros e a mineradora, que foi e é a realidade dessa parte do Brasil, foi feito para ser trilha desse filme ou não. Mas é o próprio Cae quem respondeu em duas entrevistas :

"Vendo o filme ["Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios"], fiquei muito emocionado e pensando nessa situação do interior do Pará, que a gente acompanha pela imprensa há muitos anos, com a sensação de que o império da lei ainda não pôs seus tentáculos ali de modo firme. No filme, Dona Onete canta sobre uma batida, eu queria essa batida para essa música. Falei com a banda, e eles entenderam logo. No filme,  a batida estava discreta, eu queria trazê-la para a frente. Queria algo bem forte, pra ser um brado mesmo. Pelo ritmo, tem um certo caráter de canção de festa, mas é nitidamente um brado de luta." (Caetano Veloso para o Jornal O Globo, 2012).

"O Império da Lei, nasceu de eu ter visto um filme brasileiro chamado "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios". A história passa-se no Pará e há assassinatos anunciados, como aconteceu com Chico Mendes e com a freira Dorothy Stang. Usei essa expressão "império da lei", tão repetida na lista de características das democracias liberais do Ocidente, o que é meio estranho. Parece que não abandono o espírito tropicalista de deslocar palavras, imagens e ideias dos seus contextos." (Caetano Veloso para o jornal Público, 2014).  


Só esses comentários, e também a beleza da Camila Pitanga, me deu vontade de ver esse filme, vai que no filme essa guerra não fica só de pano de fundo, como é, angustiantemente,  no livro! Mas segundo esse Youtuber, o único que fez críticas mais bem construídas do livro,  compara livro e  filme, também não tem. Aff

Desculpe a impaciência de falar desse livro, mas tinha que ser sincera. 



domingo, 28 de novembro de 2021

III Congresso de Estudos da Infância: Movimentos, Limiares e Fronteiras 2021

 


Em novembro de 2021 começou  eu já estava exausta, como agora eu tenho treino de manhã, sabia que não ia dar para acompanhar tudo,  e o evento era muito grande, não dava mesmo  para acompanhar tudo,  mas ao final  deu tudo certo e acompanhei pelo menos uma mesa em cada um dos dias, comento um pouco aqui.

23 de novembro : Cerimônia de abertura

Logo na cerimônia de abertura tivemos três conferências interessantes, a primeira foi a tocante fala da professora Juliana Merçon (Universidad Veracruzana/México), sobre infâncias em situação de adoção (comentei, com traços pessoais, AQUI). Juliana, mãe adotiva de Michele, se emocionou muito na sua fala, e sabendo que ia se emocionar, pediu para falar em espanhol e ler um texto. E foi muito lindo. Ela fala sobre muitas questões, como a da institucionalização da adoção; os objetivos dela  (direito da criança a  ter uma família, de ser amada, de ter sua auto estima construída, etc). Por outro lado, fala sobre o acesso difícil da criança à sua "origem" biológica (parte que lhe foi negada, e que tantas vezes ela não se sente no direito de buscá-la, afinal ela já tem família...).

Em seguida tivemos a fala do professor Flávio Santiago IFMT USP, sobre infâncias na migração africana, pesquisa que, nas palavras delem "procura abordar o acolhimento e a inserção de crianças negras africanas no contexto  da educação infantil paulistana". O pesquisador conversou com pessoas nas creches  e recebeu pelo menos dois tipos de comentários. O primeiro foi das secretárias e funcionários administrativos, que traziam palavras duras, reforçando o imaginário ocidental sobre África como região pobre, suja (que fediam), sem cultura e tecnologia, o que foi contraposto a partir de uma mãe,  que aqui  era professora de francês, lecionou para jornalistas e cuja filha aluna falava francês e diversas línguas africanas, ensinava as outras crianças diversas canções africanas, o que era um compartilhamento cultural muito rico. Também nessa linha, o professor ouviu as professoras dessas crianças, que traziam outras informações que contribuíam para a quebra de estereótipos, como de que as crianças eram animadas, as roupas das mães eram coloridas, os turbantes muito alegres, as mães receptivas aos trabalho dos professores. os estereótipos, explicou o pesquisador, servem como justificativa para o preconceito contra os grupos imigrantes e, no caso, também o racismo e como ele existe na educação infantil, é nela que deve ser combatido. 

 A terceira e última apresentação foi da pesquisadora Jana Tabak UERJ, que tem um importante estudo sobre a militarização da infância, recebeu a seguinte pergunta de F.R.S.:

"​P/ Jana: Em favelas cariocas, a instituição PM investe em dias de lazer p/ crianças em batalhões. Seria um investimento em "formação de crianças soldadas" para "outras guerras"? Políticas de segurança?"
Jana disse que não tem respostas prontas, mas pontuou que o apontamento dessa realidade só mostra o quanto a militarização está presente na vida infantil, mais do que imaginamos e com isso acaba sendo legitimada! Discutir essas questões é fundamental para o Brasil atual, onde criança fazer arminha com a mão virou símbolo da nação. Que mundo é esse que nós estamos vivendo?!

24 de novembro : Mesa  sobre infância e música, com os seguintes trabalhos:*“CAMINHOS ENCANTADOS”: UMA EXPERIÊNCIA ESTÉTICA EM DANÇA COM CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: Patrícia Gomes Pereira

*MÚSICA DE BRINQUEDO, PATO FU: O CONCEITO DE BRINQUEDO EM QUESTÃO: Camila Rodrigues

*MÚSICA INFANTIL: TRANÇANDO O TEMPO E ENTENDENDO A HISTÓRIA: Anderson Carmo de Carvalho, Andrea Rosana Fetzner, Maya Suemi Lemos

*LIBERDADE E EDUCAÇÃO: GESTO POÉTICO E POLÍTICO NO ENCONTRO DA MÚSICA, INFÂNCIA E DOCÊNCIA: Bianca de Oliveira Cardoso, Sandra Regina Simonis Richter

Foi uma mesa muito gostosa e apaixonante, com professores que trabalham diretamente com crianças, teve acolhimento, debate e trocas, Eu colo aqui o resumo da minha apresentação :

MÚSICA DE BRINQUEDO, PATO FU: O CONCEITO DE BRINQUEDO EM QUESTÃO

Palavras chave: Brinquedo, Infância, Música de brinquedo,Pato Fu,Teoria da canção

Música de Brinquedo, Pato Fu: o conceito de brinquedo em questão Camila Rodrigues 1 Resumo: Um utensílio para brincar, oferecido pelos adultos, só se torna um brinquedo depois de assumir novos significados através da brincadeira (BENJAMIN, 2002, p. 95-102), tornando-se “objeto específico da infância” (FANTIN; PIACENTINI, p. 67), pois é o resultado de um processo de subjetivação inaugurado nos primeiros tempos da vida (JARDIM, 2002, p. 09), mas que reaparece sempre que o ser humano brinca, não importa a idade (WINNICOTT, 1975).Para problematizar o papel do brinquedo escolhemos analisar o projeto, destinado ao público infantil, Música de Brinquedo, do grupo de rock brasileiro Pato Fu, constituído por um álbum (2010) gravado usando instrumentos de brinquedo e miniaturas, com arranjos compostos com a inserção de falas e cantos de criança e também de uma “paisagem sonora” (SCHAFER, 2001, p.11) infantil, ou seja um ambiente acústico formado pelos sons que a gurizada produz e ouve; e um DVD (2011) ao vivo, com a participação de bonecos do Teatro Giramundo (MG), no qual vemos os integrantes da banda curvando-se para tocar os delicados instrumentos de brincar infantis. O interessante projeto incita algumas indaçações sobre a conceituação de brinquedo: Em quais momentos aqueles instrumentos seriam brinquedos, ou “de brinquedo” (ficcionais)? Para crianças ou para adultos? Ainda que não cheguemos a conclusões definitivas, analisar esta fonte nos permite discutir a abrangência e os limites da utilização do brinquedo como instrumento de trabalho musical adulto e com isso adentrar os estudos sobre infância a partir da compreensão e articulação do conceito de brinquedo nas concepções de W. Benjamin e D. W. Winnicott; como também esboçar uma investigação metodológica mais atual, utilizada no campo interdisciplinar da Teoria da Canção (CORREA, 2016, p. 183), que é a da análise da performance artística (exame do repertório, criação, arranjos, apresentação do palco, etc.) do Pato Fu nesta proposta envolvendo o universo da criança. Palavras chave: Brinquedo; Infância; Música de brinquedo; Pato Fu; Teoria da canção.

FONTES

CD PATO FU, Música de brinquedo, Brasil, 2010.

DVD PATO FU Música de Brinquedo ao vivo, Brasil, 2011.

REFERÊNCIAS

BENJAMIN, Walter. Brinquedos e jogos. Trad. Marcus Vinicius Mazzari. In: Reflexões sobre a         criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Editora 34, 2002, p. 95-102.

CORREA, Priscila Gomes.Nada me consola: cotidiano e cultura nas canções de Caetano Veloso e      Chico Buarque. Salvador: EDUNEB, 2016

FANTIN, Monica & PIACENTINI, Telma Anita. Museu do brinquedo como centro cultural. In:          LEITE, Maria Isabel & OSTETTO, Luciana Esmeralda. (orgs). Museu, educação e cultura:            Encontros de crianças e professores com a arte. Campinas: Papirus, 2005, p.55-72.

JARDIM, Claudia Santos. Brincar: um campo de subjetivação na infância. SãoPaulo:Annabl

ume;Fortaleza: Secult, 2002.

MACHADO, Silvia Ambrosis Pinheiro. Canção de ninar brasileira: Aproximações. São Paulo:            DUSP, 2017.

RODRIGUES, Camila.Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de

Guimarães Rosa.São Paulo: Desconcertos Editora, 2021.

SCHAFER, Murray. Afinação do mundo. Trad. Marisa Trench Fonterrada. São Paulo: Ed. Unesp,

 2001.

WINNICOTT, D.W. O Brincar e a realidade. Trad. José Otávio de Aguiar Abreu e Vanede Nobre.            Rio de Janeiro: Imago.1975. 

__________________O Destino do objeto transicional. In: WINNICOTT, Clare. Explorações psicanalísticas : D.W. Winnicott/ Clare Winnicott, Ray Shpherd &Madaleine Davis.Trad. José Octávio de Aguiar Abreu, Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994, p.44-8.

 Como não pude mostrar o Power Point, colo aqui os slides
















Só tenho a agradecer ter participado desse congresso 💓

25 de novembro : Mesa sobre protagonismo infantil na pré escola e Cerimônia de encerramento

Nesse dia eu consegui assistir à mesa de discussão "MANIFESTAÇÕES DO PROTAGONISMO INFANTIL NAS RODAS DE CONVERSA NA CRECHE", com Miriam Nogueira Duque Villar, Ana Rosa Costa Picanço Moreira, Andressa Lodron de Oliveira e foi aquela gostosura de ouvir experiências de professoras, falando sobre seu cotidiano junto às crianças na creche, sobre  como a fala e a escuta, nunca é algo dado à criança, mas ela logo percebe que tem que conquistar esse protagonismo. Sobre esses processos de negociação falaram belamente as professoras.

Depois, também nesse dia, tivemos as conferências de encerramento, dois palestrantes falaram sobre infância em contexto pandêmico e pós pandêmico.

Primeiro tivemos Patricia Redondo (UNLP, Argentina): Las fronteras de la desigualdad: infancia(s), educación y políticas, falando sobre quais projetos a América Latina pensa em construir na pós pandemia.

E o  professor Levindo Diniz (UFMG, Brasil): Infância e pandemia: escutar as crianças em contextos de crise, falando sobre um trabalho de enviar um questionário a  crianças sobre a pandemia na região metropolitana de BH em 2020, trazendo o que elas pensam sobre, seus medos, suas inseguranças, os aspectos bons e ruins da quarentena, num trabalho lindo que eu recomendo dar uma olhada no vídeo de encerramento que likei acima.

Como sempre, adorei esse congresso! 

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

"O avesso da pele", de Jéferson Tenório levou o Jabuti de melhor romance de 2021

 

Eu, depois que terminei de ler esse super livro


Algumas horas antes saiu o resultado E O GRITO QUE EU DEI! A  minha satisfação é inenarrável! A história do Hamlet negro, tão importante pra gente, trouxe o Jabuti pra nós, com Ogum entre os dedos! Torci tanto, quis ser representada por esse prêmio com esse livro maravilhoso, que realmente me deixou sem palavras esse ano. Publiquei em meados de setembro:


 Nós ganhamos desta vez! 

Mas preciso  lembrar que o livro não é só sobre racismo, é sobretudo um LOUVOR À LITERATURA, poder no qual o pai de Pedro sempre acreditou! É por essa crença, também, que esse livro é tão vencedor! 


Divulgação do prêmio na live da premiação 



Congresso de Estudos sobre Infância : Infâncias em situação de adoção

 


 Estou acompanhando como posso o congresso de estudos sobre infância, organizado pela UERJ , e está sendo muito importante. Ontem, na mesa na qual participei, teve troca, debate, acolhimento, mas principalmente muita paixão pelo tema por duas participantes que não são da área de pedagogia,  em especial, eu que sou historiadora e uma professora de dança da UFRJ, Patrícia Gomes Pereira. Sobre minha paixão, sei que é aparente e nem procuro esconder, mas nem comentei sobre esse assunto (preferi debater outros pontos), mas a Patrícia explicou que seu interesse pelo tema infância surgiu com o nascimento do seu filho, agora com sete anos. E eu, que não tenho (nem terei) filhos? Mas, como todo mundo, tive infância é disso que vem meu interesse. Na conferência de abertura, no dia 23, ouvimos a tocante fala da professora Juliana Merçon (Universidad Veracruzana/México), sobre infâncias em situação de adoção. Juliana, mãe adotiva de Michele, se emocionou muito na sua fala, e sabendo que oa se emocionar, pediu para falar em espanhol e ler um texto. E foi muito lindo. Ela fala sobre muitas questões, como a da institucionalização da adoção; os objetivos dela  (direito da criança a  ter uma família, de ser amada, de ter sua auto estima construída, etc). Por outro lado, fala sobre o acesso difícil da criança à sua "origem" biológica (parte que lhe foi negada, e que tantas vezes ela não se sente no direito de buscá-la, afinal ela já tem família...). É sempre o caso do conto de Rosa sobre Drijimiro, o "caso achado", que "nada sabia sobre sua infância, mas recordava-a demais" a partir do som de um pedaço de frase oral (lá, nas campinas), sua única herança preciosa. Eu não tive um bem tamanho, a principio, só a ausência, abandono e questões. E sobretudo, qualquer coisa que eu tenha tentado, fracassado ou conseguido fazer com esse vazio essencial. Este tema sempre me emociona, é tão eu! 

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Lembrança de boa leitura 2021

 


Estava lembrando a grata surpresa que foi esse romance de  estreia do Stenio Gardel, um grande  livro de 2021. Cheio de poesia, cheio de verdades escondidas, meu volume está cheio de marcações. um dia temas é o conflito entre letrados e iletrados, um dos mais violentos e silenciosos da História Cultural brasileira. Raimundo, que assinava com os dedos, aprendeu a ler e escrever já idoso e recebe o RG novo, com o carimbo ALFABETIZADO. E pensa:

"Alfabetizado. Palavra das grandes, tem "a" e "z",a primeira e a última. alfabetizado sabe do "a" ao "z", mas escrever o nome é mais do que saber letras. Tinha que juntar uma na outra e se juntar a elas. Só assim faziam um nome completo mais que letras,todo ele, de "a" a "z". (A palavra que resta, Stênio Gardel,p.27)

Acho lindo. Alguns livros fazem a gente não perder tempo com outros...

Aqui tem a primeira leitura que fiz dele.

sábado, 20 de novembro de 2021

Dia da Consciência Negra 2021: reflexão e orgulho na Pandemia

 

Dois momentos de 20.11.2021: 
À esquerda Preto Prata; à direita Preta Rara

O feriado foi antecipado para o começo do ano (quando ainda nem tínhamos vacina) por causa da pandemia, por isso fui treinar. De qualquer forma é o dia mais legal do ano, mesmo que eu ainda não esteja segura para me unir aos irmãos em confraternizações.

Como sempre aparecem os Morgan Freeman nas redes sociais,botei todos na geladeira.



Expliquei o que é Consciência Negra 

Dei a fica para se internar do tema

Ao final, como sempre, o dia foi exaustivo, mas frutífero. Espero estar viva em 20/11/ 2022,  contrariando as estatísticas.