quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Sobre os homens negros


Refiro-me ao texto O mal estar da masculinidade negra contemporânea, do sociólogo  Henrique Restier da Costa Souza e publicado na Carta Capital.

Porque o tema muito me interessa em diversos aspectos (eu venho refletindo muito sobre isso e já tenho até algumas ideias próprias a respeito), li este texto, escrito por um negro para homens negros, com atenção e, de fora, ia compreendendo e até concordando com que estava sendo dito. Algumas vezes, ia pensando "isso também acontece com a mulher negra" (especialmente a parte super valorização da imagem sexualizada do corpo negro, que deveria seguir certos esteriótipos, enfim)". Em algum momento o autor do texto refere-se a uma espécie de ideal de homem negro construído simbolica e historicamente e que tantas vezes é opressor, e sua existência, claro, conta com a participação e legitimação da mulher branca ou negra. Pois é. Infelizmente concordo com isso, mas acrescento que mais ou menos o mesmo acontece com a mulher negra... enfim.

Fiz uma auto crítica e passei a refletir sobre os motivos dos meus interesses em homens negros. Logo concluí que não são sexuais ou mesmo estéticos (embora os ache lindos, é verdade, mas isso é só um detalhe, para isso bastaria olhá-los, não justifica o desejo de estar cada vez mais perto deles). É que, até hoje,  apenas eles foram capazes de despertar em mim  um outro sentimento de ternura, uma espécie calorosa de identificação, de compreensão, de complementação, de pertencimento a algo. É um prazer de estar no mundo. 

Mas sei, também, como é dolorido ouvir um homem negro, pois "a tristeza é senhora, desde que o samba é samba é assim". E também dói em mim essa dor, de alguma forma. Vou continuar refletindo sobre isso, por enquanto...