quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Tempo literário

 
Meu livro de novembro 2023

SEM TEMPO, IRMÃOS: Lendo o livro de contos de Lygia Fagundes Telles (minha contista brasileira favorita) penso como cada pedacinho daqueles é,pode ser, um mundo que exige tudo de mim, percebo que não tenho tempo para informações que só me desconcentram. Guimarães Rosa estava certo, o tempo literário  não é o cronológico, informativo. Literatura é muito maior e é dela que preciso.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

NA TERAPIA : Querer um livro, querer um homem,

 
Detalhe da capa de Felicidade Clandestina
De Clarice Lispector. RJ; Rocco 1998.

"... Não era mais uma menina com o seu livro: era uma mulher com seu amante." FELICIDADE CLANDESTINA Clarice Lispector 


Semana passada comentei sobre esse conto clássico de Clarice na terapia. Eu sabia que esse ano todo eu desejei fortemente um homem como se ele fosse um livro precioso. Mais do que isso, eu desejei TER para mim esse homem. Disse até que quis infantilmente, com aquela onipotência que uma criança acredita ter, na certeza de que ele já era meu, era só uma questão de tempo. Mas ele não era, não é. Tão difícil dizer NÃO a sua criança interior,mesmo depois de adulta.

O homem não tenho, mas eu tenho livro de Lispector, que posso abrir no colo, "sem tocar,em êxtase puríssimo".

Já é uma satisfação, Freud já dizia que nunca abrimos mão, apenas substituímos os prazeres,  e,no caso , a troca não foi  pouca.

domingo, 26 de novembro de 2023

Invenção e memória : livro do mês de novembro

a dama 

                             

Quando emprestei estava
muito calor no Sesc Pompéia 


Totalmente atrasada nas leituras, só fui escrever sobre o livro de outubro em meados de novembro e só depois disso escolhi a leitura do mês.
 
Nesse meio tempo vim lendo e relendo trechinhos de vários livros de estudo, especialmente o Segredos Guardados , do Reginaldo Prandi
Esse é um livro da vida, para mim

Ou outros contos brasileiros como Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector

Meu favorito da Clarice

 E isso vem me ajudando a viver. 

Mas o livro do mês, mesmo, é outro.

Novamente emprestei o volume de contos Invenção e Memória, de Lygia Fagundes Telles, da biblioteca do Sesc Pompéia e achei que leria rapidinho. Só que não. Lygia é Lygia e é, para mim, uma das melhores escritoras do Brasil. Ainda não terminei a leitura, ela deve abarcar o mês de dezembro, pois não posso ler com pressa.

Só o primeiro conto, Que se chama solidão me desconcertou.
Memórias inventadas de uma menina interiorana abastada, cuja infância teria acontecido no século XX, como a de Lygia, entre os temas está sua relação com o suas babás, que chama de pajens,o conto é uma pequena joia, me dá vontade de aplaudir, como quase todos da Lygia.

O conto se desenvolve em torno de uma cantiga, da ciranda infantil "se essa rua fosse minha", que representa a relação da protagonista com as pajens. No conto é transcrito o trecho final 

"Nesta rua nesta rua tem um bosque
Que se chama que se chama Solidão
Dentro dele dentro dele mora um  Anjo
Que roubou que roubou meu coração "

Escrevi sobre o conto depois que li, recortei o seguinte trecho sobre os cabelos crespos de sua Pajem Maricota, que é negra



Escrevi sobre uma capa do livro
Que não é a que eu emprestei 


 E quando a menina lhe pede para cortar mais cana (cana remete ao ciclo do açúcar, sustentado pelo trabalho escravo no Brasil colônia) ela reage enfurecida "pensa que sou sua escrava, pensa? A escravidão já acabou" (p. 10). Isso levou a menina a perguntar ao pai o que era escravidão, ele respondeu recitando uma poesia  que falava de um "navio cheio de negros presos em correntes que ficavam chamando Deus"(p.10)
Apesar da explicação ter sido tão etérea, Maricota mostrou que não era escrava e fugiu com seu namorado trapezista, deixando sua "madrinha" , a mãe da protagonista, que nunca lhe ensina a ler e escrever, indignada com sua ingratidão.

A outra pajem, Leocádia ,era branca e afinada , era quem cantava como soprano, a ciranda que sintetiza  o conto . Mas sua solidão não era menor, como a conclusão do conto nos mostrará.

Gosto das edições de Lygia da  Cia das Letras, como mostrei acima,  porque as capas trazem detalhes ampliados  de quadros  maiores, como enfocando temas importantes neles. Assim também é obra de Lygia são focos em realidades maiores, mostrando textos  às vezes tão impalpalveis que nem parecem dizer nada. Mas como doem.

Nessa imagem da capa de Invenção e Memória  o quadro me  mostra  a  referência a  ciranda de meninas no círculo pontuado de rosa à esquerda, vemos a indicação do sol negro entre os leques a direita. Ainda em relação à ciranda, no conto, a menina vai a procissão no sábado vestida de anjo, com asas de penas brancas, não de crepom como os outros e isso desperta sua soberba infantil.

Ainda sobre  essa leitura eu postei:

LYGIA É LYGIA: Faz uma semana que emprestei o  breve "Invenção e memória" , contos de Lygia Fagundes Telles da biblioteca do Sesc Pompeia. Ingenuamente achei que leria rapidamente, mas Lygia é Lygia, li apenas o primeiro conto "Que se chama solidão" e não consigo sair dele. Ali tem memória de infância ,meninas, escravidão, servidão, solidão das meninas, afetos e o mundo inexplicável dos adultos. Inesperadamente esse conto dialogou tanto com a literatura preto brasileira que conheço e está fresca em minha cabeça, especialmente o romance Torto Arado (2019) e a questão dos cabelos crespos, e da amizade meio agridoce entre meninas. Pensei aleatoriamente que gostaria de já ter lido mais Conceição Evaristo e preciso resolver isso. Mas pelas minhas referências atuais, lembrei mais do amor espinhoso das irmãs do romance de  Itamar, do que da "menina bonita do laço de fita" de Ana Maria Machado, que é uma autora branca como Lygia.  Estabelecer esse tipo de relação é pouco, mas é válido, afinal, estamos aprendendo a lidar com a literatura preto brasileira (como quer Cuti) e seu diálogo com os cânones e, como  sabemos, Lygia é Lygia. Lygia é majestade, é referência (pelo menos pra leitora que sou).👏🏾

É só um conto.  São tantas coisas e deve ter muito mais.

Viva Lygia, minha contista brasileira favorita 😍

Quando terminei a leitura escrevi :
INVENÇÃO E MEMÓRIA, DESPEDIDA: Terminei minha primeira viagem pelo breve porém denso livrinho de contos de Lygia, que visitei em novembro e dezembro. Contos inéditos de Lygia foi uma escolha ruim no fim do ano,quando estou física e emocionalmente esgotada, com certeza nem sempre aproveitei o melhor da obra, por isso devo voltar a ele mais tarde. Ao mesmo tempo esses contos me sustentaram nesse momento difícil do ano, quando no meio do calor extremo, das frustrações e do cansaço, sei que renasci ao ler pequenas joias como a quase cantiga infantil "que se chama solidão"; o quase conto de fadas mesclando memória, invenção e desejo de "a dança com o Anjo"; a citação a tradição de leitura e releitura de Machado de Assis em "Rua Sabará, 400", o quase onírico (amo narrativas de Lygia onde o real e o irreal se misturam, ou "a memória emerge como sobrenatural" como li na internet) como "a chave na porta"; belo e amargo "O Cristo na Bahia", citando diretamente o conto Príncipe Feliz de Oscar Wild "como se sobre ele tivessem espargido ouro em pó"; o libertador "história de passarinho", a fantástica história do vampiro que aprende a língua do ser que mordeu e que se apaixona por uma bela índia na época da colonização em "Potyra", etc.
Quando voltar a esse livro, quando estiver menos desconcertada, espero olhar mais profundamente para outros contos e aproveitar melhor a obra dessa grande autora, pois ela sempre merece
😍

terça-feira, 21 de novembro de 2023

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Feriado Consciência Negra em São Paulo



Era o feriado mais aguardado do ano  e eu sai de blusinha bata africana vermelha, como sempre quis usar, mas já estive mais bonita em outras Consciências Negras  , enfim

Esses bricos são um show à parte

Chegando no rolê 

                           

                                               

Nessa Expo foi tudo muito maravilhoso, curti demais, o dia todo, encontrando e reencontrando amizades pretas. Só amei ! 

Antes de sair de casa, deixei posts de consciência negra de todo ano

Meus guias na conscientização

                                                     

Deixo as fotos :





a ideia é reescrever a história do povo negro








árvore de livros





Com Ali,que eu não via desde a pré pandemia
Ô moço bonito !
 



minha participação, junto ao Mandela: Lima Barreto e Jorge Ben

O samba, claro 


meu retrato junto aos da Elza e da Marielle


No centro: Minha carinha preta encima e minhas pernas pretas embaixo


Com amiga Roseli

Moisés Rocha: O samba pede passagem

Fat Family 



Meu sonho é usar esse penteado! 
Quem sabe um dia !



Torto Arado : é coisa de pretas

Um stand só para o Chaguinhas
























Os ombros do Baco não são Inteligência Artificial 

eu e Eriane

Pretas na Consciência