terça-feira, 23 de maio de 2017

ORALIDADE E PEDRO BLOCH




ORALIDADE E PEDRO BLOCH  
Em meu relatório final eu não devo  defender que o Pedro Bloch foi pesquisar e trabalhar com foniatria exclusivamente porque era judeu. Isso seria reducionista. Eu vejo o seu caso em um contexto maior: o século XX, a era do florescer dos estudos sobre a linguagem e a fala e o surgimento da própria Foniatria , que é uma área médica nascida na Alemanha em 1905 e que mais tarde foi trazida ao Brasil por pesquisadores como o  próprio Bloch na segunda metade do século XX, e que apostava em uma abordagem interdisciplinar para compreender e tratar distúrbios da fala. Bloch não era um teórico, ele era um judeu,  médico e também um cientista da área médica.
Por outro lado, como sou uma teórica, eu li (e pirei com isso) o Russel Jacoby e a a reflexão sobre a longa tradição judaica que propõe um elogio ao oral, tanto que Jacoby resgata o pensamento de Frtitz Mautner para defender, mais ou menos, que O JUDEU OUVE e ao que ouvir está pensando em história, porque "o ouvido não recebe uma mensagem apenas, ele registra a sequencia do tempo; o som requer duração". E Russel conclui: "o som inclui o tempo e o tempo implica a história" (A Imagem imperfeita, 2007, p. 203).
Eu não sei em que medida esse raciocínio interferiu nas ações de Bloch, mas também não posso afirmar que não esteve presente de nenhuma forma. Devo apontar essas questões, mas de forma leve, colocando mesmo como dúvida: Será que Bloch estudou a linguagem oral porque era judeu, ou porque era judeu foi estudar a oralidade? kkkk
No meio de tudo isso, tem as crianças e elas sempre apresentam outras apreensões para tudo, isso é o mais importante para mim!

domingo, 21 de maio de 2017

Entrevista de Pedro Bloch para a Revista Veja em out. de 1997


Quando escrevi meu projeto de pós-doutorado em janeiro de 2015 eu usei uma entrevista que o Pedro Bloch deu para a Revista Veja em 08 de outubro de 1997 e que a Óia disponibilizava em seu acervo na internet. Como a entrevista é bem legal, mostra o velho Bloch falando das amadas crianças, eu fui acessar o link de novo e não é que agora ele cai na página do Reinaldo Azevedo? Eca!

A sorte, mesmo é que eu tenho o print da entrevista e publico ele aqui porque, como foi útil para mim, pode ser para outros pesquisadores, né? Aliá, se for o caso, eu tenho ela transcrita em versão txt, é só me pedir que eu repasso!


sábado, 20 de maio de 2017

Frustrações de uma pesquisa sem fomento

Como sabem meu pós- doutorado não recebeu nunca nenhum fomento. A lista de frustrações por conta disso é imensa. No relatório final eu  apresento todas. Veja essa aqui.

terça-feira, 16 de maio de 2017

NOVAMENTE AS EX-CRIANÇAS DE PEDRO BLOCH

NOVAMENTE AS EX-CRIANÇAS DE PEDRO BLOCH - Acabo de constatar que nesses dois anos de pesquisa de pós doutorado, eu consegui reunir dez depoimentos sobre Bloch através das redes sociais, sendo nove de suas ex- crianças. Acabo de relatar que não consegui um número maior porque não foi possível visitar o Rio de Janeiro para procurá-las, nem mesmo tive financiamento de pesquisa para custear um chamado em jornais na cidade (ainda que tenha feito até um orçamento), afinal quem bancava a pesquisa sou eu mesma, ai tinha que escolher bem onde aplicar os recursos. De toda forma,esses depoimentos são muito interessantes, estou conseguindo desdobrá-los bem e, como eu queria, já dá ter uma noção mais clara não apenas de quem eram seus leitores (da revista, dos livros), e até mesmo como seria seu contato direto com as crianças. Me emociona demais! Eu devo ser uma grande sonhadora, isso sim! Novamente, sou muito grata a todo que ajudam a continuar a ser assim. 

Passagens, de Walter Benjamin


A obra historiográfica que me fez pirar desde o mestrado ... até hoje está de pé ao lado do computador para eu não esquecer nunca da fragmentação da narrativa (rs)
Aqui a referência completa do meu volume (com traduções e tudo mais):

BENJAMIN, Walter. Passagens. Trad. Irene Aron (alemão) e Cleonice Paes Barreto Mourão (francês). Belo Horizonte: Editora UFMG;São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
Sempre me perguntei : A narrativa constelacional da História de Benjamin poderia ser uma possibilidade de entrada na abordagem da narrativa humorística (também ela toda fracionada)? ... Não sei a resposta ainda, mas li um texto manuscrito de Benjamin chamado "Un historie comique à l'époque oú il n'y avait pas encore d'hommes" e o 'comique' aqui é mesmo HQ (este texto está publicado e no volume Les Cahiers de l'Herne - Walter Benjamin (2013) ... para quem pira na narrativa da história como eu : é demais! 
Voltando ao Passagens, cabe reforçar que esse material chega até nós em forma de um livro de 1166 páginas, mas não vamos esquecer que, originalmente, trata-se de um conjunto de MANUSCRITOS DE WALTER BENJAMIN... realmente eu não fui estudar os manuscritos de Rosa à toa, não ... é todo um oxigênio mental respirado no século XX. Sobre manuscritos, fragmentação e História, confiram meu artigo "A indagação da História nos manuscritos literários de Guimarães Rosa", publicado no vol 2 no. 2 da Revista Intelligere - História Intelectual ....

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Antonio Cândido e um almoço com 'declaração em juízo", de Drummond


UM ALMOÇO COM ANTONIO CÂNDIDO- Foi em junho de 2006, em um um evento em comemoração aos 50 anos da publicação de "Grande Sertão: Veredas" na FFLCH que eu e minha amiga Vera Maria Pereira Theodozio almoçamos com Antonio Cândido. Na verdade, falo isso, mas devo alertar que não foi um almoço marcado, nem mesmo pessoal, mas ele se sentou em nossa mesa na antiga lanchonete do Português do DH - o único lugar fora o bandejão, que servia comida na época e ele queria comer arroz com feijão. É verdade também que sua filha Marina me apresentou a ele: "Papai, esta é a Camila, ela foi aluna da Laura, estudou Saramago com ela", e ele se lembrou vagamente de que a Laura tinha mesmo comentado algo sobre Saramago com ele...
Era uma pessoa admirável, gostava de conversar e lembro com força de que,entre outras coisas, ele já lamentava que todos os seus amigos de geração estavam morrendo, o que o fazia se sentir muito solitário.
Então eu comentei que isso me fazia lembrar de "Declaração Em Juízo", de Drummond e ele apenas sorriu.
Cândido foi, é e sempre será nossa referência e, ainda que eu, em meus estudos literários, tenha enveredado por outros autores e tentado me manter há uma distância segura da sua teoria forte, nem sempre foi possível.
O que posso dizer nesta data de seu falecimento aos 98 anos é que só temos que agradecer por tudo, mas me lembrando daquele almoço, imagino o quão aliviado ele deve estar por não ser mais o único corpo de sua geração que sobreviveu. Mas em ideias, sobrevive e sobreviverá!
Muito obrigada, professor!

Pedro Bloch e a mudança na ideia de criança no século XX


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Visto de entrada da família Bloch no Brasil

Este documento está disponível no Arquivo Nacional e a reprodução compõe o livro "Seu Adolpho", de Felipe Pena. Rio de Janeiro : Ed Vermelho Caminho, 2010, p. 35.



Sua tradução, também na página 34 do livro citado, é

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Janusz Korczak, holocausto, crianças

Segundo a Enciclopédia do Holocausto, as criativas e alegres crianças eram consideradas "perigosas" e "indesejáveis", por isso quando não eram tomadas como escravas era defendido o seu assassinato em massa. 
Neste contexto terrível, porém, elas encontraram um de seus maiores aliados que foi o humanista Janusz Korczak, que idealizou a sua República das crianças no orfanato que dirigiu na Polônia, durante a Segunda Guerra. Se as crianças, por si só, já eram um perigo a ser controlado, imagine um educador humanista que as tutoriava. 
Hoje temos conhecimento do legado de  Korczak e saber da sua história, de alguma forma, me ajuda a compreender um pouco mais o ideário do imigrante ucraniano judeu Pedro Bloch e seu interesse afetuoso por crianças.