quinta-feira, 16 de julho de 2020

Consulte um historiador

 
Saiu de moda, nesse mundo da pós verdade, ouvir a opinião técnica de um historiador. A primeira vez que conversei rapidamente com José Saramago, em 2000, quando disse ser historiadora, seu rosto mudou de feição e senti que, de leve, passei a ter mais valor para ele, que em seguida se revelou ser um "historiador frustrado". Mas isso é um caso pontual e eu já tinha me acostumado tanto a essa desvalorização da minha formação que confesso que foi um grata surpresa ler um comentário de Milton Hatoum (o próprio) em um grupo sobre ele que eu jurava que ele mesmo nunca participava. Mas participou e quando eu escrevi  que estou lendo "Pontos de Fuga" na quarentena, visitou meu  perfil para  saber quem era eu: e me respondeu assim:

 O maluco é que este autor já vinha mexendo comigo como leitora, me fazendo pensar e repensar sobre expectativas, como já comentei aqui , mas não tinha ainda pensado em mim como HISTORIADORA LEITORA, talvez porque a condição de historiadora esteja tão incorporada na imagem que tenho de mim mesma, que não preciso reforçá-la. Talvez, para ele, autor, eu precise. Expectativas!