Três Canções para Benazir (2021): Meio que “do nada”, assisti ao documentário afegão de Elizabeth Mizael e Gulistan Mizael, disponível na Netflix.
Com pouco mais de 20 minutos, o filme conta a história do jovem Shaista, recém-casado com Benazir, que vive em um campo de refugiados em situação de extrema miserabilidade. Apesar disso, Shaista é otimista e se vê dividido entre se alistar no Exército Nacional Afegão, em busca de estabilidade e sustento, ou permanecer próximo da esposa e dos filhos, sustentando o amor mesmo na precariedade.
Os sonhos de Shaista, no entanto, raramente se concretizam por causa das restrições impostas pela família, pelos costumes e pela vigilância constante de grupos armados.
Ainda assim, em meio a essa realidade dura, Shaista se mostra terno e amoroso. Ele canta para a esposa, faz gestos românticos e oferece pequenos sinais de afeto em meio à instabilidade cotidiana.
Vou dar spoiler, mas preciso dizer que, infelizmente, Shaista não conseguiu estudar nem alcançar estabilidade. Acabou seguindo o fluxo comum do entorno: passou a trabalhar na colheita de papoulas para a produção de ópio, o que o levou à dependência. Mesmo assim, ele não desistiu de se empenhar na recuperação e de voltar a cantar canções para sua Benazir.
