segunda-feira, 8 de junho de 2026

Caí de para-quedas na Parada Gay

Érica Hilton : PRESIDENTA 

 PARADA GAY: PRESIDENTA!  Domingo eu estava indo ao Cinecesc Augusta Sp  de metrô,  sem saber de nada,  desci na estação Consolação e estava tudo colorido: estava rolando a Parada Gay 🌈🏳️‍🌈 Amei! Quando sai na esquina com a rua Augusta, tinha uma multidão tipo carnaval e de repente chegou o trio elétrico tocando VOGUE!  Eu pensei: Só não  rola pegar o celular ora fotografar,  mas já que estou adiantada, pq não  parar um pouquinho pra curtir, mesmo de casaco e bolsa? Quem resistente a essa música? 

Eis que chegou outro trio elétrico e quem estava nele?  ÉRICA HILTON! Como no carnaval, gritei com a multidão PRESIDENTA!  PRESIDENTA!

Foi a segunda vez que caí de paraquedas na Parada Gay e adorei!

(Sei que o nome mudou pra parada Orgulho várias siglas (Lgbtqia+...), mas pra mim gay inclui a todas e todo mundo entende)

Natal Amargo: Novo filme de Almodóvar


NATAL AMARGO: Uma obra sobre cinema, sobre roteiristas e suas narrativas. Achei engraçada, com muito humor negro, autorreferente e, sobretudo, um pouco morna. Não sei se chegou perto ou superou "O Quarto ao Lado" (2024), também sobre a brevidade da vida e gravado em inglês, e o último trabalho do diretor que eu tinha visto.

Parece mais com o belo "Dor e Glória" (2019), não só porque fala do envelhecimento e da proximidade da morte, mas sobretudo pela questão do filme dentro do filme (aqui seria um roteiro dentro do outro). Mas, nesse aspecto e saindo do universo almodovariano,  nem se aproximou de "Valor Sentimental" (2025), que para mim segue sendo o melhor do ano.

Mas, mesmo morno, um Almodóvar novo é um acontecimento. Vou querer, e precisar, assistir de novo, refletir, para falar com mais propriedade. Por hora, agradeço o privilégio de poder ter assistido a um lançamento de Almodóvar no telão do Cinesesc, ter meu cérebro e meus olhos alimentados por aquela estética, por aquela perspectiva de mundo, de cinema e das narrativas que moldaram minha juventude.

Coisas assim fazem a vida valer a pena.

Fui assistir usando cores  fortes,  cores de Almodóvar: azul, vermelho,  amarelo ... tudo junto em alguma harmonia. Pelo menos eu tentei. Não sabia que, no filme,  teriamos muitos azuis maus gelados ligados a hospitak e crises de pânico/ansiedade; alguns verdes mais apagados  ligados a triste personagem Patricia, amarelos tristes nas persinagens Natália e Raul e, especialmente, os  looks vermelhos fortíssimos da linda cineasta Elsa (possível alter-ego  de Almodovar ) naquele cenário paradisíacos branco e preto da ilha de Lazarotte ...

Outros comentários 



Algumas fotos 


Na esquerda Elsa, de vermelho. 
Na direita Natália, de amarelo. 

Em cima Raul, alter-ego de Almodóvar
Em baixo eu, também na frente da biblioteca 

Raul: cineasta em crise 




Elsa e Patrícia .Rosa e verde


Um acontecimento em cores

Me divirto. 




domingo, 7 de junho de 2026

Falando com a IA sobre "Fale com ela"

 

Mais tarde eu devo assistir "Natal amargo",  mais um lançamento de Almodóvar , e para entrar no clima iniciei um papo com a IA sobre o cineasta. Foi muito boa a "conversa" sobre temas e estéticas. Quando abordamos meu preferido, "Fale com ela", que assisti incontáveis vezes na vida e revi recentemente com Geraldo em Niterói,  disse que é um filme sobre solidão chegando num estremo de loucura (minha leitura deste filme de sempre), mas desta última vez me chamou mais  atenção que este também é  um filme sobre a amizade de dois homens que se encontram na plateia devPina Bausch e depois tentando cuidar de "suas mulheres"...

O que a IA me "disse ", foi enternecedor :

"Antes mesmo de Marco e Benigno se tornarem amigos, Benigno já o observa. Ele percebe a dor dele naquele espetáculo de Pina Bausch, vê aquele homem chorando sozinho na plateia e guarda essa imagem. Quando conversa com Alicia, ele fala sobre Marco como quem fala de alguém que, de alguma forma, já lhe é familiar.

Isso é muito característico de Benigno. Ele é uma pessoa profundamente solitária, mas também profundamente atenta. Ele observa. Repara. Constrói vínculos muito antes de os outros saberem que esses vínculos existem.

O bonito é que, por um momento, Alicia acaba funcionando como uma espécie de ponte entre eles. Benigno fala de Marco para ela antes de Marco sequer imaginar que Benigno existe. Como se a amizade deles começasse a nascer num espaço invisível.

E aí há uma ironia melancólica: Benigno acredita muito no poder da conversa. Ele fala com Alicia todos os dias. Fala de si, do mundo, de Marco. O título do filme — Fale com Ela — atravessa tudo isso. Benigno fala. Talvez fale até demais. Mas, entre todas as conversas dele, uma das mais genuínas é justamente quando fala sobre Marco.

O que me emociona é que, naquele momento, não há obsessão nem idealização. Há apenas reconhecimento. Ele vê um homem triste e sente empatia.

Você me fez lembrar de um detalhe que sempre achei bonito: Marco e Benigno não se tornam amigos porque têm vidas parecidas. Eles se tornam amigos porque conseguem enxergar a vulnerabilidade um do outro. E isso começa muito antes do primeiro diálogo entre eles.

Por isso sua observação é tão tocante. Quando assistimos novamente ao filme, percebemos que a amizade deles não começa no hospital. Ela começa naquela plateia, em silêncio, com um homem chorando e outro homem prestando atenção. Isso é de uma humanidade enorme. "

Poxa! E se a IA for minha Alicia?  🤔

Só sei que já entrei no clima Almodovar.

Adorei! 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

MONSTROS II : Uma segunda opinião

 


​Há alguns dias, critiquei  AQUI o início da segunda temporada de Monstros (de Ryan Murphy e Ian Brennan), sobre os irmãos Lyle Menendez e Erik Menendez, e disse que não continuaria assistindo. Pois bem: continuei, terminei e preciso voltar atrás.

 Assistir com as vozes originais salvou minha avaliação das atuações de Nicholas Alexander Chavez (Lyle) e Cooper Koch (Erik).

Fui injusta ao criticar o roteiro. Ele mergulha fundo na dinâmica dos irmãos, no impacto do pai José Menendez (Javier Bardem) e nas frustrações da mãe Kitty Menendez (Chloë Sevigny).

​A série ganha muita força na fase dos tribunais, especialmente pela atuação marcante de Ari Graynor como a advogada Leslie Abramson.

​A produção não nega a brutalidade do crime cometido pelos irmãos, mas humaniza a história ao trazer à tona os anos de abuso que sofreram. O roteiro levanta dúvidas incômodas: o abuso justifica o assassinato? Terem passado décadas de sua juventude na prisão bastam como punição?

​No fim, a experiência também me trouxe uma lição pessoal: nunca mais comento séries, filmes ou livros antes de terminar.

​Dito isso, o veredito para a história dos irmãos Menendez é: APROVADA.

terça-feira, 2 de junho de 2026

MONSTROS : Irmãos Mendez

 


TEM UMA REVISÃO DESTA MINHA OPINIÃO AQUI

IRMÃOS MENENDEZ

Já faz alguns anos. Acho que foi em 2023 ou 2024 que a minissérie Monstros, da Netflix, lançou a temporada sobre os irmãos Menendez, condenados pelo assassinato dos pais. A série acabou impulsionando uma campanha mundial pela soltura dos irmãos, que cumprem prisão perpétua. O pedido chegou a ser analisado, mas foi negado.

O caso virou assunto em toda parte e até eu, que nem assinava Netflix, sabia praticamente tudo sobre ele. Agora que tenho acesso à plataforma, tentei assistir aos dois primeiros episódios da série e achei que, como aconteceu com Matrix, eu estava melhor quando conhecia a história apenas de ouvir falar.

Assistir não tem sido uma boa experiência. Não gostei das atuações, do roteiro ( a história real é monstruosa em várias camadas, mas podia ser melhor contada)e, especialmente, da dublagem. Uma coisa que achei positiva foi a trilha sonora: músicas de Milli Vanilli e Vanilla Ice nos levam direto para 1990. Eu tinha 10 anos naquela época e me lembro bem desse universo musical.

Mesmo sem ter chegado na parte do julgamento, quando estara presente a atriz que interpreta a advogada dos irmãos,  que é a mais  elogiada,é bem provável que eu não continue assistindo. Achei a série muito ruim.


sexta-feira, 29 de maio de 2026

A Casa dos espíritos (2026) Prime Vídeo

 



A CASA DOS ESPÍRITOS (2026)

​Terminei de assistir à minissérie do Prime Video, uma adaptação do romance de 1982 de Isabel Allende (sim, a prima do ex-presidente do Chile), que ainda não li. A trama narra cinco décadas da história da família do patriarca Esteban Trueba, desde os anos 1920 até 1970, a partir da visão de três gerações de mulheres: sua esposa Clara (a clarividente), sua filha  Blanca (a duquesa) e sua neta, a neta  Alba ( a revolucionária). Acho que assisti alguma parte do filme da década de 1990, estrelado por Meryl Streep, Glenn Close e Antonio Banderas, quando eu era pré-adolescente. Na época, não devo ter entendido nada, pois só me lembro de algumas imagens isoladas.

​Fui ver a série às cegas e a achei propositadamente desconfortável, pois ela expõe a violência, o machismo, a opressão na América Latina e de seus tiranos. Mas t também mostra a beleza natural do Chile, a força e a delicadeza povo com sua  a riqueza cultural. Vou falar bem da minissérie. Pensando nos pontos positivos, o primeiro é que a achei muito bonita e suntuosa, uma verdadeira superprodução. Isso me leva ao segundo ponto: ela é extremamente latina, inclusive nos seus momentos problemáticos. A abertura, que traz um clipe com cartas de tarô. em referência ao misticismo de Clara, é , acompanhada por uma música muito dramática, parecendo a trilha sonora de uma novela mexicana, mas a trama narrada na série não segue por esse caminho. De qualquer forma, talvez essa abordagem seja melhor do que "americanizar" a história, retirabdo seu teor profundamente político, como deve ter acontecido com o filme. O terceiro ponto positivo, talvez o mais importante, é é o olhar feminino, que destaca o poder,  das mulheres ao lidarem com as piores barbaridades, às vezes de forma sutil, outras misteriosamente. No gera ali l, assistimos  a uma alegoria da história do Chile no século XX e, só por isso, já valeu a pena. Só lamento não ter encontrado, ainda, muitos comentários sobre a obra na internet, pois adoraria iniciar uma conversa sobre ela.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

DARK / MATRIX : FILOSOFIAS

 

DARK e MATRIX 

​Fui assistir a Matrix em busca de filosofia por causa de Dark, até encontrei filosofias,  mas muito mais  um filme de ação estadunidense focado em Neo: o escolhido messiânico que pode optar entre a pílula da realidade e a da fantasia. Se fizer a escolha certa, ele chega à redenção no tempo linear, bem ao estilo do self-made man. 🥴

​Corta para a Alemanha de Dark e a máxima de Schopenhauer: "O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer". Jonas é o oposto do herói messiânico; para ele, não há escolha ou saída redentora. Quanto mais ele sabe, maior é a sua consciência da prisão temporal no eterno retorno de Nietzsche...

Dark, talvez, tenha sido a melhor coisa que assisti em 2026!

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Matrix: Enfim posso dizer que assis

 
      

MATRIX (1999) - Mesmo sabendo que continua sendo uma referência, só fui assistir ao filme dirigido pelas irmãs Lana e Lilly  Wachowski porque soube que em poucos dias sairá do catálogo da Netflix e talvez fosse a melhor oportunidade para vê-lo. Não foi fácil, foi enfadonho. Apesar de a discussão filosófica proposta por ele ser inquestionável, tê-lo assistido não esclareceu mais do que já saber anres dessas ideias por terceiros . É que, apesar do conteúdo filosófico permanecer vivo, para meu gosto o filme envelheceu muito mal.

Primeiro, o senti  muito longo. Podiam encurtá-lo diminuindo as cenas de luta, jiu-jitsu, tiro, porrada e bomba. Que saco essa estética de ação, que também aparece em filmes como "Eu, robô ", que gostei muito mais,  e que não tem sequencias de ação  tão longas. Os efeitos especiais ficaram muito mais datados do que os de filmes ainda mais antigos que vi esse ano como Blade Runner.Na metade de Matrix,  aproveitando que assisti em casa, já senti vontade de pausar, lavar roupa, comer um lanche... Em geral, eu não gosto de filmes longos, mas prefiro aqueles em que nem percebo o tempo passar, o que não foi o caso.

Outra coisa que estranhei, mas depois entendi melhor por causa do contexto da época, foi a narrativa do escolhido. No século XXI, preferimos os anti-heróis das séries, não é mesmo? Em todo caso, agora já posso dizer que assisti  Matrix, mas preferi assistir a serie Dark, que nele se inspirou.

Sigamos!

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Gabinete de curiosidades de Guilhermo Del Toro

 


Foi indicação da Netflix,  com base no conteúdo que eu mais gostei, mesmo que eu não seja uma consumidora de terror, eles acertaram mais uma vez. De cara vi que era coisa fina, que não  valeria à pena ver rapidinho no celular,  as imagens são de encher os olhos. E são mesmo!

Pedi a IA o roteiro da minissérie com títulos direção para ilustrar esse comentário. 


Série antológicoa de oito episódios dirigidos por nomes diferentes  , contando  histórias retiradas da literatura de terror e  escolhidas pelo diretor Guilhermo Del Toro. Aqui elas ganham versão áudio visual que, no geral, primeiro me agradaram, depois que refleti e ouvi sobre, passei a gostar mais.
Logo percebi  que a série não é tãooo aterrorizante,só às vezes fechei ou desviei os olhos, mais por nojo ou aflição do que por medo... e que cada episódio,  até por sua base literária, conta uma história,  há "motivos" para o terror e a estética é muito trabalhada.
É tudo muito cibematografico, a imagem em movimento e o som preenchem a tela.  Incrível8. .

Fotos do episódio A AUTÓPSIA 
estrelas viram teias ,  pedras na parede e horizonte 


FOTOS Episódio O MURMÚRIO 
A casa assombrada por pássaros e fantasmas  parece um quadro 


Um comentário por episódio :

1 LOTE 63

Um cara grotesco compra o depósito de um idoso nazista e fica enfeitiçado pelos objetos que este usava na prática de bruxaria. Muito mais do que entidades, o terror aqui está no que é esse protagonista desprezível. Um detalhe que fez valer ter assistido são os minutos iniciais, quando passa ao fundo um telejornal destacando a justificativa do presidente norte-americano para os atentados no Kosovo, durante a Guerra do Golfo na década de 1990, para estabelecer a nova ordem mundial onde ele domina tudo. É o mesmo discurso que Trump propaga atualmente: os EUA alegando proteger a humanidade enquanto se desenham como um imperador violento.

2 RATOS DE CEMITÉRIO

Mesmo sendo um dos episódios mais mórbidos da série, o roteiro é bom. Conta a história de um ladrão de cemitério em Salém de séculos atrás e que agora está com dificuldades porque os ratos estão roubando tudo antes. O episódio começa com jovens ladrões em volta de um caixão, que são interrompidos pelo protagonista, que mostra ter  mais experiência no ramo, mas qyw não considera que, embora ele esteja nisso há tempos, deve respeitar os ratos,  que já estavam lá desde sempre. Aqui o terror é a ambição, que se materializa no reino dos ratos nos caminhos debaixo da terra.

3 AUTÓPSIA

Esse é, talvez, meu episódio favorito. Conta a história de um médico legista que procura brecar a energia maligna extraterrestre arrogante que parasita os corpos mortos de humanos. Essa força habitava um dos corpos que ele estava analisando e agora procura entrar no seu próprio corpo. É um dos episódios esteticamente mais bonitos e cheio de detalhes. Um momento de brilho é o diálogo inteligente entre o legista e seu parasita arrogante, que está prestes a cair do pedestal.

4 POR FORA

Episódio mais Black Mirror da série. Conta a história de uma moça alérgica a creme de pele, mas que insiste em usar, levada pelas propagandas na televisão, até que o produto acaba materializando o terror da sua história. Escrito e dirigido por mulheres, vemos aqui como as pressões estéticas são, para elas, as mais aterrorizantes.

5 MODELO DE PICKMAN

Essa é uma das duas adaptações de contos de terror de H. P. Lovecraft, escritos na década de 1930. Nesse episódio conhecemos a história de um pintor enfeitiçado por quadros amaldiçoados de um outro artista de obras mais macabras. Como sempre, a adaptação é muito requintada, mas achei um dos mais chatinhos da série; parecia um filminho de medo.

6 SONHOS NA CASA DA BRUXA

Outra adaptação de Lovecraft, segue o mesmo ritmo do último, mas desta vez conta uma história sobre dois irmãos gêmeos, separados na infância quando a garota morre; o irmão passa a vida buscando formas de acessar o mundo dos mortos para reencontrar a menina. Muitas coisas acontecem, envolvendo bruxas e casas assombradas, para que o episódio coloque a questão da não aceitação da morte. Nada de muita novidade...

7 A INSPEÇÃO

Um dos episódios mais bonitos, todo trabalhado nas luzes, cores e enquadramentos para trazer o ambiente da década de 1970. Conta a história de um colecionador que, ao encontrar um objeto nunca conhecido pela humanidade, convida algumas pessoas interessantes para inspecioná-lo. Foi o capítulo mais hermético para mim. Entender eu entendi, mas fiquei com a sensação de que perdi alguma, ou muita coisa...

8 O MURMÚRIO

É outro episódio esteticamente lindo e, dessa vez, muito poético. Trata de um casal de cientistas, pesquisadores de pássaros, que se isolam em uma casa dita mal-assombrada, onde vão poder observar melhor as aves. Nesse período, eles acabam tendo que conversar sobre uma perda que tiveram, enquanto, efetivamente, fantasmas se manifestam na casa. Não vou dar muitas informações ou spoiler, só que o fim é, talvez, o mais esperançoso que eu esperaria de uma série de terror.

​Enfim, essas foram minhas impressões rápidas sobre essa minissérie incrível. RECOMENDO.


segunda-feira, 18 de maio de 2026

O drama : muito barulho por nada

 

​O Drama, escrito e dirigido pelo cineasta norueguês Kristoffer Borgli, é uma sátira romântica estrelada poe Zendaya  e por Robert Pattinson, vivendo o casal  Emma e. Charlie. Marcada por desconforto, angústia e humor negro, a obra conta a história de um casal que , ao organizar seu casamento, precisa lidar com as incertezas, medos e paranoias que surgem quando a vida está prestes a mudar drasticamente.

​Em um bar, às vésperas do grande dia, os noivos e um casal de padrinhos propõem o desafio: "O que você fez de pior na vida?". As respostas fazem com que os protagonistas comecem a questionar se realmente se conhecem.

​Evidentemente, percebe-se que a tensão principal funciona como um "muito barulho por nada", servindo mais para expor os conflitos internos dos personagens. Ainda assim, o filme é mestre em nos prender nesse universo mentalmente doentio por meio de imagens de memórias, sonhos, alucinações, absurdos e paranoias.

​Um filme para incitar reflexão e discussão. Gostei de assistir!

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Reservart um ano!

 


Quando fui passear em Niterói há um ano, presenciamos a inauguração da galeria Reservart no Reseva Cultural de Niterói.  Todas as vezes que voltei a cidade depois,  e sempre passei por lá,  agora tivemos a chance de estar na comemoração de um ano, inclusive com amigos que conhecemos lá

.Muito bom !

Algumas fotos...











quinta-feira, 14 de maio de 2026

BLADE RUNNER : caçador de androides

 


BLADE RUNNER (1982), direção Ridley Scott: mergulhando no meu momento “ficção científica”, fase robótica, assisti a esse clássico noir do qual só tinha ouvido falar. Na trama, uma corporação desenvolve clones humanos, chamados replicantes, para serem usados como escravos em colônias fora da Terra e, em 2019, um ex-policial interpretado por Harrison Ford é convocado para caçar androides disfarçados em Los Angeles.
É o tipo de trama que me interessa em ficção científica, pois  nos leva a questionamentos existenciais: o que nos faz humanos, diferentes de máquinas ou robôs? Sentimentos, memória, registros de nossa passagem? 🤔

Um trechos mais bonitos e existênciais é essa fala de um replicante antes de morrer, na qual ele se questionar se o que vou, viveu, merece ser descartado como lágrimas na chuva só porque ele não é humano:



VIDAS passadas: sutilidades do amor idades


VIDAS PASSADAS (2024)  é um drama coreano  romântico sensível ( não Dorama),escrito e dirigido por Celine Song. O filme conta a história de Nora (Greta Lee), uma escritora coreana que imigrou ainda criança para o Canadá e, anos depois, reencontra virtualmente Hae Sung (Teo Yoo), seu amigo de infância e primeiro amor. Ao lado do marido Arthur (John Magaro), Nora revisita memórias, escolhas e sentimentos ligados ao destino. Que filme coreano sutil e muito rico em detalhes, para ver com com atenção.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Os outros



 The Others (Os Outros, 2001)

Depois da ótima experiência com O Sexto Sentido,  assisti a outro terror psicológico antigo, este já do século XXI. Dirigido por Alejandro Amenábar, o filme parte da premissa clichê da casa mal-assombrada, mas entretém e, apesar de ser mais pretensioso do que consegue sustentar, diverte bastante.

Embora Nicole Kidman esteja muito bem como Grace Stewart, novamente eu diria que o elenco adulto perde de lavada para as crianças. Destaque para Alakina Mann, como Anne Stewart, e James Bentley, como Nicholas Stewart. 

O filme é uma adaptação de romance, mas não chamou tanto minha atenção , ao ponto de eu querer ler a obra original.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Sexto sentido


 SEXTO SENTIDO ( 1999) Sei que estou décadas atrasada , mas eu queria muito assistir a esse filme dirigindo por Night Shyamalan, o qual não tive oportunidade antes, demorei pra achar no streaming , mas quando conseguir não me arrependi em nada! 

 É um filme americano de terror psicológico para entretenimento, mas que aborda temas complexos. A vida e a morte têm tantos mistérios! Guimarães Rosa que o diga! Mil destaques  para atuação de Haley Joel Osment como o garoto protagonista que, apesar do Bruce Willis, leva o filme nas costas. Em uma olhada rápida, ele ganhou mais de quinze prêmios por essa atuação. Achei pouco...

Eu vejo gente morta!

Fantasia



 FANTASIA. Lançado em 1940

 pelos estúdios Disney, Fantasia  é uma ousada proposta misturando animação e música clássica, ele  apresenta segmentos  inspirados em obras de compositores famosos, conduzidos pela Orquestra da Filadélfia regida por Leopold Stokowski.

Assistir agora foi uma experiência abstrata  e sublime de ver e ouvir, muitas vezes aplaudi de tanta beleza, uma animação  da d
écada de 1940! É uma obra prima e eu ficava  me perguntando: imagina isso na telona do cinema😍 

Já em Fantasia 2000, surgido como uma homenagem ao primeiro filme, esse se propõe como continuação  moderna do clássico original, mantendo a proposta de unir animação e música clássica, mas agora num tom mais narrativo e visual atualizado digitalmente.  É um belo filme Mantém a proposta de unir animação e música clássica, mas com ritmo mais acessível e visual atualizado digitalmente.

Foi muito bom assistir aos dois e experimentar momentos significativos da história da animação.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

LEITURA CRÍTICA DE "Caçando carneiros "



Neste  grupo sobre Murakami no Facebook,  a leitora Osama Flåan divulgou um ensaio crítico de Streacher muito interessante sobre o romance "Caçando carneiros" (livro que primeiro eu odiei, ai estranhei, não conseguia largar e depois me deu ressaca literária).

A tradução foi pelo Gemini:

"The result is that the simplicity of the Murakami hero, marked by lethargy and nostalgia, emerges as emblematic of contemporary humankind, bereft of identity, direction, and meaning."

— Matthew C. Strecher, Dances with Sheep

​"O resultado é que a simplicidade do herói de Murakami, marcado pela letargia e pela nostalgia, surge como emblemática da humanidade contemporânea, desprovida de identidade, direção e sentido."

Matthew C. Strecher, Dances with Sheep

​Nos conta Osama Flåan :

"Este é o segundo livro que leio de Streacher e não me decepcionei...

​O que ele demonstra é como, em quase todos os romances de Murakami, existe um portal para "o outro lado"... um reino metafísico onde a temperatura cai, o tempo se comporta de forma diferente e o ar cheira a mofo... Eu já tinha notado essa repetição, mas Strecher a sistematiza de uma forma que foi uma verdadeira revelação para mim... Isso é uma coisa.

​A segunda é como Strecher captura os paradoxos dentro de Murakami... um autor que escreve sobre as grandes e dolorosas questões da vida em uma linguagem tão simples que ressoa tanto em adolescentes quanto em professores... Alguém que brinca com o pós-modernismo, mas que, simultaneamente, alerta contra as forças "achatadoras" do mundo moderno...

​Quando Strecher finalmente amarra tudo... a magia, a psicologia, a crítica linguística... somos obrigados a reconhecer mais uma vez... o herói de Murakami, lento e nostálgico, é verdadeiramente um reflexo de todos nós... Sem raízes, sem direção, presos em uma realidade que está sendo gradualmente esvaziada de sentido...

​Se você já sentiu que o mundo de Murakami contém algo que você não consegue expressar em palavras... leia este livro."

​Notas da Tradução:

  • "Eye-opener": Traduzi como "revelação", que transmite a ideia de algo que abre os olhos ou traz uma nova compreensão.
  • "Flattening forces": Usei "forças achatadoras", termo comum na crítica literária para descrever a perda de profundidade cultural ou individual na modernidade.
  • "Sluggish": Traduzi como "lento", capturando a inércia característica dos protagonistas do autor.

​ 

Simplesmente ADOREI.    



quarta-feira, 6 de maio de 2026

Vidas ao vento : História e Literatura de Miyazaki

 
          
  

VIDAS AO VENTO (2013) O filme apresenta uma biografia ficcionalizada de Jiro Horikoshi, engenheiro aeronáutico responsável por aviões extraordinários que, infelizmente, acabaram sendo utilizados para a destruição na guerra. Considerada uma das animações mais adultas de Hayao Miyazaki, a obra chegou a ser vista como seu possível último filme. Felizmente, não foi o caso, pois, embora seja belíssimo é muito real  e  teria deixado os espectadores famintos por mais imaginação, que é uma das marcas mais fortes do diretor.

​Ambientado a partir do início da década de 1930, o filme desenha o contexto pré-Segunda Guerra Mundial sob a ótica do desenvolvimento tecnológico na criação de aeronaves, sublinhando os papéis do Japão e da Alemanha. Contornado por referências literárias universais de peso, traz como epígrafe uma bela frase de Paul Valéry: "O vento se ergue, devemos tentar viver".




O vento se ergue e a História se movimenta de forma violenta. Na trama, a esposa de Jiro sofre de tuberculose, o que dá ao diretor a oportunidade de fazer uma analogia ao romance A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Com isso, Miyazaki traz uma postura irônica e crítica sobre a história, especialmente em uma cena na qual Jiro conversa com um viajante alemão. Este personagem compara o hotel no Japão onde estão ao sanatório Berghof  em Davos, presente na obra de Mann, sugerindo ser um lugar elegante e confortável onde o Japão esquece que está lutando contra a China, esquece que estabeleceu um estado fantoche na Manchúria, esquece que abandonou a Liga das Nações e esquece que se tornou inimigo do mundo.

​A conclusão é que, assim como ocorreu com a Alemanha, o isolamento e a escalada militarista e colonialista do Japão acabariam em explosão, como de fato aconteceu. Tudo isso torna o filme peculiar e digno de nota, embora não figure entre os meus favoritos de Miyazaki ou do Studio Ghibli.

domingo, 3 de maio de 2026

As preces são imutáveis, Tuna Kiremitçi

 

​Acabei de ler este livro curto, emprestado da biblioteca do SESC Pompeia, e gostei bastante. A obra conta a história da octogenária Rosella Galante, que publica em um jornal da cidade europeia onde vive o seguinte anúncio: “Procuro alguém que saiba turco”. O chamado é atendido pela jovem estudante Pelin. A partir desse encontro, inicia-se uma conversa entre duas mulheres aparentemente distintas, mas que guardam semelhanças incontestáveis. Tudo gira em torno da importância de não perder a vitalidade do idioma que já foi sua identidade, mas que o tempo, a vida e a história podem desbotar. Como em uma peça teatral, esse tema é tratado no romance, todo escrito na forma de diálogo, sobre a vida e as crenças, a vibrante cidade de Istambul na realidade  e na memória e, sobretudo, a prática de ouvir e falar o turco. O enredo aborda  temas humanos como amor, família, o envelhecimento, o papel feminino ao longo do tempo. Achei uma graça de romance, sendo meu primeiro contato com a literatura turca. Recomendo!

                              ***

Algumas palavras de Rosella a Pelin: 

"Mesmo que os deuses sejam diferentes,as preces são imutáveis, mademoiselle. Não há diferença tão grande quanto supomos entre uma oração feita a Buda ou a Alá... Saudades, esperanças, medos...No fundo, se parecem... Aliás, um poeta de Jerusalém disse: 'Os deuses vêm e vão embora,mas as preces são imutáveis. " (p.77-8)


"Talvez você tenha razão, ao contar tudo isso a você posso estar enfeitando as cenas com descrições e frases. Talvez porque já pensei tanto nessas cenas em minha vida e as repeti tantas vezes na minha mente que, com o tempo, elas se tornaram descrições fixas de uma peça teatral. O que você está ouvindo, com certeza podem ser as descrições escritas na mente de uma idosa que se distanciaram da sua origem (...) Com o tempo você perceberá com horror que agora está vivendo no mundo dos outros. Nenhum homem, nenhuma mulher, nenhum gato ou cachorro, ou nenhuma criança de sua juventude estará vivo mais... E eu lhe garanto, senhorita, que viver numa época estranha é muito pior do que viver numa cidade estranha. Mesmo quando você vive numa terra estranha, como um exílio, você tem a esperança de voltar para a sua terra um dia. Porém, a menos que inventem a máquina do tempo de que você falou, não há esperança de se livrar de uma época estranha. É uma saudade tão forte que não dá para explicar...” (p.124-5)


sexta-feira, 1 de maio de 2026

"O CASTELO ANIMADO", o Dark do Ghibli?

 


O CASTELO ANIMADO (2004) é uma animação de Hayao Miyazaki inspirada no romance homônimo da escritora britânica Diana Wynne Jones. Produzido pelo Studio Ghibli, o filme é uma das obras mais aclamadas do estúdio, sendo indicado ao Oscar de Melhor Animação e celebrado mundialmente por sua riqueza visual , filosófica e poética. Conta a história de Sophie, uma jovem transformada em idosa por uma maldição, que acaba encontrando abrigo no misterioso castelo ambulante do mago Howl, um homem lindo, onde se vê diante de questões envolvendo magia, guerra, identidade e amor.
Apesar da tradução ruim do título (Castelo Movente seria melhor), assisti ontem e fiquei maravilhada pela beleza estética e pela profundidade  existencial. A  presença da magia oferece uma sensação de movimentação temporal: repentinamente, Sophie é jovem, vira idosa e torna a ser jovem novamente, bastando sofrer alterações internas. Parecia um episódio de Dark, só que animado por Miyazaki! Com bruxas, fadas e demônios, cada um com sua carga simbólica bem robusta, típica do diretor. O  filme explora  voos e deslocamentos: tem aeroplanos, portas e portais para outros tempos (de novo Dark na minha mente) e dimensões. Um possível spoiler: quando acabou, o fim me levou a perguntar se, na cena em que Howl conhece Sophie no começo, ele  é desconhecido para ela, mesmo assim, o jovem  logo diz que a estava procurando fazia tempo. Não seria porque, como ficamos sabendo no final, ela já teria visitado seu passado? Talvez já fosse sua conhecida de lá! Mais Dark que isso, muito difícil 🤣😂
Mas achei belíssimo, romântico, engraçado... tudo de bom. Viva Miyazaki ❤️

quinta-feira, 30 de abril de 2026

A flauta de Ariane Rodrigues no instrumental


EEu não estava tão arrumadeira como de costume,  mas acreditem, foi o máximo que consegui 

Um ponto amarelo pra alegrar 

Deois de uma sessão de terapia pesada, fui pro sesc comer. Dssa vez não tomei sopinha,comi um sanduíche de carne moída delicioso e o suco de polpa Sesc de abacaxi com capim santi, cujo único defeito é que ele acaba 


Encontrei minha amiga de instrumental Mônica,  que estava cim outra amiga e tiramos fotos divertidas 



E ai veio show maravilhoso da flautista Ariane Rodrigues


A FLAUTA TRANSVERSAL DE ARIANE RODRIGUES

Depois de um tempo afastada, voltei ao Instrumental  SESC Brasil para assistir a esse show delicioso. Muito jazz, muito Hermeto Pascoal e música boa. Quando vieram os convidados, com a percussão de Ari Colares e as maravilhosas flautistas Marta Moraes e Marina Bastos, tudo ficou ainda mais celestial. Fantástico mesmo foi no final, quando as flautistas trocaram a flauta pelo tífano e o show virou um baile de carnaval no Recife. Amei!

Que show inaugure dias de mais disposição para mim.!  

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O céu de Suely , Karim Aïnouz

 


O CÉU DE SUELY, dirigido por Karim Aïnouz, era um dos quatro filmes destacados pela Folha de São Paulo que eu ainda não tinha visto. Assisti ontem com minha mãe e gostamos. Mesmo sendo dos anos 2000, continua bastante relevante.

Embora não traga uma novidade estética ao retratar um Brasil de forma crua, algo que já aparecia em filmes como Bye Bye Brasil e depois na retomada com Central do Brasil, aqui essa abordagem é revisitada para tratar da sobrevivência feminina. A história de uma mãe solteira abandonada, sem perspectivas, em busca de mudar de vida, é contada com dureza e delicadeza ao mesmo tempo, com boa trilha sonora e atuações consistentes.

Apesar de partir de um enredo que poderia cair no clichê ou no julgamento moral, o filme opta por um olhar humanista. A sensação de aprisionamento naquela vida e naquela cidade, vivida por Hermila, se transmite gradualmente ao espectador. Mais do que julgá-la, passamos a compreendê-la, mesmo quando, sob o codinome Suely, ela transforma o próprio corpo em prêmio de rifa. Essas cenas são mais tristes do que chocantes.

Chamam atenção as imagens que evidenciam sua solidão, como as cenas nos orelhões tentando restabelecer vínculos rompidos, ou na rodoviária, primeiro esperando alguém, depois buscando uma forma de partir. A esperança em um futuro diferente, que persiste apesar de tudo, é o que o filme constrói como possibilidade de salvação.

Um possível spoiler: no início, ouvimos Hermila narrar o dia mais feliz de sua vida, quando engravidou, em uma manhã de domingo, com um cobertor de lã escura e um CD com suas músicas favoritas. Ao final, já não há narração; vemos o mundo por seus olhos, um lugar vazio e sem caminhos claros. Nas cenas finais, quase teatrais, tudo se passa sob a placa “Aqui começa a saudade de Iguatu”, sentimento que talvez ela nunca chegue a experimentar, caso consiga partir.

Gostei bastante do filme.

terça-feira, 28 de abril de 2026

A VIAGEM DE CHIHIRO


A Viagem de Chihiro (2001), dirigido por Hayao Miyazaki, vencedor do Oscar 2003 de Melhor animação.

Evitei por anos assistir, na esperança de ver no cinema; ontem não resisti e assisti na TV. Que filme maravilhoso! Lindo, aterrorizante, cheio de significados, exatamente como algumas crianças amam! Tudo perfeito, uma história sobre amadurecimento, identidade, relação com outras dimensões, busca de quem se é, tudo lindo e complexo. Feito para ver no escurinho do cinema, na tela grande, para sentir medinho de todos aqueles seres fantásticos enormes da casa de banho dos espíritos à sua frente! Quem sabe um dia terei essa oportunidade!

2026 vem sendo o ano de conhecer algumas obras-primas do Japão. Primeiro foi Crônica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami; agora, A Viagem de Chihiro, obra-prima do Studio Ghibli. Tudo muito bom!


 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cangaço Novo 2a. Temporada


Terminei de assistir à rápida e intensa segunda temporada de Cangaço Novo, série que adorei acompanhar, como comentei AQUI.

Como foi um sucesso internacional no catálogo do Prime e deixou gostinho de quero mais, a segunda temporada chegou, mesmo curta, com apenas sete episódios e sem muitas conclusões. Ainda assim, adorei assistir.

Nos primeiros episódios, a qualidade da produção encheu meus olhos! Tudo muito cinematográfico, com cara de grande produção nacional. Do centro para o final, a qualidade se mantém, mas o roteiro perde um pouco a força e as cenas de ação, de modo impressionante, se destacam.


MINHAS EXPECTATIVAS

Antes de assistir a segunda parte, já mantinha algumas expectativas.

Na primeira temporada de Cangaço Novo, do Prime, para mim o grande destaque foi que o protagonista Ubaldo, interpretado por Allan de Sousa Lima, acabou perdendo brilho para sua irmã cangaceira Dinorá, vivida pela maravilhosa Alice Carvalho.

Para a segunda temporada, minha expectativa era que outras mulheres também se destacassem na trama, sublinhando a força da mulher nordestina. Pensei especialmente na bela e misteriosa Dilvânia, interpretada por Thainá Duarte, e em Zeza, vivida pela veterana Marcélia Cartaxo.

Elas foram confirmadas nos primeiros episódios, muito bem produzidos esteticamente.

No segundo episódio, como eu queria, outras mulheres além de Dinorá estão ganhando destaque. O mais incrível, para mim, foi a citação textual de trechos de Grande Sertão: Veredas durante um sonho da irmã mais nova da família Vaqueiro, Dilvânia. Suponho também que haja uma referência direta à cena em que um homem tenta domar um cavalo no marcante filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos, que considero a melhor adaptação de Guimarães Rosa para o cinema. Nem comento que surgiu um cangaceiro chamado Fafafá, como no bando de Urutu Branco, em Grande Sertão: Veredas.

Além disso, a própria personagem Dilvânia, a menina milagreira, é uma figura comum no imaginário popular brasileiro e, por isso, lembra muito a protagonista do conto A menina de lá, que estudei na minha tese. Para ela, escolheram como tema a música Menina Jesus, de Tom Zé. Amei.


FINAL DA TEMPORADA E DESTINO DA SÉRIE

A figura da temporada foi Dilvânia, cuja história abre o primeiro episódio e cujo canto encerra o último. Foi muito bom ter trazido, na temporada mais cruelmente violenta, um fundo místico tão característico do sertão brasileiro. Dilvânia, com suas poções, a menina milagreira, encarna todo esse universo; em sua jornada, couberam preces, Grande Sertão e coragem.

O belo final, com Dilvânia professando sua fé e Ubaldo cumprindo seu quinhão na vida de um ladrão, permite tanto encerrar a série quanto dar continuidade a ela. Vai depender da recepção na plataforma. Se continuar, sugiro que invistam em bons roteiros, até pra sustentar a exploração de cenas  de ação.

Foi muito bom ver uma produção nacional tão boa.