Depois que assisti ao excelente "O Filho de Mil Homens" (2025), o cenário praiano me lembrou "A Ostra e o Vento"(1997), um filme que me recordo de ter achado triste e lindo, mas faz tanto tempo que pode ser que eu não me lembre direito.
Na primeira vez que procurei, não achei. Será que, depois de tantos anos, eu já estava pronta para rever? Aí fui ouvir a canção A ostra e o vento que tanto evitei ouvir de novo, pois era como se abrissem meu "estojo" de ostra e tocassem minha solidão infinita. Eu ficava tão vulnerável! Dessa vez foi mais tranquilo. Que bela canção! Ouvi duas vezes sem sofrer.
Na verdade, sempre soube que o livro, o filme e a música de Chico Buarque são bonitos até demais. O problema estava em mim.
Essa história sobre uma solidão enlouquecedora sempre foi um monstro para mim. Eu reagi contra, passei anos resistindo a lembrar dela. Quando o filme saiu, eu mal tinha vinte anos, cabeça e sentimentos ainda não formados. Tudo que eu não queria era ser Marcela, a que tem o mar como cela. E não fui.
Mas anos se passaram. Será que eu já tinha suporte para enfrentar esse monstro e ver o filme com a delicadeza que ele merece? Tive!
Foi lindo reencontrar tudo aquilo. Nem doeu como se fosse em mim. Já não tenho mais vinte anos, superei muita coisa.
Agora assinei a Netflix e achei o filme lá, numa versão de muita qualidade. Não lembro onde assisti ao filme na época, teria sido no cinema? Teria em DVD? Não lembro! Mas pude rever com atenção e foi muito bonito. Como o cinema nacional tem belezas escondidas. A atuação da jovem Leandra Leal é sublime. Ela realmente vive Marcela, a moça presa numa ilha com seu pai, o faroleiro José, em uma solidão enlouquecedora, até se apaixonar por Saulo, o vento. É muito poético e brilhante como o filme consegue contar isso em imagens!
Ouvi a música, assisti ao filme, agora só falta dar uma olhada no livro de Moacir Lopes. Eu tenho ele aqui, mas deve estar escondido para que eu não corra o risco de trombar com ele, meu monstro de juventude.
Quando o encontrar, comentarei neste post mesmo. Por hora, fica a dica: assistam "A Ostra e o Vento". É triste, mas é muito bonito!

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