terça-feira, 2 de agosto de 2016

E o que o Wittgenstein tem a ver com minha pesquisa de pós - doutorado?

Então, eu perdi meus exemplares do 'Investigações Filosóficas' de Ludwig Wittgenstein, mas como o tio Google é legal, me ajudou a achar o arquivo, com a página 65 dele, onde está escrita a máxima que eu procurava :

"A filosofia é uma luta contra o enfeitiçamento do nosso entendimento pelos meios da nossa linguagem."Ludwig Wittgenstein

Ouvir as falas de crianças, em sua linguagem incipiente, que nos desestabilizam, podem nos fazer rir ou chorar e nos colocam , inevitavelmente, diante desta luta contra a comunicação cristalizada...
Eis uma das reflexões propostas na minha pesquisa de pós-doutorado sobre as anedotas infantis de Pedro Bloch.

Professor Ivan Vilela fala sobre história da canção popular brasileira

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Vislumbres da história instrucional nas anedotas infantis de Pedro Bloch

Pedro Bloch. 'Criança diz cada uma!'.Rio de Janeiro: Biblos, 1963,p. 101.

Essa historinha é toda interessante para o historiador cultural do humor : no âmbito da história privada, ela retrata uma criança sessentista, muito mais envolvida com as normas ritualísticas católicas do que elas foram ficando depois. E no âmbito da história pública, retrata um "vislumbre" sobre o momento político da época (1963), quando o antigo momento da ditadura ainda era o Estado Novo de Getúlio.
Lendo-a hoje percebemos que mal sabiam as personagens desta anedota, que momentos piores de autoritarismo ainda viriam em breve...
Penso que é muito mais vezes assim, sutilmente, que facetas da História institucional aparecem nas fontes de pesquisa em História Cultural. Mas aparecem sempre, mesmo que não se trate de um objeto de militância...

sábado, 30 de julho de 2016

PORQUE NÃO QUERO ESTUDAR LITERATURA INFANTIL

CIRANDA DE MENINAS -Ilustração de Augusto Rodrigues 1963
PORQUE NÃO QUERO ESTUDAR LITERATURA INFANTIL - Nada contra, claro,e não é só porque já tem muita gente muito boa estudando isso e não há necessidade da minha contribuição.

É que quando leio histórias de crianças nascidas em uma cultura livreira como a alemã, na qual é comum que as crianças recebam de herança um livro que foi lido por várias gerações anteriores, e pensa na diferença em relação realidade brasileira ... cada vez mais acredito que o interessante, aqui, é estudar o poder das brincadeiras e cantigas populares como uma cultura da criança brasileira ...

Um depoimento sobre Pedro Bloch


Ocasionalmente encontrei essa resenha sobre Pedro Bloch autor de livros infantis na internet. Legal, né?

"Fogui 05/12/2010
Os Valores da Humanidade...
Sou suspeita, adoro os livros de Pedro Bloch, sua forma de narração, sua originalidade, seu estilo e sua linguagem sempre atual. E, sobretudo, profundo sentido humano que contem suas histórias.
Em, O Menino Que Inventou A Verdade, ele narra, com muita sensibilidade, o drama do menino órfão, Teco, dando destaque, importantíssimo, aos valores de solidariedade e compreensão entre as pessoas. Na realidade o amor.
Recomendo este livro, principalmente, para aqueles que não conhecem a obra de Pedro Bloch.
ADORO!!!!!!!!!!!!! "

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Indicação de um livro de ficção infantil de Pedro Bloch


No meu pós doc me debruço sobre os livros de anedotas de criança de Pedro Bloch, não sobre seus livros de ficção infantil, mas ao ler o que Nelly Novaes Coelho escreveu sobre ele no Dicionário Crítico de Literatura Infantil e Juvenil Brasileira: Sec XIX e XX, achei que esse  me interessaria, vejam só :


        Bulunga, o Rei Azul (1983)
Divertida estorieta em diálogo, esta conta a maria do garoto Bulunga pela cor azul e as peripércias vividas por ele e várias outras personagens por causa disso. Na verdade, a mania do garoto é apenas pretexto para a conversa aparentemente maluca entre dois interlocutores (que o leitor fica sem saber quem são). Um 'barato', como diz a meninada ...Capa e ilustrações de Carlos Edgard Herrera, em tons azuis, reiteram o ludismo do texto.(COELHO, Nelly Novaes. Dicionário crítico da literatura infantil e juvenil brasileira:séculos XIX e XX. São Paulo : Edusp, 1995).




quarta-feira, 27 de julho de 2016

"Ruptura e subversão na literatura para crianças", de Maria Lucia Machens


Nesse interessantíssimo livro, Maria Lucia Machens começa nos contando que  :

"Na própria história da humanidade as crianças, por sua curiosidade e insaciável fome de conhecimento do mundo, foram com certeza os indivíduos mais interessados em ouvir as primeiras histórias. Muito antes de existirem leitores é provável que, entre os ouvintes os ouvintes, elas tenham sido os mais ávidos consumidores de literatura quando esta se manifestava apenas pela oralidade. 
Inicialmente, as histórias contadas para crianças surgiram como narrativas orais para o público adulto e eram transmitidas de geração em geração.Eram contos que falavam de mitos, aventuras, fábulas, lendas, sagas, teogonias, histórias milagrosas, temas de tradição popular e esses enredos também fascinavam as crianças. 
Afrânio Coutinho ressalta como a tradição oral é uma fonte importante na divulgação da literatura ao afirmar que 
 
"A preferência pela literatura oral. primeiro leite da cultura humana, existe em todas as bibliografias" (COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1964, p. 132)"
Maria Lucia Machens "Ruptura e subversão na literarura para crianças", p. 10



No caso do Guimarães Rosa, a oralidade sempre foi a pedra fundamental da sua literatura, ele que contava que, de menino, ouvia sempre as narrativas dos velhos... e depois escreveu uma literatura toda estruturada nos princípios da oralidade... e não deve ter sido à toa que Rosa e Pedro Bloch ( o médico da fala de crianças) foram amigos íntimos, né?