quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
O AMOR É EGOÍSTA E SÓ CUIDA DE SI...
"sem alma, cruel, cretino, descarado, filho da mãe..."
É por isso que eu preciso assistir a um show do Tom Zé, preciso!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
TANGO EM CUBA!
Vejam o ótimo filme "Morango e Chocolate", de Tomás Gutierrez Alea, de 1993...
Ou esse video bacana:
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
O HOLOCAUSTO E BENTO XVI
Emerge nesta semana a polêmica sobre o posicionamento do Papa Bento XVI a respeito do holocausto, quando reabilitou bispos que teriam defendido a não existência daquele evento. Não vou colocar o dedo em assunto que não é de meu mínimo domínio, mas como historiadora tudo isso me chama atenção para o tratamento dos discursos neste jogo entre “verdades” e “mentiras” sendo fabricadas em virtude de alguma questão política, econômica, moral, religiosa, etc...
Isso remete ao trabalho dos historiadores, os que tem de lidar com esses temas tão espinhosos em diferentes temporalidades, lidando com o registro de testemunhos contrastantes, econômicos demais, inacreditáveis ou mesmo a não existência de testemunho nenhum: Eis algumas das dificuldades a serem enfrentadas pelos pesquisadores da história.
No caso do Papa Bento XVI a primeira pergunta seria "qual seria seu real interesse quando resgatou a legitimidade dos bispos com posições hoje quase impossíveis de serem aceitas como essa da não existência do holocausto?"
Essa pergunta é interessante se lembrarmos que na Alemanha atual, pregar a não existência do holocausto é crime! O Papa está se posicionando a partir de qual lugar? O de uma figura de extrema direita - o que a meu ver é péssimo, pois assim ele já começa mal, pois não gosto de extremos, extrema direita e extrema esquerda são, para mim, igualmente perigosos porque os extremos abrem mão da linguagem, do dialogo... - e a verdade, já disse Riobaldo não está nem no começo nem no final, ela aparece no meio da travessia (ou seja, nada de extremos...), o fato que interessa é que com esse tipo de atitude, Bento VI interrompe violentamente o diálogo entre as comunidades cristãs e judaicas que demorou séculos até ser considerado possível.
Hoje já temos o conflito entre judeus e palestinos em Israel e mais esta interrupção no diálogo entre diferentes é mais um posicionamento arbitrário. E a sensibilidade para o uso inteligente da linguagem, com objetivo de nos preservar de abusos e violências está cada vez menos sendo utilizada.
E agora? Agora, historiadores, vamos ler mais Carlo Ginzburg e os levantamentos sobre as relações entre o verdeiro, o fictício, ou se quisermos, entre a História e a Literatura, só refletindo muito sobre isso é possível nos protegermos da montagem vária de discursos que está sempre sendo executada sobre nós.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
VESTIBULAR 2010: LIVROS OBRIGATÓRIOS USP/UNICAMP
Somente três obras foram substituídas. Saíram Sagarana de Guimarães Rosa, A Rosa do povo de Drummond e Poemas escolhidos de Alberto Caeiro, e estraram Capitães de areia de Jorge Amado, Antologia 1960 de Vinicius de Moraes e O Cortiço, de Aluisio Azevedo.
Penso que a opção por Capitães da Areia, de Jorge Amado, ao invés de Sagarana me parece mais adequado para um vestibulando, pois não é um livro raso, mas também não exige uma interpretação tão profunda quando pede uma obra de Guimarães Rosa... Claro que Rosa é (para mim) incomparável, mas justamente por isso sou contra a obrigatoriedade de sua leitura. Se for para ler obrigado, acho bem melhor que seja Jorge Amado, que também tem muito pano para manga, pois trás sempre conflitos culturais e sociais a serem discutidos.
Já em relação à retirada de A Rosa do Povo, de Drummond, sou contra. Claro que é um livro bastante denso como todo Drummond, mas é de agradável leitura (apesar da densidade de alguns poemas...) e tem em sua base todo um contexto histórico (a Segunda Guerra) e todas as insatisfações frementes nesta época, o que poderia ser muito mais explorado, apesar de eu também ser a favor da entrada do poetinha nesta lista (poetinha sempre foi discriminado academicamente, mas ele também é um dos "grandes poetas do Brasil", como Drummond...) neste livro que foi indicado temos alguns dos meu favoritos dele,como Pátria minha e Operário em construção... talvez se ao invés de apostar na poesia de Vinicius para a inserção do autor no contexto da academia, pudéssemos ter apostado na prosa de Vinícius (que é forte também!) e mantido Drummond ... mas para começo, está bom.
Sobre o livro de Aluízio Azevedo, penso que é uma escolha padrão - embora o realismo já estivesse representado por Eça de Queirós com A Cidade e as Serras, mas Brasil já não é mais Portugal na época do realismo, então é interessante que apareçam as duas faces.
Resumindo eu achei a lista boa, espero dar muitas aulas sobre esses livros todos esse ano (porque as de literatura são as aulas que eu mais gosto de dar, apesar de eu estar redescobrindo o gosto bom da história, que pode ser muito divertida). Um dos nove livros da lista eu nunca li, o do Eça, mas como ele continua firme na indicação, acho que vou animar ler.
Esta nova lista de livros de leitura obrigatória, ao que me parece, apresenta alguma espécie de mudança na mentalidade pois derruba preconceitos tolos, mas vejamos como esses autores que sempre estiveram à margem serão aproveitados.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
VIOLAS E VIOLEIROS VÃO LOUVAR CANTANDO VOCÊ...
Toda vez que eu ouço Elomar, sinto uma coisa boa... uma espécie qualquer de orgulho de ser brasileira, terra onde esses pequenos milagres como a existência dele acontecem: um arquiteto, fazendeiro, musico, musicólogo, cantador, trovador, que infelizmente tão pouca gente conhece! Mas também sinto uma dor, um banzo qualquer roubado dos olhos cor de terra seca deste sertanejo. Um sertanejo como ele roubou a luz dos meus olhos e me levou a executar violências imperdoáveis contra mim mesma, uma dor sem fim! Mas como alertava Guimarães Rosa, o sertão é "uma espera enorme", eu esperei por meu trovador a vida toda, em 2008 duas figuras me remeteram diretamente a essa imagem, mas só uma delas foi "lua nova do céu que já não me quer". sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
SANTA MARIA, ESTRELA DO DIA ...
Pensando cada vez mais em Elomar, planejando escrever muitos posts sobre ele, eu achei um vídeo fenomenal sobre a referência a sonoridade medieval que nas músicas do sertanejo encontramos. A legenda deste vídeo no Youtube esclarece:
CANTIGA MEDIEVAL DE St.MARIA, D.Afonso X."
Talvez no próximo eu volte a escrever mais diretamente sobre Elomar... veremos!
CANTIGA DE ARRUMAÇÃO
Em 2003 eu fiz uma viagem a Minas Gerais, passei dias seguido de Belo Horizonte até Diamantina e vivi muitas experiências estéticas, simbólicas, históricas, musicais e emocionais... Uma delas aconteceu em Diamantina, quando um casal que estava em lua de mel se contaminou com o clima seresteiro da cidade e começou a tocar e cantar em praça pública uma música que eu conhecia de muito tempo, e sempre chamou violentamente a minha atenção: era estranha, a letra era incompreensível e a sonoridade era toda nova, me dava medo... Era a cantiga de Arrumação, do cantador Elomar Figueira de Melo.
Recapitulado: Eu estava no norte de Minas- e um casal em lua de mel começou a cantar uma música que eu conhecia e que sempre me causou medo pelo estranhamento das linguagens utilizadas... deu para perceber, né? Estranhamentos lingüísticos sempre me chamaram a atenção. Eu lembro que eu escutava a finada Musical FM, a rádio MPB e foi nela que entrei em contato com a fina flor da música popular brasileira como Clube da Esquina, Chico e Caetano, Bossa Nova, Rita Ribeiro e... Elomar... Quando eu ouvia os acordes iniciais de Arrumação sentia um medo (medo do que eu não compreendia) mas não conseguia trocar de estação...só pensava “xi, de novo a música do feijão”, já que esta era uma das poucas palavras da letra que eu sabia o que era...(naquela época eu nem conhecia Guimarães Rosa ainda...) acabei me esquecendo dela, já que a Musical morreu e quando o casal começou a cantar, avisando que iam tocar uma música um tanto diferente da sonoridade das serestas dimantineiras, mas ainda assim com seu sentido para aquela viagem, já que estávamos a porta de entrada do sertão, quando Minas se aproxima da Bahia... Elomar é do sertão da Bahia, de Vitória da Conquista, cidade que está sempre aparecendo em minha vida, mas que ainda não conheci... Hoje senti saudade de um lugar que não conheço mas que eu sempre desejei, de Vitória da Conquista. Vamos ouvir a assustadoramente diferente canção de Elomar: