
segunda-feira, 22 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
Manoel de Barros ou Guimarães Rosa?
Quem assume ter uma paixão literária, como eu tenho por Guimarães Rosa, frequentemente é chamado a se JUSTIFICAR por sua "escolha". Isso é claro para mim, afinal já perdi a conta de quantas vezes tive de responder "Por que Guimarães Rosa e não... - a lista de comparações é enorme, mas os mais comumente usados são Machado de Assis, Goethe, João Cabral...)?
Ora, no filme "O Segredo dos seus olhos" a resposta a essa pergunta -seja qual for o escritor proposto para substituir minha paixão por Guimarães Rosa- é dada:
NINGUÉM MUDA O OBJETO DE UMA PAIXÃO. ISSO NÃO SE SUBSTITUI, NÃO SE TROCA, NÃO SE CONTROLA.
É isso.
Mas atualmente, talvez pelo lançamento do livro "Menino do Mato", sempre me perguntam por que faço doutorado sobre infância e uso Guimarães Rosa e não Manoel de Barros?
Ora, além da minha paixão, tenho outras 2 0u 3 colocações racionais :
1-Se trato de crianças em Rosa, devo lembrar que não são quaisquer crianças: são crianças pobres migrantes brasileiras, que tem, incrivelmente, sua delicadeza, sensibilidade e inteligência representadas ... as crianças de Barros são crianças, no geral. Não sou pedagoga, saca?
2-No universo de Rosa não tem só ele - o que já seria ótimo - mas tem também o sertão - emblema e alegoria do desconhecido - e os sertanejos - os moldadores de linguagem. E mesmo Barros era grande admirador de Rosa, como podemos ler aqui.
Em Rosa não só crianças vivem em "estado de infância", em barros só elas.
3- Não estou fazendo uma pesquisa sobre "crianças" e usando o Guimarães Rosa para isso.
A verdade é o oposto: FAÇO UMA PESQUISA SOBRE GUIMARÃES ROSA E, NESSE MOMENTO, ESTOU CENTRADA NO TEMA INFÂNCIA.
Para mim está mais do que claro, se a você não está, deixe-me em paz com minha paixão.
Obrigada!
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Manoel de Barros,
O Segredo dos seus olhos
quarta-feira, 17 de março de 2010
O BRASIL AINDA PRECISA SE ENCONTRAR!
Fala-se muito - especialmente no meio acadêmico- que precisamos encontrar Brasil, e tal...
Acho que isso é pular etapas... penso que o Brasil é como o diabo do Grande Sertão:"não queria existir"! Ele ainda é tão fluído!
Isso me (re) lembra o filme que eu amo "Central do Brasil" -e, aquele cujo subtítulo podia ser a"a verdadeira História do Brasil"- que começa e termina com o samba "Preciso me encontrar"... e esse "deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar rir pra não chorar..."
Sentir/pensar isso é, para mim, uma razão de vida!
Pensei muito isso no meu mestrado, agora no início do doutorado, penso no Brasil mais profundamente: Como tudo aqui ainda está em fase inicial!
Assim como pensava Oswald de Andrade nos anos 1920, o Brasil é um Estado criança, a ser formado, e ainda é? Acho que sim!
Aqui ainda existe esse tipo de coisa:
Acho que isso é pular etapas... penso que o Brasil é como o diabo do Grande Sertão:"não queria existir"! Ele ainda é tão fluído!
Isso me (re) lembra o filme que eu amo "Central do Brasil" -e, aquele cujo subtítulo podia ser a"a verdadeira História do Brasil"- que começa e termina com o samba "Preciso me encontrar"... e esse "deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar rir pra não chorar..."
Sentir/pensar isso é, para mim, uma razão de vida!
Pensei muito isso no meu mestrado, agora no início do doutorado, penso no Brasil mais profundamente: Como tudo aqui ainda está em fase inicial!
Assim como pensava Oswald de Andrade nos anos 1920, o Brasil é um Estado criança, a ser formado, e ainda é? Acho que sim!
Aqui ainda existe esse tipo de coisa:
O que faremos ? O que podemos fazer?
domingo, 14 de março de 2010
Rir para não chorar- professor sustenta que humor compensa a falta de identidade
Recebi esta manhã, repassei aos contatos por e-mail e colo aqui:
Dá um certo trabalhinho acessar pois tem que fazer inscrição no site .... mas vale a pena, é um comentário bem interessante, começando pelo título ( o mesmo deste post) que chama a atenção do leitor :"Rir para não chorar- professor sustenta que humor compensa a falta de identidade"
O texto rápido e ágil da resenha desperta a vontade de ler (ou reler) o livro, especialmente para mim que tenho pensado em e sentido na pele, mais do que nunca, os descompassos desta terra onde vivemos. Não sei porque só agora "descobriram" esse livro, mas acho que é fundamental ler esse livro nesse contexto de comemorações sobre a Copa do mundo e das Olimpíadas, onde todos se sentem orgulhosos de serem brasileiros e se emocionam com o Hino Nacional, mas alguém sabe o que significa, de verdade, ser brasileiro?
Espero, mesmo, que mais pessoas leiam esse livro do Elias porque é, ao meu ver, um daqueles trabalhos de pesquisas que muita gente tem que fazer até que se possa pensar em alguma identidade brasileira, que é toda mal costurada e construída sobre os paradigmas da individualidade e da exclusão.
Acessem o link http://home.dgabc.com.br/diariovirtual/zomm.asp?pg=DiáriodoGrandeABC_14262/64002&prt=1
Grata pela atenção e boa leitura aos que se interessarem
Dá um certo trabalhinho acessar pois tem que fazer inscrição no site .... mas vale a pena, é um comentário bem interessante, começando pelo título ( o mesmo deste post) que chama a atenção do leitor :"Rir para não chorar- professor sustenta que humor compensa a falta de identidade"
O texto rápido e ágil da resenha desperta a vontade de ler (ou reler) o livro, especialmente para mim que tenho pensado em e sentido na pele, mais do que nunca, os descompassos desta terra onde vivemos. Não sei porque só agora "descobriram" esse livro, mas acho que é fundamental ler esse livro nesse contexto de comemorações sobre a Copa do mundo e das Olimpíadas, onde todos se sentem orgulhosos de serem brasileiros e se emocionam com o Hino Nacional, mas alguém sabe o que significa, de verdade, ser brasileiro?
Espero, mesmo, que mais pessoas leiam esse livro do Elias porque é, ao meu ver, um daqueles trabalhos de pesquisas que muita gente tem que fazer até que se possa pensar em alguma identidade brasileira, que é toda mal costurada e construída sobre os paradigmas da individualidade e da exclusão.
Acessem o link http://home.dgabc.com.br/diariovirtual/zomm.asp?pg=DiáriodoGrandeABC_14262/64002&prt=1
Grata pela atenção e boa leitura aos que se interessarem
sábado, 13 de março de 2010
Engessamento cultural de um bebê, por Clarice Lispector
Vou colar aqui, na íntegra, o conto onde Clarice Lispector tenta representar o início do processo de "engessamento" cultural de um bebê... de como ele é livre e vai se formatando... é muito interessante! Vejam só:

Menino a Bico de Pena - Clarice Lispector
Como conhecer jamais o menino? Para conhecê-lo tenho que esperar que ele se deteriore. Lá está ele, um ponto no infinito. Ninguém conhecerá o hoje dele. Nem ele próprio. Quanto a mim, olho, é inútil: não consigo entender coisa apenas atual, totalmente atual. O que conheço dele é a sua situação: o menino é aquele em quem acabaram de nascer os primeiros dentes e é o mesmo que será médico ou carpinteiro.
Enquanto isso – lá está ele sentado no chão, de um real que tenho de chamar de vegetativo para poder entender. Trinta mil desses meninos sentados no chão, teriam eles a chance de construir um mundo outro, um que levasse em conta a memória da atualidade absoluta a que um dia já pertencemos? A união faria a força. Lá está ele sentado, iniciando tudo de novo mas para a própria proteção futura dele, sem nenhuma chance verdadeira de realmente iniciar.
Não sei como desenhar o menino. Sei que é impossível desenhá-lo a carvão, pois até o bico de pena mancha o papel para além da finíssima linha de extrema atualidade em que ele vive. Um dia o domesticaremos em humano, e poderemos desenhá-lo. Pois assim fizemos conosco e com Deus. O próprio menino ajudará sua domesticação: ele é esforçado e coopera.Coopera sem saber que essa ajuda que lhe pedimos é para o seu autossacrifício. Ultimamente ele até tem treinado muito. E assim continuará progredindo até que, pouco a pouco – pela bondade necessária com que nos salvamos – ele passará do tempo atual ao tempo cotidiano, da meditação à expressão, da existência à vida. Fazendo o grande sacrifício de não ser louco. Eu não sou louco por solidariedade com os milhares de nós que, para construir o possível, também sacrificaram a verdade que seria uma loucura.
Mas por enquanto ei-lo sentado no chão, imerso num vazio profundo. Da cozinha a mãe se certifica: “você está quietinho aí?” Chamado ao trabalho, o menino ergue-se com dificuldade. Cambaleia sobre as pernas, com a atenção inteira para dentro: todo o seu equilíbrio é interno. Conseguindo isso, agora a inteira atenção para fora: ele observa o que o ato de se erguer provocou. Pois levantar-se teve consequências e consequências: o chão move-se incerto, uma cadeira o supera, a parede o delimita.
E na parede tem o retrato de O Menino. É difícil olhar para o retrato alto sem apoiar-se num móvel, isso ele ainda não treinou. Mas eis que sua própria dificuldade lhe serve de apoio: o que o mantém de pé é exatamente prender a atenção ao retrato alto, olhar para cima lhe serve de guindaste. Mas ele comete um erro: pestaneja. Ter pestanejado desliga-o por uma fração de segundo do retrato que o sustentava. O equilíbrio se desfaz – num único gesto total, ele cai sentado. Da boca entreaberta pelo esforço de vida a baba clara escorre e pinga no chão. Olha o pingo bem de perto, como a uma formiga.
O braço ergue-se, avança em árduo mecanismo de etapas. E de súbito, como para prender um inefável, com inesperada violência ele achata a baba com a palma da mão. Pestaneja, espera. Finalmente, passado o tempo necessário que se tem de esperar pelas coisas, ele destampa cuidadosamente a mão e olha no assoalho o fruto da experiência. O chão está vazio. Em nova brusca etapa, olha a mão: o pingo de baba está, pois, colado na palma. Agora ele sabe disso também. Então, de olhos bem abertos, lambe a baba que pertence ao menino. Ele pensa bem alto: menino. “Quem é que você está chamando?”, pergunta a mãe lá da cozinha.
Com esforço e gentileza ele olha pela sala, procura quem a mãe diz que ele está chamando, vira-se e cai para trás. Enquanto chora, vê a sala entortada e refratada pelas lágrimas, o volume branco cresce até ele – mãe! absorve-o com braços fortes, e eis que o menino está bem no alto do ar, bem no quente e no bom. O teto está mais perto, agora; a mesa, embaixo. E, como ele não pode mais de cansaço, começa a revirar as pupilas até que estas vão mergulhando na linha de horizonte dos olhos. Fecha-os sobre a última imagem, as grades da cama. Adormece esgotado e sereno.
A água secou na boca. A mosca bate no vidro. O sono do menino é raiado de claridade e calor, o sono vibra no ar. Até que, em pesadelo súbito, uma das palavras que ele aprendeu lhe ocorre: ele estremece violentamente, abre os olhos. E para o seu terror vê apenas isto: o vazio quente e claro do ar, sem mãe. O que ele pensa estoura em choro pela casa toda.
Enquanto chora, vai se reconhecendo, transformando-se naquele que a mãe reconhecerá. Quase desfalece em soluços, com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o conhece se ele não disser e contar, farei tudo o que for necessário para que eu seja dos outros e os outros sejam meus, pularei por cima de minha felicidade real que só me traria abandono, e serei popular, faço a barganha de ser amado, é inteiramente mágico chorar para ter em troca: mãe.
Até que o ruído familiar entra pela porta e o menino, mudo de interesse pelo que o poder de um menino provoca, para de chorar: mãe. Mãe é: não morrer. E sua segurança é saber que tem um mundo para trair e vender, e que o venderá.
É mãe, sim é mãe com fralda na mão. A partir de ver a fralda, ele recomeça a chorar. “Pois se você está todo molhado?” A notícia o espanta, sua curiosidade recomeça, mas agora uma curiosidade confortável e garantida. Olha com cegueira o próprio molhado, em nova etapa olha a mãe. Mas de repente se retesa e escuta com o corpo todo, o coração batendo pesado na barriga: “fonfom!”, reconhece ele de repente num grito de vitória e terror – o menino acaba de reconhecer!
“Isso mesmo!”, diz a mãe com orgulho, “isso mesmo, meu amor, é fonfom que passou agora pela rua, vou contar para o papai que você já aprendeu, é assim mesmo que se diz: fonfom, meu amor!”, diz a mãe puxando-o de baixo para cima, inclinando-o para trás, puxando-o de novo de baixo para cima. Em todas as posições o menino conserva os olhos bem abertos. Secos como a fralda nova.
Como conhecer jamais o menino? Para conhecê-lo tenho que esperar que ele se deteriore. Lá está ele, um ponto no infinito. Ninguém conhecerá o hoje dele. Nem ele próprio. Quanto a mim, olho, é inútil: não consigo entender coisa apenas atual, totalmente atual. O que conheço dele é a sua situação: o menino é aquele em quem acabaram de nascer os primeiros dentes e é o mesmo que será médico ou carpinteiro.
Enquanto isso – lá está ele sentado no chão, de um real que tenho de chamar de vegetativo para poder entender. Trinta mil desses meninos sentados no chão, teriam eles a chance de construir um mundo outro, um que levasse em conta a memória da atualidade absoluta a que um dia já pertencemos? A união faria a força. Lá está ele sentado, iniciando tudo de novo mas para a própria proteção futura dele, sem nenhuma chance verdadeira de realmente iniciar.
Não sei como desenhar o menino. Sei que é impossível desenhá-lo a carvão, pois até o bico de pena mancha o papel para além da finíssima linha de extrema atualidade em que ele vive. Um dia o domesticaremos em humano, e poderemos desenhá-lo. Pois assim fizemos conosco e com Deus. O próprio menino ajudará sua domesticação: ele é esforçado e coopera.Coopera sem saber que essa ajuda que lhe pedimos é para o seu autossacrifício. Ultimamente ele até tem treinado muito. E assim continuará progredindo até que, pouco a pouco – pela bondade necessária com que nos salvamos – ele passará do tempo atual ao tempo cotidiano, da meditação à expressão, da existência à vida. Fazendo o grande sacrifício de não ser louco. Eu não sou louco por solidariedade com os milhares de nós que, para construir o possível, também sacrificaram a verdade que seria uma loucura.
Mas por enquanto ei-lo sentado no chão, imerso num vazio profundo. Da cozinha a mãe se certifica: “você está quietinho aí?” Chamado ao trabalho, o menino ergue-se com dificuldade. Cambaleia sobre as pernas, com a atenção inteira para dentro: todo o seu equilíbrio é interno. Conseguindo isso, agora a inteira atenção para fora: ele observa o que o ato de se erguer provocou. Pois levantar-se teve consequências e consequências: o chão move-se incerto, uma cadeira o supera, a parede o delimita.
E na parede tem o retrato de O Menino. É difícil olhar para o retrato alto sem apoiar-se num móvel, isso ele ainda não treinou. Mas eis que sua própria dificuldade lhe serve de apoio: o que o mantém de pé é exatamente prender a atenção ao retrato alto, olhar para cima lhe serve de guindaste. Mas ele comete um erro: pestaneja. Ter pestanejado desliga-o por uma fração de segundo do retrato que o sustentava. O equilíbrio se desfaz – num único gesto total, ele cai sentado. Da boca entreaberta pelo esforço de vida a baba clara escorre e pinga no chão. Olha o pingo bem de perto, como a uma formiga.
O braço ergue-se, avança em árduo mecanismo de etapas. E de súbito, como para prender um inefável, com inesperada violência ele achata a baba com a palma da mão. Pestaneja, espera. Finalmente, passado o tempo necessário que se tem de esperar pelas coisas, ele destampa cuidadosamente a mão e olha no assoalho o fruto da experiência. O chão está vazio. Em nova brusca etapa, olha a mão: o pingo de baba está, pois, colado na palma. Agora ele sabe disso também. Então, de olhos bem abertos, lambe a baba que pertence ao menino. Ele pensa bem alto: menino. “Quem é que você está chamando?”, pergunta a mãe lá da cozinha.
Com esforço e gentileza ele olha pela sala, procura quem a mãe diz que ele está chamando, vira-se e cai para trás. Enquanto chora, vê a sala entortada e refratada pelas lágrimas, o volume branco cresce até ele – mãe! absorve-o com braços fortes, e eis que o menino está bem no alto do ar, bem no quente e no bom. O teto está mais perto, agora; a mesa, embaixo. E, como ele não pode mais de cansaço, começa a revirar as pupilas até que estas vão mergulhando na linha de horizonte dos olhos. Fecha-os sobre a última imagem, as grades da cama. Adormece esgotado e sereno.
A água secou na boca. A mosca bate no vidro. O sono do menino é raiado de claridade e calor, o sono vibra no ar. Até que, em pesadelo súbito, uma das palavras que ele aprendeu lhe ocorre: ele estremece violentamente, abre os olhos. E para o seu terror vê apenas isto: o vazio quente e claro do ar, sem mãe. O que ele pensa estoura em choro pela casa toda.
Enquanto chora, vai se reconhecendo, transformando-se naquele que a mãe reconhecerá. Quase desfalece em soluços, com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o conhece se ele não disser e contar, farei tudo o que for necessário para que eu seja dos outros e os outros sejam meus, pularei por cima de minha felicidade real que só me traria abandono, e serei popular, faço a barganha de ser amado, é inteiramente mágico chorar para ter em troca: mãe.
Até que o ruído familiar entra pela porta e o menino, mudo de interesse pelo que o poder de um menino provoca, para de chorar: mãe. Mãe é: não morrer. E sua segurança é saber que tem um mundo para trair e vender, e que o venderá.
É mãe, sim é mãe com fralda na mão. A partir de ver a fralda, ele recomeça a chorar. “Pois se você está todo molhado?” A notícia o espanta, sua curiosidade recomeça, mas agora uma curiosidade confortável e garantida. Olha com cegueira o próprio molhado, em nova etapa olha a mãe. Mas de repente se retesa e escuta com o corpo todo, o coração batendo pesado na barriga: “fonfom!”, reconhece ele de repente num grito de vitória e terror – o menino acaba de reconhecer!
“Isso mesmo!”, diz a mãe com orgulho, “isso mesmo, meu amor, é fonfom que passou agora pela rua, vou contar para o papai que você já aprendeu, é assim mesmo que se diz: fonfom, meu amor!”, diz a mãe puxando-o de baixo para cima, inclinando-o para trás, puxando-o de novo de baixo para cima. Em todas as posições o menino conserva os olhos bem abertos. Secos como a fralda nova.
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sexta-feira, 12 de março de 2010
SOBRE O JOGO DO SANTÁSTCO

Nesta semana, nós torcedores do santástco, pudemos assistir a mais um espetáculo dos meninos da vila!
Não falo só da goleada de 10 a 0, mas muito mais da forma de jogo ali apresentada... ali estavam os "meninos e bola", que caracteriza o futebol arte!
E as comemorações? Que performances!
Se for assim, dá vontade de pensar mais no futebol - nosso veneno remédio- porqui vi sendo executada ali a "imagem do pensamento" de Benjamin:
"O jogo tem devotos apaixonados, que o amam por ele mesmo e de modo algum pelo que ele dá"
Isso eu também sempre percebi -salvo alguns momentos isolados - no Corinthians...
Mas no Santos tivemos esta semana esse mesmo pensdamento expresso em momentos lúdicos ... que a ténica maquinal não nos roube esse prazer intenso!
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Projeto que regulamenta profissão de historiador é aprovado na CAS
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) aprovou nesta quarta-feira (10) o PLS 368/09, projeto de lei que regulamenta a profissão de historiador. O autor da proposta é o senador Paulo Paim (PT-RS). O texto foi votado em decisão terminativa.
O relator da matéria, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), afirmou durante a votação desta quarta que "esse projeto não impede o desempenho da atividade de historiador por aqueles que o fazem por vontade própria ou vocação; apenas garante para os respectivos cargos públicos a exigência do diploma de historiador".
O projeto define que a profissão de historiador poderá ser exercida pelos diplomados em curso superior de graduação, mestrado ou doutorado em história. As atividades desse profissional são, de acordo com o projeto, o magistério; a organização de informações para publicações, exposições e eventos sobre temas históricos; o planejamento, a organização, a implantação e a direção de serviços de pesquisa histórica; o assessoramento para avaliação e seleção de documentos para fins de preservação; e a elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Em seu voto pela aprovação do projeto, Cristovam observa que, atualmente, a atividade do historiador não está mais restrita à sala de aula e que a presença desse profissional é cada vez mais requisitada pelos centros culturais, museus, assessoria e consultorias a empresas de publicidade, turismo e produtores de cinema, jornalismo e televisão. Por esse motivo, o relator se manifesta favoravelmente a que a profissão seja valorizada e reconhecida legalmente.
O QUE ISSO SIGNIFICARÁ?
TEM QUE ALTERAR NA CARTIRA DE TRABALHO? (rs)
O relator da matéria, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), afirmou durante a votação desta quarta que "esse projeto não impede o desempenho da atividade de historiador por aqueles que o fazem por vontade própria ou vocação; apenas garante para os respectivos cargos públicos a exigência do diploma de historiador".
O projeto define que a profissão de historiador poderá ser exercida pelos diplomados em curso superior de graduação, mestrado ou doutorado em história. As atividades desse profissional são, de acordo com o projeto, o magistério; a organização de informações para publicações, exposições e eventos sobre temas históricos; o planejamento, a organização, a implantação e a direção de serviços de pesquisa histórica; o assessoramento para avaliação e seleção de documentos para fins de preservação; e a elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Em seu voto pela aprovação do projeto, Cristovam observa que, atualmente, a atividade do historiador não está mais restrita à sala de aula e que a presença desse profissional é cada vez mais requisitada pelos centros culturais, museus, assessoria e consultorias a empresas de publicidade, turismo e produtores de cinema, jornalismo e televisão. Por esse motivo, o relator se manifesta favoravelmente a que a profissão seja valorizada e reconhecida legalmente.
O QUE ISSO SIGNIFICARÁ?
TEM QUE ALTERAR NA CARTIRA DE TRABALHO? (rs)
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